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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

24
Mai25

188 - Passadas as eleições

Luísa

Muito francamente, acho que os resultados das eleições só foram um “terramoto político” para quem anda com a cabeça enterrada na areia ou vive num universo paralelo. Infelizmente, isso significa tudo quanto é jornalista, analista e comentador político (a Fauna Comentadora, ou FC) ou, no mínimo, quem diz sê-lo – e basta ligar um televisor para ver que são uma espécie bem abundante no nosso país.

Ora vamos por partes, começando pela esquerda. Para mim, o único espanto foi os três “democratas” do costume, PCP, BE e PAN terem conseguido manter o tacho na Assembleia, uns mais do que outros. E, claro, irão lutar contra o fascismo, etc., enfim, a conversa do costume.

O resultado do PS também não me espantou, achei, até, que acabou com deputados a mais. É que, ao contrário dele e de muita da FC, o povo não sofre de amnésia e só dificilmente acreditaria, em massa, que quem governou 8 anos seguidos, 4 deles com maioria absoluta, e nada fez iria agora, milagrosamente, fazer tudo e mais alguma coisa.

Quanto ao PSD, por mais que Montenegro cante vitória, as coisas não lhe correram bem como esperava, ou seja, não houve uma reviravolta à Cavaco Silva e continuará a ter um governo minoritário – e neste caso, ser por mais ou menos deputados não é realmente importante.

E vamos agora ao “elefante na sala”, o Chega. Pelos vistos, a FC e os “Partidos Bons” (PB) continuaram a achar que bastava insultar este partido ou, mais especificamente, o seu líder, para que ambos se esfumassem e pudessem voltar aos tempos áureos a.C. (antes do Chega). Sendo assim, e apesar dos avisos de um ou outros comentador mais avisado – e prontamente posto de lado pela comunicação social – continuaram a fazer ouvidos moucos às mais do que justas queixas e razões da população votante.

Senão, vejamos algumas delas.

A segurança, em primeiro lugar. Para FC e PB, qualquer sentimento de insegurança é apenas uma “sensação” empolada pelo Chega, claro, e o país nunca esteve tão seguro. E citam estatísticas mais ou menos abstrusas em apoios desta sua tese.

Só que...

Quase não há dia em que não se ouça falar de um esfaqueamento, de tiroteios com mortos e feridos graves, de assaltos à mão armada com ou sem reféns, de máfias – é o termo usado pelas televisões – que roubam com violência, enfim, um nunca acabar de crimes violentos a que estávamos muito pouco habituados.

E quantas pessoas têm pavor de sair à rua em certas zonas de Lisboa – e não só – ou temem, até, estar em casa, sabendo que podem não estar seguras? Aposto que se os membros da FC ou PB tivessem de viver nessas zonas mudavam logo de conversa.

Mas nada se pode dizer... é que isso seria racismo. E não esqueçamos aquele momento surreal de a Assembleia ter votado um voto de pesar pela morte de um criminoso violento, mas nada ter dito em relação ao condutor de autocarro que ia sendo queimado vivo apenas por ser branco.

Passando à saúde, a grande preocupação dos PB tem sido dar cuidados médicos aos ilegais que estão no nosso país. Mas o facto de muitos milhares de portugueses estarem há anos sem médico de família não os incomoda minimamente, limitam-se à mais do que gasta promessa eleitoral de que “se ganhar, haverá médico de família para todos” – curioso, ouço isso há mais de 30 anos. Como também não os incomoda o mais do que muito conveniente – para o seu pessoal, claro – fecho das Urgências aos fins de semana ou haver grávidas que não fazem ideia do que lhes irá acontecer quando entrarem em trabalhos de parto. Não, só os preocupa a situação dos ilegais.

E continuando com eles – já agora, não lhes chamo imigrantes ilegais, isso não existe, ser imigrante pressupõe fazê-lo de forma legal – está muito na moda ver reportagens com o choradinho sobre terem de estar tanto tempo à espera de documentos para se legalizarem. Mas quanto aos muitos portugueses que esperam e desesperam para resolver os seus problemas, nada. Bom, exceto a usual promessa de que “iremos simplificar a burocracia”... pois!

E o mesmo se passa em relação à habitação, reportagens sem fim sobre ilegais a viverem à molhada em locais sem condições, subentendendo-se que temos de lhes dar casa mal se lembrem de aparecer cá na terra. Mas para os portugueses... mais uma vez nada, exceto as tais promessas.

Bom, quando digo que ninguém fala nestes assuntos, não é bem verdade, a face do “terramoto” é o único a fazê-lo, sendo, por isso, insultado de todos os modos.

Pequeno detalhe, está na moda comparar os imigrantes portugueses dos anos 60 em França, e não só, com a onda invasora atual. Por exemplo, quando alguém do Chega disse, já no pós-eleição, que devíamos era encorajar a vinda de médicos e não de analfabetos, fartei-me de ler comentários sobre as qualificações educativas desses imigrantes portugueses. Será que quem faz isto não se apercebe de como está a ser insultuoso para com esses portugueses? Sim, podiam não ter grande escolaridade, mas tinham vontade de trabalhar e deitavam mão a tudo, tornando-se em pouco tempo trabalhadores muito apreciados. Podemos dizer o mesmo sobre a maioria dos que nos chegam?

O grande problema, para mim, é que fico com a ideia de que ninguém aprendeu nada com estas eleições – ou com as anteriores. FC e PB têm tanto a certeza da sua “bondade” que continuam a falar para o ar. Ou antes, comentam para se ouvirem falar, aferrolhados a sete chaves na sua torrezinha de marfim – ou antes, num universo paralelo que, para eles, é o único existente. Ouvi, até, alguns dizerem que não entendem como se vota no Chega porque este nunca poderá cumprir as promessas eleitorais – pois, são mesmo os únicos!

Quanto ao povo, bom, se vota de um modo que lhes desagrada a solução é simples: em vez de o escutarem e tentarem dar-lhe respostas e soluções, basta, muito simplesmente, dizer que são tudo pessoas burras e, claro, fascistas.

Para a semana: Mudar o paradigma feminino  Com a campanha eleitoral e casos recentes, é altura de voltar a este assunto

18
Abr25

184 - Vida Justa

Luísa

Não vou falar do movimento com este nome, mas confesso que foi, de certo modo, a inspiração para este post. É, supostamente, algo que defende os bairros, certos bairros, entenda-se, impedindo despejos e ações similares. Curiosamente, muitos dos seus protestos têm a ver com a defesa de pessoas que ocupam ilegalmente casas ou terrenos. O seu mote é que todos têm direito a casa e sustento, mesmo se estiverem ilegalmente no país.

E eu até concordaria, se não fosse o pequeno detalhe de que quem assim fala ignora totalmente o direito à tal vida justa dos donos desses prédios e terrenos e dos muitos portugueses que labutam para sustentar todas essas benesses que movimentos desse tipo exigem para quem nada faz – pelo menos de bom, é que se a criminalidade pagasse imposto...

É muito popular e de bom tom mostrar preocupação com os muitos ilegais que se encontram em Portugal. Ouvimos continuamente o choradinho sobre as más condições em que vivem, o seu direito a ter a uma casa condigna e, claro está, subsídios que lhes permitam viver “com dignidade”.

Mas... será que os que cá vivem legalmente, sobretudo os portugueses que sempre trabalharam e veem uma fatia cada vez maior do seu salário a ser-lhes retirada em impostos e taxas de todo o tipo, não têm o mesmo direito a uma casa decente e que possam pagar? A ajudas e subsídios razoáveis quando atingem uma idade avançada e só têm a chamada pensão social?

Ouvimos, também, falar de estrangeiros que vivem num quarto com os filhos menores ou num apartamento pequeno para o tamanho da família. Pergunto eu, quantos portugueses vivem à molhada com os filhos adultos, às vezes casados e com filhos, porque estes não conseguem pagar uma casa sua? Onde está a vida justa para estas pessoas?

O termo “justo” é, também, muitas vezes aplicado aos supostos maus tratos infligidos pela polícia a alegados criminosos, sim, alegados porque, facto curioso, quando há desacatos ou crimes a polícia erra sempre o alvo e os que prendem são sempre uns inocentinhos que estavam ali por acaso...

Mas será justo que portugueses decentes e honestos vivam aterrorizados nas suas próprias casas e locais de trabalho devido ao aumento crescente de crimes violentos perpetrados, quase sempre, por pessoas estrangeiras que, em muitos casos, nem deviam cá estar? Lembro que um “bom” cidadão estrangeiro matou um jovem em Braga, isto apesar de ter sido extraditado pelos EUA para o Brasil devido ao seu cadastro violento como membro de um perigoso gangue – mas aposto que agora cumprirá pena em Portugal – isto se não for ilibado – e no final não faltarão almas caridosas a pedir que cá fique porque, claro está, tem filhos nascidos neste país.

Continuando o tema dos ilegais, não vos choca o tom acusatório com que os ditos falam de estarem horas – ou dias – à espera de serem atendidos? Ou seja, cometeram um crime – sim, a permanência ilegal num país é crime – e querem ser tratados com paninhos quentes? Acham que têm o direito de verem a sua situação resolvida com toda a celeridade, sabe-se lá à custa de quantas irregularidades? Ou será que alguém acredita que vão manter o suposto emprego que lhes deu a legalização? Isto para não falar no local de residência que apresentam na altura, lembro as mil e tal pessoas que residiam, supostamente, no mesmo pequeno apartamento em Lisboa, morada oficial de alguém do Bangladesh naturalizado português, apesar de precisar de intérprete no tribunal – lembro que o processo de nacionalização exige um bom conhecimento da língua portuguesa.

Temos, também, a notícia recente de que as escolas vão ter elementos – pagos por todos nós, é claro – para ajudar à integração das crianças imigrantes. Ou seja, não há dinheiro para apoiar o ensino especial nem sequer para ter auxiliares de apoio a crianças com deficiências, físicas ou mentais, mas quando se trata de imigrantes abrem-se os cordões à bolsa? Até poderia ser uma boa solução para evitar problemas futuros, supostamente por inadaptação das ditas criancinhas, se não soubéssemos que não vai dar em nada, muitos imigrantes, direi, até, uma boa fatia deles, não se integra porque não quer. Mais ainda, vêm para o nosso país com a ideia fixa de nunca, mas mesmo nunca, deixar os filhos – e sobretudo as filhas – adotarem os usos e costumes locais.

E por falar em escolas, atendendo à tremenda falta de creches, infantários e pré-escolas que existe há anos no nosso país, será justo que muitos desses lugares sejam ocupados pelos filhos de pessoas que não trabalham, pior ainda, que vivem do erroneamente chamado rendimento mínimo? Porque não se dá preferência a quem precisa mesmo de um lugar decente onde deixar os filhos enquanto está a contribuir para a economia deste país? Onde está a tal vida justa para quem se esforça?

Já agora, será justo que os pais que conseguem, muitas vezes à custa de grandes sacrifícios, porem os filhos no ensino privado para receberem uma educação decente, terem de pagar, à mesma, por um sistema educativo público de qualidade muitas vezes medíocre ou até duvidosa e que seria ainda pior se não fossem os explicadores? Sim, espantosamente, há-os até para o primeiro ano! Isso não é pagamento duplo?

Finalmente, a saúde. Será justo vermos tanta preocupação devido à falta de acompanhamento médico de quem aqui reside ilegalmente quando há tantos portugueses que esperam há anos por um médico de família? Ou que desesperam por uma operação que lhes pode dar, no mínimo, uma melhor qualidade de vida e que chega, sabe-se lá quantas vezes, tarde demais?

Pois, como em muitas outras áreas, a exigência de uma “vida justa” é apenas para alguns, os do costume.

Para a semana: Falemos de novo da mulher  À luz de acontecimentos recentes, é altura de voltar a este tema

10
Mai24

135 - Em vez de...

Luísa

De um modo geral, sempre que há um problema neste país a solução proposta envolve sempre atirar-lhe com dinheiro. Segundo parece, quem nos governa, e a esquerda em particular, pode não acreditar que o dinheiro traz a felicidade mas é, sem dúvida, crente da teoria de que resolve tudo – talvez não a morte, mas tudo o resto.

Só que andamos há anos a desbaratar o muito dinheiro que nos tem vindo de Bruxelas e os muitos milhões arrecadados com os pesadíssimos impostos que nos oneram sem que se veja qualquer melhoria, muito pelo contrário, é, até, frequente as coisas piorarem.

Basicamente, acho que isso vem de não se seguir uma regra muito repetida nos numerosos programas de renovação de casas que vemos na TV e que é, muito simplesmente, “mede duas vezes para cortares só uma”. Traduzido para a resolução dos problemas nacionais daria algo como, “analisa duas vezes antes de gastares uma”.

E tendo isto em vista, aqui ficam algumas pequenas sugestões minhas.

Em vez de... uma imigração descontrolada porque precisamos de mão-de-obra para setores básicos onde falta, que tal pensarmos em modos diferentes de fazer as coisas?

A construção civil, por exemplo, um dos setores sempre citados – e com toda a razão, no panorama atual. Ora acontece que há cada vez mais empresas, até em Portugal, a fabricarem elementos para construção civil que basta, depois, instalar no local. E a variedade de elementos disponíveis também disparou, há até quem faça edifícios inteiros desse modo e não estou a falar de pequenas moradias.

Mais ainda, a ideia de construção modular ganha cada vez mais terreno sobretudo por ser muito mais rápida – e como sabemos, ou devíamos saber, quanto mais depressa um edifício ficar pronto, mais depressa pode começar a render.

Há, ainda, a vantagem adicional de converter muita da mão-de-obra não qualificada atual em trabalhadores fabris, melhorando consideravelmente a sua qualidade de vida. E, vantagem adicional, o mesmo número de pessoas estaria a trabalhar em inúmeros edifícios ao mesmo tempo, diminuindo, em muito, a procura de pessoas não (ou pouco) qualificadas.

E quem diz a construção civil diz outros setores, como a agricultura, fazendo um estudo a sério – não um daqueles que são um mero pretexto para pagar chorudos salários a um monte de gente durante imenso tempo – sobre o que se dá melhor em cada zona e região, o que é mais rentável e o melhor modo de o produzir. É que vendo certos problemas que se arrastam há anos neste setor, apesar de todos os subsídios e ajudas, fica-me a ideia de que o problema está em querer continuar a fazer o mesmo que sempre se fez e do mesmo modo, modo este que nem sempre se adequa ao nosso país.

Em vez de... querer mais camas de hospitais e recursos similares, que tal usarmos melhor os recursos que temos?

Vi há uns dias que o Hospital de São João, no Porto, criou um programa inovador em fisioterapia, ensinando os cuidadores a orientá-la no conforto do lar. Sim, nem sempre é possível, claro, mas há muitos casos em que é um desperdício de tempo o paciente ter de se deslocar para a fazer – isto para não falar do incómodo e despesa que isso muitas vezes lhe traz – e da espera por uma vaga...

E há muitas outras áreas em que se podia inovar, melhorando, ainda, o bem-estar dos pacientes. Vi um documentário francês há uns tempos sobre um modo inovador de fazer hemodiálise. Em vez de os abrangidos passarem longas horas num hospital ou centro médico, com grave prejuízo para a sua vida laboral ou escolar, recebiam pequenas máquinas de uso individual que aprendiam a usar – caso fossem crianças, seria um adulto a ter isto a seu cargo. Podiam, assim, fazer o tratamento ao fim do dia, mantendo o seu emprego ou uma vida escolar normal, mais ainda, sem se sentirem “diferentes”.

Não sei se este programa ainda se mantém, mas seria, certamente, algo a explorar. Ou seja, a ênfase nos gastos com a saúde deveria ser o que é melhor para os seus utentes – e muitas vezes isso implica arranjar soluções que levem a saúde até eles em vez de os forçarem, como agora, a irem ter com a saúde.

Em vez de... tanta indignação por haver escolas que começam a impor um código de vestuário, que tal preocuparem-se com a suposta igualdade nas aulas? Refiro-me, claro, a não poder haver turmas de “bons” e turmas de “maus”, supostamente porque isto traumatizaria as criancinhas.

Resultado de estar tudo à molhada? Os alunos com dificuldades não melhoram porque não têm apoio adicional. Mais ainda, muitos sentem que nunca conseguirão acompanhar o ritmo dos outros e desistem, muito simplesmente.

Mas também é péssimo para os bons alunos. É que como as aulas são dadas nivelando por baixo, digamos, morrem de tédio e acabam, também eles, por se desinteressar, embora por razões diferentes.

Não seria melhor criar turmas mais pequenas para os chamados “alunos maus”, onde estes teriam um acompanhamento mais pessoal? E outras para “alunos bons”, onde o ritmo já poderia ser mais acelerado e o nível de dificuldade maior?

Mais ainda, atendendo a que há alunos que são bons em certas matérias e maus noutras, que tal não os pôr na mesma turma para tudo? Ou seja, teriam uma para as matérias em que têm dificuldades e outra para o resto. E assim que melhorassem, ou piorassem, mudariam de turma – isto poderia ser um bom incentivo para se interessarem mais pelas aulas, é que muitos só têm problemas porque começaram a ficar para trás e, com o passar dos anos e as tais turmas “à molhada”, esse atraso foi-se agravando.

E há, certamente, muitas outras áreas em que esta “técnica” de em vez de... poderia dar ótimos resultados e, se não fosse com custos menores, seria, certamente, com uma melhor aplicação do dinheiro gasto.

Para a semana: As reparações. Ou, título alternativo, quem deve a quem

29
Dez23

116 - Seria tão bom...

Luísa

Em termos de resoluções e desejos pessoais, sugiro que releiam, ou leiam, o meu post Intenções de Ano Novo, de 2022. E quanto a resoluções para contribuirmos para a melhoria da sociedade e do mundo, bom, o post de 2023, Resoluções, resoluções...

Este ano decidi variar e falar apenas de coisas que eu gostaria muito de ver concretizadas em 2024, mas que não dependem de mim. Bom, aqui para nós, é mais uma lista de desejos impossíveis ou, no mínimo, altamente improváveis. Mas, como sou uma otimista nata, aqui vai.

Seria tão bom... que os nossos políticos deixassem de nos considerar estúpidos e amnésicos. Sobretudo num ano em que teremos eleições legislativas antecipadas, que tal meterem a mão na consciência e cortarem com as mil e uma promessas habituais? Não vos parece que merecemos melhor do que a repetição, mais uma, de “haverá creches para todos”, “criaremos milhares de camas para estudantes universitários”, construiremos milhares de casas” e outras balelas semelhantes?

Já agora, seria tão bom... que os eleitores portugueses não se deixassem levar na onda de promessas e de benesses em cima do acontecimento e, pelo menos por uma vez, votassem em quem fará o melhor pelo futuro do nosso país e de todos nós, mesmo que isso nos traga problemas a curto prazo – sabem, a tal questão de não se fazerem omeletas sem partir os ovos.

Seria tão bom... que houvesse um esforço a sério para melhorar a qualidade e, acima de tudo, o nível de exigência do nosso ensino. E que em vez de identidades de género e similares se prestasse atenção à aquisição de conhecimentos e de competências para a vida. É que estamos a criar uma geração – ou várias – que nem sequer sabe estudar, pesquisar, procurar e filtrar informação e avaliar a sua credibilidade, o que os torna propícios a um seguidismo cego e sem o menor sentido crítico.

Seria tão bom... que passássemos a avaliar as pessoas por aquilo que valem e sabem e não porque são minorias, mulheres, etc. Ou seja, nada de quotas, seja porque razão for. Tratemos todas as pessoas como seres humanos e apenas seres humanos, isso, sim, é a verdadeira inclusão, sem artificialismos ou regras absurdas que só servem para desacreditar os membros do grupo que se tenta promover à força. Ou acham que a partir do momento em que tiver de haver uma percentagem obrigatória de mulheres, por exemplo, em lugares de chefia isso não vai prejudicar todas as que lá chegaram por mérito próprio?

Seria tão bom que se fizesse algo para acabar com o último tipo de discriminação ainda totalmente aceite pela nossa sociedade, o idadismo. E que se deixe de falar dos “velhinhos, coitadinhos” e que as pessoas com uma certa idade passassem a ser vistas como aquilo que realmente são: recetáculos de experiência e de conhecimentos, teóricos e / ou práticos que devíamos aproveitar a bem da sociedade em vez de os pormos a um canto como algo em desuso.

Seria tão bom... que o muito dinheiro que se gasta em ajudas e apoios a torto e a direito passasse a ir para quem realmente precisa e não para oportunistas não dispostos em dar o seu contributo para a sociedade. E que esses apoios servissem, de facto, para ajudar quem os recebe a refazer a sua vida ou a voltar ao caminho certo para se poder firmar nos seus próprios pés e deixar de estar dependente de terceiros. Mais ainda, que em vez de pagar a pessoas que nada fazem, esse dinheiro fosse usado para criar pensões mínimas decentes para quem após uma vida de trabalho e de dificuldades se vê a ter uma existência ainda mais precária.

Seria tão bom... que passássemos a ter consultas médicas sempre que são precisas – ou que achamos que o são. E que deixássemos de passar horas à espera nas Urgências de um hospital, mesmo quando a situação é gravíssima. Mais ainda, que quem precisa de um tratamento ou de uma operação os possa ter a tempo e horas, sem passar anos à espera e a ver o seu estado físico – e psicológico – a deteriorar-se. E que uma grávida não tenha de passar as últimas semanas em sobressalto sem saber se vai conseguir um sítio para ter a criança.

Seria tão bom... que jornalistas e comunicação social voltassem ao que eram há umas décadas, ou seja, defensores dos factos e da verdade, doesse a quem doesse. E que reservassem as suas opiniões e parcialidades para as colunas de opinião, onde pertencem, e não para o que chamam notícias.

Finalmente, seria tão bom... que um português vítima de um crime ou familiar de uma vítima visse a justiça a ser aplicada como deve ser, com justeza, sem olhar a amizades ou interesses de qualquer tipo, e, acima de tudo, com a máxima celeridade. E que deixássemos de ver imagens como as que passaram recentemente num canal de televisão em que víamos os presos, “coitadinhos”, a viverem à grande e a divertirem-se com tudo e mais alguma coisa, incluindo drogas, quando há tanta gente que nunca fez mal nenhum e que vive com grandes dificuldades, em muitos casos são até as vítimas dos que vão gozando a vida atrás das grades.

Pois, seria mesmo bom...

Mas enquanto espero – sentada, claro – aproveito para vos desejar uma boa Passagem de Anos e um 2024 melhor do que 2023, por muito bom que este tenha sido para vós.

Para semana: Já não há vergonha A propósito de declarações recentes de alguns políticos

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