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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

21
Jun25

193 - Estão a brincar?

Luísa

Depois desta interrupção de uma semana em que estive de férias decidi alterar o tema deste post para falar de algumas questões que foram surgindo e que, muito francamente, acho, no mínimo, caricatas.

Começo pela ator da Barraca. A primeira notícia dizia que tinha sido atacado por um grupo de neonazis por ser um ator brasileiro a atuar em Portugal. Achei grande presunção da parte dele pensar que é assim uma espécie de Ronaldo do teatro, prontamente reconhecido por quem se cruza com ele. Depois veio a versão de que o ataque fora devido a ele estar junto a um teatro conotado com ideias comunistas, mantendo-se o grupo neonazi. Terceira versão, o ataque fora obra de apenas um membro do grupo...

Detalhe curioso, não vi nenhuma imagem da dita vítima, soube-se apenas que passara umas horas no hospital – o que, atendendo ao estado das nossas Urgências, não significa grande coisa.

Independentemente do que se passou – e inclino-me mais para a hipótese de ele ter insultado o dito grupo, fiando-se na sua invulnerabilidade como pessoa de esquerda – o que realmente me incomodou foi a vigília / manifestação ou lá o que lhe chamaram à porta do dito teatro.

Como outros referiram, é curioso que num protesto contra o ódio e a violência se vissem tantos punhos no ar e tantos gritos de... pois é, de ódio. Mas o cúmulo foi, para mim, ouvir a Maria do Céu Guerra dizer, e parafraseio, “como é possível que se bata em alguém?” A sério? Eu sei que os “Iluminados” deste país vivem num universo separado, mas isto é demais.

É que não se passa um dia em que não se saiba de um esfaqueamento, de alguém baleado, de espancamentos – ainda muito recentemente espancaram um idoso até à morte – enfim, de um sem fim de atos de violência. E nunca se ouviram ministros ou o senhor de Belém a condená-los nem houve vigílias (exceto para o Santo Odair, claro), apesar da enorme gravidade de alguns desses casos. Nem se vê grande azáfama da Polícia em prender os seus autores – pois, nem no caso do verdadeiro crime de ódio contra o motorista de autocarro. Mas um atorzeco leva um tabefe em circunstâncias não esclarecidas e é o fim do mundo?

Passando a outro tema, li recentemente que a Câmara de Lisboa vai entregar (ou já entregou, até) as chaves de 127 habitações camarárias. Até aqui, tudo bem. Só que... Pois é, há sempre um “só que”, as famílias que as receberam já as estão a habitar ilegalmente!

Ou seja, com tantas pessoas à espera de casa, muitas delas há que séculos, a Câmara decide premiar criminosos – e sim, a ocupação ilegal de uma casa é um crime. E exigiu algo em troca dessa “legalização”? Por exemplo, as rendas em atraso de todo esse período? É claro que não! Porque o faria, se muitas das atuais casas da Câmara, pagas por todos os habitantes da cidade e não só, estão muitas vezes nas mãos de pessoas que não se dão ao trabalho de pagar a renda irrisória que lhes foi atribuída, isto apesar de muitas terem bons rendimentos não obtidos, claro, por trabalho honesto.

É esta a mensagem que a Câmara quer passar? O que achará que os lesados por esta atitude, sim, as famílias que, “estupidamente”, têm vivido em péssimas condições à espera que lhes calhe uma casa, ficam a pensar ao verem que um bando de chicos-espertos lhes passou à frente?

Passemos agora às eleições, ou antes, à estranheza que perdura em torno da expressão muito querida da comunicação social e não só, “Como é possível alguém votar no Chega?” (ainda hoje veio um artigo no Observador), Pois, eu também tenho uma dúvida similar e que é, muito simplesmente, “Como é possível alguém votar no PCP?”

Estamos a falar do único partido marxista-leninista ainda existente, totalmente parado no tempo – já nem a Rússia quer nada com ele. E apesar de toda a conversa de “lutámos pela liberdade”, acho que restam poucas dúvidas de que toda a sua luta contra Salazar teve como único objetivo substituir uma ditadura por outra. E se falei de presunçoso ao referir-me ao ator da Barraca, que dizer do inenarrável Raimundo e da sua moção de censura ao programa do Governo, anunciada quando ainda nem havia Governo?

Infelizmente não está sozinho, em termos de total falta de contacto com a realidade tem a companhia do BE e do PAN e da sua tão badalada “luta contra a direita”. Pois é, o Montenegro deve estar a ter insónias com a preocupação do que esses 5 gatos pingados irão fazer...

Finalmente, intriga-me, ou antes, devia intrigar-me, a atitude de muitos dos tais “Iluminados” perante a guerra Israel-Irão. Ouvindo-os fica-se com a ideia de que este último é um país amante da paz e um paraíso para as mulheres e para o pessoal do alfabeto – sabem, os LB... etc. Aliás, adoraria ver alguns deles irem até lá e, ao apresentarem um passaporte que os dá como homens, por exemplo, dizerem prontamente, “Mas sinto-me mulher e exijo que usem um pronome feminino”... Seria um êxito!

E quando disse “devia intrigar-me”, é que sei perfeitamente que quando se trata de alguns temas a lógica vai janela fora, nomeadamente Israel (o mau da festa, o Hamas ou todos os que combatem o estado sionista são os bons), o Chega / Ventura e, claro, o Trump – como mostram as notícias do desfile militar para comemorar o seu aniversário e que, afinal, celebrava os 250 anos das Forças Armadas dos EUA que calhavam no mesmo dia.

Para a semana: É desta! Vamos acabar com a burocracia!  Pelo menos é o que nos foi prometido... mais uma vez.

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