204 - Politiquices
Face a acontecimentos recentes, decidi alterar o tema desta semana e falar de umas “coisinhas” que me incomodaram, dentro e fora do país.
Começo, como não podia deixar de ser, pelo desastre catastrófico do elevador da Glória. Só o usei uma vez, num dos anos em que fiz turismo em casa, ou seja, em Lisboa, mas passei muitas vezes junto dele, em baixo e no topo, parando sempre para o observar caso estivesse em movimento. Também usei os outros todos, uma vez que fiz questão de “averbar” o máximo possível de coisas a ver e a fazer em Lisboa,
Fiquei chocada com o que vi quando liguei a televisão – já tinha passado cerca de uma hora, penso eu – e, acima de tudo, intrigada, sendo engenheira e sabendo como funciona não conseguia entender o que poderia ter acontecido. É que mesmo que o cabo se quebrasse, a hipótese logo avançada, há sistemas de travagem nas cabinas precisamente para essa eventualidade.
Mas para além do resultado trágico do acidente, há outras coisas que me chocaram nas reações que se seguiram.
A primeira foi a dos sindicatos. Ainda estavam a retirar vítimas do local e já havia um representante sindical a dizer que a culpa era toda de terem entregue a manutenção a uma empresa privada e que nunca teria acontecido se fosse feita pelos trabalhadores da empresa. E não só, ao longo da noite foram surgindo várias declarações dos ditos trabalhadores a afirmarem que a manutenção andava a ser mal feita, as vistorias não eram suficientes, etc.
Para além do tremendo mau gosto de virem com conversas destas quando ainda nem se sabiam ao certo as consequências do acidente e muito menos as suas causas, não acham incrível que todas estas denúncias só surjam quando já não há remédio? É um pouco tipo violência doméstica, depois de alguém morrer não faltam pessoas a virem dizer que sabiam de tudo...
Já agora, terá ocorrido a estes senhores e aos “jornalistas” do costume que se calhar o acidente não teve uma única causa mas um conjunto delas? É o que costuma acontecer quando há casos destes, uma pequena falha leva a outra que leva a outra até ao colapso total.
O segundo cenário que me incomodou foi a pressa de muito boa gente em atirar culpas políticas. Sim, entendo que estamos em plena campanha eleitoral, não a oficial, claro, mas quem liga às datas? Mas atirar as culpas para o Moedas, enfim, não que eu goste dele ou pertença à sua Câmara, não é o caso, mas, muito francamente, não entendo, mesmo que tenha sido ele a assinar o contrato com a dita empresa de manutenção, algo que ainda não vi devidamente explicado, será que um Presidente da Câmara tem de vistoriar pessoalmente tudo e mais alguma coisa?
Pois é, a política obriga a muito, mas nunca pensei ver Chega e PS com o mesmo discurso...
E no caso do PS, é mesmo preciso ter muito descaramento! O então PM responsabilizou-se pelos 66 mortos e tremenda devastação do incêndio de Pedrógão? E tinha bem mais razões para o fazer, muitos dos dirigentes, ou antes, dos supostos dirigentes dos serviços responsáveis pela resolução do problema tinham sido nomeados por ele, mais ainda, o SIRESP não funcionava devidamente porque ele – ou o seu Governo – tinham decidido poupar dinheiro e cortar componentes sem saberem o que faziam.
Pior ainda, muitos ainda estão à espera de receberem os fundos que lhes foram prometidos. Onde está a responsabilização política desse partido?
Citam também muito o que Moedas terá dito aquando do envio para a Rússia dos nomes de manifestantes por parte da Câmara de Lisboa, como se a situação fosse similar. Que eu saiba, a Carris é uma empresa com gestão privada – apesar de ter fundos totalmente públicos. Já uma Câmara está, ou devia estar, sobre a alçada do seu presidente. E que eu saiba o Sr. Medina nada fez, tal como nada aconteceu à pessoa responsável por esse “erro”.
E aquela Sra. Leitão, a que almoçou no Martim Moniz e garantiu que era perfeitamente seguro e que só racistas diziam o contrário, irá responsabilizar-se por todos os crimes que ali aconteçam a turistas ou cidadãos que, fiando-se na sua palavra e nas imagens que viram, por ali circulem?
Não sou ingénua, sei muito bem que na política vale tudo, infelizmente, mas há coisas que me dão a volta ao estômago. E ver o aproveitamento que se está a fazer de uma tragédia é uma delas, desde sindicatos a partidos, tudo com a ajuda, claro está, do “jornalixo” cada vez mais abundante.
E por falar disso, fiquei muito satisfeita ao saber que, sem muitos gastos, posso ter um “navio”. É que se um barco de motores fora de borda passa a “navio venezuelano atacado pelo Trump”, então há esperança para mim.
Mantendo-me nas politiquices internacionais, ficamos a saber que os cortes de ajuda humanitária do Trump, que ainda não entraram em vigor, já foram responsáveis por milhões de mortos por SIDA. E haver um alto dirigente sul-africano a dizer que a cura para a dita está em ter sexo com uma virgem não tem absolutamente nada a ver com isso. Nem o facto de os muitos biliões enviados sobretudo para África para combater a fome, doenças, etc., nunca tenham efeitos visíveis, mas que os líderes destes países, as suas famílias e amigalhaços tenham um nível de vida e de despesas de fazer inveja a muito milionário. Não, a ênfase vai para os cortes e, evidentemente, para o folclore da “flotilha”, de que falarei quando houver mais evoluções nesse ato “corajoso”.
Enfim, enquanto houver politiquices com coisas sérias, será muito difícil conseguir a tal mudança do país e do mundo que muitos dizem querer. Pelo menos não uma mudança positiva.
Para a semana: Falemos de educação. Perante alguns comentários e notícias que li recentemente, é altura de voltar ao assunto.
