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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

17
Fev23

72 - Coisas que me chocam

Luísa

Não é de agora sentir-me chocada com a sobranceria de muitos dos nossos líderes políticos ou o facto de as pessoas que dizem representar estarem no fundo da sua pirâmide de preocupações.

Passemos a alguns exemplos.

Todos vimos o espetáculo, sim, espetáculo, do Sr. Marcelo a ir a Olhão tirar uma selfie – mais uma – com o nepalês agredido e pedir-lhe desculpas em nome do povo português. À parte ficar “bem” na imagem, pelo menos na opinião dele, como é que se explica esta atitude?

Sim, quando um português é agredido – ou até morto, como tem acontecido em Angola e Moçambique, por exemplo – será que o Sr. Marcelo exige um pedido de desculpas dos respetivos presidentes? Ou quando portugueses são agredidos por estrangeiros em Portugal? Pois...

Pior ainda, esse caso de Olhão tem contornos curiosos. Primeiro, o imenso cuidado com que Polícia e comunicação social se referiram sempre aos ditos agressores: um grupo, uns jovens, uns indivíduos... Ou seja, para quem já aprendeu a ler “wokenês” e “jornalês” isso significa, imediatamente, que não eram brancos. E lendo nas entrelinhas das notícias aquando da sua prisão, bom, só são portugueses por causa da nossa tão benévola lei da nacionalidade.

Pior ainda, os primeiros relatos, até dos indianos e nepaleses, é que o dito grupo há muito fazia tropelias e aterrorizava toda a gente da zona, tendo já agredido gravemente um sem-abrigo e um jovem. Será que o Sr. Marcelo se incomodou a falar com mais vítimas? Ou até a saber da sua existência? O que é que acham?

Mas, infelizmente, não é o único “Presidente de todos os portugueses” que se preocupa apenas com estrangeiros. Lembro-me de uma situação do tempo do Sr. Sampaio, em que Angola andava de candeias às avessas com Portugal e negou, por várias vezes, a entrada de portugueses, apesar de estes terem todos os papeis em ordem. Pois bem, o SEF decidiu fazer uma espécie de greve de zelo com a inspeção dos documentos dos angolanos que chegavam a Portugal. E, clado, detetou inúmeras irregularidades, negando-lhes a entrada.

Pois bem, o Sr. Sampaio, que estivera caladíssimo durante as semanas em que portugueses eram verdadeiramente maltratados no aeroporto de Luanda, veio prontamente a lume para dizer que “cidadãos não devem sofrer pelos problemas entre governos.” Cidadãos? E os portugueses afetados eram o quê?

Passemos agora a um outro caso. Vi, meramente por acaso, as imagens de uma reunião da Câmara de Mafra, uma daquelas abertas ao público. Foram mostradas a propósito da polémica do fecho repentino do camping lá do sítio e da ordem de despejo de quem lá vive.

Já agora, para verem que ataco atitudes e não cores políticas, o presidente da Câmara a que me refiro é do PSD...

Não sei quem tem razão neste caso, mas, pelo que li até agora, é uma daquelas confusões e trapalhices infelizmente muito comuns cá na terra. Resumidamente, num país onde tudo demora uma eternidade, a empresa gestora do camping continuou, alegremente, a autorizar investimentos por parte de quem lá vive e a instalar casas prefabricadas – a última em novembro de 2022 – para em janeiro deste ano anunciar que ia fechar tudo e que todos tinham até fim de fevereiro para sair...

Mas passemos ao que me causou indignação. Em plena reunião, em que as pessoas diziam claramente que não era tempo suficiente para organizarem tudo e saírem, o dito presidente da Câmara disse, em tom de chacota, “uma tenda desmonta-se em 10 minutos, sei-o porque fui militar.”

Será que ignora que para a maioria não se tratava de “desmontar uma tenda” mas, acima de tudo, de arranjar para onde ir? Que para muitos aquela é a sua única habitação? Curioso, em minutos, eu fiquei a sabê-lo. Mas ele não? E goza assim com as pessoas? Pior ainda, com os cidadãos que é suposto servir?

Como ponto final, temos o apoio inequívoco e bem sonante da maioria dos nossos políticos ao Sistema Nacional de Saúde e ao ensino público. É ouvi-los falar em defesa de ambos, insinuando, ou, até afirmando, que só o público é que é bom! Os mais honestos, se é que podemos chamar-lhes isso, lá vão dizendo que, “bom, há alguns problemas, mas, em geral, funciona tudo lindamente.”

Que bom, estamos cheios de sorte!

E aqui fica a minha perguntinha: quando ficam doentes, vão ao médico de família? Ou às Urgências de um hospital público? Se precisam de uma operação, aguardam pacientemente o tempos (anos...) necessário? Ou são dos grandes frequentadores dias clínicas e hospitais privados que tanto criticam?

E os filhos – ou netos, consoante os casos – andam na escolinha pública ou nalgum colégio chique?

Pois, caso ainda haja algum jornalista a sério cá na terra, seria curioso ver um levantamento de tudo isto.

E não só. Quantos professores, dos que andam em greves e protestos, têm os filhos no privado? Quantos funcionários públicos nunca puseram os pés em algo relacionado com o SNS, o tal que eles dizem ser tão bom?

Conclusão, continuamos a viver numa sociedade de classes, em que a do topo olha com desprezo a de baixo, só que, em vez de se basear em riqueza ou algo similar, é muito simplesmente a divisão entre governantes e os pategos que os sustentam e entre quem tem regalias devido ao seu contrato laboral e quem vai ficando com os restos. E que são cada vez menores, com o custo acrescido de suportar este autêntico castelo de cartas em que vivemos.

Para semana: A pedofilia na Igreja. O que me incomoda é haver vítimas de primeira, as dos padres, e as ignoradas (todas as outras).

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