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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

29
Nov25

214 - O 25 de novembro

Luísa

O ano passado falei também desta data em A “querida” esquerda, em que referi, entre outros assuntos, a enorme renitência da esquerda – e não só – em celebrar este dia e da sua teimosia, ou antes, casmurrice, em continuar a afirmar que foi um contragolpe feito para voltar ao salazarismo.

Nesse sentido, pouco ou nada mudou, tivemos até o inenarrável “senhor de Belém” a dizer no seu discurso que foi a data em que o país virou à direita. A sério? Eu diria que foi o momento em que Portugal se afastou, mais ou menos, do percurso traçado pela extrema-esquerda representada então por esses bons lacaios da URSS, o Partido Comunista Português.

O grande argumente – e pretexto para a ausência desses “bons democratas” da cerimónia na Assembleia da República – é que quem deseja celebrar o 25 de novembro está a menosprezar a data gloriosa que é o 25 de abril e as suas conquistas. Bom, e do ponto de vista do PCP, até há uma certa razão, foi quando esse partido perdeu o controlo do país e a esperança de aqui implementar uma “ditadura do povo” satélite da URSS, à semelhança das muitas então existentes na chamada Europa de Leste.

Só que eu nunca entendi muito bem porque é que o PCP reclama a autoria do movimento de abril. É que o que sucedeu em 25 de abril de 1974 nada teve a ver com esse partido, foi algo independente e que até os apanhou de surpresa – ou acham que se soubessem o que ia acontecer o Cunhal não estaria em Espanha ou, até, escondido algures em Portugal pronto para aparecer?

Não, o PCP teve, isso sim, tudo a ver com o que aconteceu entre 26 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975: a imposição de uma nova censura contra tudo o que pudesse ser visto como crítico do regime soviético, os despedimentos de quem não assinasse de cruz tudo o que os camaradas queriam – ou, pura e simplesmente, lhes desagradavam – e as prisões e torturas por razões políticas, isto fora o clima de terror, sim, é o termo certo, que se viveu durante esses meses em Portugal graças ao querido PREC.

Já agora, como está na moda pedir desculpa por tudo e mais alguma coisa, será que o PCP tenciona fazê-lo a todos os afetados por esse período terrível? E, melhor ainda, relativamente à chamada “descolonização”, ou antes, à entrega das colónias portugueses a partidos cuja única virtude era serem subsidiados pela URSS, também o vão fazer aos muitos milhares de “retornados” (tema a que voltarei em breve) e, sobretudo, aos angolanos, moçambicanos, etc. por os terem entregue, sem a menor hesitação, a quem não tinha os seus interesses em mente, como se tem visto, aliás, nestes 50 anos de independência desses países?

Pois, bem podemos esperar sentados.

Já agora, esta semana O Observador publicou vários artigos de opinião sobre o assunto, de que destaco O 25 de Novembro, de Zita Seabra – em que fala das suas experiências, lembremo-nos de que era militante comunista de topo – e Os incomodados de Novembro, de Rui Ramos, de que gostei bastante.

Passando às comemorações em si, foi gritante o contraste com as do 25 de abril, um dia em que somos bombardeados, de manhã até à noite, com celebrações, discursos, desfiles, entrevistas, documentários e tudo e mais alguma coisa. Até a cerimónia na Assembleia da República, uma estreia absoluta e, por isso, merecedora de algum destaque, foi enfiada no meio dos noticiários e com pouco destaque – não que anseie por ouvir discursos de políticos, mas deram-lhes um tempo mínimo de antena numa data que se pretendia ser solene.

Tivemos, claro, a ausência mais do que anunciada do PCP, que continua a agir como se estivéssemos no período antes do 25 de novembro e ainda mandasse do país, e para quem só os saudosistas de Salazar, ou seja, os fascistas ou candidatos a tal, celebram esta data. Ficou, até, bem claro que se consideravam ofendidos por a cerimónia se ter realizado apesar de eles não a quererem. Pois, os bons democratas são assim, não lhes interessa a opinião dos outros nem menos quando esses outros constituem a maioria.

Veio, depois, a “luta” caricata entre rosas brancas e cravos vermelhos, estes levados para a Assembleia da República por deputados de esquerda, claro, e postos sobre a decoração de rosas da tribuna principal. Retirados por Ventura, foi um elemento do PSD, o último a falar, a colocar de novo um cravo vermelho sobre a decoração de rosas – bom, pelo menos alguém eleito por esse partido, mas não nos esqueçamos que o futuro professor na Califórnia também diz ser um militante dele, foi, até, um seu (curtíssimo) presidente.

Como a razão dada foi que não devíamos esquecer o muito que devemos a abril, espero, francamente, ver para o ano algumas rosas brancas a serem postas sobre os cravos vermelhos durante a cerimónia do 25 de abril! É que se em novembro não podemos esquecer Abril, então o contrário também tem de ser verdade e temos de relembrar aos saudosistas do PREC quando é que a democracia, na verdadeira aceção desse termo, chegou, de facto, a Portugal.

Como digo, não costumo ouvir discursos de políticos, mas, ao fazer zapping, ouvi a Mortágua, a nossa “heroína navegante”, a lastimar que na celebração desta data – que ele contesta, diga-se de passagem – o governo estivesse a elaborar um pacote laboral para acabar com os direitos dos trabalhadores, direitos esses conquistados, claro está, no 25 de abril. Fica, evidentemente, implícito que a culpa deste golpe nos sacrossantos direitos adquiridos está no 25 de novembro e, acima de tudo, em quem celebra esta data.

Enfim, já passou, infelizmente ainda temos pela frente quase dois meses de politiquices com as eleições do próximo ano.

Para a semana: O melhor para os nossos filhos. Todos o dizem mas, infelizmente, o “melhor” resume-se, quase sempre, a coisas materiais.

05
Jan24

117 - Já não há vergonha

Luísa

Dedico este primeiro post de 2024  a toda uma série de comportamentos e de afirmações dos nossos maravilhosos políticos, e não só, algumas do ano passado mas outras, infelizmente, mais recentes. Mas têm todos algo em comum, o mais completo despudor de quem os faz ou diz.

Pior ainda, fica-me cada vez mais a ideia de que para quem nos (des)governa e / ou “orienta” os portugueses são burros, amnésicos e adoram ser enganados repetidamente e do mesmo modo. Bom, atendendo ao resultado de eleições e sondagens, se calhar até nem andam muito longe da verdade...

Começo pelo autêntico festival de congratulações e elogios de quando a legislatura entrou, finalmente, em gestão, depois de o senhor de Belém ter esgotado todos os adiamentos e desculpas para lhes permitir ir passando leis atrás de leis tendo em vista o próximo dia 10 de março.

Um extraterrestre que chegasse a Portugal nessa altura ficaria imediatamente convencido de que se tratara de um governo de grande êxito, que terminara no fim do mandato para que fora eleito e que tomara inúmeras medidas muitíssimo importantes, entre elas as sempre tão badaladas reformas estruturais.

E não me refiro apenas à gentinha do PS, não vi, da parte do PSD, nenhuma tentativa a sério para lhes estragar a festa e os foguetes com um banho de realidade.

Tivemos, depois, o tremendo entusiasmo desse senhor Montenegro por ter conseguido o milagre fundamental de formar uma coligação “importantíssima” para as próximas eleições. Quem o ouvisse falar ficava com a ideia de que descobrira, a muito custo, o segredo para uma vitória eleitoral e resultante formação de governo. E, mais uma vez, não vi um grande esforço da parte de ninguém para que ele esclarecesse como vai conseguir isso aliando-se a um partido que perdeu, nas últimas eleições, os pouquíssimos representantes que ainda tinha na Assembleia da República.

Aqui para nós, quem tem boas razões para festejar é o CDS que elege, deste modo, pelo menos 3 deputados sem mexer uma palha. Mas, curiosamente, a alegria era bem mais esfuziante do outro lado.

Passemos, agora, ao nosso muito “prezado” Presidente da Assembleia da República, o Sr. SS, e as suas declarações em relação ao Ministério Público. Se fosse ele a dizê-las, tudo bem, sou uma simples cidadã. Mas é gravíssimo, ou antes, devia sê-lo, que quem preside ao braço legislativo desconheça a separação de poderes consagrada na Constituição – sim, a tal que tão citada é quando convém à nossa esquerda. Ou, pior ainda, se sabe disso e não se incomodou com essas “chinesices”.

É que para esse senhor, a única verdadeira ameaça à democracia em Portugal está na existência do Chega. E tem a desfaçatez, sim, não há outro termo para isso, de o dizer com um ar muito sério depois de todos os comportamentos mais do que antidemocráticos que demonstrou – ou permitiu – na AR.

Veio, depois, a mensagem do senhor de Belém – não, não é o Menino Jesus, é o de cá... Confesso que não a ouvi, limitei-me a ver extratos, é que os anos já pesam e tenho de poupar os nervos para coisas realmente importantes. Mas adorei ouvi-lo dizer que vai apoiar a candidatura do seu compincha Costa à Presidência da União Europeia porque ele merece! Mais ainda, será um cargo onde poderá fazer o que faz melhor...

Hum... Acho que um pequeno esclarecimento tinha dado muito jeito a quem o ouviu. O que faz melhor? Aldrabar? Meter amigos e conhecidos sem competência em cargos importantes? Prometer mundos e fundos, nada fazer apesar de ter todos os meios para tal e ainda por cima acusar a oposição de ter a culpa do falhanço? Bom, não a atual oposição, a de há uns largos anos, quando era, então, governo.

Mesmo assim, o novo líder do PS bate-os a todos aos pontos. Anunciados vários aumentos na função pública e pensões, que, infelizmente, iremos pagar com colher de pau passada a euforia eleitoral, lembrou que Passos Coelho cortara em 50 % o subsídio de Natal por causa da Troika. Não sei se é ele que anda distraído ou a minha memória já não é o que era, mas a dita não veio por causa do queridíssimo Sócrates? E este não era um primeiro-ministro socialista?

Para terminar, duas afirmações recentes, já deste ano, que me impressionaram por levarem o tal despudor a novos píncaros.

A primeira é de alguém do PCP, esse partido tão democrático, pelo menos para o PS e para o Sr. SS. De acordo com essa sumidade, a culpa das horas de espera nas Urgências e de o Sistema Nacional de Saúde não funcionar é... dos hospitais privados!

Se calhar até tem razão, é que sem medicina privada morreria muito mais gente, libertando, assim, vagas nas consultas, hospitais e Urgências. E, não estou, infelizmente, a brincar, pelo menos totalmente, é que passei o dia a ouvir falar da taxa de mortalidade acima dos 45 anos em Portugal.

A segunda e última afirmação despudorada é recentíssima, veio da douta boca do ainda primeiro ministro hoje já à noitinha. Também não ouvi o discurso todo, veja-se o que disse acima sobre os meus nervos, mas passei por lá na altura em que dizia “Só o PS fará melhor do que o PS” e, a minha parte favorita, “Há problemas? Claro que há problemas. Mas é por isso que estamos cá. É o PS que vai resolver os problemas.”

Pois, esperemos sinceramente que não ou teremos, para a economia e outros setores do nosso país, a concretização da velha expressão, “de vitória em vitória até à derrota final”.

Só me resta desejar-vos um bom ano de 2024... sim, sou uma otimista nata!

Para semana: Falemos de saúde A propósito de declarações recentes de alguns políticos

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