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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

05
Jan24

117 - Já não há vergonha

Luísa

Dedico este primeiro post de 2024  a toda uma série de comportamentos e de afirmações dos nossos maravilhosos políticos, e não só, algumas do ano passado mas outras, infelizmente, mais recentes. Mas têm todos algo em comum, o mais completo despudor de quem os faz ou diz.

Pior ainda, fica-me cada vez mais a ideia de que para quem nos (des)governa e / ou “orienta” os portugueses são burros, amnésicos e adoram ser enganados repetidamente e do mesmo modo. Bom, atendendo ao resultado de eleições e sondagens, se calhar até nem andam muito longe da verdade...

Começo pelo autêntico festival de congratulações e elogios de quando a legislatura entrou, finalmente, em gestão, depois de o senhor de Belém ter esgotado todos os adiamentos e desculpas para lhes permitir ir passando leis atrás de leis tendo em vista o próximo dia 10 de março.

Um extraterrestre que chegasse a Portugal nessa altura ficaria imediatamente convencido de que se tratara de um governo de grande êxito, que terminara no fim do mandato para que fora eleito e que tomara inúmeras medidas muitíssimo importantes, entre elas as sempre tão badaladas reformas estruturais.

E não me refiro apenas à gentinha do PS, não vi, da parte do PSD, nenhuma tentativa a sério para lhes estragar a festa e os foguetes com um banho de realidade.

Tivemos, depois, o tremendo entusiasmo desse senhor Montenegro por ter conseguido o milagre fundamental de formar uma coligação “importantíssima” para as próximas eleições. Quem o ouvisse falar ficava com a ideia de que descobrira, a muito custo, o segredo para uma vitória eleitoral e resultante formação de governo. E, mais uma vez, não vi um grande esforço da parte de ninguém para que ele esclarecesse como vai conseguir isso aliando-se a um partido que perdeu, nas últimas eleições, os pouquíssimos representantes que ainda tinha na Assembleia da República.

Aqui para nós, quem tem boas razões para festejar é o CDS que elege, deste modo, pelo menos 3 deputados sem mexer uma palha. Mas, curiosamente, a alegria era bem mais esfuziante do outro lado.

Passemos, agora, ao nosso muito “prezado” Presidente da Assembleia da República, o Sr. SS, e as suas declarações em relação ao Ministério Público. Se fosse ele a dizê-las, tudo bem, sou uma simples cidadã. Mas é gravíssimo, ou antes, devia sê-lo, que quem preside ao braço legislativo desconheça a separação de poderes consagrada na Constituição – sim, a tal que tão citada é quando convém à nossa esquerda. Ou, pior ainda, se sabe disso e não se incomodou com essas “chinesices”.

É que para esse senhor, a única verdadeira ameaça à democracia em Portugal está na existência do Chega. E tem a desfaçatez, sim, não há outro termo para isso, de o dizer com um ar muito sério depois de todos os comportamentos mais do que antidemocráticos que demonstrou – ou permitiu – na AR.

Veio, depois, a mensagem do senhor de Belém – não, não é o Menino Jesus, é o de cá... Confesso que não a ouvi, limitei-me a ver extratos, é que os anos já pesam e tenho de poupar os nervos para coisas realmente importantes. Mas adorei ouvi-lo dizer que vai apoiar a candidatura do seu compincha Costa à Presidência da União Europeia porque ele merece! Mais ainda, será um cargo onde poderá fazer o que faz melhor...

Hum... Acho que um pequeno esclarecimento tinha dado muito jeito a quem o ouviu. O que faz melhor? Aldrabar? Meter amigos e conhecidos sem competência em cargos importantes? Prometer mundos e fundos, nada fazer apesar de ter todos os meios para tal e ainda por cima acusar a oposição de ter a culpa do falhanço? Bom, não a atual oposição, a de há uns largos anos, quando era, então, governo.

Mesmo assim, o novo líder do PS bate-os a todos aos pontos. Anunciados vários aumentos na função pública e pensões, que, infelizmente, iremos pagar com colher de pau passada a euforia eleitoral, lembrou que Passos Coelho cortara em 50 % o subsídio de Natal por causa da Troika. Não sei se é ele que anda distraído ou a minha memória já não é o que era, mas a dita não veio por causa do queridíssimo Sócrates? E este não era um primeiro-ministro socialista?

Para terminar, duas afirmações recentes, já deste ano, que me impressionaram por levarem o tal despudor a novos píncaros.

A primeira é de alguém do PCP, esse partido tão democrático, pelo menos para o PS e para o Sr. SS. De acordo com essa sumidade, a culpa das horas de espera nas Urgências e de o Sistema Nacional de Saúde não funcionar é... dos hospitais privados!

Se calhar até tem razão, é que sem medicina privada morreria muito mais gente, libertando, assim, vagas nas consultas, hospitais e Urgências. E, não estou, infelizmente, a brincar, pelo menos totalmente, é que passei o dia a ouvir falar da taxa de mortalidade acima dos 45 anos em Portugal.

A segunda e última afirmação despudorada é recentíssima, veio da douta boca do ainda primeiro ministro hoje já à noitinha. Também não ouvi o discurso todo, veja-se o que disse acima sobre os meus nervos, mas passei por lá na altura em que dizia “Só o PS fará melhor do que o PS” e, a minha parte favorita, “Há problemas? Claro que há problemas. Mas é por isso que estamos cá. É o PS que vai resolver os problemas.”

Pois, esperemos sinceramente que não ou teremos, para a economia e outros setores do nosso país, a concretização da velha expressão, “de vitória em vitória até à derrota final”.

Só me resta desejar-vos um bom ano de 2024... sim, sou uma otimista nata!

Para semana: Falemos de saúde A propósito de declarações recentes de alguns políticos

10
Nov23

109 - E haja eleições!

Luísa

Os acontecimentos desta semana levam-me, mais uma vez, a alterar o tema que tinha programado. Mas não podia, de modo algum, nada dizer perante a conjuntura atual.

Em primeiro lugar, não entendo o espanto que alguns mostraram por ministros importantes do (des)governo Costa terem sido indiciados por crimes de corrupção. Muito francamente, a escrita estava há meses na parede e só o mais total sentido de impunidade levou o nosso ex-PM a não se distanciar dos seus amigalhaços e a tentar salvar-se enquanto ainda ia a tempo... bom, talvez, pelos vistos a ferrugem tinha penetrado bem mais fundo do que se pensava.

Para mim, o único espanto foi o Ministério Público ter agido contra nomes chorudos do PS e, milagrosamente, sem fugas de informação! Sim, esse foi sem dúvida um verdadeiro milagre de Natal antecipado.

Gostei, em particular, da descontração desse homem honestíssimo que até mereceu ser o interlocutor do OE com Marcelo, o Sr. Galamba. Mas talvez o haxixe, o tal que é apenas ilegal, tenha algo a ver com isso... Já agora, alguém é capaz de me explicar quem é que esse senhor queria enganar com a camisa aberta e sem gravata, muito à “homem do povo”, mas com fatos de marca?

Passemos agora às opiniões dos vários partidos sobre o futuro imediato.

Para o PS tudo devia continuar como dantes, mudando-se o PM, claro, mas apenas porque ele se tinha demitido apesar de nada ter a ver com nada, como sempre foi, aliás, o seu hábito durante os últimos anos. Propuseram, até, como seu substituto, o SS, sim, o arruaceiro de serviço do partido e que tão “bom” e “isento” serviço tem prestado ao nosso país com presidente da AR.

O PCP e o PAN eram ferozmente contra eleições, apresentando inúmeras razões para essa sua atitude. Só que, cá para mim que ninguém nos ouve, acho que têm é medo de desaparecer de vez, ligados como estão à geringonça.

O BE parece que ainda não entendeu que vai a caminho do fosso e que está, na mente do povo, também totalmente ligado ao Costa e seus muchachos, daí querer eleições. Acho ótimo, com alguma sorte, desaparece também.

Já o PSD queria eleições, ou antes, o Sr. Montenegro era grande fã dessa opção. É que se houvesse um novo governo PS de transição, com eleições só daqui a quase um ano ou mais, já não estaria, certamente no poleiro e lá se ia a sua única oportunidade de ser PM.

O Chega e o IL têm, claro está, tudo a ganhar com nova campanha eleitoral, será mais uma tentativa de se afirmarem no palco político português, a sua atitude foi, pois, totalmente esperada e coerente.

Falemos, agora, da terceira parte desta peça que seria uma farsa se não fosse tão triste a imagem que dá do nosso país, isto para não falar das consequências internacionais e económicas. Refiro-me, claro está, ao senhor de Belém.

Adorei, adorei, adorei, isto para copiar uma frase de Recordações da Casa Amarela. Foi um belíssimo exemplo do “cá se fazem, cá se pagam”.

O dito senhor andou estes anos todos a engolir sapos do Costinha e a aparar-lhe o jogo “pela estabilidade do país”. Pois, valeu bem a pena, num ápice lá se foi tudo isso ao ar e, pelo que pudemos ver, sem o menor aviso prévio.

E de presidente das selfies e das viagens passou, em minutos, a presidente que tem de tomar a decisão mais grave que um PR português pode tomar e que é dissolver ou não a Assembleia da República.

E porque é que citei aquele ditado? Pois bem, lembram-se do governo de Santana Lopes e da sua eliminação pelo outro amigalhaço de Marcelo, o Sr. Sampaio, sem nenhuma razão válida? Sim, sem qualquer razão, acho que o “perigo de instabilidade” não convenceu ninguém, o Sr. Sampaio esteve simplesmente à espera que o PS tivesse um presidente não associado, pelo menos na mente popular, ao caso Casa Pia para avançar para eleições.

E qual foi a reação do então comentador Marcelo? Um aplauso de pé, porque “os portugueses não tinham votado em Santana para PM”. Para além disso me fazer uma certa confusão, que eu saiba o boletim de voto só tem nomes de partidos, há ainda o detalhe de o mesmo Marcelo ter acho ótima a ideia da geringonça, apesar de, aí sim, não termos votado no PS para governar o país.

Mas onde quero chegar é que agora, tantos anos depois, essa sua atitude ressurgiu para o queimar. Se aceitasse um novo governo PS, mesmo de transição, não haveria quem lhe lembrasse, alto e bom som, que “o povo não tinha votado no novo PM”. Alguém acha que o Ventura ficaria calado?

Mesmo assim, tentou fugir com o rabo à seringa, como se costuma dizer, convocando o Conselho de Estado. Atenção, numa situação grave como a que vivemos o dito Conselho deve ser consultado, supostamente é para isso que existe, apesar de a sua composição me fazer imensa confusão... Lídia Jorge?!!! O problema aqui é que Marcelo estava à espera de uma decisão contra eleições e, apesar de esta não ser vinculativa, citaria no seu discurso o respeito pela opinião das sumidades que o constituem, alinhando na não dissolução.

Grande azar, o resultado foi 8-8, teve, pois, de ser ele o único responsável pela decisão. Mesmo assim repare-se que deu o máximo de tempo possível ao PS para pôr a casa em ordem e, ao permitir a votação do OE antes da dissolução, garantiu que o partido culpado da crise pode meter à última hora todo o tipo de benesses no dito de modo a garantir os chamados votos cativos, nomeadamente reformados (do Estado) e funcionários públicos.

Seria mau não ter OE? Possivelmente, mas que tal garantir que a votação na especialidade não introduz modificações de peso? Ou, melhor ainda, exigir um OE mínimo, só com o suficiente para o país funcionar. É que, para além do que disse acima, o próximo governo, seja de que cor venha a ser, começará o seu mandato com o peso de despesas que não são, muito provavelmente, as que gostaria de fazer.

Só duas últimas notas.

Tenho falado várias vezes dos “peritos” e comentadores “profissionais” que nos enchem os ecrãs e que não acertam uma seja em que assunto for. E foi para mim um tremendo prazer vê-los a debaterem-se para tentar defender o indefensável, ou seja, a inocência e honradez dos acusados, e justificar não terem tido a menor suspeita do que iria acontecer. Isto fora os usuais cenários de catástrofe caso a AR fosse dissolvida.

Segundo, será que o Sr. Marcelo nunca ouviu falar de separação de poderes? Refiro-me, claro está, ao que disse sobre desejar que o MP seja rápido a bem da justiça e do bom nome das pessoas. É que se fosse o Zé da Esquina a dizê-lo, tudo bem, era uma opinião válida e justificada pela tremenda morosidade do que passa por justiça no nosso país. Mas vindo da boca do Presidente da República, bom, soa a pressão...

Para semana: Não podemos confundir...  É o que se ouve se há certos protestos, mas nunca se estes forem contra outros alvos

09
Jun23

87 - Não viram, não sabem, mas governam

Luísa

Por muitos ziguezagues, curvas, contracurvas e desvios que o Sr. Costa e os seus “muchachos” deem, por muitas incoerências que demonstrem, há uma frase lapidar que se tem mantido constante ao longo dos anos e de todos eles: não fui informado!

Pois é, os ministros nunca sabem o que os seus assessores, secretários de estado ou outros do seu ministério andaram a fazer, mesmo quando são atos ou decisões que seria de pensar terem de ser decididas ao mais alto nível. É claro que os ditos secretários de estado também nunca são informados do que é decidido pelos seus supostos subalternos. E quanto ao nosso “estimadíssimo” PM, bom, esse então nunca sabe nada, mas mesmo nadinha de coisa nenhuma.

Há despedimentos ao mais alto nível na TAP? Não foi informado, nem antes nem depois. Há problemas gravíssimos na saúde? Não está a par de nada. Há falhas e problemas por todos os lados? Coitado, ninguém lhe diz nada. Mas, estranhamente, tem sempre a certeza de que agiram todos bem e que devem continuar a merecer toda a sua confiança. É que também faz parte deste processo ele nunca correr com ninguém. Não, se um ministro ou secretário de estado sai, fá-lo por decisão própria e por razões pessoais – estou em pulgas para saber quais serão as do tal Sr. Galamba...

E, como disse, a mesma ignorância dos factos alastra pelos restantes membros do seu (des)governo. Mais ainda, estou convencidíssima de que se perguntarem a um chefe de secção, mesmo uma das mais pequeninas, o porquê de algo que ali foi feito ou decidido, pois... não foi informado e de nada sabe.

Outro que também nunca está a par de nada, apesar de estar sempre a abrir a boca, é o senhor de Belém. É curioso, tem opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, nunca perde uma oportunidade de aparecer em público a mostrar a sua “sapiência”, mas quando é um caso realmente grave... não sabe de nada. Ou, quanto muito, “está a acompanhar a situação” e não comenta por não ter todos os factos.

Seria interessante perceber como é que se governa um país no meio de tanta ignorância dos factos, só que, vendo o que se tem passado nestes últimos anos, a estranheza até desaparece. Sim, a única explicação para alguns dos mais recentes descalabros só pode mesmo ser a de que as decisões mais importantes estarem a ser tomadas por não se sabe quem, não se sabe onde, à revelia de quem usa o título de governante.

Talvez por só ter lidado profissionalmente com o setor privado, vivi sempre com a ilusão de que o papel de um chefe é saber o que se passa. Atenção, isso não quer dizer que tenha de ser ele a decidir tudo, isso seria o que se chama “micromanagement”, muito pouco aconselhável. É preciso delegar, claro, o mais possível até, mas um chefe a sério deve manter-se a par das decisões tomadas pelos seus subordinados, pelo menos a partir de um certo grau de importância. Ou seja, não lhe interessa saber se compraram canetas azuis ou pretas, já a compra ou leasing de carros para o seu setor é algo bem diferente.

O que eu critico nestes ministros e, sobretudo, no PM é que, pelos vistos, passa-lhes tudo ao lado. Segundo parece, estão no cargo apenas para desfrutar das suas muitas regalias e fazer anúncios bem sonantes de obras e quejandos. Mas até aqui as coisas correm mal uma vez que esses comunicados pomposos são sempre, mas sempre, seguidos de emendas, recuos ou até cancelamentos discretos porque, afinal, não se coadunavam com a realidade. Sim, a tal realidade que, adivinharam, eles desconheciam porque “não tinham sido informados”.

Pois é, os nossos governantes parecem tentar desesperadamente imitar os célebres três macacos – sabem, aqueles em que um tapa os olhos, um segundo os ouvidos e o terceiro a boca. Só que também aqui... foram mal informados. A verdadeira interpretação desta imagem é, de facto, “não ver o mal, não ouvir o mal, não falar o mal”. E, como tal, é um belíssimo princípio que nos ficava muitíssimo bem seguir, pelo menos na nossa vida pessoal. Bom, na profissional, não ver ou ouvir o mal é capaz de não ser muito boa ideia...

Infelizmente, a tradução que usam resume-se a, “não ver absolutamente nada, não ouvir nadinha, falar ao desbarato” – pois, tem de se mudar a imagem do terceiro macaco, em vez de tapar a boca passaria a ter um megafone para que todos possam ouvir facilmente as muitas obras e projetos que estes nossos fabulosamente bem informados governantes planearam para daqui a uns tempos. Bom, isso se entretanto não for preciso recomeçar, reavaliar, etc. de acordo com factos para que vão sendo alertados e de que deviam ter conhecimento desde o início.

Para semana: Educar? Os mesmos que choravam pelos alunos forçados a ter aulas a distância, agora privam-nos de aulas...

28
Abr23

81 - E viva o 25 de Abril!

Luísa

Devido ao muito que aconteceu antes e durante o 25 de abril deste ano decidi converter este post numa espécie de carta aberta ao Muito Digno (pelo menos na opinião dele) Presidente da Assembleia da República, o Sr. Santos Silva, daqui em diante conhecido como o Sr. SS, para poupar esforço.

Só um pequeno detalhe, não sou nem nunca fui militante do Chega ou de qualquer outro partido político.

Dito isto, aqui vai a minha cartinha.

Caro Sr. SS:

Ando há uns tempos para lhe dedicar um post mas o que se passou neste 25 de abril, o suposto Dia da Liberdade, foi literalmente a gota de água que fez entornar o caldo. Refiro-me, claro está, aos seus comentários e reações às atitudes do partido Chega que, na sua opinião, envergonharam o país. A sério? Foi mesmo isso que envergonhou os portugueses? Se realmente acha isso, lamento informá-lo de que não conhece minimamente o povo que diz representar e que lhe paga o salário e outras (numerosas) benesses.

Sabe o que é que realmente nos envergonhou? Pois bem, passo a explicar-lhe alguns dos destaques.

Primeiro, a condecoração dada pelo nosso estimadíssimo Presidente da República, o Sr. Marcelo, à esposa do Sr. Lula “por serviços prestados à Nação”. Para os mais distraídos, lembro que a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique é destinada, e cito, “a quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua história e dos seus valores.” Dois dos anteriores agraciados, que dispensam apresentações, foram o Dr. Pedro Ferraz da Costa e o escritor Mário de Carvalho.

Com a sua enorme preocupação pela vergonha que o Chega trouxe ao país, talvez possa esclarecer os papalvos que o sustentam sobre a aplicação de tudo isto à tal senhora. Só que aposto que não consegue, por isso, o seu amigo Marcelo trouxe, ele sim, vergonha para o nosso país.

Mas há mais. Soube, com grande espanto meu, que o nosso ainda mais estimado Primeiro-Ministro, o Sr. Costa, disse, num discurso em Matosinhos, que “temos é pena de não falarmos com o vosso sotaque”. Fantástico! Não sei quem era o “nós” implícito na frase, não me incluía, certamente, é que ao contrário do nosso PM e, obviamente, de si, tenho muito orgulho em ser portuguesa e não vejo nenhuma razão para me rebaixar perante quem quer que seja.

Já agora, o Sr. Lula retribuiu dizendo que “geringonça no Brasil não é coisa muito boa. É um amontoado de todas as coisas.” Pois é, o nosso PM põe-se de gatas perante o Presidente de um país estrangeiro e, em troca, este insulta-nos.

E é o Chega que envergonha o país?

Quer pior vergonha do que a entrada do Sr. Lula num órgão de soberania do nosso país rodeado de guarda-costas? Ou antes, de energúmenos, que fizeram questão de agredir deputados eleitos pelo povo português... mas tudo bem, o Sr. SS até aplaude, eram os maus do Chega. Já agora, é legal entrar com guarda-costas na nossa Assembleia da República? Qual seria a sua reação se alguns deputados – e sabe a quem me refiro – fizessem o mesmo por se sentirem sob ameaça constante? Vergonhoso, tudo isto!

Sei que gosta muito de falar da falta de credibilidade democrática de André Ventura e de mencionar, a torto e a direito, a sua posição de “segunda figura do Estado” e, como tal, merecedora de todo o respeito. Só que...

Vamos por partes. Não gosto do Sr. Costa nem do Sr. Marcelo mas respeito-os enquanto titulares dos seus cargos porque foram eleitos pelos portugueses. Sim, ao contrário de si, eu tenho respeito pela democracia.

Mas a si, quem o elegeu para ser a tal “segunda figura”? Não foram certamente os eleitores portugueses. Pior ainda, quando foi eleito deputado, não passava de um nome entre dezenas de outros, sem haver sequer a menor garantia de que iria ocupar o seu lugar. É que, lembro, um deputado tem de estar na lista do seu partido mas este não é obrigado a seguir a ordem indicada. Recordo uma época em que se escolhiam atores e outras figuras conhecidas como cabeças de lista e que depois eram pura e simplesmente afastados para darem lugar a políticos de carreira.

Resumindo, ninguém votou em si. Já André Ventura, quem votou no Chega sabia que pelo menos o seu líder iria estar na Assembleia.

E quanto a ser Presidente da Assembleia da República, a “eleição” é feita apenas entre os deputados e sabe-se, à partida, que é eleito o escolhido pelo partido com mais votos. E chama a isso ter credibilidade democrática?

Último ponto, a sua ameaça de que o Chega nunca será convidado para visitas de estado ao estrangeiro. Esta sua afirmação deixou-me uma dúvida. Essas viagens são pagas por si? É que se são pagas pelos contribuintes, como é que explica pôr de lado os escolhidos de quase 400 000 deles e obrigá-los a ver os seus impostos a irem para as despesas de pessoas altamente democráticas como são os deputados do PCP, por exemplo?

Sabe, Sr. SS, talvez deva mudar oficialmente de nome para Luís XIV, aquele que dizia “o Estado sou eu”. É que todas as suas atitudes e afirmações só demonstram que tem zero respeito pela democracia – ou antes, respeita imenso a nova definição do termo e que é, muito simplesmente, só é democrata quem agradar à esquerda ou, pior ainda, a si.

Numa coisa dou-lhe toda a razão, o que se passou neste 25 de abril envergonhou muito a sério Portugal. Mas não pelas razões que nos deu, foi o senhor e a sua trupe (ou seja, o trio da conversinha a sós que afinal foi gravada) quem nos encheu de vergonha.

E viva a liberdade!

31
Mar23

77 - Coisas curiosas

Luísa

Começo por explicar que, devido aos acontecimentos dos últimos dias, decidi adiar para a próxima semana o post anunciado. Refiro-me, claro está, ao crime horrendo no Centro Ismaelita e, sobretudo, às reações e comentários feitos sobre o assunto.

Para os mais distraídos, recordo que um afegão, com estatuto de refugiado, entrou nesse centro, onde recebia lições de português, feriu o professor e matou à catanada duas mulheres. Estes são os factos, nus e crus.

Lembro, também, que a religião ismaelita e a que vigora no Afeganistão pertencem a vertentes opostas (e inimigas) do Islão.

Face ao modo como a notícia foi dada inicialmente, sem referir dados sobre o atacante, deduzi imediatamente que se tratava de um não branco – pois, hoje em dia o que uma notícia não diz é bem mais importante do que o que diz, mas isso será o tema de um post futuro.

Curiosamente, pouquíssimo tempo depois do ataque, o Sr. Marcelo, que nunca perde uma oportunidade de “botar faladura”, já estava a dizer que o atacante tinha sofrido um episódio psicótico, diagnóstico confirmado pelo Comissário da Polícia.

Curioso, lendo sobre o assunto, uma afirmação dessas exige uma avaliação de vários factos, entrevistas a familiares, amigos, colegas, etc., exames médicos de vários tipos... mas, pelos vistos, temos aqui uma área onde podemos passar a poupar imenso dinheiro, apresenta-se o caso ao senhor de Belém e pronto, assunto resolvido.

Curiosamente, quando um branco ataca um local ou pessoas de outras raças, o mesmo senhor aparece também logo com uma conclusão cheia de certezas, só que, nesse caso é... adivinharam, racismo, xenofobia, intolerância. É que pelos vistos, o muito popular “passou-lhe uma coisa pela cabeça”, “sofre de perturbações mentais” ou o bem mais atual “episódio psicótico” estão vedados a quem é europeu ou, pior ainda, é branco e cristão.

Desde o ataque tenho assistido, estupefacta, à lista de “justificações” dada para justificar o injustificável. E, estranhamente, ninguém pergunta como é que foi uma coisa momentânea quando ele levou uma catana para o local. Já agora, onde é que se arranja uma? É que eu não sei mas, pelos vistos, um estrangeiro a viver em Portugal só desde 2021 e sem falar muito português não teve qualquer problema em conseguir uma.

Quanto às vítimas, passámos pelo menos dois dias a quase nem ouvir falar delas. É que perante o “coitadinho” do afegão, não têm o menor interesse...

Infelizmente, este tipo de desculpabilização de atos criminosos horrendos, desde que sejam cometidos pela pessoa “certa”, não é de agora nem se restringe ao nosso país.

Se um branco entra numa mesquita e insulta alguém, é gravíssimo, soam logo os pedidos de uma pena exemplar. Mas nos últimos anos têm sido queimadas dúzias de igrejas em França em zonas maioritariamente muçulmanas e nem chegam a ser notícia. Mais ainda, se por mero acaso, for apanhado alguém, pois bem, sofre inevitavelmente de perturbações mentais, como o do ataque na ponte Westminster em Londres ou o do atropelamento de pessoas num mercado de Natal na Alemanha.

Há, ainda, as “justificações” para todos esses crimes. É que quem os comete nunca, mas mesmo nunca, é culpado. Não, a culpa é do Ocidente, do “homem branco”, do colonialismo, das más condições em que vive, das desigualdades sociais, enfim, a culpa é das vítimas.

Já agora, analisando friamente o que se passou, onde estão os protestos dos defensores das mulheres? É que o dito afegão atacou deliberadamente duas mulheres indefesas, matando-as de um modo cruel. E ninguém tem nada a dizer sobre este claro caso de violência contra o sexo feminino?

E a tão apregoada tolerância religiosa, também não suscita comentários ele ter cometido o ataque num centro que pertence a uma versão do Islão a que a dele é ferozmente antagónica?

E não há nada a dizer sobre as vítimas? O Sr. Marcelo, o tal que nunca perde uma oportunidade de abrir a boca, só mostrou preocupação pelo criminoso, pelos filhos do dito e pela hipótese de isto ser usado como pretexto para controlar a vinda de supostos refugiados. Só que nada disse às famílias das vítimas ou, se o fez, foi muito tardiamente e de modo bem discreto.

Mas em termos de argumentos de desculpabilização, o melhor de todos, no mau sentido, claro, é que o criminoso estava a ser pressionado pelos talibãs para regressar ao Afeganistão. Muito francamente, se os ditos sabem que ele existe e, ainda por cima, têm o seu contacto telefónico, talvez seja conveniente investigar muito bem quem é esse senhor. É que com tantos milhares de afegãos que têm fugido, duvido que isto aconteça com todos – ou até com alguns.

Quando é que comentadores, jornalistas, políticos, etc. tomam consciência de que esta reação de tudo desculpar não é sinal de tolerância, é, isso sim, uma prova de que não veem as pessoas como iguais? Ou seja, trata-se racismo, puro e simples. É que, no fundo, acham que essas pessoas não têm capacidade para cumprir as regras morais mais básicas...

É que, pelo menos no que me diz respeito, estou farta de ver um ataque de um branco a um não branco ser notícia durante dias, envolvendo a SOS Racismo (a tal que inclui o Sr. Mamadou...), mas se for ao contrário ou não é relatado ou é-o de passagem e, repito, com, no mínimo, o “passou-lhe alguma coisa pela cabeça”.

Haja igualdade!

Para semana: O patriarcado A propósito da demissão da primeira-ministra da Nova Zelândia

17
Fev23

72 - Coisas que me chocam

Luísa

Não é de agora sentir-me chocada com a sobranceria de muitos dos nossos líderes políticos ou o facto de as pessoas que dizem representar estarem no fundo da sua pirâmide de preocupações.

Passemos a alguns exemplos.

Todos vimos o espetáculo, sim, espetáculo, do Sr. Marcelo a ir a Olhão tirar uma selfie – mais uma – com o nepalês agredido e pedir-lhe desculpas em nome do povo português. À parte ficar “bem” na imagem, pelo menos na opinião dele, como é que se explica esta atitude?

Sim, quando um português é agredido – ou até morto, como tem acontecido em Angola e Moçambique, por exemplo – será que o Sr. Marcelo exige um pedido de desculpas dos respetivos presidentes? Ou quando portugueses são agredidos por estrangeiros em Portugal? Pois...

Pior ainda, esse caso de Olhão tem contornos curiosos. Primeiro, o imenso cuidado com que Polícia e comunicação social se referiram sempre aos ditos agressores: um grupo, uns jovens, uns indivíduos... Ou seja, para quem já aprendeu a ler “wokenês” e “jornalês” isso significa, imediatamente, que não eram brancos. E lendo nas entrelinhas das notícias aquando da sua prisão, bom, só são portugueses por causa da nossa tão benévola lei da nacionalidade.

Pior ainda, os primeiros relatos, até dos indianos e nepaleses, é que o dito grupo há muito fazia tropelias e aterrorizava toda a gente da zona, tendo já agredido gravemente um sem-abrigo e um jovem. Será que o Sr. Marcelo se incomodou a falar com mais vítimas? Ou até a saber da sua existência? O que é que acham?

Mas, infelizmente, não é o único “Presidente de todos os portugueses” que se preocupa apenas com estrangeiros. Lembro-me de uma situação do tempo do Sr. Sampaio, em que Angola andava de candeias às avessas com Portugal e negou, por várias vezes, a entrada de portugueses, apesar de estes terem todos os papeis em ordem. Pois bem, o SEF decidiu fazer uma espécie de greve de zelo com a inspeção dos documentos dos angolanos que chegavam a Portugal. E, clado, detetou inúmeras irregularidades, negando-lhes a entrada.

Pois bem, o Sr. Sampaio, que estivera caladíssimo durante as semanas em que portugueses eram verdadeiramente maltratados no aeroporto de Luanda, veio prontamente a lume para dizer que “cidadãos não devem sofrer pelos problemas entre governos.” Cidadãos? E os portugueses afetados eram o quê?

Passemos agora a um outro caso. Vi, meramente por acaso, as imagens de uma reunião da Câmara de Mafra, uma daquelas abertas ao público. Foram mostradas a propósito da polémica do fecho repentino do camping lá do sítio e da ordem de despejo de quem lá vive.

Já agora, para verem que ataco atitudes e não cores políticas, o presidente da Câmara a que me refiro é do PSD...

Não sei quem tem razão neste caso, mas, pelo que li até agora, é uma daquelas confusões e trapalhices infelizmente muito comuns cá na terra. Resumidamente, num país onde tudo demora uma eternidade, a empresa gestora do camping continuou, alegremente, a autorizar investimentos por parte de quem lá vive e a instalar casas prefabricadas – a última em novembro de 2022 – para em janeiro deste ano anunciar que ia fechar tudo e que todos tinham até fim de fevereiro para sair...

Mas passemos ao que me causou indignação. Em plena reunião, em que as pessoas diziam claramente que não era tempo suficiente para organizarem tudo e saírem, o dito presidente da Câmara disse, em tom de chacota, “uma tenda desmonta-se em 10 minutos, sei-o porque fui militar.”

Será que ignora que para a maioria não se tratava de “desmontar uma tenda” mas, acima de tudo, de arranjar para onde ir? Que para muitos aquela é a sua única habitação? Curioso, em minutos, eu fiquei a sabê-lo. Mas ele não? E goza assim com as pessoas? Pior ainda, com os cidadãos que é suposto servir?

Como ponto final, temos o apoio inequívoco e bem sonante da maioria dos nossos políticos ao Sistema Nacional de Saúde e ao ensino público. É ouvi-los falar em defesa de ambos, insinuando, ou, até afirmando, que só o público é que é bom! Os mais honestos, se é que podemos chamar-lhes isso, lá vão dizendo que, “bom, há alguns problemas, mas, em geral, funciona tudo lindamente.”

Que bom, estamos cheios de sorte!

E aqui fica a minha perguntinha: quando ficam doentes, vão ao médico de família? Ou às Urgências de um hospital público? Se precisam de uma operação, aguardam pacientemente o tempos (anos...) necessário? Ou são dos grandes frequentadores dias clínicas e hospitais privados que tanto criticam?

E os filhos – ou netos, consoante os casos – andam na escolinha pública ou nalgum colégio chique?

Pois, caso ainda haja algum jornalista a sério cá na terra, seria curioso ver um levantamento de tudo isto.

E não só. Quantos professores, dos que andam em greves e protestos, têm os filhos no privado? Quantos funcionários públicos nunca puseram os pés em algo relacionado com o SNS, o tal que eles dizem ser tão bom?

Conclusão, continuamos a viver numa sociedade de classes, em que a do topo olha com desprezo a de baixo, só que, em vez de se basear em riqueza ou algo similar, é muito simplesmente a divisão entre governantes e os pategos que os sustentam e entre quem tem regalias devido ao seu contrato laboral e quem vai ficando com os restos. E que são cada vez menores, com o custo acrescido de suportar este autêntico castelo de cartas em que vivemos.

Para semana: A pedofilia na Igreja. O que me incomoda é haver vítimas de primeira, as dos padres, e as ignoradas (todas as outras).

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