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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

23
Jun23

89 - É o racismo, senhores!

Luísa

E aconteceu finalmente! O nosso “estimadíssimo” primeiro-ministro puxou da carta do racismo!

Aqui para nós, eu já andava a estranhar que não o tivesse feito nestes longuíssimos anos dos seus (des)governos. Enfim, aplaudo-lhe a contenção, mas, muito francamente, acho que foi mais por falta de oportunidades. É que sindicatos e, sobretudo, a comunicação social têm sido sempre muito comedidos nas críticas que lhe fazem... isto quando as fazem. Veja-se o que aconteceu nesta situação, não ouvi ninguém a criticá-lo abertamente, quando o faziam nunca se esqueciam de acrescentar algo sobre ter sido provocado, a caricatura ser má... enfim, um monte de desculpas que só se entendem por ser alguém de esquerda.

Só que desta vez, fugiu-lhe mesmo a boca para o populismo. Sim, para o populismo. É que o que está bem na moda é levar tudo para o racismo, ou antes, tudo, não, só quando a situação se processa numa determinada direção. Não acreditam? Vamos a alguns exemplos.

Lembram-se da campanha eleitoral do Obama? Andavam uns supostos repórteres pelas ruas a perguntar às pessoas se iam votar nele. Se um branco dizia que não, vinha logo o comentário cheio de subentendidos de racismo, “É por ser negro, não é?” Porque, evidentemente, a única razão para não votar nele era a cor da pele. Curiosamente, quando faziam a mesma pergunta a um negro e este respondia “No Obama, claro!” ninguém o acusava de racismo.

Aqui passa-se a mesma coisa. Se há uma quezília entre vizinhos e só um deles é branco, lá vem inevitavelmente a queixinha do “não gosta de mim por sou... (acrescentar a raça ou etnia ou o que for).

Os polícias de uma certa área sofrem insultos e agressões contínuas por parte dos não brancos dessa área? Tudo bem, são as condições de vida dessas pessoas decentíssimas. Mas se um dia ripostam, aqui d’el rei, é o racismo da polícia e os factos já não interessam.

Temos cenas ridículas como uma a que assisti às tantas da noite num dos nossos canais televisivos. Mostravam uma operação Stop – penso que era uma sexta-feira ou sábado, as noites da farra – e um dos indivíduos que tinham mandado parar após provocar um embate estava “podre de bêbado”, como se costuma dizer, mal se aguentava de pé. Ainda por cima era do tipo de bêbado agressivo. Pois bem, quando finalmente o prenderam por ter agredido polícias e outras pessoas presentes no local – fora o acidente – é claro que não foi pelo álcool nem pelo seu comportamento... sim, adivinharam, “só me prendem porque sou negro”.

Mas tudo isto é alimentado por uma esquerda que, pelos vistos, sofre de complexos por ser branca e que incentiva todo este tipo de comportamentos, como se tem visto repetidamente ao longo dos anos, sobretudo no que diz respeito a certas comunidades.

Sentem-se muito antirracistas por tomarem estas atitudes, infelizmente não veem que são eles os maiores racistas de todos.

É que quando desculpam o não cumprimento de certas leis do nosso país – como a educação das raparigas – com a etnia ou religião dessas pessoas, no fundo o que estão a dizer é que não são cidadãos como nós. Pior ainda, chamam racista a quem exige que todos se comportem com decência e dentro dos mesmos padrões de convívio, ou seja, a quem defende a verdadeira igualdade.

Há uns anos deram grande destaque a um jovem que dizia que lhe tinham negado a entrada numa discoteca por ser cigano. Bom, a minha primeira dúvida foi logo, perante o aspeto do dito jovem, como é que o segurança sabia? Claro que entrevistaram o pai, o clã todo, vieram os discursos do costume contra o racismo em Portugal, enfim, o circo usual. Como sou curiosa, fiz questão de acompanhar o assunto – e acreditem, não foi fácil. Pois bem, tinham-lhe negado a entrada porque era um frequentador habitual e que provocava sempre lutas e todo o tipo de distúrbios. Mas ei, o importante é que era cigano.

Muito francamente, o termo “racista” sofre atualmente do mesmo descrédito de “fascista” e “nazi”. Basicamente, são todos atirados a esmo a quem ousa pensar por si e não se deixa ir na onda do politicamente correto... perdão, na onda woke, para sermos mais modernos.

Tudo está a atingir as raias do ridículo. Sabiam que uma jornalista inglesa disse,, e estou a parafrasear, ao ver a imagem da varanda da coroação de Carlos III, que a família real era demasiado branca? Ouvimos repetidamente as mesmas queixas em relação aos nossos governos e Assembleia da República, mas nunca se ouve dizer o mesmo em relação a instituições similares de África e da Ásia, por exemplo.

E para concluir, só umas perguntinhas ao “coitadinho” do Sr. Costa.

Depois do modo asqueroso como comentou o discurso de Cavaco Silva, não lhe parece patético vir exigir que o respeitem porque “sou o primeiro-ministro”? Lembro que para além de PM – e sem truques – Cavaco Silva foi também Presidente da República, ou seja, dois níveis acima de si.

Não acha ignóbil falar em respeito depois da cena a que todos assistimos das risadinhas de recreio de infantário protagonizadas pelo supostamente trio do topo da nossa pirâmide institucional contra deputados eleitos pelo povo português?

Sabe, é muito simples. Quer ser respeitado? Pois bem, comece por respeitar os outros, a começar pelo povo português com quem anda a gozar há anos! E deixe-se dessa do racismo, não convence ninguém, nem os mais “antirracistas” e só o tornam em motivo de chacota.

Para semana: Orgulhosamente sós! Pois, parece que esta ideia não morreu com Salazar...

28
Jan22

18 Porque será...

Luísa

No post de hoje expressarei algumas dúvidas que me assaltam inúmeras vezes e para as quais nunca encontrei uma resposta que me satisfizesse. Há muitas mais, mas falarei apenas de umas tantas. Aqui vai.

Porque será...

Sempre que se fala de aborto, o argumento mais usado é, “O corpo é meu, eu é que decido o que fazer com ele.” Tudo bem, estou de acordo que seja a mulher a decidir se quer ou não ter a criança. Mas...

Quando uma mulher diz que tenciona manter-se virgem ou, pelo menos, ter sexo apenas dentro de uma relação estável, torna-se imediatamente alvo da chacota generalizada – exceto, claro, se for muçulmana ou cigana, aí entram “os costumes”. E é isso que me deixa confusa. Então o corpo não é da mulher? Não deve ser ela a decidir se quer ou não ter sexo? Mais, se o faz por razões religiosas, isso torna a sua decisão menos válida? Para aumentar a minha confusão, fica-me a ideia de que o comportamento “certo” para os iluminados que decidem estas coisas é uma mulher que não está numa relação andar por aí a ter sexo com quem lhe apareça pela frente, caso contrário, é “pudica”, é “patética” e “não é uma mulher a sério”. Pois, expliquem-me, se conseguirem.

Porque será...

Quando viajava, havia quase sempre a opção de assistir a um espetáculo de folclore local e, em geral, ia o grupo todo, que se deleitava com o que via, com os trajes, a música, as danças, enfim, com tudo. E, apesar de alguns não terem grande qualidade, era sempre agradável assistir. Mas...

Se perguntarmos às pessoas desses grupos sobre o folclore dos seus respetivos países – e viajei com espanhóis, italianos, franceses, enfim, muita gente diferente – deparamo-nos com um ar horrorizado e a garantia de que nunca, mesmo nunca, descem a assistir a essas coisas. É que, segundo parece, o nosso folclore é reles, é “pimba”, deve ser ignorado o mais possível. Já o de países ou origens não europeias é interessante e absolutamente indispensável se quisermos entender esse povo. Ou seja, só os outros têm folclore. Quem diria!

Porque será...

Quando viajamos, recomendam-nos que respeitemos os costumes dos países que visitamos porque “estamos na casa deles e temos de nos comportar como deve ser.” Concordo totalmente, se têm costumes que nos ofendem, então a solução é simples, não ir lá. Mas...

Quando os naturais desses países nos visitam, as mesmíssimas pessoas dizem-nos que devemos respeitar os seus costumes porque “são convidados no nosso país e queremos que se sintam bem-vindos.” O que me leva a perguntar, muito simplesmente, “Quando é que nos chega a vez?” É que se temos de respeitar os costumes deles lá e cá e não podemos fazer certas coisas, também lá e cá, porque os podemos ofender, fica a ideia de que somos sempre nós a ceder, a adaptarmo-nos aos outros e a não exigir respeito por nós e pelos nossos usos e costumes. E eu acho isso inaceitável.

Porque será...

Nas campanhas de igualdade de género fala-se muito que não há nenhuma razão para mulheres e homens não terem o mesmo tipo de estudos e de profissões. Tendo tirado engenharia numa época em que poucas raparigas o faziam, sou uma fiel seguidora desse princípio. Mas...

Com a atual campanha sobre transexualidade, sim, campanha é o termo certo, temos a situação curiosa de almas bem-intencionadas decidirem logo, ainda na pré-primária, que uma rapariga que gosta de carrinhos e isso é de facto um rapaz em corpo de rapariga. E se um rapaz gosta de se enfeitar... bom, não preciso de dizer mais. Curiosamente, em muitas sociedades primitivas é o homem que usa adornos de todos os tipos, é o macho da espécie que tenta tornar-se atraente para as fêmeas do grupo. Ainda há uma tribo no Chade, a Wodaabe, onde os homens solteiros fazem um autêntico desfile de beleza para serem escolhidos para maridos pelas mulheres solteiras. Não há razões para pensarmos que fomos diferentes, por isso se um rapaz gosta de se enfeitar, em vez de gritarem logo transexual, talvez ele esteja simplesmente a reagir a um imperativo do passado!

Porque será...

Passamos a vida a ouvir dizer que devemos respeitar as religiões dos outros, que não nos compete a nós julgarmos as suas crenças, por muito estranhas que nos pareçam. Mas...

Aparentemente, este respeito e tolerância não se aplicam ao cristianismo, pelo menos nas suas duas principais vertentes, catolicismos e protestantismo (quanto aos ortodoxos, são vistos como “exóticos” e, por isso, aceites) e também o judaísmo. Elogiamos um muçulmano ou hindu que cumprem à risca os preceitos da respetiva religião, mas um cristão que faça o mesmo é, no mínimo, motivo de gozo. Uma muçulmana cobre-se da cabeça aos pés em nome da sua religião? Respeitemos! Uma mulher cristã veste-se com modéstia por razões religiosas? É ridícula e antiquada! Lembram-se de quando recebemos um casal da Síria e que a DGS instruiu o hospital da zona para pôr só médicas e enfermeiras a atenderem a mulher por razões religiosas? E se for uma cristã que não quer ser tocada por homens que não sejam o marido? Ou uma judia ortodoxa? Satisfazem esse pedido? Pois, suspeito que não. Terá até sorte se não lhes derem apenas homens, nem que os tenham de desviar de outros serviços. Quem as manda praticarem uma religião “não protegida”?

Bom, há muito mais situações, mas fico-me por aqui.

Para a semana: Novo Dicionário Precisa-se II – mais termos que mudaram de significado.

21
Jan22

17 - Cidadania

Luísa

Tem-se andado a falar muito deste tema, a propósito dos dois alunos, brilhantes e cumpridores, que estão em risco de chumbarem porque o pai não quer que frequentem as aulas de Educação para a Cidadania por conterem matéria que ele acha que lhe compete a ele ensinar aos filhos. Refiro-me, claro, à parte de Educação Sexual, com a ênfase dada à homossexualidade, transexualidade e similares.

Tive curiosidade em ver os vários currículos e propostas de currículos desta cadeira e fiquei um tanto confusa. É que pelo que vi, o dito currículo é apenas indicativo e compete ao professor decidir do que vai falar e, sobretudo, como o vai fazer. Sim, currículos, porque não há manuais como nas outras cadeiras, ou seja, o que é realmente ensinado fica totalmente ao critério do professor, sem que os pais saibam sequer o que os filhos irão ouvir nas ditas aulas.

Mais ainda, o dito currículo inclui, no meio de assuntos realmente importantes, outros que não passam de uma tentativa nem sequer muito disfarçada de endoutrinar as novas gerações em teorias de esquerda.

Por exemplo, a Educação para o Desenvolvimento que visa, e cito, “a consciencialização e a compreensão das causas dos problemas do desenvolvimento e das desigualdades a nível local e mundial, num contexto de interdependência e globalização”. Não é preciso ser adivinho para ver que isto se presta a propaganda a favor da “bondade” do comunismo e em diatribes contra o “malvado” capitalismo.

Ou a Educação para a Saúde e a Sexualidade, a componente da polémica. É que, na ausência de manuais a que os pais possam ter acesso, este tema presta-se a todo o tipo de extremismos. Sei que ainda não chegámos lá, mas com o péssimo hábito que temos de importar o que de pior se faz nos EUA, em breve chegará o dia em que rapazes heterossexuais tenham de pedir desculpa aos colegas por o serem! Sim, já acontece em várias escolas americanas e até em idades bastante jovens.

Ou a Educação para a Igualdade de Género que, e cito, “visa a promoção da igualdade de direitos e deveres das alunas e dos alunos, através de uma educação livre de preconceitos e de estereótipos de género”. Curiosamente, os defensores de que as crianças transexuais sabem que o são desde muito novas usam como um critério importante para essa teoria o tipo de brincadeiras de que a criancinha gosta. Se é menina e gosta de coisas mecânicas e de ciência, então é porque é simplesmente um rapaz num corpo de rapariga. E um rapaz que goste de bonecas, bom, já se sabe que é de facto rapariga. Nada mau, como luta contra “estereótipos de género”.

Voltando ao dito currículo, este é bem extenso (para quem tenha curiosidade, aqui fica o link da página da Direção-geral da Educação que o contém: https://www.dge.mec.pt/educacao-para-cidadania-linhas-orientadoras-0). E eu não acredito que os professores consigam tocar em todos os seus temas. Vai acontecer o mesmo que em Físico-química, em que se um professor é da área da física passa a maior parte do ano com ela, não tendo depois tempo para se estender muito na parte da química e um professor da área da química faz o oposto.

Mais ainda, duvido seriamente que um professor tenha conhecimentos para poder falar de todos os assuntos ali citados. Ou, pelo menos, de o fazer de modo abalizado e capaz de esclarecer devidamente quem o ouve. É que como as coisas estão agora, tem de cobrir áreas que vão da Educação Financeira à Saúde e Sexualidade, passando pela Educação para os Media, Educação Ambiental, Educação para a Segurança Nacional (em que, estranhamente, se fala do património cultural), Educação Rodoviária e muito mais!

Também isto se presta a que o professor escolha os temas em que está mais à vontade ou que lhe agradam mais, ficando depois “sem tempo” para falar dos restantes.

Em vez de prejudicar bons alunos, não seria bem mais útil se a DGE repensasse todo este tema e criasse diretrizes claras sobre o que é ou não ensinado? Mais ainda, em vez de deixar tudo a cargo do mesmo professor, que tal haver professores “nómadas” que iriam de escola em escola a dar a parte que são competentes para ensinar?

E quanto ao tema da Saúde e Sexualidade, que tal deixarem os detalhes para uma série de aulas facultativas, mediante autorização dos pais, e falando apenas de assuntos mais generalizados e menos polémicos?

É que francamente, concordo inteiramente com aquele pai, a educação sexual das crianças compete aos pais, a menos que estes decidam passar essa tarefa a outros. E quem nos diz que o professor que calhou aos nossos filhos o pode fazer de um modo claro, sem a distorção das suas crenças que podem estar totalmente em colisão com os nossos princípios?

E não, não se trata de homofobia e quejandos. Não nos esquecemos de que as crianças se desenvolvem a ritmos diferentes e na mesma turma pode haver alunos para quem o que for dito já é sobejamente conhecido e outros que ainda não têm o menor interesse pelo assunto. E, francamente, forçá-los a ouvir falar de sexo sem que estejam preparados para tal raia a violência. Sem contar que muitas crianças têm vergonha de fazer à frente dos colegas perguntas sobre essa área e acabam por sair dessas aulas com as mesmas dúvidas com que entraram.

Resumindo, o que esta cadeira precisa é da tão apregoada transparência e, acima de tudo, respeito pelos cidadãos e pela sua sensibilidade religiosa e moral. Basicamente, o mesmo respeito que já se dá a certos setores da nossa sociedade: ouvi há uns tempos uma professora da escola islâmica de Lisboa dizer que alterava o currículo (e não estava a falar de Cidadania mas sim de História) para não ferir as suscetibilidades dos alunos daquele estabelecimento muçulmano!

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