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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

28
Jan22

18 Porque será...

Luísa

No post de hoje expressarei algumas dúvidas que me assaltam inúmeras vezes e para as quais nunca encontrei uma resposta que me satisfizesse. Há muitas mais, mas falarei apenas de umas tantas. Aqui vai.

Porque será...

Sempre que se fala de aborto, o argumento mais usado é, “O corpo é meu, eu é que decido o que fazer com ele.” Tudo bem, estou de acordo que seja a mulher a decidir se quer ou não ter a criança. Mas...

Quando uma mulher diz que tenciona manter-se virgem ou, pelo menos, ter sexo apenas dentro de uma relação estável, torna-se imediatamente alvo da chacota generalizada – exceto, claro, se for muçulmana ou cigana, aí entram “os costumes”. E é isso que me deixa confusa. Então o corpo não é da mulher? Não deve ser ela a decidir se quer ou não ter sexo? Mais, se o faz por razões religiosas, isso torna a sua decisão menos válida? Para aumentar a minha confusão, fica-me a ideia de que o comportamento “certo” para os iluminados que decidem estas coisas é uma mulher que não está numa relação andar por aí a ter sexo com quem lhe apareça pela frente, caso contrário, é “pudica”, é “patética” e “não é uma mulher a sério”. Pois, expliquem-me, se conseguirem.

Porque será...

Quando viajava, havia quase sempre a opção de assistir a um espetáculo de folclore local e, em geral, ia o grupo todo, que se deleitava com o que via, com os trajes, a música, as danças, enfim, com tudo. E, apesar de alguns não terem grande qualidade, era sempre agradável assistir. Mas...

Se perguntarmos às pessoas desses grupos sobre o folclore dos seus respetivos países – e viajei com espanhóis, italianos, franceses, enfim, muita gente diferente – deparamo-nos com um ar horrorizado e a garantia de que nunca, mesmo nunca, descem a assistir a essas coisas. É que, segundo parece, o nosso folclore é reles, é “pimba”, deve ser ignorado o mais possível. Já o de países ou origens não europeias é interessante e absolutamente indispensável se quisermos entender esse povo. Ou seja, só os outros têm folclore. Quem diria!

Porque será...

Quando viajamos, recomendam-nos que respeitemos os costumes dos países que visitamos porque “estamos na casa deles e temos de nos comportar como deve ser.” Concordo totalmente, se têm costumes que nos ofendem, então a solução é simples, não ir lá. Mas...

Quando os naturais desses países nos visitam, as mesmíssimas pessoas dizem-nos que devemos respeitar os seus costumes porque “são convidados no nosso país e queremos que se sintam bem-vindos.” O que me leva a perguntar, muito simplesmente, “Quando é que nos chega a vez?” É que se temos de respeitar os costumes deles lá e cá e não podemos fazer certas coisas, também lá e cá, porque os podemos ofender, fica a ideia de que somos sempre nós a ceder, a adaptarmo-nos aos outros e a não exigir respeito por nós e pelos nossos usos e costumes. E eu acho isso inaceitável.

Porque será...

Nas campanhas de igualdade de género fala-se muito que não há nenhuma razão para mulheres e homens não terem o mesmo tipo de estudos e de profissões. Tendo tirado engenharia numa época em que poucas raparigas o faziam, sou uma fiel seguidora desse princípio. Mas...

Com a atual campanha sobre transexualidade, sim, campanha é o termo certo, temos a situação curiosa de almas bem-intencionadas decidirem logo, ainda na pré-primária, que uma rapariga que gosta de carrinhos e isso é de facto um rapaz em corpo de rapariga. E se um rapaz gosta de se enfeitar... bom, não preciso de dizer mais. Curiosamente, em muitas sociedades primitivas é o homem que usa adornos de todos os tipos, é o macho da espécie que tenta tornar-se atraente para as fêmeas do grupo. Ainda há uma tribo no Chade, a Wodaabe, onde os homens solteiros fazem um autêntico desfile de beleza para serem escolhidos para maridos pelas mulheres solteiras. Não há razões para pensarmos que fomos diferentes, por isso se um rapaz gosta de se enfeitar, em vez de gritarem logo transexual, talvez ele esteja simplesmente a reagir a um imperativo do passado!

Porque será...

Passamos a vida a ouvir dizer que devemos respeitar as religiões dos outros, que não nos compete a nós julgarmos as suas crenças, por muito estranhas que nos pareçam. Mas...

Aparentemente, este respeito e tolerância não se aplicam ao cristianismo, pelo menos nas suas duas principais vertentes, catolicismos e protestantismo (quanto aos ortodoxos, são vistos como “exóticos” e, por isso, aceites) e também o judaísmo. Elogiamos um muçulmano ou hindu que cumprem à risca os preceitos da respetiva religião, mas um cristão que faça o mesmo é, no mínimo, motivo de gozo. Uma muçulmana cobre-se da cabeça aos pés em nome da sua religião? Respeitemos! Uma mulher cristã veste-se com modéstia por razões religiosas? É ridícula e antiquada! Lembram-se de quando recebemos um casal da Síria e que a DGS instruiu o hospital da zona para pôr só médicas e enfermeiras a atenderem a mulher por razões religiosas? E se for uma cristã que não quer ser tocada por homens que não sejam o marido? Ou uma judia ortodoxa? Satisfazem esse pedido? Pois, suspeito que não. Terá até sorte se não lhes derem apenas homens, nem que os tenham de desviar de outros serviços. Quem as manda praticarem uma religião “não protegida”?

Bom, há muito mais situações, mas fico-me por aqui.

Para a semana: Novo Dicionário Precisa-se II – mais termos que mudaram de significado.

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