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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

11
Out25

207 - Haja pachorra

Luísa

Estas duas últimas semanas, entre "heróis" da flotilha, Israel e Trump, esgotaram-me a (já pouca) paciência para certas coisas. Decidi, pois, alterar o tema deste post, que vai abarcar vários temas mas todos eles com uma espécie de linha condutora.

Comecemos pela inevitável “flotilha”, assunto que eu tinha jurado evitar a todo o custo. Não falarei propriamente da dita mas sim de todo o folclore em torno dela e, acima de tudo das omissões sobre o que se passou.

Não acham estranho que com tantos selfies, vídeos e transmissões nunca nos tenham mostrado a tal “ajuda humanitária” que iam levar para Gaza? Pior ainda, sei que Israel forneceu as imagens de quando descarregaram os barcos só que, inevitavelmente, o “excelente” jornalismo que prevalece na Europa nada mostrou, se calhar porque deixaria a ideia de que, para lá de zero ajuda, já nem havia comida para quem ia a bordo.

Tivemos, depois, horas a fio com a maninha que ficou em terra a falar do “rapto” da irmãzinha e a criticar a inatividade do nosso Governo – curioso, quando se trata de portugueses realmente raptados, em Moçambique, por exemplo, nada dizem... Isto para não falar da estupidez pegada que foi tomarem aquela ação – entrarem em águas controladas por Israel – no Yom Kipur, quando uma pequeníssima pesquisa lhes mostraria que é uma data cumprida por todos os judeus, mesmo os não praticantes, e durante a qual nada podem fazer.

Tivemos, depois, as queixinhas dos “raptados e que iam mudando. Primeiro, tinham-lhes dado “água contaminada” – fantástico, pelos vistos são laboratórios ambulantes, que jeito dariam em certos países! Em seguida, era afinal água da torneira – o que é que queriam, a Evian tão querida da esquerda caviar? Finalmente, já “não lhes davam água ou comida há 48 horas, isto quando tinham sido detidos há menos de 24! Bom, sem esquecer a “falsificação da assinatura”, fácil de remediar, bastava recusarem-se a sair e iriam a tribunal daí a uns 10 dias onde poderiam debitar o seu grande discurso sobre a “ilegalidade da detenção”.

E, para culminar, os supostos milhares que estariam no Aeroporto à espera dos “heróis” – francamente, fiz questão de ver as imagens e não sei quem os contou, se passavam dos cem era por pouco.

Mas o que mais me incomodou em tudo isto foram alguns comentários que li no Facebook. Um pequeno esclarecimento, mantenho a conta por causa de um grupo de leitura e de outros de viagens e só leio o que me aparece na página inicial e que muitas vezes tem a ver com anúncios de coisas que acho giras... Só que, infelizmente, alguns membros desses grupos têm visões do mundo que são, em muitos casos, opostas às minhas, mas mantenho a amizade porque adoro os contos e similares que escrevem.

Pois bem, fartei-me de ler sobre a heroicidade dos passeantes e lamentos sobre a falta de empatia dos que os criticavam, sem falar em críticas ferozes a Israel que, segundo eles, tinha pura e simplesmente invadido Gaza sem a menor provocação.

Sei que critico muito “comentadores” e “jornalistas” mas, perante o que fui lendo – pouco, porque não há pachorra para tanta ignorância – fiquei com a dúvida: estarão a falar apenas para esta gentinha? E qual será o peso desta espécie de “génios” na nossa sociedade? Pequeno, espero eu.

Passemos ao acordo de paz.

O que achei mais curioso nestas últimas duas semanas foi sentir que quase parecia que os muitos que tinham berrado pela paz em Gaza estavam a torcer para que o acordo fosse ao charco, pura e simplesmente por ser obra do... Trump.

Depois, quando foi confirmado, com exceção da RTP que o pôs no resumo antes da abertura do noticiário das 20, todos os outros canais enterraram essa notícia entre assuntos menores. E estamos a falar de televisões que tinham dado honras de abertura à “flotilha” e à inenarrável Mortágua.

Fiz questão de ouvir alguns dos comentadores – bom, com peso e medida, claro, nada de Sousa Tavares ou do general comuna – e também aqui fiquei estarrecida. A ênfase ia toda para os problemas que anteviam a curto e médio prazo, o que contrasta fortemente com o embandeirar em arco a que assistíamos sempre que o Biden dizia que estava prestes a estabelecer a paz na região – coisa que, aliás, não fez.

Esperei, também, pacientemente, que alguém referisse o facto de ir ser a primeira vez que líderes do Hamas assinam um documento também assinado por Israel, algo que sempre evitaram até agora uma vez que não reconhecem a existência do dito estado. E o mesmo é válido para o Qatar, outro país que também recusa a existência de Israel. Ou seja, esta assinatura é um reconhecimento implícito de Israel, apesar de eu ter lido – não na nossa comunicação social, claro está – que as condições do acordo preveem um reconhecimento formal desse estado.

E, pelos vistos, os nossos jornalistas e “comentadores” não sabem ler ou, melhor ainda, não sabem interpretar o que leem. Têm dito como dado adquirido que a ONU irá distribuir a ajuda humanitária – a verdadeira, não a da Greta e companhia... Curioso, o acordo fala em “agências neutras”, uma expressão curiosa e que, na minha opinião, foi lá posta precisamente para excluir a dita ONU, que se tem mostrado tudo menos neutra.

Finalmente, o Nobel da Paz. Pessoalmente, achava cedo para ser atribuído ao Trump, mas discordo totalmente dos comentários que li sobre ele não o merecer. Ou antes, até poderia concordar, não tivesse sido o silêncio atroador com que foi recebido o anúncio da sua atribuição ao Obama após uns meros 8 meses de presidência dos EUA, pelos seus “esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional”. A sério? Em 8 mesinhos? Curiosamente, o galardoado pela paz veio a ser o presidente americano que mais países bombardeou após a Segunda Guerra Mundial. Pois, não podia ter sido mais merecido!

Para a semana: Analisemos as Autárquicas Será que algo mudou? E o que temos mesmo de fazer para termos algum controlo sobre o local onde vivemos e / ou trabalhamos?

28
Set25

205 - A Palestina

Luísa

Após uma ausência de duas semanas devido a umas férias em que, confesso, me alheei bastante dos nossos noticiários, decidi alterar de novo o tema desta semana devido a alguns dos poucos acontecimentos que acompanhei um pouco durante este período, mais por acaso do que por vontade própria.

Comecemos pelo reconhecimento do “estado da Palestina” por parte de alguns países europeus, entre eles Portugal. Para além de ser um gesto vazio, sim, curiosamente nenhum deles definiu o que entende por Palestina nem referiu que o Sr. Abbas só “manda” – se é que o faz – numa parte dela, fica-nos a pergunta, porquê agora? Mais ainda, que importância real tem este “reconhecimento”?

Pelo que li num site do nosso governo, são estas as condições pedidas – sim, pedidas, não impostas – por Portugal para este reconhecimento:

  1. Condenação dos atos terroristas do Hamas e exigência do seu total desarmamento;
  2. Exigência da libertação incondicional e imediata dos reféns de Gaza e dos prisioneiros;

III. Compromisso de reforma institucional interna e de organização de eleições num futuro próximo;

  1. Aceitação do princípio de um Estado palestiniano desmilitarizado, cuja segurança externa seja garantida por forças internacionais;
  2. Prontidão para retomar a administração e o controlo total da Faixa de Gaza, com saída do Hamas;
  3. Reconhecimento do Estado de Israel e das necessárias garantias de segurança.

Bom, sempre é uma listinha mais completa do que a da Dinamarca, por exemplo.

Até não era um mau conjunto de condições, só que... alguém ouviu o Sr. Abbas a aceitá-las publicamente, a começar pelo reconhecimento do estado de Israel? É claro que não! Vistas bem as coisas, até nem sabemos se as aceitou realmente ou se foi algo que o nosso governo, apostado em chegar-se à esquerda, sabe-se lá porquê, comunicou ao “povinho” – já agora, as ditas condições não deviam ter sido explicitadas em tudo quanto é órgão de comunicação social para sabermos exatamente o que quem nos (des)governa anda a cozinhar?

E mesmo que o Sr. Abbas aceitasse tudo isto publicamente, como é que acham que ele iria conseguir cumprir? A única razão de a chamada Autoridade Palestiniana ainda existir é porque tem Israel entre ela e o Hamas.

Passemos ao “genocídio” em Gaza. Segundo li, esse Sr. Sousa Tavares, que faço questão de evitar a todo o custo, terá dito que Israel já matou 800 mil palestinianos (uns 40 % da população) nestes dois anos. Pois, nem o Hamas vai tão longe! E os mortos são todos, claro está, mulheres, crianças e velhinhos.

Infelizmente, não é o único. Estamos sempre a ouvir notícias de que os maus dos judeus atacaram escolas, hospitais, centros de refugiados, escamoteando o pequeno pormenor de que são locais favoritos do Hamas para esconder os seus militantes e armamento.

Pior ainda, ninguém parece preocupado com o uso do termo “civis” quando se referem a mortos e feridos. Será que não entendem que, como o Hamas não é um exército oficial de um país oficial, todos os seus combatentes são civis no sentido legal do termo?

Mas o que me incomoda mais em tudo isto é a afirmação repetida ad nauseam por comentadores, políticos, influenciadores – ou candidatos a isso – de que apoiar os palestinianos (voltarei a isto) não é antissemitismo, é pura justiça social ou outro chavão similar. É claro que não, daí eu ter ficado espantada por logo após o brutal ataque do Hamas, esse sim a civis – e lembro que muitos eram jovens a assistir a um concerto pela Palestina – ter havido um hiato de uns dias em que alguns, não todos, criticaram esse ato, mesmo assim arranjando logo todo o tipo de “explicações” e desculpas.

Voltando aos palestinianos, acham mesmo que o Hamas se interessa pelo bem-estar deles? Usa-os, isso sim, como escudos humanos e como pretexto para uma vasta campanha mundial a seu favor que está, infelizmente, a dar frutos graças à autêntica lavagem cerebral que as duas mais recentes gerações ocidentais têm andado a sofrer.

Porque não os alojam nos túneis durante os bombardeamentos, à semelhança do que os países europeus fizeram durante a Segunda Guerra Mundial? E quanto à fome, aposto que quando virmos imagens do interior dos célebres túneis, construídos, lembro, com materiais enviados para a ereção e reparação de edifícios para a população, veremos toneladas de comida ali armazenada para uso exclusivo do Hamas e dos seus protegidos.

O que me leva à célebre “flotilha”, ou antes, ao cruzeiro de férias mais desorganizado de sempre. Muito francamente, estão mesmo com vontade de ir até Gaza? É que o percurso que têm feito não o indica – agora foram parar à Grécia! Mais ainda, se a sua intenção era entregar ajuda alimentar a Gaza, porque têm recusado todas as propostas de a porem nas mãos de quem garante o seu transporte seguro até aos supostos destinatários?

Isto para não falar na saga dos “ataques de drones”. É o que se chama porem-se em bicos de pés. Alguém acha credível que Israel os ache uma ameaça e ande a tentar intimidá-los? E com um pequeno drone de cada vez? É claro que em termos de propaganda, a Espanha e a Itália enviaram navios de guerra para “protegerem” a dita flotilha, afirmando o seu direito a navegarem em águas internacionais. A Espanha, bom, com o governo que tem, não admira nada. Quanto à Meloni, é um modo barato de acalmar a esquerda e desviar a sua atenção das reformas que anda a fazer.

Enfim, é triste verificar que o “futuro” do Ocidente – nas palavras da “querida” Greta – está nas mãos de pessoas que preferem ditaduras ferozes e terroristas ao único estado democrático do Médio Oriente.

Para a semana: Falemos de educação. Perante alguns comentários e notícias que li recentemente, é altura de voltar ao assunto.

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