218 - Mais um ano que passou
Vou deixar para a próxima semana algumas ideias de melhorias, a nível pessoal e também no que diz respeito à sociedade em que vivemos. Esta semana, e à semelhança do que a comunicação social costuma fazer, irei falar de alguns acontecimentos deste ano que me chamaram mais a atenção, infelizmente sempre pela negativa.
Começo pelo tremendo aumento da criminalidade violenta. Sim, bem sei, é só “perceção”, sempre houve crimes destes no nosso país, enfim, as “aspirinas” do costume. O certo é que é rara a semana em que não se ouça falar de tiroteios na via pública, esfaqueamentos, assaltos à mão armada, enfim, um sem número de ocorrências muito pouco usuais até há bem pouco tempo. Isto para não falar nos muitos casos que não vão parar às estatísticas da Polícia por não haver uma queixa formal – para quê, se há sempre um juiz “bondoso” pronto a libertar os coitadinhos dos supostos criminosos?
Refiro-me, claro, ao assédio na via pública por parte de gangues para roubar a pessoa cercada e muitas outras situações que tornam um inferno a vida de quem tem de passar por certas zonas das nossas cidades. Pior ainda é a reação quando os agressores não são brancos / portugueses, quem se queixa é logo apelidado de tudo e mais alguma coisa. Ou seja, não basta ser agredido e roubado, fora o susto apanhado, nem sequer se pode abrir a boca!
Continuando na mesma onda, foi mais um ano que demonstrou claramente que muitos dos nossos juízes tomam decisões que nos deixam boquiabertos, como deixar em liberdade os 17 marmanjos que atacaram um homem e muitos, mas mesmos muitos casos similares. E não me venham dizer que estavam, apenas, a cumprir a lei, como direi num post futuro, se é só uma questão de ler a lei e sai a sentença, bom, qualquer programa de Inteligência Artificial o faz. Mas se é para a interpretar, aí, sim, seriam precisos juízes humanos a sério.
E não esqueçamos o Tribunal Constitucional que provou novamente, caso ainda houvesse dúvidas, que faz política e não jurisprudência. Mas coitados, merecem uma fatia adicional do Orçamento para terem carrinhos novos... e computadores, dizem eles. Também será um tema a tratar futuramente, o facto de todo o gato-sapato ter direito a carro do Estado, leia-se, pago por todos nós, isto quando não têm, também, direito a motorista.
Outra situação em destaque, também pela negativa, foi o que se passa com o SNS em geral e as Urgências em particular. Só que deve ser também só “perceção”, é que de acordo com o senhor de Belém, “O SNS funciona muito bem”, usando como prova o atendimento que recebeu! As “razões” invocadas são sempre as mesmas, baixos salários, horários longos, enfim, o choradinho usual para explicar o inexplicável.
E lá temos 14 horas de espera numa Urgência, quando não é mais, e isto para doentes graves! Sem falar na inenarrável triagem via Linha Saúde 24, com um número longuíssimo que poucos ou nenhuns sabem de cor, o elevadíssimo número de bebés nascidos em ambulâncias – pelos vistos não ter uma equipa pediátrica completa nas Urgências faz perigar a vida de mãe e filho, mas o parto ser feito por bombeiros não – e a quase impossibilidade de ter uma consulta ou, pior ainda, uma operação em tempo útil.
Já agora, a situação só não é pior porque quem pode – nem que seja com um grande esforço financeiro – frequenta o setor privado, aliviando, assim, um pouco a procura. Imaginem que o BE e similares levavam a deles avante e acabavam com isto e íamos todos parar ao serviço público!
Passando à Comunicação Social, o jornalixo está bem e recomenda-se. Foram tantos os casos que se torna difícil escolher alguns. Um dos mais recentes foi o do assessor da ex-ministra anterior – palavras deles – acusado de pedofilia após uma pesquisa feita nos EUA. Só que... a ex-ministra é a atual ministra e o governo anterior era também de Montenegro e do PSD. Sim, após as eleições ficaram os mesmos em muitos cargos, mas houve uma nova tomada de posse. E não foi por distração jornalística que a notícia tem sido dada nestes termos, foi apenas para não dizerem que o dito criminoso esteve ligado a um governo PS.
Finalmente, a nossa esquerda, que vai de mal a pior, berrando e barafustando como se estivesse no poder, ou perto dele, em vez do que se passa realmente, o seu cada vez maior descalabro. A célebre flotilha foi o exemplo perfeito de como adere a “causas” descabidas.
Estão a ocorrer verdadeiros genocídios por todo o Norte de África, sempre perpetrados contra as minorias cristãs, o mesmo acontecendo na Nigéria e no Norte de Moçambique. Mas tudo bem, nem se fala disso porque “as fontes não são credíveis”. Já os dados do Hamas são totalmente fiáveis e não lhes deixam a menor dúvida. Há fome no Sudão, na Síria e em inúmeros outros lugares? Que importa, não são palestinianos – e continuo à espera de saber afinal quantos alimentos aqueles tão dedicados navegantes iam levar para Gaza...
E quando se trata de censura, bom, despedir aquela senhora Varela é um regresso ao fascismo, mas exigir a extinção do Chega é um ato democrático. Ou seja, cada vez mais a liberdade de expressão só existe para quem os “iluminados” aprovarem. Isto para não falar no silêncio atroador que envolve certas figuras, como a Meloni ou o Milei, porque, contra todas as previsões dos ditos senhores “bem-pensantes”, estão a fazer um bom trabalho só que... são “fascistas”.
Enfim, foi mais um ano para esquecer sob muitos aspetos, poucas coisas boas aconteceram no nosso país – exceto no desporto, em que houve brilharetes em modalidades pouco badaladas, a começar pela patinagem, e, sobretudo, no desporto feminino. Infelizmente, nem sequer é uma questão de “pão e circo”, é que, para além desses resultados não terem tido muito destaque público, os atletas em questão foram pouco (ou nada) incentivados pelo Estado.
E pronto, um post um tanto pessimista, a contrariar a minha muito repetida afirmação de que sou uma otimista nata...
Para a semana: Este vai ser o ano da melhoria! O que podemos fazer para melhorarmos quem somos e a sociedade em que nos inserimos?
