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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

01
Nov25

210 - Casos diversos

Luísa

Perante alguns acontecimentos recentes, não resisti à tentação de alterar, mais uma vez, o tema proposto para esta semana.

Comecemos pela Lei da Nacionalidade. Como seria de esperar, organizações de emigrantes, “bem-pensantes” e esquerda em geral estão contra. Adorei ver o líder da comunidade do Bangladesh a dizer que muitos estão a pensar em sair de Portugal perante a nova lei. O que me deixa a dúvida, porquê?

Se são residentes legais – condição atual para obtenção da nacionalidade – a alteração do prazo dos 5 para os 10 anos não afeta as suas vidas, podem continuar a trabalhar e a viver normalmente no nosso país. Há, aliás, muitos milhares de portugueses em França, na Alemanha e em muitos outros países que, apesar de ali residirem e trabalharem há anos, nunca quiseram deixar de ser portugueses adotando a nacionalidade desses locais.

Ou será que o grande problema está no modo como “obtiveram” a dita residência e o temor de uma investigação? É que até agora, uma vez obtida a nacionalidade portuguesa, este ato era irreversível. Muito francamente, acho que esta nova lei não vai suficientemente longe, devia ordenar a fiscalização de todas as atribuições de residência dos últimos anos – desde que o Costa escancarou as portas do país – e, caso fossem fraudulentas, os seus beneficiários tinham ordem imediata de expulsão, sem direito a recurso. E perda da nacionalidade, claro, caso a tivessem obtido com base em ilegalidades.

Acham demasiado forte? Pois é, eu e, sem dúvida, muitos outros estamos fartos de ver “portugueses” – bom, é o que diz o Cartão de Cidadão – que pouco ou nenhum português falam, apesar de ser uma das condições para a obtenção da nossa nacionalidade.

Passemos à violência, a começar pela dos jovens. E tivemos, recentemente, dois casos paradigmáticos do que se passa no nosso país graças à “bondade” do nosso Código Penal.

Em primeiro lugar, o jovem de 14 anos que matou a mãe e simulou ter sido um roubo. Ouvi toda uma série de “iluminados” a dizerem que pode ter sido um acidente... Pois, discute com a mãe, sai, desativa as câmaras exteriores de vigilância, entra de novo em casa, vai ao cofre do pai buscar a arma, mata a mãe, simula atividade de ladrões, sai, esconde a arma no cemitério e vai para casa de uns vizinhos como se nada fosse... é claro que foi um acidente!

E o que é que lhe vai acontecer? Na “pior das hipóteses”, fica em regime fechado num centro de menores uns três aninhos, isto se um dos nossos brilhantes juízes não o deixar em liberdade.

Temos também os 3 “influenciadores” que violaram uma jovem, pondo o filme inteiro na internet. Neste caso, não sei o que me choca mais, o ato deles ou o facto de as imagens terem sido vistas 32 mil vezes sem que ninguém fizesse nada. E já em setembro tinha havido um caso similar, com uma vítima ainda mais jovem. Escusado será dizer que neste caso até os maiores de 16 foram libertados a aguardar julgamento, para “não criar alarmismo social”.

Não será mais do que altura de alterar o nosso Código Penal e acabar com essa treta do “é menor, não pode ser preso”? Recordo o rapaz que esfaqueou e matou um amigo num centro comercial e que não vai cumprir pena de prisão porque “só” tinha 17 anos à altura do crime.

Vi uma reportagem há uns tempos sobre um rapaz de 18 anos preso, finalmente, por um crime grave e cuja mãe pedia, desesperadamente e a todos e mais alguns, desde os seus 12 anos, que fizessem algo porque não tinha mão no filho e este piorava a cada crime com que escapava impune.

Nem era preciso muito para fazer algumas alterações que criassem centros de correção a sério para menores que cometem crimes. E digo a sério porque li há pouco tempo sobre uma casa para “menores em perigo” que fechou por falta de verbas e que tinha “apenas” 19 funcionários para 17 crianças! Acreditem, quanto mais cedo aprendessem que atos têm consequências, mais depressa entrariam na linha, senão todos pelo menos a maioria.

É claro que há sempre os tais juízes “bondosos”, mas isso será tema para um outro post.

Esta semana tivemos também o caso do GNR morto devido ao abalroamento da embarcação em que seguia por uma lancha rápida de traficantes de droga. Foi homenageado na Assembleia da República, ato que teria tido muito mais significado se não fosse o minuto de silêncio pela morte de um criminoso – sabem a quem me refiro. Mas é claro que se fosse ao contrário, ou seja, se um dos “coitadinhos” da lancha tivesse morrido, os GNR já estariam todos presos...

Em vez de homenagens ocas e idas ao funeral – pois o senhor de Belém não perde uma – tenho a certeza de que todas as nossas corporações policiais prefeririam, de longe, mais apoio, material e não só. Da maneira como as coisas estão atualmente, um polícia, seja ele qual for, está manietado na sua luta contra criminosos que, eles sim, não se coíbem de disparar, ferir, matar de todos os modos possíveis. Quanto às lanchas, não há nenhuma razão para um privado ter uma, por isso... acabem mesmo com elas!

Temos, finalmente, o choque por a Letónia ter dito que tenciona sair da chamada Convenção de Istambul de 2011, que tem o nome pomposo de “Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica” – curiosamente, a Turquia saiu em 2021! Da maneira como falam parece que essa saída vai dar carta-branca a todo o tipo de violência contra as mulheres.

Sabem quem ratificou a dita? Portugal! Pois, de certeza que as muitas mulheres que morrem todos os anos vítimas de violência doméstica crime fazem-no com a satisfação de saber que Portugal não saiu da Convenção...

E o que é que a dita convenção diz? Pois bem, “exige que os governos criem leis e serviços de apoio para prevenir e combater todas as formas de violência contra as mulheres. O tratado também promove a igualdade entre homens e mulheres e define a violência contra as mulheres como uma violação dos direitos humanos.” Ou seja, o usual acervo de banalidades que faz com que os que a assinam se sintam muito virtuosos, dispensando-os, assim, de fazerem algo mais prático para as implementar.

Para a semana: Mitos perigosos, parte 2 Continuemos a analisar o mal que estes mitos tão divulgados fazem à nossa sociedade

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