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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

27
Dez24

168 - Seria tão bom 2...

Luísa

Como sou uma otimista nata, aqui estou, de novo, com os meus desejos de 2025 para a sociedade em que vivemos. E quem sabe, pode ser que à custa de falar neles algum se realize, nem que seja parcialmente.

Poderá sempre ler os meus posts anteriores desta época do ano: Resoluções, resoluções, em que também falo de algumas pessoais e mais fáceis de cumprir, e, claro, o Seria tão bom... do ano passado.

Curiosamente, pegando neste último as situações que citei não melhoraram, pioraram, até, e bastante. E foram elas o ambiente, os nossos políticos face às eleições legislativas, os eleitores nas mesmas, as quotas para minorias e similares, o idadismo, a saúde e a justiça. E vou aqui abordar, de novo, alguns deles.

No ambiente, disse como seria bom reduzirmos o lixo produzido e, também, fazer durar mais os artigos que usamos, sobretudo os eletrónicos, em vez de andar ao sabor da última moda. Ora perante a greve da malta do lixo em Lisboa, seria mesmo bom se as pessoas só pusessem fora o que tem cheiro, digamos, e guardassem o resto até estar tudo regularizado.

Já agora, e isto aplica-se a todos os setores do funcionalismo público, seria tão bom... se houvesse um site onde nós, os contribuintes não desse setor, pudéssemos ver quanto é que ganham, setor a setor, categoria a categoria. E não apenas o salário base, todos os subsídios, ajudas e outros extras que auferem e se estão ou não incluídos no IRS. Assim, aquando de uma das muitas greves, saberíamos se são, de facto, tão “coitadinhos” como dizem.

Passando à nossa política, seria tão bom... que partidos e líderes deixassem de falar e de agir como se toda a população sofresse de amnésia. E que em vez de andarem a “brincar” a quem culpabiliza mais o outro lado pensassem, isso sim, em arranjar soluções para os muitos problemas que afetam o nosso país. E face a um apelo recente, penso que do atual Presidente da Assembleia, de aumentar os salários dos deputados, seria tão bom... ver um hemiciclo com menos gente e, acima de tudo, a proibição total de “políticos de carreira”. Ou seja, para se ser elegível é preciso ter trabalhado X anos, de preferência no setor privado.

E seria também tão bom... se acabassem as nomeações dos “boys”, ou seja, a escolha de alguém para um cargo teria de ter por base apenas a sua competência para o lugar e não a sua filiação e amizades partidárias.

Passando à educação, seria tão bom... olharmos a sério para um estudo recente que diz que muitos portugueses só entendem frases simples e quanto a matemática, nadinha. Em vez de dizerem que isso se deve à população mais idosa que pouca escolaridade tem, que tal fazerem um estudo abrangendo só pessoas até aos 45 anos? Suspeito que os resultados seriam muito similares...

Na justiça, seria tão bom... alterar as regras de modo a pôr fim a recursos ilimitados por parte de quem tem dinheiro, levando, claro, à prescrição dos crimes de que estão acusados antes de haver, de facto, um julgamento. E seria tão simples, bastaria decidir que enquanto dura um recurso o “relógio” da prescrição para. Pois, suspeito que haveria muito menos gente a recorrer de tudo e mais alguma coisa.

E que o Conselho de Magistratura se debruçasse sobre casos absurdos que abundam nos nossos julgamentos, com sentenças que não lembram a ninguém ou presos a aguardarem julgamento em liberdade apesar da tremenda gravidade dos atos de que estão acusados.

Quanto à saúde, desta vez até sou muito moderada no que peço. Seria tão bom... que em vez de a triagem para as Urgências ser feita via Linha SNS 24 fosse criada uma outra linha, só com três algarismos – tipo 112, ou seja, muito mais fácil de memorizar e usar, sobretudo quando se está aflito. Mas com cruzamento entre as várias linhas, claro, para o caso de se ter ligado para a “errada”. Isso evitaria a atual sobrecarga da Linha SNS 24, uma vez que é também usada por pessoas que apenas querem tirar umas dúvidas.

Passemos à imigração. Seria tão bom... que deixássemos de ouvir dizer que o país precisa de cem mil imigrantes para trabalhos que os portugueses não querem fazer. Isso faz-me uma tremenda confusão, atendendo a que há mais de trezentas mil famílias a receberem há anos o RSI sem nada fazerem em troca. E, lembro, chama-se Rendimento Social de Inserção, só que não vemos ninguém a ser inserido – ou reinserido na sociedade.

E quanto a imigrantes, aceitá-los se tiverem profissões realmente necessárias e se vierem, de facto para trabalhar. Ou acham que se receberem casa e um subsídio “temporário” vão à procura de emprego? Sem contar que todos nós sabemos o que “temporário” significa em Portugal. Já agora, não é curioso que não se possam importar médicos “porque podem não falar português” mas não há problema em querer mandar vir professores do Brasil?

Mais ainda, parar de falar em legalizar os ilegais, isso é um insulto para os muitos que cumpriram todas as regras – e são bastantes – para poderem residir e trabalhar em Portugal.

Deixar, também, de meter no mesmo saco todos os estrangeiros e parar de falar em xenofobia e racismo quando as comunidades que com eles lidam são contra a sua presença. Já agora, não seria bom... haver um abaixo-assinado para apresentar queixa contra os 800 e tal que protestam contra o que se passou no Martim Moniz acusando-os de encorajar a criminalidade e de discriminação contra os residentes?

Pois, suspeito – só não tenho a certeza porque, como tenho dito, sou uma otimista nata – de que para o ano aqui estarei com a mesma listinha...

Entretanto, boa Passagem de Ano e um 2025 melhor ou, no mínimo, não pior que 2024.

Para a semana: Absurdos do mundo atual Coisas que até parecem de comédia se não fossem tão trágicas.

10
Mai24

135 - Em vez de...

Luísa

De um modo geral, sempre que há um problema neste país a solução proposta envolve sempre atirar-lhe com dinheiro. Segundo parece, quem nos governa, e a esquerda em particular, pode não acreditar que o dinheiro traz a felicidade mas é, sem dúvida, crente da teoria de que resolve tudo – talvez não a morte, mas tudo o resto.

Só que andamos há anos a desbaratar o muito dinheiro que nos tem vindo de Bruxelas e os muitos milhões arrecadados com os pesadíssimos impostos que nos oneram sem que se veja qualquer melhoria, muito pelo contrário, é, até, frequente as coisas piorarem.

Basicamente, acho que isso vem de não se seguir uma regra muito repetida nos numerosos programas de renovação de casas que vemos na TV e que é, muito simplesmente, “mede duas vezes para cortares só uma”. Traduzido para a resolução dos problemas nacionais daria algo como, “analisa duas vezes antes de gastares uma”.

E tendo isto em vista, aqui ficam algumas pequenas sugestões minhas.

Em vez de... uma imigração descontrolada porque precisamos de mão-de-obra para setores básicos onde falta, que tal pensarmos em modos diferentes de fazer as coisas?

A construção civil, por exemplo, um dos setores sempre citados – e com toda a razão, no panorama atual. Ora acontece que há cada vez mais empresas, até em Portugal, a fabricarem elementos para construção civil que basta, depois, instalar no local. E a variedade de elementos disponíveis também disparou, há até quem faça edifícios inteiros desse modo e não estou a falar de pequenas moradias.

Mais ainda, a ideia de construção modular ganha cada vez mais terreno sobretudo por ser muito mais rápida – e como sabemos, ou devíamos saber, quanto mais depressa um edifício ficar pronto, mais depressa pode começar a render.

Há, ainda, a vantagem adicional de converter muita da mão-de-obra não qualificada atual em trabalhadores fabris, melhorando consideravelmente a sua qualidade de vida. E, vantagem adicional, o mesmo número de pessoas estaria a trabalhar em inúmeros edifícios ao mesmo tempo, diminuindo, em muito, a procura de pessoas não (ou pouco) qualificadas.

E quem diz a construção civil diz outros setores, como a agricultura, fazendo um estudo a sério – não um daqueles que são um mero pretexto para pagar chorudos salários a um monte de gente durante imenso tempo – sobre o que se dá melhor em cada zona e região, o que é mais rentável e o melhor modo de o produzir. É que vendo certos problemas que se arrastam há anos neste setor, apesar de todos os subsídios e ajudas, fica-me a ideia de que o problema está em querer continuar a fazer o mesmo que sempre se fez e do mesmo modo, modo este que nem sempre se adequa ao nosso país.

Em vez de... querer mais camas de hospitais e recursos similares, que tal usarmos melhor os recursos que temos?

Vi há uns dias que o Hospital de São João, no Porto, criou um programa inovador em fisioterapia, ensinando os cuidadores a orientá-la no conforto do lar. Sim, nem sempre é possível, claro, mas há muitos casos em que é um desperdício de tempo o paciente ter de se deslocar para a fazer – isto para não falar do incómodo e despesa que isso muitas vezes lhe traz – e da espera por uma vaga...

E há muitas outras áreas em que se podia inovar, melhorando, ainda, o bem-estar dos pacientes. Vi um documentário francês há uns tempos sobre um modo inovador de fazer hemodiálise. Em vez de os abrangidos passarem longas horas num hospital ou centro médico, com grave prejuízo para a sua vida laboral ou escolar, recebiam pequenas máquinas de uso individual que aprendiam a usar – caso fossem crianças, seria um adulto a ter isto a seu cargo. Podiam, assim, fazer o tratamento ao fim do dia, mantendo o seu emprego ou uma vida escolar normal, mais ainda, sem se sentirem “diferentes”.

Não sei se este programa ainda se mantém, mas seria, certamente, algo a explorar. Ou seja, a ênfase nos gastos com a saúde deveria ser o que é melhor para os seus utentes – e muitas vezes isso implica arranjar soluções que levem a saúde até eles em vez de os forçarem, como agora, a irem ter com a saúde.

Em vez de... tanta indignação por haver escolas que começam a impor um código de vestuário, que tal preocuparem-se com a suposta igualdade nas aulas? Refiro-me, claro, a não poder haver turmas de “bons” e turmas de “maus”, supostamente porque isto traumatizaria as criancinhas.

Resultado de estar tudo à molhada? Os alunos com dificuldades não melhoram porque não têm apoio adicional. Mais ainda, muitos sentem que nunca conseguirão acompanhar o ritmo dos outros e desistem, muito simplesmente.

Mas também é péssimo para os bons alunos. É que como as aulas são dadas nivelando por baixo, digamos, morrem de tédio e acabam, também eles, por se desinteressar, embora por razões diferentes.

Não seria melhor criar turmas mais pequenas para os chamados “alunos maus”, onde estes teriam um acompanhamento mais pessoal? E outras para “alunos bons”, onde o ritmo já poderia ser mais acelerado e o nível de dificuldade maior?

Mais ainda, atendendo a que há alunos que são bons em certas matérias e maus noutras, que tal não os pôr na mesma turma para tudo? Ou seja, teriam uma para as matérias em que têm dificuldades e outra para o resto. E assim que melhorassem, ou piorassem, mudariam de turma – isto poderia ser um bom incentivo para se interessarem mais pelas aulas, é que muitos só têm problemas porque começaram a ficar para trás e, com o passar dos anos e as tais turmas “à molhada”, esse atraso foi-se agravando.

E há, certamente, muitas outras áreas em que esta “técnica” de em vez de... poderia dar ótimos resultados e, se não fosse com custos menores, seria, certamente, com uma melhor aplicação do dinheiro gasto.

Para a semana: As reparações. Ou, título alternativo, quem deve a quem

16
Jun23

88 - Educar?

Luísa

Haverá alguém sério que duvide que a educação em Portugal vai de mal a pior? É um dos pouquíssimos pontos em que a maioria concorda, infelizmente por razões totalmente opostas.

Passo a explicar.

Para a nossa “bem-pensante” esquerda, o ensino só não está melhor porque há falta de investimento na educação. E eu até estaria de acordo, só que quando falam em “investir” referem-se meramente em pôr muito mais pessoal nas escolas, docente e não docente, em colocar toda a gente no quadro e em aumentar em muito salários e diversas regalias. Isto para não falar no fim do ensino privado, o ódio de estimação para esses senhores.

Os sindicatos de professores, esses, para além destas reivindicações querem também fim de avaliações, redução drástica do currículo, mais férias, enfim, tudo coisas em contracorrente com o que se passa nos restantes países ocidentais.

Há anos que andamos a ouvir dizer, por altura das greves no mínimo anuais, que a culpa dos maus resultados é de as turmas serem grandes, de haver indisciplina nas escolas, dos alunos de “bairros problemáticos”...

A estas queixas habituais a pandemia veio trazer mais uma: as aulas à distância. Semana após semana vimos professores na TV quase de lágrimas nos olhos a lastimarem a triste sorte dos seus alunos que, por não poderem frequentar fisicamente as aulas, iriam sofrer pesados atrasos na sua educação.

Irei voltar a alguns dos pontos acima, mas antes só queria focar um pequenino detalhe. Não acham curioso que, passada a época do isolamento forçado, esses mesmos professores tenham passado todo este ano letivo em greves e ações de protesto? Quantas aulas é que os seus alunos perderam? E perderam totalmente, uma vez que nem telescola há nestas circunstâncias. Mas tudo bem, tudo o que estes sindicatos têm andado a fazer é para bem do ensino!

Ora vamos por partes. Somos certamente um dos países em que os alunos têm a vida mais facilitada em matéria de avaliações. Os exames surgem tarde na sua carreira escolar e no ano em que calham os senhores professores passam o ano – ou uma boa parte dele – a preparar o exame com base em provas de anos anteriores. Ou seja, não se insiste na ideia de que o estudo deve ser feito ao longo de todo o ano, não, a ideia é tentar fazer em semanas o trabalho todo “para passar no exame”. Mas tudo bem, inculcar bons hábitos não faz parte de educar.

Temos também as turmas. Estive a ver uns dados e variam entre 24 e 28 alunos. Em que universo paralelo é que isso é muito? O que é que querem, um professor para cada aluno? Já agora, isso não resulta, lembro-me da época em que andaram a fechar escolas primárias com menos de 10 alunos (ao todo), ou seja, em que o rácio chegava a ser de 1 para 1, e as criancinhas, quando entrevistadas, eram uma desgraça de falta de conhecimento da língua e não só.

E há a sempre muito popular frase de “o ensino público” é excelente. Pois é... Deve ser por isso que os nossos políticos de esquerda – só falo destes porque são fãs desta frase – têm os filhos no privado. E quantos professores públicos conhecem que fazem o mesmo? Mais ainda, já repararam na proliferação de centros de explicações e de explicadores? Sabiam que há até alguns especializados no ensino primário e logo a partir do 1º ano?

Se o ensino público é assim tão bom, como é que explicam isso? Ou estarão a insinuar que as criancinhas portuguesas são burras? Estranho, se as puserem numa escola privada, a maioria esmagadora deixa de precisar de explicações.

E depois vem a indisciplina. Sim, existe e de que maneira. Mas, de quem é a culpa? Este tipo de situação não surge da noite para o dia. Foi crescendo sem que se pensasse sequer em fazer algo, para “não traumatizar os jovens”. Sim, porque para os “bem-pensantes” cá da terra, haver regras e exigência de bom comportamento é “fascismo”, é uma violência gravíssima.

A situação piora ainda mais quando os indisciplinados não são “europeus”, digamos. É que aí, e à semelhança do nosso “estimadíssimo” Sr. Costa, passa-se logo para as acusações de racismo.

E o que começou por pequenas desordens e um ou outro aluno mais rebelde, digamos, foi aumentando rapidamente passando até à violência pura – mas não faz mal, somos um país de brandos costumes e nada acontece a jovens que atacam outros, mesmo que usem armas brancas, isto para não falar em insultos, bullying, etc.

Sim, sei que se fala muito em controlar o bullying nas escolas, só que só falam disso quando a vítima pertence ao “alfabeto” – sabem o LBG... são cada vez mais letras – ou de certas etnias, como está na moda dizer.

Ou seja, entre greves, bullying e falta de exigência, os jovens são deixados à deriva numa época que devia ser formativa em todos os sentidos. Mas alegremo-nos, está em preparação uma lei que cria nas escolas responsáveis por implementarem o uso dos pronomes pessoais da escolha dos alunos. Isso, sim, é o mais importante!

Para semana: É o racismo, senhores! A propósito da reação do nosso “muito estimado” PM

29
Jul22

43 - A infância é mesmo para brincar?

Luísa

Ouve-se muito dizer, “a infância é para brincar” e outras expressões similares. Só que quando falamos em brincar, referimo-nos a atividades de puro lazer, a, basicamente, não fazer considerado útil. Ou seja, em tempo perdido.

Mas brincar não é isso. Para a maioria dos animais, incluindo os humanos, é uma parte crucial da infância, ajudando a desenvolver o cérebro e sistema nervoso, para além da imaginação, da capacidade de resolução de problemas, da criatividade e também competências sociais. É, pois, uma aprendizagem para a vida.

Se pensarmos nos jogos e brincadeiras tradicionais, vemos que, sem dar conta disso, a criança desenvolvia destreza física – os muitos jogos envolvendo o uso de uma bola, corridas, etc. – que lhe viriam a ser úteis mais tarde. Desenvolviam também a criação de laços entre grupos de crianças de aproximadamente a mesma faixa etária, que iam aprendendo – mais uma vez sem darem conta disso – modos de resolverem problemas e tensões, por exemplo.

E se olharmos para os brinquedos até meados do século passado, não é por acaso que se davam bonecas às raparigas e armas, ferramentas e coisas similares aos rapazes. Também aqui, a brincadeira servia de preparação para os seus futuros papéis na sociedade.

Nos últimos anos, todo este conceito sofreu uma tremenda alteração, com o enfoque a passar de “atividades” para “coisas”. Ou seja, até meados do século XX, brincar envolvia ações, com ou sem a ajuda de acessórios, digamos. Mas hoje em dia, o termo brincar é imediatamente associado a brinquedos e jogos de computador ou similares, enfim, a objetos.

A diferença fundamental é que antes, para brincarem, as crianças eram forçadas a dar asas à sua imaginação, a inventar histórias e cenários. A mesma espada de pau (ou um mero pau a fazer a vez dela) passava alegremente de arma de pirata à de cavaleiro medieval ou outro personagem imaginado no momento. Sem equipamentos ou brinquedos complexos, as crianças improvisavam, criavam as suas próprias regras e jogos, enfim, agiam.

Mas, atualmente, damos-lhes cenários já totalmente estruturados, sejam sob a forma de videojogos ou de brinquedos complexos, o que leva que cada vez menos criem os seus próprios cenários, por total falta de necessidade de o fazerem.

Mais ainda, há cada vez mais a ideia de que sim, brincar serve de aprendizagem, só que, em vez de comportamentos e capacidades sociais como tinha sido até agora, tentamos ensinar coisas “úteis”. Até nos infantários há os grupos organizados, a hora de brincar com brinquedos considerados adequados à idade, a hora de pintar, a hora das histórias, bom, tudo muito bem planeado e estruturado “a bem da criança”.

Há um espaço e tempo para este tempo de aprendizagem, sem dúvida, mas o principal ganho para a criança de brincar de modo não estruturado era a aquisição da chamada autorregulação, que é muitíssimo importante para o desenvolvimento eficaz em quase todos os domínios.

E o que é a autorregulação? Pois bem, é a capacidade de conseguirmos controlar as nossas emoções e comportamentos. Há especialistas que pensam até que é um fator bem mais importante para o futuro sucesso de uma criança do que o seu IQ.

O chamado “faz de conta” é um modo importantíssimo de a desenvolver, mas, atenção, se vier da criança e não de um adulto, por muito bem intencionado que este seja. Por outras palavras, tem de ser a criança a decidir o que vai fazer e como, a definir o universo onde vai entrar e as regras da sua brincadeira.

Infelizmente, a chamada “brincadeira livre” está em vias de extinção, entre atividades desportivas, artísticas e outras e jogos em que tudo foi previsto, a criança pouco usa a sua imaginação, não precisa, já tem a papa toda feita.

Pior ainda, surgiu a ideia de que se deve proteger a criança de tudo o que possa ser demasiado difícil para ela. Temos, pois, joguinhos adaptados à sua idade, livros com um vocabulário restrito consoante a faixa etária a que se destinam, jogos e brincadeiras em que todos ganham, enfim, um nunca acabar de soluções que impeçam a pobre criancinha de ter de se esforçar a sério para resolver um problema ou, pior ainda, a ter de enfrentar o terrível desgosto de perder.

Sabiam que nos EUA e também em Inglaterra há listas de palavras “autorizadas” consoante a faixa etária dos possíveis leitores de um livro? Curiosamente, quando J. K. Rowling se tornou o êxito que todos conhecemos, deitou essas regras janela fora e escreveu como muito bem quis. Comparem os dois primeiros livros Harry Potter, escritos antes do seu tremendo sucesso, com os restantes e verão bem isso. E sabem que mais? Em vez de ficarem traumatizadas por encontrarem palavras “difíceis” e centenas de páginas um livro, as crianças devoraram-nos.

Sabiam também que até bem recentemente, muitos dos que agora consideramos jogos infantis também eram jogados por adultos? E não me refiro a jogos de tabuleiro, tipo Monopólio ou puzzles, mas sim a “jogos de recreio” como a cabra-cega ou as escondidas. Portanto, ao jogá-los, as crianças estavam muito simplesmente a imitar o comportamento dos adultos com quem viviam.

Resumindo as ideias que aqui tentei exprimir, faríamos bem mais pelo bem-estar futuro das crianças se em vez de lhes organizarmos tanto o seu tempo, se em vez de jogos em que só têm de seguir as regras com que já vêm e brinquedos cada vez mais complexos e simultaneamente tão limitadores da imaginação lhes déssemos mais tempo livre para desenvolverem as suas próprias brincadeiras e se habituarem a usar a sua imaginação.

Entre um jogo de construção com centenas de peças em que só têm de seguir o plano de montagem incluído na embalagem ou um simples pacote de blocos que podem juntar como quiserem, demos preferência a estes. Escolhamos puzzles e outros jogos com uma idade recomendada superior para que aprendam a ter perseverança face a algumas dificuldades. Ou seja, em vez de receberem tudo já feito, demos-lhes, isso sim, desafios. Acreditem, ser-lhes-á extremamente benéfico e nada se compara à sensação de orgulho sentida por uma criança quando consegue fazer algo acima da sua idade.

Mas cuidado, nada tão avançado que se torne uma atividade impossível, levando a frustração e ao sentimento de não ser capaz de fazer nada. Como em tudo o mais, tudo isto deve ser feito tendo em conta a criança concreta.

E sim, sei que os tempos mudaram e que há imensa pressão para ter o jogo ou o brinquedo “que todos têm”, mas quem disse que educar é fácil? Sei também que as brincadeiras ao ar livre tal como existiam até meados do século XX são agora impossíveis por razões de segurança, mas que tal deixar os seus filhos ou as crianças a seu cargo deambularem à vontade num jardim ou parque – bom, só aparentemente, claro – em vez de só os levar até lá para atividades específicas como andar de bicicleta ou praticar uma atividade desportiva?

Infelizmente, suspeito que a menos que se comece com crianças muito novinhas, será preciso dar-lhes um pequeno empurrão para as levar nesta direção, tarefa nada fácil para pais e educadores que também passaram pela brincadeira focada em coisas e não em simples atividades.

Para a semana: Jornalismo ou jornalixo? – Os jornalistas apregoam-se como os defensores da verdade, mas sê-lo-ão mesmo?

17
Jun22

37 - Jovens

Luísa

Esta semana vou falar de algo que me incomoda há bastante tempo e que é, muito simplesmente, o que se passa com os jovens de Portugal, em particular, e do mundo ocidental em geral.

Com as melhores intenções do mundo tem-se aplicado a teoria de tudo facilitar, de tudo lhes dar, de que a sociedade tudo lhes deve e eles não devem nada a ninguém. Em princípio até soa bem, aplanar-lhes todas as dificuldades para que possam ter uma vida feliz e bem ajustada. O problema é que, para espanto de muita gente, surgiu uma nova geração suscetível a todo o tipo de problemas psicológicos e não só.

O que correu mal?

Quando penso neste assunto vem-me logo à mente uma entrevista a um pediatra a que assisti há uns anos sobre os perigos de, como ele muito bem disse, “envolver as crianças em algodão em rama”. Referia-se a doenças infantis e ao facto de que, como ele explicou, até recentemente as crianças mexiam em tudo, metiam tudo na boca, apanhavam algumas pequenas infeções mas criavam uma boa dose de imunidade. Hoje em dia é tipo, “não mexas na terra”, “que horror, meteste isso na boca, sabe-se lá por onde andou”... E desinfeta-se logo mãos e o mais que vier a jeito. Junte-se a isto o facto de que muitas crianças não têm onde brincar livremente e o resultado está em termos crianças com imunidade zero a tudo – e depois vão para a escola e começam os problemas.

O grande problema está em que se usa a mesma teoria de proteção durante a adolescência. É considerado terrível obrigar os jovens a fazerem a sua quota parte das tarefas domésticas. Ou, se as fazem, é quase sempre tendo como contrapartida uma mesada. E isto sem falar que a mesada passou a ser um “direito”!

Não sou contra dar uma mesada aos filhos, variável com a idade, muito pelo contrário, penso que é uma boa ideia de lhes ensinar princípios básicos de economia doméstica. O problema é que a dita é muitas vezes vista como um extra, como algo a ser usado apenas em diversão e nem toda. Ou seja, para além de roupa, etc., os pais têm a obrigação de pagar jogos, saídas e tudo o mais e a mesada em si é para gastos em ninharias, quase sempre para “fazer figura” com os amigos. E em vez de aprenderem a poupar para um prazer ou o facto básico de que se gastam à toa acabam por não ter para as coisas que realmente querem a lição que tiram é que há sempre um saco sem fundo a que recorrer quando o dinheiro acaba e que se os pais não lhes dão mais é porque são maus.

Outro aspeto deste problema está nas facilidades da vida atual. Sei que é muito comum ouvir dizer que os jovens atuais têm uma vida complicada, mas será mesmo assim?

Uma das vertentes da tal complicação está na falta de empregos. Mas aqui o que mais me choca é o facto de jovens de 20 e poucos anos acharem que têm direito, sim, direito, a um emprego para a vida e com um bom salário e isto independentemente do curso que tiraram. Uma conferência a que assisti, o Prof. Agostinho da Silva disse que todos têm o direito de estudar o que quiserem, não têm é o direito de exigir um emprego nessa área. E tem toda a razão.

As universidades estão cheias de cursos que, muito francamente, não se consegue perceber para que servem, para além da aquisição de conhecimentos, claro. Há ainda o pequeno detalhe de que há uns anos ter um curso superior era garantia de um bom emprego. Agora, com cada vez mais gente a formar-se, bom, estamos a chegar rapidamente a uma fase em que é quase como ter a quarta classe no tempo dos nossos avós...

O verdadeiro problema nesta área está nas expectativas que se criam aos jovens, quer tenham ou não estudos superiores. Há uns anos fizeram um estudo em França sobre jovens com o equivalente ao nosso liceu e porque razão tinham dificuldade em arranjar emprego. Pois bem, todos queriam trabalhar num escritório, apesar de, sem qualificações, irem receber um salário muito pequeno. E torciam o nariz a profissões “menos chiques”, apesar de pagarem melhor e terem mais hipóteses de evolução salarial.

E a nível de quem estuda mais é a mesma coisa. Quantos alunos têm dificuldades num curso de medicina e acabam por desistir, isto apesar da muito alta nota de admissão? Se querem trabalhar na área da saúde, pois bem, há cada vez mais necessidade de fisioterapeutas, por exemplo, sobretudo para cuidados paliativos. E muitas outras áreas onde ou falta pessoal ou até nem existem no nosso país e que, como o famoso envelhecimento da população, começam a ser cada vez mais necessárias.

A culpa nisto tudo não é dos jovens, claro, limitam-se a viver, ou a tirar proveito, da teoria de que as dificuldades são más e têm de ser evitadas a todo o custo. E o resultado está nos inúmeros jogos letais na Internet, como o Blue Whale.

A adolescência e os anos que se lhe seguem deviam ser uma época para correr riscos, para aprender, para experimentar. E sim, para conhecer as dificuldades da vida. Acham realmente que um jovem que nunca mexeu uma palha em casa, que sempre teve tudo o que exigiu, mesmo que a família passasse dificuldades para o conseguir, acham, repito, que está preparado para aguentar qualquer percalço, por muito pequeno que seja?

Vimos aliás o que aconteceu com o confinamento em que, apesar de terem Internet, jogos, contacto eletrónico com os amigos, muitos jovens ficaram com problemas psicológicos por não poderem sair e fazer a sua vida habitual. Se calhar até nem se lembrariam disso, mas as televisões encheram-se de especialistas a explicarem como é problemático ter aulas via Internet, isto para uma geração que vive praticamente nela, e como terem de ficar em casa é um trauma. Se eu fosse jovem e ouvisse isso dia após dia também teria problemas psicológicos.

Para terminar, um pequeno exemplo do problema que andamos a criar. Um tribunal de Guimarães deu uma pensão de alimentos a uma mulher que saiu de casa aos 21 anos porque não aguentava a miséria em que viviam e a mãe, uma operária viúva que ganha o salário mínimo, vai ter de lhe pagar 60 euros mensais até ela fazer 25 anos ou acabar o curso de técnica auxiliar médica – não sei porquê, suspeito que se concluirá a formação bem depois dessa idade... E muita sorte, a filhinha tinha pedido 200 euros, a 1ª instância deu-lhe 90 e a Relação reduziu para 60. Parece anedota? Leiam aqui: https://observador.pt/2022/05/23/operaria-com-salario-minimo-obrigada-a-pagar-pensao-de-alimentos-a-filha-que-saiu-de-casa/

 

Para a semana: Eutanásia salvará o SNS? – uma pergunta pertinente nos tempos que correm.

10
Jun22

36 - A Anulação das Mulheres

Luísa

Este movimento já tem bastantes anos, mas o seu ritmo tem-se acelerado e de que maneira nos últimos tempos. E, espantosamente do meu ponto de vista, muito disto está a ser impulsionado por pessoas que se dizem “feministas”. Ora vamos lá ver a que me refiro.

Quotas para mulheres em várias profissões, postos de trabalho, etc.

Implementadas recentemente em Portugal, são anunciadas como uma grande vitória para as mulheres. Mas serão mesmo?

A sua base está na constatação de que há poucas mulheres em cargos elevados em empresas, na Assembleia da República, etc. E a justificação dada é sempre a mesma, as mulheres são preteridas por serem simplesmente mulheres, não podem dedicar tanto tempo ao trabalho / política porque têm de cuidar do marido e filhos pequenos... Sim, como disse num post anterior, é incrível como num país com a nossa baixa natalidade todas as mulheres que trabalham têm filhos pequenos a seu cargo.

Ora, na minha opinião, o que realmente se passa é que para as mulheres o trabalho não é o fim das suas vidas. Ou seja, até podem gostar do que fazem, e muito, mas os seus interesses não se resumem a isso. E sabem perfeitamente que quanto mais se sobe numa empresa, menos tempo vago há para as amigas, para outras atividades, enfim, para si.

O mesmo se aplica a escalões mais baixos, muitos homens veem na sua profissão a sua identidade total, tudo o resto é acessório. Para muitas mulheres, o trabalho é apenas um elemento das suas vidas.

Para além do tremendo paternalismo destas medidas, não seria bem melhor estudar a sério a razão desta diferença, perguntando, por exemplo, às mulheres se estão mesmo interessadas em lugares cimeiros. Talvez a resposta espante...

Não digo que não haja discriminação, há-a, certamente. Mas não se cura com quotas, que só dão aquela ideia de “coitadinhas, sozinhas não conseguem”. E a prova de que a correção é feita naturalmente havendo mulheres que pretendam esses lugares e trabalhem para eles está em todo o lado. Veja-se, por exemplo, que a primeira mulher a frequentar o ensino superior em Portugal foi Elisa Augusta da Conceição Andrade, que se matriculou na Politécnica de Lisboa, em Medicina, em 1880. E em 2020 havia 32 179 mulheres em cursos de medicina contra 25 019 homens, tendo quase toda esta evolução decorrido nas últimas décadas.

Ou seja, se as mulheres querem realmente alguma coisa, lutam por ela, a menos que sejam condicionadas, como o estão a ser agora, a acreditar que o mundo está contra elas e que precisam de proteção especial para poderem singrar na vida.

Quanto à política, muito francamente, uma mulher competente e que quer fazer algo pela sociedade, não pensa na Assembleia da República, onde será apenas mais um número e estará sujeita à vontade da cúpula do respetivo partido. Concorrerá, isso sim, a Juntas de Freguesia e Câmaras como independente e é algo que estamos a ver cada vez mais frequentemente.

Transexuais. Comecemos pela educação das criancinhas. Ainda não é tão grave como nos EUA, mas para lá caminhamos a passos largos. Basicamente, o que se houve a rapazes que dizem que se “sentem raparigas” é que gostam de usar vestidos, maquilhagem e penteados giros e de brincar com bonecas. Ou seja, isto passa a ideia de que as mulheres “a sério” – uma palavra muito usada atualmente – são umas desmioladas que só pensam no seu aspeto.

Pelo contrário, se uma rapariga gosta de ciência, de tecnologia, de construir coisas e de brincar com carros, máquinas e isso, bom, então é porque não é uma rapariga mas sim um rapaz num corpo de rapariga. É que como todos sabem, só homens gostam dessas coisas...

Espantosamente, as tais “feministas” ou aprovam esta teoria ou, no mínimo, calam-se, permitindo que toda uma geração cresça com a ideia de que mulheres só gostam de coisas “fofas” e que quem gosta de coisas “sérias” tem ser homem, tenha ou não o corpo de um. Belo feminismo!

Temos também o caso dos quartos de banho em estabelecimentos escolares, que chegou recentemente a Portugal (https://observador.pt/opiniao/se-iscte-um-homem/?utm_source=Newsletters+Observador&utm_campaign=7231355ed3-360_CAMPAIGN_2019_12_11_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_4e99f7d1e5-7231355ed3-184050873). Basicamente, um aluno rapaz – é sempre um rapaz – diz que se sente rapariga e é imediatamente autorizado a frequentar o quarto de banho destas. Curiosamente, este “sentimento” surge em rapazes de 14, 15 anos...

Ninguém quer saber o que as alunas acham disso. E quando há assédio sexual e até violações pelos tais supostos transexuais, a escola tenta abafar tudo e, em muitos casos, acusa até as raparigas de inventarem tudo porque são, claro, está, transfóbicas!

E as “feministas” no meio disto tudo? Caladas, caladíssimas.

Temos também a cada vez maior ocupação do desporto feminino por homens que dizem estar no início da transição para mulheres – caso curiosos, estão sempre no início. Tivemos a Lia Thomas (procurem na Internet, há inúmeros artigos, fotos, etc., incluindo a polémica de a NBC ter “suavizado” fotos para que parecesse menos masculina) e, recentemente, uma prova de ciclismo (https://www.outkick.com/transgender-women-cyclists-kiss-after-taking-1st-and-2nd-while-3rd-place-biological-female-cares-for-baby/ ).

Com estes homens – e são mesmo homens, se estão no início da transição, isto supondo que até o estão a fazer, então nada têm de mulheres – a competirem, as mulheres não têm qualquer hipótese. É que há uma razão para os valores das provas masculinas serem diferentes das masculinas.

Mas tudo bem, transexuais são mais importantes do que mulheres...

Já agora, repararam que na chamada Pride Parade as lésbicas quase desapareceram, a ênfase está toda em homossexuais homens, sobretudo se são travestis, e em transexuais?

Últimas notas.

Espanha avançou com a licença menstrual para mulheres que sofrem durante esse período. Foi apregoado como uma grande vitória feminista, mas será mesmo? Para começar, quanto apostam que o número de sofredoras dispara? Mais ainda, isso não “cheira” ao antigamente, em que se evitava o contacto com uma mulher menstruada. E, muito curiosamente, tem uma forte influência do Islão (https://islammessage.org/pt/article/11074/Coisas-Proibidas-%C3%A0-Mulher-Durante-a-Menstrua%C3%A7%C3%A3o-e-o-P%C3%B3s-Parto ). Ou seja, se, de acordo com a teoria vigente das “feministas” as mulheres já são discriminadas no emprego pelo facto de o serem, imaginem como será agora, com o empregador a arriscar-se a ficar sem a funcionária durante 3 dias todos os meses? Como disse alguém, vai ser ótimo para mulheres mais idosas, passarão a arranjar emprego mais facilmente...

A última nota é algo que também de Espanha, nomeadamente do País Basco, para que seja aprovada legislação para que todas as casas novas sejam casas feministas (https://observador.pt/2022/03/07/suites-proibidas-e-cozinhas-sempre-em-open-space-a-nova-casa-feminista-avanca-no-pais-basco-e-em-valencia/?utm_source=Newsletters+Observador&utm_campaign=f01320618e-360_CAMPAIGN_2019_12_11_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_4e99f7d1e5-f01320618e-184050873 ).

Entre outros mimos, proibição de suítes, porque promovem uma hierarquização. Os quartos têm de ser todos iguais e os quartos de banho têm de poder ser frequentados por mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

E é com disparates destes que se promove a mulher? Ou será que a intenção é provar mesmo aos mais céticos de que as mulheres são umas tontas e que não podem ter controlo sobre nada importante?

 

Para a semana: Jovens – as hipocrisias do modo como lidamos com os jovens.

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