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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

06
Set25

204 - Politiquices

Luísa

Face a acontecimentos recentes, decidi alterar o tema desta semana e falar de umas “coisinhas” que me incomodaram, dentro e fora do país.

Começo, como não podia deixar de ser, pelo desastre catastrófico do elevador da Glória. Só o usei uma vez, num dos anos em que fiz turismo em casa, ou seja, em Lisboa, mas passei muitas vezes junto dele, em baixo e no topo, parando sempre para o observar caso estivesse em movimento. Também usei os outros todos, uma vez que fiz questão de “averbar” o máximo possível de coisas a ver e a fazer em Lisboa,

Fiquei chocada com o que vi quando liguei a televisão – já tinha passado cerca de uma hora, penso eu – e, acima de tudo, intrigada, sendo engenheira e sabendo como funciona não conseguia entender o que poderia ter acontecido. É que mesmo que o cabo se quebrasse, a hipótese logo avançada, há sistemas de travagem nas cabinas precisamente para essa eventualidade.

Mas para além do resultado trágico do acidente, há outras coisas que me chocaram nas reações que se seguiram.

A primeira foi a dos sindicatos. Ainda estavam a retirar vítimas do local e já havia um representante sindical a dizer que a culpa era toda de terem entregue a manutenção a uma empresa privada e que nunca teria acontecido se fosse feita pelos trabalhadores da empresa. E não só, ao longo da noite foram surgindo várias declarações dos ditos trabalhadores a afirmarem que a manutenção andava a ser mal feita, as vistorias não eram suficientes, etc.

Para além do tremendo mau gosto de virem com conversas destas quando ainda nem se sabiam ao certo as consequências do acidente e muito menos as suas causas, não acham incrível que todas estas denúncias só surjam quando já não há remédio? É um pouco tipo violência doméstica, depois de alguém morrer não faltam pessoas a virem dizer que sabiam de tudo...

Já agora, terá ocorrido a estes senhores e aos “jornalistas” do costume que se calhar o acidente não teve uma única causa mas um conjunto delas? É o que costuma acontecer quando há casos destes, uma pequena falha leva a outra que leva a outra até ao colapso total.

O segundo cenário que me incomodou foi a pressa de muito boa gente em atirar culpas políticas. Sim, entendo que estamos em plena campanha eleitoral, não a oficial, claro, mas quem liga às datas? Mas atirar as culpas para o Moedas, enfim, não que eu goste dele ou pertença à sua Câmara, não é o caso, mas, muito francamente, não entendo, mesmo que tenha sido ele a assinar o contrato com a dita empresa de manutenção, algo que ainda não vi devidamente explicado, será que um Presidente da Câmara tem de vistoriar pessoalmente tudo e mais alguma coisa?

Pois é, a política obriga a muito, mas nunca pensei ver Chega e PS com o mesmo discurso...

E no caso do PS, é mesmo preciso ter muito descaramento! O então PM responsabilizou-se pelos 66 mortos e tremenda devastação do incêndio de Pedrógão? E tinha bem mais razões para o fazer, muitos dos dirigentes, ou antes, dos supostos dirigentes dos serviços responsáveis pela resolução do problema tinham sido nomeados por ele, mais ainda, o SIRESP não funcionava devidamente porque ele – ou o seu Governo – tinham decidido poupar dinheiro e cortar componentes sem saberem o que faziam.

Pior ainda, muitos ainda estão à espera de receberem os fundos que lhes foram prometidos. Onde está a responsabilização política desse partido?

Citam também muito o que Moedas terá dito aquando do envio para a Rússia dos nomes de manifestantes por parte da Câmara de Lisboa, como se a situação fosse similar. Que eu saiba, a Carris é uma empresa com gestão privada – apesar de ter fundos totalmente públicos. Já uma Câmara está, ou devia estar, sobre a alçada do seu presidente. E que eu saiba o Sr. Medina nada fez, tal como nada aconteceu à pessoa responsável por esse “erro”.

E aquela Sra. Leitão, a que almoçou no Martim Moniz e garantiu que era perfeitamente seguro e que só racistas diziam o contrário, irá responsabilizar-se por todos os crimes que ali aconteçam a turistas ou cidadãos que, fiando-se na sua palavra e nas imagens que viram, por ali circulem?

Não sou ingénua, sei muito bem que na política vale tudo, infelizmente, mas há coisas que me dão a volta ao estômago. E ver o aproveitamento que se está a fazer de uma tragédia é uma delas, desde sindicatos a partidos, tudo com a ajuda, claro está, do “jornalixo” cada vez mais abundante.

E por falar disso, fiquei muito satisfeita ao saber que, sem muitos gastos, posso ter um “navio”. É que se um barco de motores fora de borda passa a “navio venezuelano atacado pelo Trump”, então há esperança para mim.

Mantendo-me nas politiquices internacionais, ficamos a saber que os cortes de ajuda humanitária do Trump, que ainda não entraram em vigor, já foram responsáveis por milhões de mortos por SIDA. E haver um alto dirigente sul-africano a dizer que a cura para a dita está em ter sexo com uma virgem não tem absolutamente nada a ver com isso. Nem o facto de os muitos biliões enviados sobretudo para África para combater a fome, doenças, etc., nunca tenham efeitos visíveis, mas que os líderes destes países, as suas famílias e amigalhaços tenham um nível de vida e de despesas de fazer inveja a muito milionário. Não, a ênfase vai para os cortes e, evidentemente, para o folclore da “flotilha”, de que falarei quando houver mais evoluções nesse ato “corajoso”.

Enfim, enquanto houver politiquices com coisas sérias, será muito difícil conseguir a tal mudança do país e do mundo que muitos dizem querer. Pelo menos não uma mudança positiva.

Para a semana: Falemos de educação. Perante alguns comentários e notícias que li recentemente, é altura de voltar ao assunto.

21
Jun25

193 - Estão a brincar?

Luísa

Depois desta interrupção de uma semana em que estive de férias decidi alterar o tema deste post para falar de algumas questões que foram surgindo e que, muito francamente, acho, no mínimo, caricatas.

Começo pela ator da Barraca. A primeira notícia dizia que tinha sido atacado por um grupo de neonazis por ser um ator brasileiro a atuar em Portugal. Achei grande presunção da parte dele pensar que é assim uma espécie de Ronaldo do teatro, prontamente reconhecido por quem se cruza com ele. Depois veio a versão de que o ataque fora devido a ele estar junto a um teatro conotado com ideias comunistas, mantendo-se o grupo neonazi. Terceira versão, o ataque fora obra de apenas um membro do grupo...

Detalhe curioso, não vi nenhuma imagem da dita vítima, soube-se apenas que passara umas horas no hospital – o que, atendendo ao estado das nossas Urgências, não significa grande coisa.

Independentemente do que se passou – e inclino-me mais para a hipótese de ele ter insultado o dito grupo, fiando-se na sua invulnerabilidade como pessoa de esquerda – o que realmente me incomodou foi a vigília / manifestação ou lá o que lhe chamaram à porta do dito teatro.

Como outros referiram, é curioso que num protesto contra o ódio e a violência se vissem tantos punhos no ar e tantos gritos de... pois é, de ódio. Mas o cúmulo foi, para mim, ouvir a Maria do Céu Guerra dizer, e parafraseio, “como é possível que se bata em alguém?” A sério? Eu sei que os “Iluminados” deste país vivem num universo separado, mas isto é demais.

É que não se passa um dia em que não se saiba de um esfaqueamento, de alguém baleado, de espancamentos – ainda muito recentemente espancaram um idoso até à morte – enfim, de um sem fim de atos de violência. E nunca se ouviram ministros ou o senhor de Belém a condená-los nem houve vigílias (exceto para o Santo Odair, claro), apesar da enorme gravidade de alguns desses casos. Nem se vê grande azáfama da Polícia em prender os seus autores – pois, nem no caso do verdadeiro crime de ódio contra o motorista de autocarro. Mas um atorzeco leva um tabefe em circunstâncias não esclarecidas e é o fim do mundo?

Passando a outro tema, li recentemente que a Câmara de Lisboa vai entregar (ou já entregou, até) as chaves de 127 habitações camarárias. Até aqui, tudo bem. Só que... Pois é, há sempre um “só que”, as famílias que as receberam já as estão a habitar ilegalmente!

Ou seja, com tantas pessoas à espera de casa, muitas delas há que séculos, a Câmara decide premiar criminosos – e sim, a ocupação ilegal de uma casa é um crime. E exigiu algo em troca dessa “legalização”? Por exemplo, as rendas em atraso de todo esse período? É claro que não! Porque o faria, se muitas das atuais casas da Câmara, pagas por todos os habitantes da cidade e não só, estão muitas vezes nas mãos de pessoas que não se dão ao trabalho de pagar a renda irrisória que lhes foi atribuída, isto apesar de muitas terem bons rendimentos não obtidos, claro, por trabalho honesto.

É esta a mensagem que a Câmara quer passar? O que achará que os lesados por esta atitude, sim, as famílias que, “estupidamente”, têm vivido em péssimas condições à espera que lhes calhe uma casa, ficam a pensar ao verem que um bando de chicos-espertos lhes passou à frente?

Passemos agora às eleições, ou antes, à estranheza que perdura em torno da expressão muito querida da comunicação social e não só, “Como é possível alguém votar no Chega?” (ainda hoje veio um artigo no Observador), Pois, eu também tenho uma dúvida similar e que é, muito simplesmente, “Como é possível alguém votar no PCP?”

Estamos a falar do único partido marxista-leninista ainda existente, totalmente parado no tempo – já nem a Rússia quer nada com ele. E apesar de toda a conversa de “lutámos pela liberdade”, acho que restam poucas dúvidas de que toda a sua luta contra Salazar teve como único objetivo substituir uma ditadura por outra. E se falei de presunçoso ao referir-me ao ator da Barraca, que dizer do inenarrável Raimundo e da sua moção de censura ao programa do Governo, anunciada quando ainda nem havia Governo?

Infelizmente não está sozinho, em termos de total falta de contacto com a realidade tem a companhia do BE e do PAN e da sua tão badalada “luta contra a direita”. Pois é, o Montenegro deve estar a ter insónias com a preocupação do que esses 5 gatos pingados irão fazer...

Finalmente, intriga-me, ou antes, devia intrigar-me, a atitude de muitos dos tais “Iluminados” perante a guerra Israel-Irão. Ouvindo-os fica-se com a ideia de que este último é um país amante da paz e um paraíso para as mulheres e para o pessoal do alfabeto – sabem, os LB... etc. Aliás, adoraria ver alguns deles irem até lá e, ao apresentarem um passaporte que os dá como homens, por exemplo, dizerem prontamente, “Mas sinto-me mulher e exijo que usem um pronome feminino”... Seria um êxito!

E quando disse “devia intrigar-me”, é que sei perfeitamente que quando se trata de alguns temas a lógica vai janela fora, nomeadamente Israel (o mau da festa, o Hamas ou todos os que combatem o estado sionista são os bons), o Chega / Ventura e, claro, o Trump – como mostram as notícias do desfile militar para comemorar o seu aniversário e que, afinal, celebrava os 250 anos das Forças Armadas dos EUA que calhavam no mesmo dia.

Para a semana: É desta! Vamos acabar com a burocracia!  Pelo menos é o que nos foi prometido... mais uma vez.

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