Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

16
Jun23

88 - Educar?

Luísa

Haverá alguém sério que duvide que a educação em Portugal vai de mal a pior? É um dos pouquíssimos pontos em que a maioria concorda, infelizmente por razões totalmente opostas.

Passo a explicar.

Para a nossa “bem-pensante” esquerda, o ensino só não está melhor porque há falta de investimento na educação. E eu até estaria de acordo, só que quando falam em “investir” referem-se meramente em pôr muito mais pessoal nas escolas, docente e não docente, em colocar toda a gente no quadro e em aumentar em muito salários e diversas regalias. Isto para não falar no fim do ensino privado, o ódio de estimação para esses senhores.

Os sindicatos de professores, esses, para além destas reivindicações querem também fim de avaliações, redução drástica do currículo, mais férias, enfim, tudo coisas em contracorrente com o que se passa nos restantes países ocidentais.

Há anos que andamos a ouvir dizer, por altura das greves no mínimo anuais, que a culpa dos maus resultados é de as turmas serem grandes, de haver indisciplina nas escolas, dos alunos de “bairros problemáticos”...

A estas queixas habituais a pandemia veio trazer mais uma: as aulas à distância. Semana após semana vimos professores na TV quase de lágrimas nos olhos a lastimarem a triste sorte dos seus alunos que, por não poderem frequentar fisicamente as aulas, iriam sofrer pesados atrasos na sua educação.

Irei voltar a alguns dos pontos acima, mas antes só queria focar um pequenino detalhe. Não acham curioso que, passada a época do isolamento forçado, esses mesmos professores tenham passado todo este ano letivo em greves e ações de protesto? Quantas aulas é que os seus alunos perderam? E perderam totalmente, uma vez que nem telescola há nestas circunstâncias. Mas tudo bem, tudo o que estes sindicatos têm andado a fazer é para bem do ensino!

Ora vamos por partes. Somos certamente um dos países em que os alunos têm a vida mais facilitada em matéria de avaliações. Os exames surgem tarde na sua carreira escolar e no ano em que calham os senhores professores passam o ano – ou uma boa parte dele – a preparar o exame com base em provas de anos anteriores. Ou seja, não se insiste na ideia de que o estudo deve ser feito ao longo de todo o ano, não, a ideia é tentar fazer em semanas o trabalho todo “para passar no exame”. Mas tudo bem, inculcar bons hábitos não faz parte de educar.

Temos também as turmas. Estive a ver uns dados e variam entre 24 e 28 alunos. Em que universo paralelo é que isso é muito? O que é que querem, um professor para cada aluno? Já agora, isso não resulta, lembro-me da época em que andaram a fechar escolas primárias com menos de 10 alunos (ao todo), ou seja, em que o rácio chegava a ser de 1 para 1, e as criancinhas, quando entrevistadas, eram uma desgraça de falta de conhecimento da língua e não só.

E há a sempre muito popular frase de “o ensino público” é excelente. Pois é... Deve ser por isso que os nossos políticos de esquerda – só falo destes porque são fãs desta frase – têm os filhos no privado. E quantos professores públicos conhecem que fazem o mesmo? Mais ainda, já repararam na proliferação de centros de explicações e de explicadores? Sabiam que há até alguns especializados no ensino primário e logo a partir do 1º ano?

Se o ensino público é assim tão bom, como é que explicam isso? Ou estarão a insinuar que as criancinhas portuguesas são burras? Estranho, se as puserem numa escola privada, a maioria esmagadora deixa de precisar de explicações.

E depois vem a indisciplina. Sim, existe e de que maneira. Mas, de quem é a culpa? Este tipo de situação não surge da noite para o dia. Foi crescendo sem que se pensasse sequer em fazer algo, para “não traumatizar os jovens”. Sim, porque para os “bem-pensantes” cá da terra, haver regras e exigência de bom comportamento é “fascismo”, é uma violência gravíssima.

A situação piora ainda mais quando os indisciplinados não são “europeus”, digamos. É que aí, e à semelhança do nosso “estimadíssimo” Sr. Costa, passa-se logo para as acusações de racismo.

E o que começou por pequenas desordens e um ou outro aluno mais rebelde, digamos, foi aumentando rapidamente passando até à violência pura – mas não faz mal, somos um país de brandos costumes e nada acontece a jovens que atacam outros, mesmo que usem armas brancas, isto para não falar em insultos, bullying, etc.

Sim, sei que se fala muito em controlar o bullying nas escolas, só que só falam disso quando a vítima pertence ao “alfabeto” – sabem o LBG... são cada vez mais letras – ou de certas etnias, como está na moda dizer.

Ou seja, entre greves, bullying e falta de exigência, os jovens são deixados à deriva numa época que devia ser formativa em todos os sentidos. Mas alegremo-nos, está em preparação uma lei que cria nas escolas responsáveis por implementarem o uso dos pronomes pessoais da escolha dos alunos. Isso, sim, é o mais importante!

Para semana: É o racismo, senhores! A propósito da reação do nosso “muito estimado” PM

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Calendário

Dezembro 2025

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D