79 - Nacionalizar é bom para a economia
Começo o post desta semana com uma citação de Einstein, que me tem vindo muito à mente nos últimos tempos. Certamente já a ouviram, é muitíssimo famosa e existe em inúmeras variantes – a tradução, entenda-se, a frase em inglês é sempre a mesma.
E qual é ela? Pois bem, é muito simplesmente a seguinte: “Loucura é continuar a fazer sempre o mesmo e esperar resultados diferentes.”
Pois bem, se levarmos isto à letra somos, certamente, um país louco ou, mais exatamente, um país de loucos varridos.
Ora vejamos. No período pós-25 de abril desatou-se a nacionalizar tudo e mais alguma coisa. De grandes grupos económicos a propriedades agrícolas, bancos, empresas diversas, foi um ver se te avias de passagem do “mau” do capitalismo privado para a “boa” estatização.
E a princípio até correu tudo bem... pudera, havia reservas de fundos que entusiasmaram o pessoal dessas empresas e os muitos que foram prontamente contratados. E foi gastar a rodos, aumentos salariais, benesses de todo o tipo, enfim, uma vida de ricos. Ou antes, de novos-ricos.
Só que, sem criação de riqueza e com o aumento brutal da despesa, o maná em breve acabou e vieram os problemas graves e as falências, precipitando o país numa crise económica de onde se saiu – saímos mesmo? – muito a custo.
Com a enorme quantidade de exemplos nefastos vindos dessa época gloriosa seria de esperar que tivéssemos aprendido a lição. Mas, pelos vistos, somos mesmo loucos.
É que por tudo e por nada, lá vem a nossa bendita esquerda falar em... pois, adivinharam, nacionalizar. Ou, para evitar más conotações, estatizar.
A banca está em crise? Nacionalize-se! A TAP dá prejuízos gravíssimos mas há quem tenha comprado uma boa fatia dela? Nem pensar, é preciso comprá-la de volta, a qualquer custo! Os hospitais em parceria público-privada funcionam? Que horror, acabe-se já com isso!
Adorava que alguém com acesso a esses dados e tempo para os trabalhar divulgasse o quanto gastámos nos últimos anos a comprar para o Estado empresas em falência técnica. Mais ainda, quanto nos custa anualmente mantê-las a fingir que funcionam.
É claro que, como não estamos numa época revolucionária, para grande desagrado da dita esquerda, nacionalizar significa na maior parte dos casos comprar aos privados pelo menos a maioria do capital de uma empresa. E quem é que acham que sai a ganhar neste negócio?
Lembro-me do gáudio demonstrado pelo Sr. Costa quando anunciou que tinha chegado a acordo para a compra da quota privada da TAP. Face à rapidez com que se chegou ao valor e condições de venda, a minha conclusão imediata foi de que se tratara de um grande negócio... para os privados. Infelizmente, o tempo veio dar-me razão.
Mas todas estas intervenções, compras e nacionalizações são sempre anunciadas como “a bem do país”. Compra-se o SIRESP para evitar que o sistema volte a falhar! Nacionaliza-se a Efacec para travar o impacto na economia. Acabam-se com as parcerias público-privadas nos hospitais a bem da saúde...
Enfim, com tantas medidas tomadas para nosso bem, devemos estar a viver às mil maravilhas!
Pior ainda, acaba-se, mais cedo ou mais tarde, por falar em reprivatização das ditas – é o que se diz em relação à Efacec e à própria TAP. Até podia ser uma boa notícia, só que, ao fim de algum tempo nas mãos do Estado, as empresas estão sempre em pior estado do que estavam antes e, para poderem ser vendidas, há que absorver prejuízos brutais para tornar a venda atraente – ou possível.
Há, depois, a outra face da moeda, que é a privatização de coisas estatais. Lembro-me do pânico do BE quando se começou a falar em privatizar as Águas de Portugal e havia uma empresa chinesa interessada. Quem os ouvisse ficava com a ideia de que iria faltar água em Portugal porque iria toda para a China!
Isto para não falar nos protestos e greves que cada decisão destas despoleta porque, e estou a parafrasear, “vai ser mau para os trabalhadores”.
Pois vai, uma empresa privada tem de dar lucro se quiser continuar a existir e não se pode dar ao luxo de ter pessoal a mais e todo o tipo de benesses sem a menor justificação, como acontece com o que é estatal – pois, é que aqui, no fim do ano o “Estado” absorve os prejuízos, ou seja, pagamos todos os benefícios de uma minoria.
Não acreditam? Pensem na CP, que tem uma dívida acumulada de mais de 2000 milhões de euros. Brilhantemente, muitos dos seus empréstimos bancários estão a ser substituídos por “empréstimos” da Direção-geral do Tesouro e Finanças – no ano passado isso já ia em 84 %. E como se não bastasse, querem agora “limpar” toda essa dívida histórica para que possam recomeçar a pedir empréstimos aos bancos para compra de material circulante. Já agora, escrevi “empréstimos” assim, entre aspas, porque não são pagos nem há penalizações por não o estarem a fazer. Ou seja, são aquilo que em bom português se chama “emprestadados”.
E é este o panorama que a nossa esquerda quer, colocar tudo e mais alguma coisa nas mãos do Estado. E quando lhes perguntam porque acham que desta vez será diferente do que se passou após a revolução, pois bem, a resposta é muito simples: é claro que vai funcionar, o que é estatal é que é bom!
Pois, Einstein tinha razão, é mesmo a definição de loucura!
Para semana: Decisões, decisões... A propósito do novo aeroporto de Lisboa e não só.
