224 - Presidenciais e outros temas políticos
Aquando da primeira volta decidi respeitar o famoso “dia de reflxão”, apesar de o considerar totalmente caricato, sobretudo num mundo com redes sociais para todos os gostos e feitios. Mas desta vez, como, de acordo com a nossa fabulosa Lei Eleitoral, os resultados que irão sair amanhã não irão influenciar quem vai votar na próxima semana, aqui estou eu para falar destas eleições, à mistura com a catástrofe que assola atualmente o nosso país.
Começo por dizer que acho absurdo não se terem adiado as eleições. E não me digam que a dita lei não o permite, bastava todos os Presidentes de Câmaras Municipais pedirem um adiamento – ao contrário das Juntas de Freguesia, não têm de explicar detalhadamente o porquê do pedido – e haveria adiamento em todo o país.
Dir-me-ão que em muitas áreas assoladas pelas várias tempestades existem condições para se garantir a realização da votação. Não discordo, mas acham mesmo que é essa a grande preocupação de quem ali vive? É claro que se a intenção é bater o recorde da usualmente já muito elevada abstenção, então, parabéns, estão no bom caminho. Bom, para o Senhor de Belém, o que se está a passar e a votação durante a epidemia COVID são a mesma coisa, por isso não há o menor problema em irmos votar este domingo.
Mas eu até entendo, Lisboa e Porto em si, as cidades, estão bem, o resto do país e dos votos não contam para essas mentes iluminadas, até porque muitos dos eleitores residem ali. Os outros, que votem ou não, este domingo ou no próximo, tanto faz. E com base nos resultados de dia 8, vamos ter um de dois casos: se agradarem aos ditos, haverá campanha para que não se gaste dinheiro nem se desviem esforços para se votar no dia 15; mas se não agradarem...
E como muitos têm lembrado, não é estranho que só possa haver previsões depois de fecharem as urnas nos Açores, para não influenciar os eleitores, que não se possa fazer propaganda num certo raio das secções de voto – a menos que o nosso nome seja Mário Soares... – também para não influenciar ninguém, mas que a lei que previu tudo isto não tivesse em conta o adiamento do ato eleitoral em algumas zonas?
Passemos aos nossos imigrantes, os tais que desde que se descobriu que dão votos ao Chega passaram a ser menosprezados e, até mesmo, insultados pelos “bem-pensantes” cá da terra. E não bastava o absurdo de terem de ir votar presencialmente no consulado mais próximo, que muitas vezes de próximo nada tem. Não, houve queixinhas da campanha do Santinho de que se estavam a organizar, com farnel e tudo, para fazerem essa viagem em grupo, tipo excursão em dia de festa – ou de greve...
Segundo parece, isso é “coação da liberdade de voto”. Mas os muitos insultos a que os apoiantes do seu opositor estão sujeitos e os cenários apocalípticos que preveem caso não ganhe o candidato “certo” são o quê?
Quanto ao Santinho, pois, com tantos apoios, só pode ser um forte candidato não a Presidente mas à beatificação. E alguns deles espantaram-me muito a sério, como o de Paulo Portas. Será que esse senhor se esqueceu de que durante um bom período era ele o fascista, o nazi e outros mimos similares? Francamente, não entendo, muitos dos que falaram a apoiar este candidato tinham feito bem melhor em ficar calados, não apoiando ninguém. É que, muito francamente e ao contrário do que dizem, a escolha não é entre Bom e Mau, é entre dois Maus.
Diz, então, o dito Santinho que o país precisa de estabilidade, subentendendo-se, claro, ser ele o único capaz de a trazer. Curiosamente, ninguém lhe perguntou se isso significa que vai manter este Governo até ao fim ou se tenciona fazer uma à Sampaio mal o PS ponha a casa em ordem. A minha aposta vai neste sentido e a muito curto prazo.
E o Montenegro que não venha dizer que não houve sinais de alerta, nas pouquíssimas vezes em que este candidato disse qualquer coisa com “sumo”, foi para afirmar que vetaria qualquer mudança à lei da nacionalidade e, melhor ainda, alterações à lei laboral por “não estarem no programa eleitoral”. E a geringonça do seu amigalhaço Concordia estava?
A ganância de criticar o Ventura atingiu extremos absurdos e, até, realmente chocantes. Ouvimos de tudo. Por exemplo, se fosse Presidente, mudaria logo a Constituição – pois, é tão fácil que admira como ninguém o fez antes. Para parafrasear a Catarina (BE), uma criatura que nunca pensei vir a citar, “leiam a Constituição!”
Houve, também, inúmeros avisos de que se ele fosse eleito, acabavam-se as eleições livres, voltaríamos a viver em ditadura. Mais as comparações com o Trump, pelos vistos não sabem a diferença entre um regime presidencialista e um que não o é.
Mas esta semana li algo que, na minha opinião, ultrapassa todas as regras da civilização. A propósito de Ventura ter falado em que se deviam adiar as eleições, houve quem escrevesse, “pois, tem medo de uma chuvinha”. E seguiram-se uma data de comentários a concordar!
A sério, uma chuvinha? Há situações catastróficas por todo o país, incluindo a zona do Vale do Tejo após a Leonardo – e ainda vem aí a Marta... Muitos milhares de cidadãos portugueses perderam as casas ou estão em risco de vir a perdê-las, há empresas e culturas destruídas por todo o lado, houve mortes, até, e falam numa “chuvinha”?
Enfim, quaisquer que sejam os resultados destas eleições, uma coisa é certa, o Ventura já ganhou. Primeiro, passou à segunda volta, contra todos os vaticínios dos especialistas. E depois vai poder dizer que os votos que obteve foram votos nele, ao passo que muitos dos votos no Seguro não foram nele mas apenas contra o Ventura... Bom, segundo parece, já o tem dito.
A única coisa boa a vir disto tudo é a saída do Senhor de Belém. Sim, diz que vai dar aulas na Califórnia. Pequeno detalhe, vai precisar de um visto para o poder fazer e, até, para entrar naquele país...
Para a semana: Absurdos do mundo atual, 2 Mais casos que, infelizmente, não são anedota.
