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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

05
Jan24

117 - Já não há vergonha

Luísa

Dedico este primeiro post de 2024  a toda uma série de comportamentos e de afirmações dos nossos maravilhosos políticos, e não só, algumas do ano passado mas outras, infelizmente, mais recentes. Mas têm todos algo em comum, o mais completo despudor de quem os faz ou diz.

Pior ainda, fica-me cada vez mais a ideia de que para quem nos (des)governa e / ou “orienta” os portugueses são burros, amnésicos e adoram ser enganados repetidamente e do mesmo modo. Bom, atendendo ao resultado de eleições e sondagens, se calhar até nem andam muito longe da verdade...

Começo pelo autêntico festival de congratulações e elogios de quando a legislatura entrou, finalmente, em gestão, depois de o senhor de Belém ter esgotado todos os adiamentos e desculpas para lhes permitir ir passando leis atrás de leis tendo em vista o próximo dia 10 de março.

Um extraterrestre que chegasse a Portugal nessa altura ficaria imediatamente convencido de que se tratara de um governo de grande êxito, que terminara no fim do mandato para que fora eleito e que tomara inúmeras medidas muitíssimo importantes, entre elas as sempre tão badaladas reformas estruturais.

E não me refiro apenas à gentinha do PS, não vi, da parte do PSD, nenhuma tentativa a sério para lhes estragar a festa e os foguetes com um banho de realidade.

Tivemos, depois, o tremendo entusiasmo desse senhor Montenegro por ter conseguido o milagre fundamental de formar uma coligação “importantíssima” para as próximas eleições. Quem o ouvisse falar ficava com a ideia de que descobrira, a muito custo, o segredo para uma vitória eleitoral e resultante formação de governo. E, mais uma vez, não vi um grande esforço da parte de ninguém para que ele esclarecesse como vai conseguir isso aliando-se a um partido que perdeu, nas últimas eleições, os pouquíssimos representantes que ainda tinha na Assembleia da República.

Aqui para nós, quem tem boas razões para festejar é o CDS que elege, deste modo, pelo menos 3 deputados sem mexer uma palha. Mas, curiosamente, a alegria era bem mais esfuziante do outro lado.

Passemos, agora, ao nosso muito “prezado” Presidente da Assembleia da República, o Sr. SS, e as suas declarações em relação ao Ministério Público. Se fosse ele a dizê-las, tudo bem, sou uma simples cidadã. Mas é gravíssimo, ou antes, devia sê-lo, que quem preside ao braço legislativo desconheça a separação de poderes consagrada na Constituição – sim, a tal que tão citada é quando convém à nossa esquerda. Ou, pior ainda, se sabe disso e não se incomodou com essas “chinesices”.

É que para esse senhor, a única verdadeira ameaça à democracia em Portugal está na existência do Chega. E tem a desfaçatez, sim, não há outro termo para isso, de o dizer com um ar muito sério depois de todos os comportamentos mais do que antidemocráticos que demonstrou – ou permitiu – na AR.

Veio, depois, a mensagem do senhor de Belém – não, não é o Menino Jesus, é o de cá... Confesso que não a ouvi, limitei-me a ver extratos, é que os anos já pesam e tenho de poupar os nervos para coisas realmente importantes. Mas adorei ouvi-lo dizer que vai apoiar a candidatura do seu compincha Costa à Presidência da União Europeia porque ele merece! Mais ainda, será um cargo onde poderá fazer o que faz melhor...

Hum... Acho que um pequeno esclarecimento tinha dado muito jeito a quem o ouviu. O que faz melhor? Aldrabar? Meter amigos e conhecidos sem competência em cargos importantes? Prometer mundos e fundos, nada fazer apesar de ter todos os meios para tal e ainda por cima acusar a oposição de ter a culpa do falhanço? Bom, não a atual oposição, a de há uns largos anos, quando era, então, governo.

Mesmo assim, o novo líder do PS bate-os a todos aos pontos. Anunciados vários aumentos na função pública e pensões, que, infelizmente, iremos pagar com colher de pau passada a euforia eleitoral, lembrou que Passos Coelho cortara em 50 % o subsídio de Natal por causa da Troika. Não sei se é ele que anda distraído ou a minha memória já não é o que era, mas a dita não veio por causa do queridíssimo Sócrates? E este não era um primeiro-ministro socialista?

Para terminar, duas afirmações recentes, já deste ano, que me impressionaram por levarem o tal despudor a novos píncaros.

A primeira é de alguém do PCP, esse partido tão democrático, pelo menos para o PS e para o Sr. SS. De acordo com essa sumidade, a culpa das horas de espera nas Urgências e de o Sistema Nacional de Saúde não funcionar é... dos hospitais privados!

Se calhar até tem razão, é que sem medicina privada morreria muito mais gente, libertando, assim, vagas nas consultas, hospitais e Urgências. E, não estou, infelizmente, a brincar, pelo menos totalmente, é que passei o dia a ouvir falar da taxa de mortalidade acima dos 45 anos em Portugal.

A segunda e última afirmação despudorada é recentíssima, veio da douta boca do ainda primeiro ministro hoje já à noitinha. Também não ouvi o discurso todo, veja-se o que disse acima sobre os meus nervos, mas passei por lá na altura em que dizia “Só o PS fará melhor do que o PS” e, a minha parte favorita, “Há problemas? Claro que há problemas. Mas é por isso que estamos cá. É o PS que vai resolver os problemas.”

Pois, esperemos sinceramente que não ou teremos, para a economia e outros setores do nosso país, a concretização da velha expressão, “de vitória em vitória até à derrota final”.

Só me resta desejar-vos um bom ano de 2024... sim, sou uma otimista nata!

Para semana: Falemos de saúde A propósito de declarações recentes de alguns políticos

09
Jun23

87 - Não viram, não sabem, mas governam

Luísa

Por muitos ziguezagues, curvas, contracurvas e desvios que o Sr. Costa e os seus “muchachos” deem, por muitas incoerências que demonstrem, há uma frase lapidar que se tem mantido constante ao longo dos anos e de todos eles: não fui informado!

Pois é, os ministros nunca sabem o que os seus assessores, secretários de estado ou outros do seu ministério andaram a fazer, mesmo quando são atos ou decisões que seria de pensar terem de ser decididas ao mais alto nível. É claro que os ditos secretários de estado também nunca são informados do que é decidido pelos seus supostos subalternos. E quanto ao nosso “estimadíssimo” PM, bom, esse então nunca sabe nada, mas mesmo nadinha de coisa nenhuma.

Há despedimentos ao mais alto nível na TAP? Não foi informado, nem antes nem depois. Há problemas gravíssimos na saúde? Não está a par de nada. Há falhas e problemas por todos os lados? Coitado, ninguém lhe diz nada. Mas, estranhamente, tem sempre a certeza de que agiram todos bem e que devem continuar a merecer toda a sua confiança. É que também faz parte deste processo ele nunca correr com ninguém. Não, se um ministro ou secretário de estado sai, fá-lo por decisão própria e por razões pessoais – estou em pulgas para saber quais serão as do tal Sr. Galamba...

E, como disse, a mesma ignorância dos factos alastra pelos restantes membros do seu (des)governo. Mais ainda, estou convencidíssima de que se perguntarem a um chefe de secção, mesmo uma das mais pequeninas, o porquê de algo que ali foi feito ou decidido, pois... não foi informado e de nada sabe.

Outro que também nunca está a par de nada, apesar de estar sempre a abrir a boca, é o senhor de Belém. É curioso, tem opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, nunca perde uma oportunidade de aparecer em público a mostrar a sua “sapiência”, mas quando é um caso realmente grave... não sabe de nada. Ou, quanto muito, “está a acompanhar a situação” e não comenta por não ter todos os factos.

Seria interessante perceber como é que se governa um país no meio de tanta ignorância dos factos, só que, vendo o que se tem passado nestes últimos anos, a estranheza até desaparece. Sim, a única explicação para alguns dos mais recentes descalabros só pode mesmo ser a de que as decisões mais importantes estarem a ser tomadas por não se sabe quem, não se sabe onde, à revelia de quem usa o título de governante.

Talvez por só ter lidado profissionalmente com o setor privado, vivi sempre com a ilusão de que o papel de um chefe é saber o que se passa. Atenção, isso não quer dizer que tenha de ser ele a decidir tudo, isso seria o que se chama “micromanagement”, muito pouco aconselhável. É preciso delegar, claro, o mais possível até, mas um chefe a sério deve manter-se a par das decisões tomadas pelos seus subordinados, pelo menos a partir de um certo grau de importância. Ou seja, não lhe interessa saber se compraram canetas azuis ou pretas, já a compra ou leasing de carros para o seu setor é algo bem diferente.

O que eu critico nestes ministros e, sobretudo, no PM é que, pelos vistos, passa-lhes tudo ao lado. Segundo parece, estão no cargo apenas para desfrutar das suas muitas regalias e fazer anúncios bem sonantes de obras e quejandos. Mas até aqui as coisas correm mal uma vez que esses comunicados pomposos são sempre, mas sempre, seguidos de emendas, recuos ou até cancelamentos discretos porque, afinal, não se coadunavam com a realidade. Sim, a tal realidade que, adivinharam, eles desconheciam porque “não tinham sido informados”.

Pois é, os nossos governantes parecem tentar desesperadamente imitar os célebres três macacos – sabem, aqueles em que um tapa os olhos, um segundo os ouvidos e o terceiro a boca. Só que também aqui... foram mal informados. A verdadeira interpretação desta imagem é, de facto, “não ver o mal, não ouvir o mal, não falar o mal”. E, como tal, é um belíssimo princípio que nos ficava muitíssimo bem seguir, pelo menos na nossa vida pessoal. Bom, na profissional, não ver ou ouvir o mal é capaz de não ser muito boa ideia...

Infelizmente, a tradução que usam resume-se a, “não ver absolutamente nada, não ouvir nadinha, falar ao desbarato” – pois, tem de se mudar a imagem do terceiro macaco, em vez de tapar a boca passaria a ter um megafone para que todos possam ouvir facilmente as muitas obras e projetos que estes nossos fabulosamente bem informados governantes planearam para daqui a uns tempos. Bom, isso se entretanto não for preciso recomeçar, reavaliar, etc. de acordo com factos para que vão sendo alertados e de que deviam ter conhecimento desde o início.

Para semana: Educar? Os mesmos que choravam pelos alunos forçados a ter aulas a distância, agora privam-nos de aulas...

28
Abr23

81 - E viva o 25 de Abril!

Luísa

Devido ao muito que aconteceu antes e durante o 25 de abril deste ano decidi converter este post numa espécie de carta aberta ao Muito Digno (pelo menos na opinião dele) Presidente da Assembleia da República, o Sr. Santos Silva, daqui em diante conhecido como o Sr. SS, para poupar esforço.

Só um pequeno detalhe, não sou nem nunca fui militante do Chega ou de qualquer outro partido político.

Dito isto, aqui vai a minha cartinha.

Caro Sr. SS:

Ando há uns tempos para lhe dedicar um post mas o que se passou neste 25 de abril, o suposto Dia da Liberdade, foi literalmente a gota de água que fez entornar o caldo. Refiro-me, claro está, aos seus comentários e reações às atitudes do partido Chega que, na sua opinião, envergonharam o país. A sério? Foi mesmo isso que envergonhou os portugueses? Se realmente acha isso, lamento informá-lo de que não conhece minimamente o povo que diz representar e que lhe paga o salário e outras (numerosas) benesses.

Sabe o que é que realmente nos envergonhou? Pois bem, passo a explicar-lhe alguns dos destaques.

Primeiro, a condecoração dada pelo nosso estimadíssimo Presidente da República, o Sr. Marcelo, à esposa do Sr. Lula “por serviços prestados à Nação”. Para os mais distraídos, lembro que a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique é destinada, e cito, “a quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua história e dos seus valores.” Dois dos anteriores agraciados, que dispensam apresentações, foram o Dr. Pedro Ferraz da Costa e o escritor Mário de Carvalho.

Com a sua enorme preocupação pela vergonha que o Chega trouxe ao país, talvez possa esclarecer os papalvos que o sustentam sobre a aplicação de tudo isto à tal senhora. Só que aposto que não consegue, por isso, o seu amigo Marcelo trouxe, ele sim, vergonha para o nosso país.

Mas há mais. Soube, com grande espanto meu, que o nosso ainda mais estimado Primeiro-Ministro, o Sr. Costa, disse, num discurso em Matosinhos, que “temos é pena de não falarmos com o vosso sotaque”. Fantástico! Não sei quem era o “nós” implícito na frase, não me incluía, certamente, é que ao contrário do nosso PM e, obviamente, de si, tenho muito orgulho em ser portuguesa e não vejo nenhuma razão para me rebaixar perante quem quer que seja.

Já agora, o Sr. Lula retribuiu dizendo que “geringonça no Brasil não é coisa muito boa. É um amontoado de todas as coisas.” Pois é, o nosso PM põe-se de gatas perante o Presidente de um país estrangeiro e, em troca, este insulta-nos.

E é o Chega que envergonha o país?

Quer pior vergonha do que a entrada do Sr. Lula num órgão de soberania do nosso país rodeado de guarda-costas? Ou antes, de energúmenos, que fizeram questão de agredir deputados eleitos pelo povo português... mas tudo bem, o Sr. SS até aplaude, eram os maus do Chega. Já agora, é legal entrar com guarda-costas na nossa Assembleia da República? Qual seria a sua reação se alguns deputados – e sabe a quem me refiro – fizessem o mesmo por se sentirem sob ameaça constante? Vergonhoso, tudo isto!

Sei que gosta muito de falar da falta de credibilidade democrática de André Ventura e de mencionar, a torto e a direito, a sua posição de “segunda figura do Estado” e, como tal, merecedora de todo o respeito. Só que...

Vamos por partes. Não gosto do Sr. Costa nem do Sr. Marcelo mas respeito-os enquanto titulares dos seus cargos porque foram eleitos pelos portugueses. Sim, ao contrário de si, eu tenho respeito pela democracia.

Mas a si, quem o elegeu para ser a tal “segunda figura”? Não foram certamente os eleitores portugueses. Pior ainda, quando foi eleito deputado, não passava de um nome entre dezenas de outros, sem haver sequer a menor garantia de que iria ocupar o seu lugar. É que, lembro, um deputado tem de estar na lista do seu partido mas este não é obrigado a seguir a ordem indicada. Recordo uma época em que se escolhiam atores e outras figuras conhecidas como cabeças de lista e que depois eram pura e simplesmente afastados para darem lugar a políticos de carreira.

Resumindo, ninguém votou em si. Já André Ventura, quem votou no Chega sabia que pelo menos o seu líder iria estar na Assembleia.

E quanto a ser Presidente da Assembleia da República, a “eleição” é feita apenas entre os deputados e sabe-se, à partida, que é eleito o escolhido pelo partido com mais votos. E chama a isso ter credibilidade democrática?

Último ponto, a sua ameaça de que o Chega nunca será convidado para visitas de estado ao estrangeiro. Esta sua afirmação deixou-me uma dúvida. Essas viagens são pagas por si? É que se são pagas pelos contribuintes, como é que explica pôr de lado os escolhidos de quase 400 000 deles e obrigá-los a ver os seus impostos a irem para as despesas de pessoas altamente democráticas como são os deputados do PCP, por exemplo?

Sabe, Sr. SS, talvez deva mudar oficialmente de nome para Luís XIV, aquele que dizia “o Estado sou eu”. É que todas as suas atitudes e afirmações só demonstram que tem zero respeito pela democracia – ou antes, respeita imenso a nova definição do termo e que é, muito simplesmente, só é democrata quem agradar à esquerda ou, pior ainda, a si.

Numa coisa dou-lhe toda a razão, o que se passou neste 25 de abril envergonhou muito a sério Portugal. Mas não pelas razões que nos deu, foi o senhor e a sua trupe (ou seja, o trio da conversinha a sós que afinal foi gravada) quem nos encheu de vergonha.

E viva a liberdade!

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