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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

04
Out25

206 - Falemos de educação

Luísa

Começou mais um ano letivo – bom, já há umas semanas, mas entre férias e outros assuntos fui adiando este post. E, espanto dos espantos, tivemos quase a mesma repetição das queixas e problemas de inúmeros anos anteriores, sendo a exceção algo relacionado com o Ensino Superior. Sendo assim, irei tratar da questão sob três vertentes: creches, ensino primário / liceal e universidades.

Começando pelas creches, crescem os protestos de quem não arranja lugar numa do estado e não ganha o suficiente para pôr os filhos num estabelecimento privado. A novidade foi terem surgido afirmações de que estrangeiros, sabe-se lá em que situação de legalidade, estavam a ocupar vagas, deixando de fora crianças filhas de pais portugueses de longa data.

Não irei falar desta questão, apesar de não me admirar nada que seja verdade, limitando-me a sugerir algumas pequenas alterações que garantiriam, isso sim, lugares para quem deles realmente precisa.

Primeiro, as creches do estado seriam apenas para crianças em que os dois pais – sejam eles de que “género” sejam – trabalhem ou para filhos de pais / mães solteiros que tenham a sua guarda exclusiva e trabalhem. É que se um progenitor ou companheiro dele nada faz, como justificam a ocupação de uma das poucas vagas existentes com o seu filhote?

Mais ainda, as ditas vagas estariam vedadas a crianças de agregados familiares que recebem o erroneamente chamado Rendimento Mínimo e pela mesma razão. E sim, sei que uma creche é muito útil para a socialização das crianças, mas enquanto não houver vagas para todas, deve-se dar prioridade a quem precisa desesperadamente de um sítio para deixar os filhos enquanto trabalha e contribui para o nosso país.

É claro que ouvimos, ano após ano, a promessa de criação de mais creches estatais. Só que o seu custo é enorme, graças em grande parte à “carreira” dos funcionários públicos. Até termos acesso a um pote de ouro sem fim, que tal o Governo decidir, zona por zona, quanto gasta com cada criança numa creche, atribuindo-lhe um cheque a ser entregue na creche que viesse a frequentar?

Perante esta ajuda, muitas famílias já poderiam suportar os custos de um estabelecimento privado e, mais ainda, aposto que o número destes aumentaria em flecha...

Passando à escola propriamente dita, anda tudo preocupado com a falta de “mediadores” para os alunos estrangeiros – e pasme-se, estes incluem até as crianças brasileiras que precisam de ajuda para entenderem as aulas!

O chocante é que estamos sempre a ler notícias sobre a falta de apoios para alunos com necessidades especiais, sejam físicas ou outras. Muitos alunos autistas, por exemplo, precisam mesmo de quem os acompanhe e entenda, não sobrecarregando os respetivos professores com algo que está para além das suas funções.

Não seria altura de pormos a ênfase em quem precisa realmente de ajuda e gastar com sensatez os fundos públicos? Quanto aos alunos estrangeiros, tudo bem, haja mediadores ou lá o que são, mas pagos pelos respetivos pais. E com um prazo curto para aprenderem a nossa língua e se integrarem nas aulas sem causarem perturbações no seu andamento regular.

Ou seja, o ónus da adaptação deve estar em quem vem para o nosso país e não o contrário, como se passa atualmente. Podemos, claro, pôr ao seu dispor as ferramentas de que precisam, mas deixando bem claro que não temos a menor obrigação de o fazer e que o seu uso não é gratuito, juntando-lhe, também, penalizações, em apoios e similares, para quem não se adapte dentro de um prazo razoável.

Finalmente, o Ensino Superior, que este ano apresentou novidades em termos das queixas mais ouvidas. É que o tema do dia foi a diminuição no número de alunos que se candidataram – e entraram, claro.

A culpa foi prontamente atribuída ao custo astronómico dos quartos e à falta de residências universitárias. Concordo que pode levar alguns a pensarem duas vezes antes de programarem tirar um curso, mas será esta a única razão?

A questão aqui é que esta baixa em alunos universitários está a ser notada em vários países ocidentais em que os custos são diferentes, sobretudo graças à omnipresença de empréstimos a começar a pagar bem depois dos estudos. O que nos devia levar a uma análise mais profunda do que se passa de facto.

Limitando-nos ao nosso país, passámos rapidamente de uma fase em que quem tinha um curso superior era “rei” para outra em que todo o gato sapato, mais o periquito e o papagaio, tem um curso, na maior parte das vezes com uma utilidade prática nula.

Ora muitos jovens começam a olhar à sua volta e a verem que inúmeros licenciados não arranjam um emprego que considerem à altura da sua dignidade de licenciados. Há quem imigre, mas nem todas as profissões dão para isso e, muito francamente, nunca vi reportagens ou análises a sério sobre o que os nossos jovens emigrados fazem, de facto, lá fora.

Acontece que há inúmeras profissões em que falta gente – eletricistas, por exemplo – e onde se pode ganhar bom dinheiro. Mais ainda, começa a haver uma melhor oferta de cursos profissionais e suspeito que se mais vagas houvesse mais jovens os frequentariam.

Ou seja, em vez de arrepelarmos os cabelos porque há menos jovens nas Universidades devíamos, isso sim, fazer um esforço para lhes dar outras opções profissionais, muitas delas com bem melhores saídas do que muitos dos cursos que vemos por aí. E com tanta conversa sobre os “jovens serem o nosso futuro”, que tal prestar atenção ao que eles realmente querem? É que se calhar “ser doutor” não é bem o que anteveem para si...

Para a semana: Quando é que a Europa acorda? Cedências e decisões idiotas (a Palestina), a passividade perante provocações russas, estamos à espera de quê para começarmos a pensar em nós?

18
Abr25

184 - Vida Justa

Luísa

Não vou falar do movimento com este nome, mas confesso que foi, de certo modo, a inspiração para este post. É, supostamente, algo que defende os bairros, certos bairros, entenda-se, impedindo despejos e ações similares. Curiosamente, muitos dos seus protestos têm a ver com a defesa de pessoas que ocupam ilegalmente casas ou terrenos. O seu mote é que todos têm direito a casa e sustento, mesmo se estiverem ilegalmente no país.

E eu até concordaria, se não fosse o pequeno detalhe de que quem assim fala ignora totalmente o direito à tal vida justa dos donos desses prédios e terrenos e dos muitos portugueses que labutam para sustentar todas essas benesses que movimentos desse tipo exigem para quem nada faz – pelo menos de bom, é que se a criminalidade pagasse imposto...

É muito popular e de bom tom mostrar preocupação com os muitos ilegais que se encontram em Portugal. Ouvimos continuamente o choradinho sobre as más condições em que vivem, o seu direito a ter a uma casa condigna e, claro está, subsídios que lhes permitam viver “com dignidade”.

Mas... será que os que cá vivem legalmente, sobretudo os portugueses que sempre trabalharam e veem uma fatia cada vez maior do seu salário a ser-lhes retirada em impostos e taxas de todo o tipo, não têm o mesmo direito a uma casa decente e que possam pagar? A ajudas e subsídios razoáveis quando atingem uma idade avançada e só têm a chamada pensão social?

Ouvimos, também, falar de estrangeiros que vivem num quarto com os filhos menores ou num apartamento pequeno para o tamanho da família. Pergunto eu, quantos portugueses vivem à molhada com os filhos adultos, às vezes casados e com filhos, porque estes não conseguem pagar uma casa sua? Onde está a vida justa para estas pessoas?

O termo “justo” é, também, muitas vezes aplicado aos supostos maus tratos infligidos pela polícia a alegados criminosos, sim, alegados porque, facto curioso, quando há desacatos ou crimes a polícia erra sempre o alvo e os que prendem são sempre uns inocentinhos que estavam ali por acaso...

Mas será justo que portugueses decentes e honestos vivam aterrorizados nas suas próprias casas e locais de trabalho devido ao aumento crescente de crimes violentos perpetrados, quase sempre, por pessoas estrangeiras que, em muitos casos, nem deviam cá estar? Lembro que um “bom” cidadão estrangeiro matou um jovem em Braga, isto apesar de ter sido extraditado pelos EUA para o Brasil devido ao seu cadastro violento como membro de um perigoso gangue – mas aposto que agora cumprirá pena em Portugal – isto se não for ilibado – e no final não faltarão almas caridosas a pedir que cá fique porque, claro está, tem filhos nascidos neste país.

Continuando o tema dos ilegais, não vos choca o tom acusatório com que os ditos falam de estarem horas – ou dias – à espera de serem atendidos? Ou seja, cometeram um crime – sim, a permanência ilegal num país é crime – e querem ser tratados com paninhos quentes? Acham que têm o direito de verem a sua situação resolvida com toda a celeridade, sabe-se lá à custa de quantas irregularidades? Ou será que alguém acredita que vão manter o suposto emprego que lhes deu a legalização? Isto para não falar no local de residência que apresentam na altura, lembro as mil e tal pessoas que residiam, supostamente, no mesmo pequeno apartamento em Lisboa, morada oficial de alguém do Bangladesh naturalizado português, apesar de precisar de intérprete no tribunal – lembro que o processo de nacionalização exige um bom conhecimento da língua portuguesa.

Temos, também, a notícia recente de que as escolas vão ter elementos – pagos por todos nós, é claro – para ajudar à integração das crianças imigrantes. Ou seja, não há dinheiro para apoiar o ensino especial nem sequer para ter auxiliares de apoio a crianças com deficiências, físicas ou mentais, mas quando se trata de imigrantes abrem-se os cordões à bolsa? Até poderia ser uma boa solução para evitar problemas futuros, supostamente por inadaptação das ditas criancinhas, se não soubéssemos que não vai dar em nada, muitos imigrantes, direi, até, uma boa fatia deles, não se integra porque não quer. Mais ainda, vêm para o nosso país com a ideia fixa de nunca, mas mesmo nunca, deixar os filhos – e sobretudo as filhas – adotarem os usos e costumes locais.

E por falar em escolas, atendendo à tremenda falta de creches, infantários e pré-escolas que existe há anos no nosso país, será justo que muitos desses lugares sejam ocupados pelos filhos de pessoas que não trabalham, pior ainda, que vivem do erroneamente chamado rendimento mínimo? Porque não se dá preferência a quem precisa mesmo de um lugar decente onde deixar os filhos enquanto está a contribuir para a economia deste país? Onde está a tal vida justa para quem se esforça?

Já agora, será justo que os pais que conseguem, muitas vezes à custa de grandes sacrifícios, porem os filhos no ensino privado para receberem uma educação decente, terem de pagar, à mesma, por um sistema educativo público de qualidade muitas vezes medíocre ou até duvidosa e que seria ainda pior se não fossem os explicadores? Sim, espantosamente, há-os até para o primeiro ano! Isso não é pagamento duplo?

Finalmente, a saúde. Será justo vermos tanta preocupação devido à falta de acompanhamento médico de quem aqui reside ilegalmente quando há tantos portugueses que esperam há anos por um médico de família? Ou que desesperam por uma operação que lhes pode dar, no mínimo, uma melhor qualidade de vida e que chega, sabe-se lá quantas vezes, tarde demais?

Pois, como em muitas outras áreas, a exigência de uma “vida justa” é apenas para alguns, os do costume.

Para a semana: Falemos de novo da mulher  À luz de acontecimentos recentes, é altura de voltar a este tema

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