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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

10
Mai25

187 - Eleições... mas não só

Luísa

Com a alteração da data em que sai este blogue, decidi também alterar o artigo desta semana. E, apesar do título, pouco falarei sobre as eleições que se aproximam a passos galopantes, sobretudo para quem vota antecipadamente. Para quem tenha interesse, já falei da minha opinião sobre o nosso sistema eleitoral em Adoraria saber... Pequeno detalhe, todas as questões que ali pus continuam sem resposta.

Direi apenas que estou a achar muito curioso não termos visto apelos a que as pessoas vão votar mas apenas para que o façam no chamado “voto útil”. Pois, como as últimas eleições mostraram, quando os “comodistas” decidem exercer o seu direito democrático as coisas podem não correr bem para os partidos do costume... sobretudo os de esquerda que, muito francamente, são agora quase todos desde que o PSD decidiu deslizar para fora do centro.

Sou, como penso que o serão cada vez mais portugueses, uma desiludida da democracia que supostamente temos. Só que, ao contrário de muitos – e lembro que a abstenção já é, em algumas das nossas eleições, a vencedora com maioria absoluta e para lá caminha nas outras – faço questão de votar sempre porque acho que isso me dá o direito de vociferar quanto ao que se passa, tipo, cumpri o meu dever, cumpram, agora, o vosso.

O primeiro passo para quebrar esse desencanto surgiu com a possibilidade de haver candidatos autónomos às eleições autárquicas, apesar de, convenhamos, estes sejam muitas vezes mais ou menos enfeudados a partidos. Falarei disso noutra altura.

Mas esta semana descobri que há cada vez mais portugueses a agirem e a tomar um outro tipo de medidas para lidar com os milhentos problemas que os sucessivos governos prometem, eleição após eleição, resolver – ando desde os anos 80, altura em que vim para Portugal, a ouvir falar em médico de família para todos, infantários e creches para todos, habitação acessível, burocracia simplificada...

E de que se trata? Muito simplesmente, de movimentos cívicos.

Há-os de todos os tamanhos e feitios, políticos, culturais, generalistas, muito específicos, enfim, um pouco de tudo. Existe, até, uma Plataforma de Associações da Sociedade Civil que reúne 67 delas, mais 4 observadoras. Mas há muitíssimas mais. Seria bom que alguém com mais tempo disponível do que eu se dedicasse a fazer uma listagem completa e a publicasse, muitos encontrariam ali, sem dúvida, algo que lhes enchesse as medidas.

Até as nossas empresas começam a agir nessa área, existe, por exemplo, a Vá lá, Portugal Merece, que já engloba mais de cem empresas e que aposta em mudar mentalidades e em contribuir para o crescimento do tecido empresarial do país.

Para mim, é um caminho a seguir se quisermos, realmente, recuperar algum do poder que o povo supostamente adquiriu com o 25 de abril. Pode-se dizer que a democracia é, apesar de tudo, o melhor regime, mas será mesmo isso que temos atualmente?

Para além das distorções do nosso sistema eleitoral causadas pelo famigerado método de Hondt, quem é que nos governa, independentemente da sua cor política? Pessoas sem o mínimo interesse em fazer as reformas que todos sabemos que deviam ter sido feitas há anos porque sabem que isso lhes iria custar votos – leia-se, o chorudo tacho de serem membros da Assembleia da República ou do Governo – e que “governam”, se é que se lhe pode chamar isso, ao sabor de quem berra mais alto ou das causas da moda, no nosso caso, a pesadíssima máquina do funcionalismo público e, nestes últimos anos, os imigrantes, sobretudo os ilegais, a “catástrofe climática” e similares.

Se queremos recuperar o poder que nunca devia ter deixado de ser nosso, temos de começar pela base, olhar à nossa volta, ver o que precisa de ser feito e, em vez de ficar no café a lastimarmo-nos e a criticar, tentar organizar pessoas com as mesmas ideias de modo a agirem.

Já agora, sabia que é facílimo criar uma organização? Encontrará as regras todas aqui. Pequeno detalhe, na maior parte dos casos custa 300 euros.

Poderão dizer, grande coisa, um movimento cívico! Pois, até o pode ser, se for bem pensado e atrair pessoas com algum peso nessa área – e um ou outro advogado seria sempre bem-vindo... É claro que se estivermos a pensar em termos de governos nacionais, bom, será definitivamente um peso pluma. Mas muitos dos que existem surgiram a nível local e podem pressionar muito a sério Juntas de Freguesia e Câmaras.

Lembro, também, que nas últimas eleições autárquicas tivemos alguns partidos meramente locais e que até tiveram resultados muito bons, apesar de ser, para muitos – se não todos – uma estreia. Mais uma vez, é esse o caminho a seguir, criar partidos locais ou regionais e tentar conquistar Juntas de Freguesia, Câmaras e, sobretudo, as muito importantes Assembleias Municipais, de modo a termos um poder autárquico realmente virado para os interesses das pessoas que representa, ou devia representar, e não enfeudado a partidos nacionais.

Mais ainda, à medida que esse movimento ganhe um certo peso, estará em posição de exigir uma maior descentralização ou, no mínimo, de pôr em prática medidas adaptadas às necessidades locais e não feitas a pensar no “universo paralelo” em que parecem viver muitos dos nossos governantes.

Dir-me-ão, mas o que é que tudo isto tem a ver com eleições legislativas? A curto prazo, pouco ou nada. Mas o que é que acham que acontecerá quando os “partidos do costume” descobrirem que perderam o poder a nível local? E que estão, basicamente, “a falar para o boneco”?

Aposto que a primeira solução será tentar pôr-lhes cobro, mas duvido que resulte – lembro o que aconteceu quando tentaram impor um número de assinaturas absolutamente desmesurado para se ser candidato independente, nalguns casos superior ao número de eleitores em causa, só que a resposta foi os ditos candidatos dizerem que formariam um partido, Os Independentes...

Pois é, a verdadeira democracia tem de começar pela base. Dito isto, e até a termos, vá votar – mas esqueça o “voto útil”, vote, isso sim, de acordo com a sua vontade. Não é isso a democracia?

Para a semana: Hipocrisias, hipocrisias...  Se não existissem, tinham de ser inventadas, cá e lá fora.

25
Abr25

185 - Mais um 25 de abril

Luísa

Quando anunciei o tema desta semana, esqueci-me por completo de que calharia no chamado Dia da Liberdade – uma pequena explicação, com o tipo de trabalho que faço, raramente tenho a agenda aberta no dia atual, chega a estar uma semana ou mais à frente, daí eu ser muitas vezes apanhada desprevenida ao ver a data em que realmente estamos.

Se houver interesse, também nos anos anteriores falei desta data em Não à liberdade, E viva o 25 de Abril e O 25 de Abril. Infelizmente, muito do que ali digo ainda é tão pertinente – ou mais – do que quando o escrevi.

Os festejos deste ano tiveram a complicação adicional dos três dias de luto pelo Papa. E, muito francamente, acho que com as eleições legislativas a menos de um mês desta data, discursos e cerimónias deviam ter sido reduzidos o mais possível em vez de se tornarem mais uma ocasião para propaganda eleitoral mais ou menos encapotada – apesar de eu supor que muitos já não se dão sequer ao trabalho de ouvir sempre as mesmas coisas, o combate pela liberdade e a luta contra o fascismo, etc., da boca de partidos e pessoas que mostram, sobejamente, não respeitarem o direito à livre expressão de ideias, entre outras coisas.

A Europa em geral corre, cada vez mais, o risco de perder a liberdade de expressão, só que, desta vez, com o pretexto do “respeito pelos outros” que, bem entendido, não retribuem esse sentimento e fazem, até, os possíveis, para nos impor as suas ideias e normas. E Portugal, embora um bocadinho mais tarde do que a maioria, está a começar a alinhar pela mesma cartilha.

As universidades, por exemplo, seguindo o exemplo das suas congéneres americanas, restringem cada vez mais a livre troca de ideias e deixaram de ser – ou estão a caminho disso – locais onde os jovens possam ter contacto com uma grande variedade de opiniões, aprendendo a analisá-las e combatê-las, caso não concordem com elas. Não, com o tal pretexto de não ofender, só se convidam oradores que encaixem em determinados parâmetros e tenta-se, também, o mais possível, eliminar professores que desagradem a certos grupinhos de alunos. É essa a liberdade de abril?

Temos, também, as mulheres. Já há zonas das grandes cidades onde não podem circular livremente sob risco de serem assediadas ou, até, violadas. E aumentam as pressões para que estas se vistam e se comportem de modo a “não ofender” as mentalidades de imigrantes, muitos deles ilegais, que aqui se instalaram e se sentem à vontade para agirem como muito bem entendem. E com mais de uma geração criada no pós-ditadura, não é estranho que a violência doméstica persista, pior ainda, atinja níveis elevadíssimos até mesmo entre os mais jovens? É essa a tão apregoada liberdade que as mulheres conquistaram com o 25 de abril?

Passando à democracia, começam, finalmente, a surgir cada vez mais artigos que demonstram a distorção que o nosso sistema eleitoral aplica aos votos angariados e que favorece, claramente, os grandes partidos. Diga-se de passagem que, com exceção da Madeira e dos Açores, nunca entendi a existência de círculos eleitorais em Portugal para as eleições legislativas, assunto a que voltarei noutro post.

Lembro, também, as tentativas recentes para dificultar a presença de candidatos independentes em eleições autárquicas, isto numa altura em que são cada vez mais numerosos e apreciados pelos eleitores, sem esquecer os também cada vez mais frequentes partidos locais. Segundo parece, a sua existência “fere” a democracia, tradução, os grandes partidos querem continuar a ser os únicos a mandar neste país. E é essa a liberdade de abril?

É, agora, a vez da comunicação social, a tal que tanto sofreu com a ditadura e que pôde, após o 25 de abril, ser livre e isenta. Mas é-o mesmo? Veja-se a campanha eleitoral – ou antes, a pré-campanha – que está a decorrer e o modo como os vários partidos e os seus dirigentes são tratados por ela. A uns, tudo se perdoa, tudo se justifica. A outros, bom, o que rende é empolar o mais possível tudo o que possa ser visto como mau, distorcendo, até, os factos ou ignorando-os. E é essa a liberdade de abril?

Mas penso que o que mais me incomoda na celebração desta data está nos seus mitos e na perpetuação dos ditos. Sim, a ditadura foi péssima, sem dúvida, e muitos sofreram imenso com ela. Apesar de não deixar de ser curioso que os que mais a denunciam defendam comportamentos piores nas chamadas “ditaduras do povo”. Lembro-me de um escritor que, numa entrevista, dedicou imenso tempo a falar do lápis azul da censura e como lhe cortavam muito do que escrevia. Só que, mais adiante, disse ser compreensível a então URSS enviar escritores para o Gulag ou para asilos de loucos porque “eram inimigos do estado”.

Para terminar, deixo aqui o meu desejo neste Dia da Liberdade. Gostaria imenso ver, antes de morrer, alguém a escrever a história factual dos primeiros anos após o 25 de abril, sem lentes cor de rosa, citando nomes e factos e o muito de mal que foi então feito em nome do povo. Mas, atendendo ao modo como a censura atual, cada vez menos encoberta, alastra e sobe de tom, suponho que terei muito que esperar!

Para a semana: Falemos de novo da mulher  À luz de acontecimentos recentes, é altura de voltar a este tema

22
Mar24

128 - E houve eleições!

Luísa

A semana passada anunciei que este post seria sobre Inteligência artificial mas, como as eleições ficaram entretanto resolvidas, decidi adiá-lo e dedicar-me ao rescaldo do que aconteceu.

Para começar, adorei o espanto denotado pelos “especialistas” perante as sondagens à boca da urna. Pelos vistos têm a memória curta, é que quando o CDS era o papão da extrema-direita as sondagens davam-lhe sempre uns pontos largos abaixo do resultado final. Mais ainda, pelos vistos não lhes ocorreu que, se calhar, muitos dos indecisos não o eram, sabiam bem que iam votar no Chega mas não o queriam dizer... sim, é a democracia em que vivemos.

Passado o choque desse autêntico terramoto, houve algumas coisinhas que me despertaram particularmente a atenção e outras que adorei.

A primeira foi a indignação da AD por ter, muito provavelmente, perdido deputados por causa da semelhança de nome com o ADN. Francamente! Um partido, perdão, uma coligação que dizia ser a única capaz de nos governar só deu por ela depois das eleições? Adorei sobretudo o comentário de que a Comissão de Eleições devia ter obrigado o dito ADN – que existe desde 2021 – a mudar de nome a favor de uma união acabadinha de formar. Diga-se de passagem que essa semelhança contraria o que diz a Lei dos Partidos Políticos de 22 de agosto de 2003, artigo 12 – estranho ninguém ter reparado...

Tivemos depois, inevitavelmente, as inúmeras tentativas para minorar o resultado do Chega e, acima de tudo, para não dar demasiada ênfase à estrondosa derrota do PS – já o PCP ficou por conta própria, fartaram-se de falar do seu desaparecimento do Alentejo.

O mais grave, para mim, nestas eleições é que ninguém aprendeu nada. E por ninguém refiro-me, claro, aos iluminados donos da verdade que pululam por aí, sempre a botarem faladura e não deixando ninguém dizer nada que contrarie a sua douta opinião.

Senão, vejamos. Perante o facto de o Chega ter eleito deputados por todo o país – e fora dele – a opção racional seria analisar muito a sério as razões do seu êxito. Só que... nem pensar! “Todos” sabem que quem assim votou é racista, estúpido ou ambas as coisas. Vi, até uma daquelas entrevistas de rua em que uma rapariga negra dizia, “Não sabia que em Portugal havia um milhão de racistas”.

Só que a realidade é outra e o que aconteceu em Portugal e está a ocorrer por toda a Europa tem tudo a ver com a bolha em que vive a classe política, sobretudo a esquerda, e os “intelectuais” que se assumem como fazedores da opinião pública, bolha essa que nada tem a ver com o mundo real onde vivem muitos dos eleitores.

Enquanto uns se preocupam com a educação sobre transexuais e quartos de banho mistos, os outros vivem diariamente a insegurança nas escolas e as greves e faltas constantes de professores que deixam os seus filhos ao abandono. Uns apelam à “tolerância” e a um país de portas abertas, eles vivem em bairros sitiados, sujeitos a insultos, a violência de todos os tipos e ao aumento crescente de ataques à mão armada.

Para uns, o importante é “salvar” a TAP e fazer o TGV Lisboa – Porto. Para o povo, o tal que supostamente é quem mais ordena, a preocupação é conseguir que o dinheiro chegue até ao fim do mês. E a lista seria infindável.

Tivemos, depois, a “explicação” de que eram só votos de protesto. Só? Mais de um milhão de portugueses mostraram o seu desagrado e não se dão ao trabalho de tentarem perceber o que os atormenta?

Num ponto acertaram, embora não na totalidade, quando dizem que foi o PS que fez crescer o Chega com a “cerca sanitária”. Mas só em parte, por toda a Europa partidos ditos de direita crescem precisamente porque os do centro e esquerda ignoram os seus potenciais eleitores ou, pior ainda, insultam-nos à menor oportunidade com os já mais do que estafados fascista, racista, etc.

Mas, francamente, foi o que veio depois do domingo de eleições que me tem dado mais gozo. Refiro-me, claro, às manobras da esquerda, lideradas pelas “pessoas capazes de amamentar” – veem, também sei ser woke – do BE e do PAN. Pelos vistos a matemática não é o seu forte, querem criar um acordo para não deixar passar a direita! Pois, com os seus 5 + 1 deputados... Ou a IL a querer ter ministros no novo Governo, é claro que os seus lautos 8 deputados dão para todo o tipo de exigências...

E quanto apostam que daqui a uns dias, umas semanas, no máximo, veremos gente do PS a dizer que até ganharam as eleições porque a AD não teve a tão desejada maioria? Já a perda de 42 deputados e a passagem de maioria absoluta a segunda força política são meros detalhes que nem vale a pena referir.

Agora o que me fez ganhar o dia, bom, o mês, foi o que aconteceu ao Sr. SS, o tal de “eu sou a segunda figura do Estado, respeitem-me!” Não sei se viram ou leram a entrevista que deu em que afirma, com um ar muito sério, que nunca cortou a palavra a deputados do Chega, que nunca esteve contra eles, foi sempre isento, limitando-se a cumprir as regras e quem diz o contrário mente. Achará que sofremos todos de amnésia?

Já agora, lembram-se da cena dos 3 Estarolas aquando da visita de Lula à Assembleia da República e de como gozaram com o Chega? Pois, o cabecilha não conseguiu ser reeleito, o outro demitiu-se após inúmeros escândalos o seu Governo e o terceiro passou, aos olhos da opinião pública, de bem-amado ao pior Presidente da República de sempre.

Para a semana: Inteligência artificial. Será mesmo o papão que dizem?

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