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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

14
Jun24

140 - Falemos da União Europeia

Luísa

Passadas que foram as eleições europeias, achei que era a altura ideal para falar um pouco sobre a União Europeia e o que tem de bom e de mau. Mas primeiro, recordemos que tudo começou modestamente com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), criada em 1951, e que incluía a Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos (Europa dos Seis).

Várias peripécias e múltiplos tratados depois, temos a atual União dos 27 - Bélgica, Bulgária, Chéquia, Dinamarca, Alemanha, Estónia, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Croácia, Itália, Chipre, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Hungria, Malta, Países Baixos, Áustria, Polónia, Portugal, Roménia, Eslovénia, Eslováquia, Finlândia e Suécia – e os seus diversos órgãos: Conselho Europeu (constituído pelos chefes de estado dos países membros), Comissão Europeia, Tribunal de Justiça da União Europeia, Banco Central Europeu e Tribunal de Contas Europeu.

Ora na minha opinião, muitos dos problemas que envolvem a UE, nomeadamente o falhanço em criar uma Constituição Europeia que seja aprovada por todos os seus membros, vem, precisamente, desta sua história. É que foi evoluindo um pouco ao sabor da maré, sobretudo nas suas primeiras décadas, sem um plano específico. Falou-se – e continua a falar-se – em criar um Estado Federal, à semelhança da Suíça e dos EUA, mas essa ideia enfrenta uma feroz oposição por parte de muitos dos estados membros. E atendendo ao modo como regras e leis ditas europeias são atualmente implementadas, espantoso seria se a ideia agradasse a todos.

Outro grande problema da imagem da UE é que os seus dirigentes e funcionários são vistos por uma boa parte das populações como um mero bando de burocratas que criam todo o tipo de regras absurdas basicamente para “mostrar quem manda”. E se acham que não é verdade, aqui ficam dois exemplos que contribuíram bastante para o descontentamento dos britânicos.

O primeiro tem a ver com a definição do que é um pepino... a sério. Todos conhecemos os encurvados à venda em Portugal, mas há também os totalmente retos, que já começam a aparecer por cá e que são os favoritos na Grã-Bretanha. Pois bem, um “génio” de Bruxelas, aparentemente com muito tempo livre, decidiu que só os curvos é que poderiam chamar-se pepinos. É claro que os ingleses adoraram!

O outro exemplo tem a ver com a imposição do sistema métrico. Acontece que os ingleses adoram o seu sistema de medidas, apesar de ser dificílimo fazer contas com ele – quem vê programas de restauro de casas americanos sabe bem a que me refiro. Claro está que quando talhos e supermercados começaram a mostrar pesos só em quilos, foi a indignação geral. Os ingleses ainda tentaram uma medida conciliadora, expor os pesos nos dois sistemas, mas sem resultado.

Temos, depois, as decisões que saem do Tribunal de Justiça da União Europeia e de que não há recurso. E aqui temos o problema acrescido do pendor político de muitas das leis transeuropeias que esse tribunal defende, como a Lei do Asilo, altamente lesiva para os interesses de vários países da UE e que, lembremos, se foi votada por eles isso aconteceu muito antes da verdadeira tragédia que se vive atualmente em muitos desses países com a vinda descontrolada de pessoas supostamente em busca do tal asilo e que prontamente desaparecem no meio dos seus conterrâneos locais.

Pior ainda, a própria Comissão Europeia e os chefes de estado de muitos dos países membros fazem política à sua maneira, não aceitando resultados eleitorais que lhes desagradem e fazendo “cara feia” a líderes que não pertencem à “cor política” certa – lembremo-nos do modo como isolaram Haider, da Áustria, apesar de uns dias depois de lhe terem feito má cara numa “foto de família” estarem aos beijinhos e abraços com esse grande democrata, o Mugabe.

E não esqueçamos os chorudos salários que toda essa gente recebe, com o pretexto de que Bruxelas é uma cidade cara – e estou só a falar dos deputados do Parlamento Europeu, há ainda os seus muitos assessores, sem esquecer os funcionários permanentes de todas as instituições da UE, ou seja, muitos milhões por ano só para sustentar toda essa pesada máquina, o que leva muitos a perguntarem, sobretudo nos países que mais contribuem, se esse dinheiro está mesmo a ser bem empregue.

Sem contar que muitos cargos de responsabilidade são atribuídos após renhidas conversações entre os vários estados, ficando-nos a dúvida se o escolhido é, de facto, a pessoa mais competente para o cargo.

Podia-se dizer, mas são eles que lutam pela democracia e bem-estar das populações dos seus estados membros. Mas será mesmo assim? Veja-se o pânico que os resultados das últimas eleições trouxeram, com a grande subida da direita e da extrema-direita. Há, até, quem não se iniba de dizer que a democracia está em perigo. Veja-se, também, o que tem acontecido com a Hungria após a eleição do Orbán. Têm feito tudo para a isolar e hostilizar de modo a forçá-la a voltar “ao bom caminho” – pois, suspeito que vai acontecer precisamente o contrário, como se vê em Portugal com a guerra da esquerda, e não só, ao Chega.

Com tudo isto, admiram-se da tremenda abstenção nas eleições europeias? É que, muito francamente, os eleitores acham que irem ou não votar não irá influenciar em nada as decisões tomadas em Bruxelas, quer as económicas quer as outras, passará tudo por negociatas para que não são chamados a opinar.

Mais ainda, a abstenção que tivemos tem também outras leituras. Como se sabe há muito, pessoas de extrema esquerda votam sempre, ou seja, os resultados do PCP e do BE são verdadeiramente patéticos. Já as pessoas de direita são mais comodistas, só trocam o sofá pela mesa de voto se acharem que os seus interesses estão em jogo – daí ter aparecido a “votação em mobilidade”, que, mesmo assim, não foi suficiente. E numas eleições europeias, não estão mesmo nada – pelo menos na sua opinião.

Para a semana: O passado é o passado. Chega de tentar ler a história à luz de ideias atuais

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