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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

15
Set23

101 - A cultura do cancelamento

Luísa

O tema desta semana é, de certo modo, a continuação do que disse no post O Woke. Haverá, futuramente, uma terceira fase deste tema, a “apropriação cultural”.

Basicamente, “cultura do cancelamento” significa retirar o apoio a uma pessoa, à sua carreira, popularidade ou fama por causa de algo que disse ou fez e que é considerado inaceitável. Bom, tal como a definição inicial de “woke”, até soa bastante bem... Só que o problema é exatamente o mesmo, ou seja, quem define o que é inaceitável. E, claro, são os mesmos vidrinhos (termo que uso muito e a que me referi em Partam-se os vidrinhos) do costume.

Concordo plenamente que se “cancelam” pessoas como Harvey Weinstein, apesar de me incomodar o facto de ser impossível muitos dos seus famosos apoiantes ignorarem o que se passava. Mas a maioria esmagadora dos casos seria hilariante se não fossem as suas tristes consequências.

Vamos a alguns exemplos.

No seguimento do célebre caso George Floyd foi cancelada a série Cops. Para quem não a viu, era um programa de não ficção, em que câmaras acompanhavam patrulhas policiais em várias cidades americanas. Pois bem, passou a ser considerada ofensiva para as suscetibilidades da comunidade negra.

O filme Legalmente Loira foi vítima de uma tentativa de cancelamento por duas razões. Primeiro, a ideia de que só homens homossexuais reconhecem estilistas. E segundo por a protagonista ter revelado publicamente que alguém era homossexual à revelia dessa pessoa.

E o filme Fantasia, de 1940,  esteve também sobre a mira dos vigilantes do que é aceitável. E porquê? Bom, na secção Sinfonia Pastoral, com mulheres centauro, há uma personagem meio burro, meio ser humano, de pele escura (o único), que age como se estivesse ao serviço das outras – pois, a cena foi retirada do filme nos anos 60.

E há uns dias descobri, por razões profissionais, que um episódio do Tom e Jerry (animações curtas de cerca de 7 minutos) tinha sido banido! Não consegui descobrir porquê, mas... francamente, Tom e Jerry?

Passando à literatura, os exemplos são imensos, de Roald Dahl a Agatha Christie, Enid Blyton e os livros do Dr. Seuss – são dos primeiros livros das criancinhas de língua inglesa. Sem falar em J K Rowling, a autora de Harry Potter, que tentaram cancelar por ter apoiado uma mulher que perdeu o emprego por ter dito que só há dois sexos – masculino e feminino.

Outro problema com esta cultura do cancelamento está, mais uma vez, em haver dois pesos e duas medidas. Por exemplo, não se inclui a música Fat Bottomed Girls numa nova compilação dos Queen porque a expressão é ofensiva para as mulheres. Mas as letras dos muitos rappers negros, essas, sim, profundamente ofensivas e que, muitas vezes, incentivam até à violência contra mulheres (e não só), bom, quem é contra devia ser cancelado por racismo...

E não pensem que as vítimas são só os famosos, muito longe disso. Por exemplo, em Inglaterra um professor foi despedido e impedido de dar aulas fosse onde fosse porque, numa turma só de raparigas, disse, “Bom trabalho, meninas” após a resolução de um problema difícil. E qual foi o problema? Pois, uma delas identifica-se como rapaz e ficou toda ofendida, daí “cancelarem” o ofensor!

São inúmeros os exemplos de vidas estragadas por esta “cultura”. E desenganem-se se pensem que acontece apenas por causa de algo que a pessoa realmente disse ou fez. Não! Também aqui o que interessa não são os factos mas sim a perceção que os tais bem-pensantes têm sobre eles. Ou seja, uma afirmação é racista, homofóbica, islamofóbica ou similares se alguém achar que o é. Mas atenção, alguém do “lado certo”. Um branco sujeito a insultos raciais nunca é vítima de racismo nem um cristão o pode ser, mesmo que o agressor declare abertamente que o fez devido à sua religião.

O mais curioso – ou talvez não – nisto tudo é que os maiores defensores de todos estes cancelamentos ficam profundamente ofendidos quando as coisas funcionam ao contrário.

Por exemplo, inúmeras empresas americanas foram ameaçadas por este movimento devido a produtos que vendiam (armas, por exemplo), logótipos considerados racistas, não proeminência dada a artigos para os LBG..., enfim, por não serem consideradas woke. Só que, depois de terem mudado tudo e mais alguma coisa para entrarem em conformidade com as exigências, aconteceu uma coisa interessante: sem ameaças, sem boicotes “oficiais”, as vendas caíram na vertical. É que muitos dos seus clientes sentiram-se ofendidos por toda esta chachada – para falar bem e depressa – e, sem estardalhaço, “cancelaram-nas”, ou seja, deixaram de comprar a essas empresas.

E é essa a única forma de combater esta cultura de cancelar o que desagrada ao que não passa, de facto, de uma minoria. Cancelam um livro ou alteram-no para que fique “aceitável”? Boicota-se! Ou, melhor ainda, procura-se a edição original – e sim, resulta, já há editoras que recuaram nesta nova censura e passaram a publicar duas edições, uma delas (a original) com o aviso de que pode ferir suscetibilidades. O mesmo para música e filmes. A Internet está cheia de canais de streaming que só passam filmes e séries vítimas de cancelamento nos canais “bem-pensantes”.

Se pensam que estou a exagerar, pensem na chamada Lei dos Serviços Digitais, também ela apresentada como sendo absolutamente necessária para combater a desinformação e conteúdos indesejáveis na Internet, ou seja, para proteger os “coitadinhos” dos seus utilizadores. Só que... quem define o que isso é, sobretudo a desinformação? Pois, quem está interessado em “vender” apenas um determinado ponto de vista, impedindo qualquer discussão ou desacordo, por muito bem abalizados que sejam.

Enfim, como se tem provado com o falhanço do cancelamento de alguns livros e autores e com o desastre económico que foi a adesão a essa “cultura” por parte de algumas empresas, o importante é não ficar de braços cruzados. É que se não o fizermos, bom, acreditem, acabaremos, mais cedo ou mais tarde, a viver num autêntico clima de terror.

Para semana: E começam as aulas  A propósito do início de mais um ano letivo

23
Jun23

89 - É o racismo, senhores!

Luísa

E aconteceu finalmente! O nosso “estimadíssimo” primeiro-ministro puxou da carta do racismo!

Aqui para nós, eu já andava a estranhar que não o tivesse feito nestes longuíssimos anos dos seus (des)governos. Enfim, aplaudo-lhe a contenção, mas, muito francamente, acho que foi mais por falta de oportunidades. É que sindicatos e, sobretudo, a comunicação social têm sido sempre muito comedidos nas críticas que lhe fazem... isto quando as fazem. Veja-se o que aconteceu nesta situação, não ouvi ninguém a criticá-lo abertamente, quando o faziam nunca se esqueciam de acrescentar algo sobre ter sido provocado, a caricatura ser má... enfim, um monte de desculpas que só se entendem por ser alguém de esquerda.

Só que desta vez, fugiu-lhe mesmo a boca para o populismo. Sim, para o populismo. É que o que está bem na moda é levar tudo para o racismo, ou antes, tudo, não, só quando a situação se processa numa determinada direção. Não acreditam? Vamos a alguns exemplos.

Lembram-se da campanha eleitoral do Obama? Andavam uns supostos repórteres pelas ruas a perguntar às pessoas se iam votar nele. Se um branco dizia que não, vinha logo o comentário cheio de subentendidos de racismo, “É por ser negro, não é?” Porque, evidentemente, a única razão para não votar nele era a cor da pele. Curiosamente, quando faziam a mesma pergunta a um negro e este respondia “No Obama, claro!” ninguém o acusava de racismo.

Aqui passa-se a mesma coisa. Se há uma quezília entre vizinhos e só um deles é branco, lá vem inevitavelmente a queixinha do “não gosta de mim por sou... (acrescentar a raça ou etnia ou o que for).

Os polícias de uma certa área sofrem insultos e agressões contínuas por parte dos não brancos dessa área? Tudo bem, são as condições de vida dessas pessoas decentíssimas. Mas se um dia ripostam, aqui d’el rei, é o racismo da polícia e os factos já não interessam.

Temos cenas ridículas como uma a que assisti às tantas da noite num dos nossos canais televisivos. Mostravam uma operação Stop – penso que era uma sexta-feira ou sábado, as noites da farra – e um dos indivíduos que tinham mandado parar após provocar um embate estava “podre de bêbado”, como se costuma dizer, mal se aguentava de pé. Ainda por cima era do tipo de bêbado agressivo. Pois bem, quando finalmente o prenderam por ter agredido polícias e outras pessoas presentes no local – fora o acidente – é claro que não foi pelo álcool nem pelo seu comportamento... sim, adivinharam, “só me prendem porque sou negro”.

Mas tudo isto é alimentado por uma esquerda que, pelos vistos, sofre de complexos por ser branca e que incentiva todo este tipo de comportamentos, como se tem visto repetidamente ao longo dos anos, sobretudo no que diz respeito a certas comunidades.

Sentem-se muito antirracistas por tomarem estas atitudes, infelizmente não veem que são eles os maiores racistas de todos.

É que quando desculpam o não cumprimento de certas leis do nosso país – como a educação das raparigas – com a etnia ou religião dessas pessoas, no fundo o que estão a dizer é que não são cidadãos como nós. Pior ainda, chamam racista a quem exige que todos se comportem com decência e dentro dos mesmos padrões de convívio, ou seja, a quem defende a verdadeira igualdade.

Há uns anos deram grande destaque a um jovem que dizia que lhe tinham negado a entrada numa discoteca por ser cigano. Bom, a minha primeira dúvida foi logo, perante o aspeto do dito jovem, como é que o segurança sabia? Claro que entrevistaram o pai, o clã todo, vieram os discursos do costume contra o racismo em Portugal, enfim, o circo usual. Como sou curiosa, fiz questão de acompanhar o assunto – e acreditem, não foi fácil. Pois bem, tinham-lhe negado a entrada porque era um frequentador habitual e que provocava sempre lutas e todo o tipo de distúrbios. Mas ei, o importante é que era cigano.

Muito francamente, o termo “racista” sofre atualmente do mesmo descrédito de “fascista” e “nazi”. Basicamente, são todos atirados a esmo a quem ousa pensar por si e não se deixa ir na onda do politicamente correto... perdão, na onda woke, para sermos mais modernos.

Tudo está a atingir as raias do ridículo. Sabiam que uma jornalista inglesa disse,, e estou a parafrasear, ao ver a imagem da varanda da coroação de Carlos III, que a família real era demasiado branca? Ouvimos repetidamente as mesmas queixas em relação aos nossos governos e Assembleia da República, mas nunca se ouve dizer o mesmo em relação a instituições similares de África e da Ásia, por exemplo.

E para concluir, só umas perguntinhas ao “coitadinho” do Sr. Costa.

Depois do modo asqueroso como comentou o discurso de Cavaco Silva, não lhe parece patético vir exigir que o respeitem porque “sou o primeiro-ministro”? Lembro que para além de PM – e sem truques – Cavaco Silva foi também Presidente da República, ou seja, dois níveis acima de si.

Não acha ignóbil falar em respeito depois da cena a que todos assistimos das risadinhas de recreio de infantário protagonizadas pelo supostamente trio do topo da nossa pirâmide institucional contra deputados eleitos pelo povo português?

Sabe, é muito simples. Quer ser respeitado? Pois bem, comece por respeitar os outros, a começar pelo povo português com quem anda a gozar há anos! E deixe-se dessa do racismo, não convence ninguém, nem os mais “antirracistas” e só o tornam em motivo de chacota.

Para semana: Orgulhosamente sós! Pois, parece que esta ideia não morreu com Salazar...

23
Dez22

64 - Falemos de Natal

Luísa

Sim, estamos mesmo à beirinha de mais um Natal e escolhi, por isso, falar de vários assuntos relacionados com esta data que se quer festiva.

E digo isso porque, inevitavelmente, a brigada woke tem feito tudo e mais alguma coisa para acabar com tudo o que signifique Natal – mas sem acabar com a festa em si, entenda-se, um feriado calha sempre bem...

Sabiam que em vários países já não se pode dizer Feliz Natal ou Boas Festas a pessoas que não sejam do nosso círculo íntimo? E mesmo com estas é quase preciso um interrogatório tipo KGB para ter a certeza de que não se vai ofender ninguém.

E repararam no modo como as decorações natalícias em ruas e lojas têm mudado? Usam-se agora laços, formas abstratas, enfim, tudo e mais alguma coisa desde que não possa ser relacionado com a data, como sinos, por exemplo.

Muito francamente, nunca percebi porque é que o facto de se festejar o Natal plenamente ofende quem não o festeja. Dizem que é uma questão de tolerância e de respeito pelas crenças dos outros... A sério? Pois eu acho precisamente o contrário, se alguém que não festeja o Natal fica ofendido por eu lhe desejar Boas Festas, então não sou eu a intolerante, mas sim o “vidrinho” ofendido.

E temos depois os ateus, ou antes, pessoas que dizem que o são. De acordo com o meu dicionário, “ateu é uma pessoa que nega a existência de qualquer divindade”, mais nada. Só que o ateísmo tem-se tornado uma verdadeira religião militante. Já não basta não acreditar, é preciso impedir que outros acreditem.

Acham que estou a exagerar? A Junta de Freguesia da minha zona teve de retirar umas decorações natalícias de rua por pressão feroz e repetida de uma residente que dizia que isso ofendia o seu ateísmo!

Mas passemos a outro tema também muito ligado a esta época, as dádivas que chovem nestes dias.

Sim, todos sabemos que é uma altura do ano “de ouro” para inúmeras instituições de caridade, os seus pedidos de ajuda e peditórios têm sempre um bom retorno. Mas... pensemos um pouco. Em vez de nos precipitarmos a dar o nosso contributo natalício e, aqui para nós, aliviar um pouco a consciência do peso do despesismo em que entramos, apesar de todas as boas intenções, que tal pôr esse montante de parte e doá-lo a meio do ano, por exemplo? É que as necessidades dessas organizações são constantes mas as doações... não.

É que se queremos realmente ajudar, acreditem, seria mais útil assim. É que apesar de receberem bem mais agora, aposto que não dá para o resto do ano.

Outra coisa que me faz confusão, a ceia de Natal oferecida a pessoas que vivem na rua e outras que passam dificuldades. Sim, a intenção é ótima e estou totalmente a favor, exceto... já repararam que é sempre uns bons dias antes do Natal? Que tal fazermos um esforço e tentar organizar uma ceia a sério na data real, ou seja, na Véspera de Natal? Pode ser mais cedo, digamos, por volta das seis, assim ainda dava para ir para casa e ter a ceia com a nossa família.

O que me leva ao último ponto, a solidão no Natal e a depressão que muitas vezes a acompanha.

Sim, é uma altura do ano em que as televisões se enchem de especialistas a falarem no assunto mas, na prática, o que é que fazemos? Pois, nada... ou quase nada.

E não me refiro apenas a pessoas idosas, há muita gente bem mais nova que, por uma razão ou outra, passa o Natal sem companhia. Também não falo dos muitos estrangeiros que vivem no nosso país e que, de um modo geral, têm organizações e grupos que organizam convívios, sobretudo se são de países menos representados, digamos.

Estranhamente, os mesmos que tanto se preocupam com esses imigrantes ignoram por completo os cidadãos portugueses que passam o Natal sozinhos.

Sei que já há hotéis que têm ceias de Natal, mas, muito francamente, não é para toda a gente, pelo preço e pelo que é servido, sim, é tudo muito bom e muito “chique”, mas muitos desses solitários anseiam é por algum convívio.

Pois aqui fica uma ideia, atrasada para este ano, mas a ter, talvez em conta para o futuro.

Que tal as Juntas de Freguesia organizarem uma ceia de Natal, por exemplo, no refeitório de uma escola local? Haveria inscrições (pagas) com antecedência e não seria nada muito especial, apenas a comida – e doces, claro – tradicionais. E música, talvez.

Mais ainda, para contornar problemas de segurança com o uso de equipamento não muito comum, como há certamente funcionários ou ex-funcionários dessa ou de outras cantinas na mesma situação de isolamento, podiam ser contactados para ajudar nessa noite. Sim, ajudar, para ser um Natal mais a sério e criar uma situação de convívio entre pessoas que serão, quase certamente, estranhas no início da festa, não seria um “jantar de restaurante”, todos ajudariam na cozinha, decoração, arrumação final...

Enfim, uma ceia de Natal “em família” para quem não a tem.

Uma outra hipótese seria lares e outros locais similares permitirem a presença de estranhos nessa noite, para dar um pouco mais de convívio a quem não tem para onde ir (ou não pode sair por razões de saúde). Juntar-se-iam, assim, duas solidões e seria, certamente, um serão bem mais agradável.

Enfim, se tem companhia, ainda bem, espero que passe uma bela noite. Se não a tem, tente não cair em depressão, olhe à sua volta, veja se pode ajudar alguém na mesma situação – e se não for este ano, vá fazendo planos para o Natal do próximo ano..

E pronto, Feliz Natal a todos! Quer ofenda ou não alguém...

Para semana: Resoluções, resoluções... Sim, é a "tal" época do anos...

01
Abr22

27 - Transexualidade e misoginia

Luísa

Ando há bastante tempo para escrever sobre este assunto, mas a atual vitória de Lia Thomas, universitária transexual de 22 anos que venceu uma prova de natação feminina nos campeonatos universitários dos EUA convenceu-me de que era a altura. Já agora, procurem o nome e vejam fotos, particularmente as que incluam colegas da equipa e/ou as adversárias... Sem contar que Lia ainda está a iniciar a transição, o que significa que em termos hormonais (e não só) é mais homem que mulher. Mas tudo bem, o que é preciso é ser bem woke! Já agora, este termo será tratado num outro post.

Mas comecemos pelo princípio. Não duvido que haja pessoas que nasçam no corpo “errado”, mas não com a frequência que nos dizem ser verdade. Agora, para onde quer que se olhe, há transexuais de todas as idades. E é aí que eu começo a ter problemas com todo esse conceito.

Sabiam que em muitos infantários e outras instituições até à primária já decidem que uma determinada criança é transexual? E qual é o critério? Muito simplesmente os brinquedos que preferem. Se é rapaz, basta brincar uma vez em bonecas e começam logo a dizer-lhe que bom, tem corpo de rapaz mas é na realidade uma rapariga. E se no dia seguinte volta ao que acham ser brinquedos masculinos, foi por pressão dos pais, claro.

Para as raparigas temos o mesmo, na direção errada. Ao fim e ao cabo, todos sabemos que construções, carros, coisas mecânicas são de homem! Por isso, se gostam, é porque não são raparigas.

Curiosamente, ainda me lembro da polémica que surgiu com os brinquedos incluídos na Happy Meal da McDonald, quando perguntavam se era para rapaz ou rapariga porque havia de dois tipos. Nessa altura, o argumento foi que isso ajudava à discriminação e à diferenciação artificial entre os sexos. Como as coisas mudam!

Vamos a outra situação também relacionada com o ensino. Nos EUA, para além da primária, têm a Middle School e a Junior High School que cobrem os nossos 5º ao 8º (ou 9º às vezes) anos e só depois se entra no liceu propriamente dito. Pois bem, num Estado muito woke a direção de um liceu – lembro, acima do 8º ano) – teve a brilhante ideia, “a bem da igualdade” de que um rapaz que se “sentisse” rapariga podia frequentar a casa de banho feminina, sem perguntas e sem vigilância. E ficaram contentíssimos por terem resolvido o problema de tantos, tantos alunos transexuais (todos rapazes, curiosamente) e que, coitadinhos, iam até ale ao quarto de banho errado. Pois é!

E já agora, quando os pais protestaram porque as filhas estava a ser molestadas e até violadas, não só não os escutaram como foram acusados de serem intolerantes.

Outra coisa que me irrita em tudo isto é o grande argumento dado por rapazes pequenos para dizerem que são raparigas. E qual é ele? “Quero usar vestidos e maquilhar-me”. Tradução, ser mulher resume-se as estas duas coisas. E onde estão as feministas, as tais sempre prontas a verem ofensas em tudo e mais alguma coisa? Pois bem, do lado deles!

Já agora, tenho uma novidade para estes queridinhos. Enfeites, etc. foram durante séculos apanágio do macho da espécie. Há até arqueólogos que começam a pensar que túmulos que identificaram como sendo de uma mulher devido às contas, pulseiras e isso que incluíam, eram na realidade de um homem. E quanto a saias, numa boa parte da humanidade, é o homem que usa saia!

Francamente, em vez de “sou rapariga porque quero vestidos e maquilhar-me” que tal dizer “sou um rapaz que gosta de saias e de me pintar”? Porque é que subitamente a roupa usada por cada sexo tem de ser imutável?

Há ainda outra razão importante para um rapaz – ou rapariga, mas acontece mais com rapazes porque lhes prestam mais atenção – diga que é transexual. Imaginem um rapaz desajeitado, gorducho, etc., que é vítima de bullying na escola. Se não pertencer a uma das espécies protegidas pela sua cor ou religião, pode queixar-se à vontade que não lhe ligam nenhuma. E ser homossexual já não tem o peso que tinha há uns anos. Solução rápida e brilhante? É transexual! E a partir daí não só passa a ser tratado com todo o cuidado, pode até inventar o que quiser sobre colegas de quem não gosta que será logo acreditado.

Parece que tenho falado só de rapazes, mas isso é talvez porque não há tanta pressão sobre as raparigas. Se não gostam de saias, bom, é uma fase, podem usar calças à vontade. Mas há um aspeto em que as tentativas de lavagem ao cérebro dos bem intencionados woke são criminosas e com graves consequências futuras. Refiro-me aos estudos, claro. É que se uma rapariga gosta de matemática e de ciência em geral – excluindo biologia, claro, que é muito feminina – então é de certeza um rapaz no corpo errado.

Será que não veem que estão de facto a dizer que as ciências duras são demasiado difíceis para uma mulher? Estranhamente, era precisamente esse o argumento de quem não queria que as mulheres tivessem estudos superiores!

E nem sequer vou entrar nos problemas que dar bloqueadores hormonais para atrasar o início da puberdade trazem mais tarde a quem passou por isso. Ou no facto de que em Inglaterra um juiz (!) autorizou um casal a operar os dois filhos adotivos de menos de 5 anos “porque eram claramente raparigas”.

Só uma última coisa. Repararam que não qualquer atriz ou cantora americana que se preze tem pelo menos um filho transexual? Isso lembra-me a série “Absolutely Fabulous” com Jennifer Saunders e Joanna Lumley, em que a primeira tem o azar de ter uma filha horrorosa: estuda, é muito certinha, não anda na farra, não se droga, não bebe (ao contrário das duas protagonistas) não tem sexo ao desbarato, enfim, o pesadelo de qualquer pessoa “prá frentex”, como se costumava dizer. E às tantas, a mãe diz-lhe algo tipo, “não podias ao menos ser lésbica? Pensa em como isso iria melhorar a minha posição entre as minhas conhecidas.” Se não viram, é uma série fabulosa.

Para a semana: O mito da liberdade de expressão – título alternativo, nunca houve tanta censura.

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