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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

22
Dez23

115 - O Natal incomoda muita gente

Luísa

É o meu terceiro Natal com este blogue e, para não me repetir demasiado, sugiro a leitura dos posts dos dois anos anteriores, E é Natal (2021) e Falemos de Natal (2022). Tudo o que ali disse continua válido, em muitos casos infelizmente, e podia, pois, perfeitamente ter sido escrito esta semana ou, muito francamente, daqui a um ano ou mais.

Comecemos pelas inúmeras tentativas de conseguir o “cancelamento” do Natal, um termo muito na moda por parte dos bem-pensantes woke, que passam a vida a cancelar tudo e mais alguma coisa. Esqueçamos, para efeitos deste texto, o estafadíssimo argumento de que a sua celebração pode ofender quem não é cristão praticante e, sendo assim, em nome da tão famosa tolerância, devemos abster-nos de festejar algo que nos é querido. Como disse no texto do ano passado, há realmente intolerância nesta situação, só que é toda da parte dos ofendidos.

O que realmente me intriga em tudo isto é a dualidade de critérios entre o Halloween e o Natal. Durante anos ouvíamos dizer em tudo quanto era comunicação social – e não só – que não se devia festejar o Dia das Bruxas em Portugal porque era uma mera importação dos Estados Unidos – por acaso não é verdade, no próximo ano explicarei porquê – e devíamos manter-nos fiéis aos nossos usos e costumes.

Pois bem, haverá coisa mais europeia do que a festa de Natal, quer na sua antecessora pagã quer na sua versão cristã? E querem agora esses donos da verdade que abandonemos esse tão antigo – e tão nosso – costume para agradar à sua ideia de tolerância e respeito pelas culturas dos outros? E o respeito pela nossa, onde anda? Já agora, na maioria esmagadora das vezes os supostos ofendidos não se incomodam nada com este festejo, muitos até aderem e entram no espírito da festa. Mas nem pensem dizer isso na presença dos autoproclamados protetores da tolerância e respeito, como é evidente, eles é que sabem o que é correto ou não fazer-se.

E como a estes bem-pensantes se juntam os supostos ateus – sim, supostos, como expliquei o ano passado – as decorações públicas andam tão neutras que até dói. Felizmente há toda uma série de povoações mais pequenas que não querem saber destas modernices e que, para além de reviverem tradições antiquíssimas e em muitos casos quase esquecidas, têm aprimorado as suas decorações, dando grande ênfase ao que sempre foi o centro do Natal português, o presépio.

Já agora, sabiam que a nossa primeira árvore de Natal surgiu apenas em meados do século XIX quando D. Fernando, marido da rainha D. Maria II, mandou instalar uma no Palácio das Necessidades? É que o seu uso nesta época festiva terá começado precisamente na Alemanha no século XVI e não nos esqueçamos que o consorte real era um príncipe alemão.

Pessoalmente adoro uma bonita árvore decorada, para além do presépio, mas estranho, também aqui, não haver fúrias contra a “importação” de costumes...

Mas há coisas no Natal em Portugal que também me incomodam bastante. E como não sou menos do que os outros, aqui vão as minhas “queixinhas”.

A primeira tem a ver com as mensagens dos nossos “governantes”. Não sei se o nosso “estimadíssimo” PM, agora que é um ex, vai falar à mesma, mas aposto que sim, não quererá perder mais uma oportunidade de repetir que os seus foram governos de grande êxito, que o país está bem, ou antes, está ótimo e recomenda-se e que se quisermos continuar assim só temos um caminho, manter o seu PS no poder.

Quando ouço, intermitentemente, claro, é demasiado para eu aguentar tudo de uma vez, fica-me a dúvida: estará a falar do mesmo país em que os que o ouvem vivem? Onde o número de pessoas sem-abrigo disparou, graças sobretudo a inúmeros idosos que deixaram de poder pagar a casa onde viviam? Onde uma pessoa desespera para ter uma consulta, tendo em muitos casos bem mais hipóteses de morrer primeiro? Onde uma grávida passa meses numa aflição sem saber se haverá algum sítio aberto onde possa ter a criança?

E como se não bastasse, vem depois o senhor de Belém e as inevitáveis referências à estabilidade politica, como se isso fosse o mais desejável!

Irrita-me, também, ver ano após ano as mesmas reportagens sobre problemas em aeroportos e hospitais, sempre agravados com as também habituais greves nesta época. Mais as visitas a locais de ajuda a pessoas sem-abrigo ou com problemas económicos, sem que se veja qualquer melhoria, é, até, uma sorte calhar-nos um ano em que as coisas não piorem – e não é certamente este ano que ganhamos a lotaria.

E, numa nota mais leve para terminar, odeio que tenham retirado da programação natalícia filmes bem de Natal, como Do Céu Caiu uma Estrela ou uma boa versão – não woke – de Conto de Natal ou um bailado como O Quebra-nozes para os substituírem por versões “não ofensivas” ou por filmes totalmente inócuos e intermutáveis.

Bom, tendo desabafado o que me incomoda no Natal em Portugal, só me resta desejar-vos Feliz Natal – e se esta expressão vos ofende, azar... o vosso.

Para semana: Seria tão bom... Pois, a minha listinha de desejos para 2024

23
Dez22

64 - Falemos de Natal

Luísa

Sim, estamos mesmo à beirinha de mais um Natal e escolhi, por isso, falar de vários assuntos relacionados com esta data que se quer festiva.

E digo isso porque, inevitavelmente, a brigada woke tem feito tudo e mais alguma coisa para acabar com tudo o que signifique Natal – mas sem acabar com a festa em si, entenda-se, um feriado calha sempre bem...

Sabiam que em vários países já não se pode dizer Feliz Natal ou Boas Festas a pessoas que não sejam do nosso círculo íntimo? E mesmo com estas é quase preciso um interrogatório tipo KGB para ter a certeza de que não se vai ofender ninguém.

E repararam no modo como as decorações natalícias em ruas e lojas têm mudado? Usam-se agora laços, formas abstratas, enfim, tudo e mais alguma coisa desde que não possa ser relacionado com a data, como sinos, por exemplo.

Muito francamente, nunca percebi porque é que o facto de se festejar o Natal plenamente ofende quem não o festeja. Dizem que é uma questão de tolerância e de respeito pelas crenças dos outros... A sério? Pois eu acho precisamente o contrário, se alguém que não festeja o Natal fica ofendido por eu lhe desejar Boas Festas, então não sou eu a intolerante, mas sim o “vidrinho” ofendido.

E temos depois os ateus, ou antes, pessoas que dizem que o são. De acordo com o meu dicionário, “ateu é uma pessoa que nega a existência de qualquer divindade”, mais nada. Só que o ateísmo tem-se tornado uma verdadeira religião militante. Já não basta não acreditar, é preciso impedir que outros acreditem.

Acham que estou a exagerar? A Junta de Freguesia da minha zona teve de retirar umas decorações natalícias de rua por pressão feroz e repetida de uma residente que dizia que isso ofendia o seu ateísmo!

Mas passemos a outro tema também muito ligado a esta época, as dádivas que chovem nestes dias.

Sim, todos sabemos que é uma altura do ano “de ouro” para inúmeras instituições de caridade, os seus pedidos de ajuda e peditórios têm sempre um bom retorno. Mas... pensemos um pouco. Em vez de nos precipitarmos a dar o nosso contributo natalício e, aqui para nós, aliviar um pouco a consciência do peso do despesismo em que entramos, apesar de todas as boas intenções, que tal pôr esse montante de parte e doá-lo a meio do ano, por exemplo? É que as necessidades dessas organizações são constantes mas as doações... não.

É que se queremos realmente ajudar, acreditem, seria mais útil assim. É que apesar de receberem bem mais agora, aposto que não dá para o resto do ano.

Outra coisa que me faz confusão, a ceia de Natal oferecida a pessoas que vivem na rua e outras que passam dificuldades. Sim, a intenção é ótima e estou totalmente a favor, exceto... já repararam que é sempre uns bons dias antes do Natal? Que tal fazermos um esforço e tentar organizar uma ceia a sério na data real, ou seja, na Véspera de Natal? Pode ser mais cedo, digamos, por volta das seis, assim ainda dava para ir para casa e ter a ceia com a nossa família.

O que me leva ao último ponto, a solidão no Natal e a depressão que muitas vezes a acompanha.

Sim, é uma altura do ano em que as televisões se enchem de especialistas a falarem no assunto mas, na prática, o que é que fazemos? Pois, nada... ou quase nada.

E não me refiro apenas a pessoas idosas, há muita gente bem mais nova que, por uma razão ou outra, passa o Natal sem companhia. Também não falo dos muitos estrangeiros que vivem no nosso país e que, de um modo geral, têm organizações e grupos que organizam convívios, sobretudo se são de países menos representados, digamos.

Estranhamente, os mesmos que tanto se preocupam com esses imigrantes ignoram por completo os cidadãos portugueses que passam o Natal sozinhos.

Sei que já há hotéis que têm ceias de Natal, mas, muito francamente, não é para toda a gente, pelo preço e pelo que é servido, sim, é tudo muito bom e muito “chique”, mas muitos desses solitários anseiam é por algum convívio.

Pois aqui fica uma ideia, atrasada para este ano, mas a ter, talvez em conta para o futuro.

Que tal as Juntas de Freguesia organizarem uma ceia de Natal, por exemplo, no refeitório de uma escola local? Haveria inscrições (pagas) com antecedência e não seria nada muito especial, apenas a comida – e doces, claro – tradicionais. E música, talvez.

Mais ainda, para contornar problemas de segurança com o uso de equipamento não muito comum, como há certamente funcionários ou ex-funcionários dessa ou de outras cantinas na mesma situação de isolamento, podiam ser contactados para ajudar nessa noite. Sim, ajudar, para ser um Natal mais a sério e criar uma situação de convívio entre pessoas que serão, quase certamente, estranhas no início da festa, não seria um “jantar de restaurante”, todos ajudariam na cozinha, decoração, arrumação final...

Enfim, uma ceia de Natal “em família” para quem não a tem.

Uma outra hipótese seria lares e outros locais similares permitirem a presença de estranhos nessa noite, para dar um pouco mais de convívio a quem não tem para onde ir (ou não pode sair por razões de saúde). Juntar-se-iam, assim, duas solidões e seria, certamente, um serão bem mais agradável.

Enfim, se tem companhia, ainda bem, espero que passe uma bela noite. Se não a tem, tente não cair em depressão, olhe à sua volta, veja se pode ajudar alguém na mesma situação – e se não for este ano, vá fazendo planos para o Natal do próximo ano..

E pronto, Feliz Natal a todos! Quer ofenda ou não alguém...

Para semana: Resoluções, resoluções... Sim, é a "tal" época do anos...

24
Dez21

13 - E é Natal

Luísa

Primeiro uma pequena nota, quando indiquei a semana passada que iria falar a seguir de “A (des)igualdade de género” tinha-me esquecido de que estávamos a chegar ao Natal e Ano Novo. Esse tema fica pois adiado.

E passemos ao assunto da semana que é agora o Natal.

Quer sejamos ou não muito religiosos, o Natal é uma época especial com toda uma carga afetiva e familiar. Boas ou más, quem não tem recordações dos Natais da sua infância? Para uma boa parte de nós, não é uma festa religiosa, é, isso sim, uma altura de celebrar laços familiares, de pensar em amigos e parentes de que, muito francamente, nos esquecemos o resto do ano, enfim, para nos maravilharmos com decorações, presentes e todo o aparato que cada vez mais rodeia estas festas.

Sim, concordo que o Natal se tem tornado “muito comercial”, mas o que eu acho curioso é que mudar isso depende apenas de nós, começando, por exemplo, a educar as novas gerações para outros costumes, mais simples e pessoais. Mas eu sempre suspeitei que, bem no íntimo, a ideia dos presentes “no sapatinho” nos encanta e que muitos dos suspiros e queixas são, como se dizia antigamente, “para inglês ver”.

Mas o mais importante desta época é, ou devia ser, a família. Não é por acaso que em países comunistas em que houve a tentativa de acabar com o Dia de Natal este recebeu durante uns tempos o nome de Dia da Família.

Esta reunião familiar nem sempre é muito desejada e é, até, frequentemente stressante, mas, mais uma vez, depende em grande medida de nós fazermos dela algo melhor. Em vez de a vermos como algo “que tem de ser”, não seria bem melhor encará-la como uma oportunidade? Sobretudo quando envolve gerações mais velhas pode muito bem ser uma rara ocasião para sabermos mais sobre os nossos antecedentes familiares, costumes antigos e tudo isso.

Além disso, face ao atual ataque sistematizado ao Natal, por poder ofender quem não é cristão, dizem-nos, muitos estão a reagir tentando fazer reviver tradições que caíram no esquecimento, algumas delas bem antigas. E é sempre bom não deixar cair o passado, é que tradições e costumes não são só dos outros, nós também os temos e em abundância.

E se temem esta época por terem de lidar com parentes de que não gostam particularmente, em vez de passarem dias ou até semanas a lastimarem essa inevitabilidade, estragando assim todo esse período, enfrentem a situação de alma alegre, mantendo bem presente a ideia de que é só por um dia.

Bom, e não se pode falar de Natal sem referir a muito repetida frase, “é pena não ser Natal todo o ano.” Porque não? O que nos impede de concretizar essa ideia?

Não me refiro, claro, a uma festa de arromba todos os dias, presentes e todo esse aparato, até porque não é esse, ou não devia ser, o espírito do Natal. Mas podíamos muito bem manter vivas durante todo o ano algumas das coisas que fazemos nesta época.

Os tais familiares e amigos a quem só telefonamos nesta data para desejar Boas Festas? Pois bem, que tal criarmos uma lista com esses nomes e todas as semanas telefonarmos a um ou mais, só para saber como vão? Chegados ao fim da lista, é só recomeçar. E, quem sabe, até pode ser que com um contacto mais frequente acabemos por descobrir afinidades que nem sabíamos que existiam.

Os donativos e tudo o que damos nesta época, em parte porque sentimos uma pontinha de culpa por gastarmos tanto em presentes? Que tal espalharmos isso durante o ano? Muitas instituições e organizações até agradeceriam, são forçadas a gerir muito bem o que recolhem agora para que dure durante “a época magra” que é, infelizmente, uma boa parte do ano.

E o nosso contributo não tem de ser só em dinheiro ou outros bens. É que apesar de lastimarmos o atual materialismo em que vivemos, quando se trata de ajudar a única ideia que vem à mente é auxílio monetário. Mas nem sempre o que as pessoas realmente precisam pode ser comprado.

Por exemplo, fazem ideia de quantas pessoas no vosso prédio, quarteirão ou bairro vivem sozinhas? E que são na sua maioria idosas e a precisarem de ajuda, mas não necessariamente financeira. Não seria boa ideia tentarem conhecer algumas delas e ver se precisam de apoio com idas às compras ou coisas desse género? Ou dar-lhes, até, muito simplesmente, uns momentos de conversa que lhes cortem a solidão.

E há ainda os lares de idosos. Que tal contactarem um deles para saberem quantos residentes nunca recebem visitas ou até telefonemas? Aposto que são muitos. Não seria bom combinar com a direção desse lar visitas periódicas a um desses idosos? Não agora, claro, com as restrições por causa da pandemia, mas estas não durarão para sempre (esperemos!), e a vida voltará ao normal. Isto seria, de certo modo, “adotar” um idoso. E acreditem, para essa pessoa, passaria a ser Natal o ano todo.

E os presentes? Há tanto que pode ser feito nessa área! Coisas pequenas, mas que mostram a quem as recebe que estamos a pensar nelas. Pode ser tão simples como reforçar as doses de um bolo ou de uma refeição favoritos de um familiar, amigo ou vizinho para lhes podermos dar uma parte. Passar as revistas que compramos a alguém que sabemos que gosta de as ler mas não as adquire por falta de dinheiro ou por não poder gastar dinheiro em frivolidades. Pode ser, até, emprestar um livro que achamos que essa pessoa vai adorar ler.

Em todos estes casos de “Natal todo o ano”, e em muitos outros de que certamente se lembrarão, não é preciso gastar rios de dinheiro nem montes de tempo, basta um pequeno esforço pensado à medida do destinatário. E, acreditem, o resultado é muitas vezes melhor acolhido e bem mais útil do que o muito que fazemos, muitas vezes por um mero sentimento de obrigação, durante a época natalícia oficial.

Dito isto, Feliz Natal para todos!

Para a semana: Intenções de Ano Novo – sim, fazemo-las todos, mas darei umas dicas para que seja possível cumpri-las.

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