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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

28
Fev26

227 - Censura mais uma vez

Luísa

Falou-se muito, nos últimos tempos, em vedar o acesso às redes sociais a menores de 16 anos com a intenção manifesta de os proteger. Ora na minha opinião qualquer tentativa neste sentido é absurda, inútil e, se devidamente analisada, perigosa.

Vamos por partes, começando pelo inútil.

Será que os proponentes desta ideia acham mesmo que os jovens vão-se deixar ficar fora do que é, para muitos, o seu mundo real? Ou estarão a esquecer-se de que se trata de uma geração muitíssimo habituada a um certo tipo de tecnologia e que se o caminho direto lhes for vedado encontram rapidamente outro?

Há a ideia bem antiga de que os criminosos estão sempre um passo à frente das forças da ordem em termos de ferramentas e novos tipos de crime. E com a enorme quantidade e variedade de cibercrimes que assolam a sociedade atual, será uma proibição de acesso funciona? A China e a Coreia do Norte, essas boas democracias, têm-no tentado. Ou antes, fizeram até algo à partida mais fácil de implementar, impedir o acesso à Internet. Pois... não resultou. Sim, as grandes massas estão cortadas dela, mas há sempre quem lhe consiga aceder.

Resumindo, é pior do que “tapar o sol com uma peneira”.

Passando ao absurdo, não é estranho que, face ao conteúdo de vários programas televisivos muito populares, o perigo esteja só nas redes sociais? E já prestaram atenção às letras de muitas músicas muitíssimo na moda, sobretudo as de rappers?

Atenção, não estou a propor que se corte o acesso de jovens a tudo e mais alguma coisa, acho apenas curiosa esta dualidade de critérios.

Passando ao lado perigoso desta tentativa, começo por lembrar que não é a primeira que surge. Houve há bem pouco tempo a ideia espetacular de proibir as chamadas “fake news”, tentativa essa que soçobrou logo à partida quando foi preciso definir o que isso era e, sobretudo, quem decidiria que uma notícia era ou não falsa – pois, parece simples, ou é verdade ou não é, infelizmente a realidade em que vivemos é bem diferente, se for contra algum ódio de estimação vale tudo, mas se o visado for alguém da estima dos iluminados usuais, então é logo visto como falso.

A ideia subjacente, dizem, é proteger os jovens dos perigos das redes sociais, dando-se inúmeros exemplos de casos graves, alguns até fatais. Mas... será que essa proteção compete ao Estado? Bom, partindo do princípio que funciona, repito, em menos de nada surgiriam dúzias de substitutos das redes sociais sujeitas a restrições e essas, sim, totalmente desreguladas.

Acho estranhíssimo que esta ideia de proibir venha da esquerda – bom, estou a ser irónica, claro. Não seria bem melhor educar, tanto os jovens como as famílias e outros educadores? Mais ainda, sempre achei que a educação dos filhos deve pertencer à família, ao Estado compete o ensino – sim, são diferentes.

E sou totalmente contra o acesso livre e descontrolado de crianças à Internet, quer sejam redes sociais ou outros sites. É claro que muitos pais estão a quilómetros dos filhos em termos de saber usá-la, daí eu ter falado em educação também para os adultos. Mas muito francamente, se dão a miúdos de 7 ou 8 anos, ou ainda mais pequenos, telemóveis com todas as funcionalidades e mais alguma, estão à espera de quê? Contenção nessas idades?

Mas a principal ênfase da tal educação deveria estar em ensinar a resistir a pressões vindas de pessoas ou grupos que, muitas vezes, até nem conhecem e de quem nada sabem. Sempre me meteu confusão a popularidade de alguns desafios que alastram rapidamente e que são, no mínimo, estúpidos, sendo, até, muitas vezes, perigosíssimos. Porque será que tantos alinham, sabendo à partida que podem estar a arriscar a vida? Incluo também aqui as “proezas” cada vez mais idiotas e arriscadas feitas apenas para conseguir “likes”.

E há um outro elemento nesta proposta que é, de facto, um verdadeiro cavalo de Troia para os donos da verdade conseguiram o seu maior desejo, a eliminação de todas as ideias e discursos de que discordam.

Já pensaram como é que uma rede social “sabe” que quem lhe está a aceder tem mais de 16 anos? Pois, usando um documento de identificação – caso vá para a frente, prevejo mais um negócio muitíssimo lucrativo saído de uma proibição feita, dizem, com boas intenções.

Ou seja, qualquer um de nós que queira continuar a aceder às suas redes sociais tem de apresentar um documento de identificação oficial. Dir-me-ão, a solução é fácil, não vamos às ditas. Pois, daí isto ser um cavalo de Troia, é que, uma vez implementado este sistema, o mais provável é ser alargado a toda a Internet para evitar que as pessoas, coitadinhas, acedam a conteúdos nocivos...

Se esta proposta tivesse sido feita por alguém da chamada direita, ou, pior ainda, extrema-direita, já estariam todos a berrar censura e a evocar o Salazar, o fascismo e sabe-se lá que mais. Mas como foi o Sánchez, esse “bom rapaz” socialista, então está tudo bem, só se opõe quem não é boa gente.

O mais giro é que muitos dos que aplaudem fartaram-se de vociferar quando se propôs proibir a presença de telemóveis nas salas de aulas. Pois, é claro que as criancinhas só os usam ali para tirar dúvidas da matéria que está a ser lecionada...

Se a intenção é, de facto, proteger as crianças e jovens, então a chave está na educação e não na proibição. Mas atendendo ao historial recente de tentativas similares de proibir elementos da Internet, sempre a bem das pessoas, claro, fico com grandes dúvidas! Sobretudo por vir e ser aplaudida pelos do costume, para quem banir opiniões que acham “erradas” é mais do que legítimo, só é censura se for contra eles.

Já agora, fala-se sempre tanto da censura no Estado Novo, será que há algum estudo sobre a censura – e houve-a e de que maneira – nos anos imediatamente a seguir ao 25 de abril?

Para a semana: Novo Presidente e não só A tomada de posse de Seguro e outros assuntos atuais

21
Fev26

Aburdos do mundo atual

Luísa

Sim, há uma nova alteração no tema proposto, mas tive conhecimento de alguns destes casos esta semana e não resisti a antecipar o post previsto para a próxima.

Começo pela “religião da paz e do amor”, a tal que passa a vida a exigir respeito e tolerância e a ver islamofobia em tudo e mais alguma coisa.

Sabiam que decorre em Nova Iorque uma petição para proibir a existência de cães em toda a cidade porque não são halal e a sua presença pode ser insultuosa para os muçulmanos? E já tem muitas, mesmo muitas assinaturas e nem sequer são todas dos ditos potenciais “ofendidos”! Ou seja, o woke no seu melhor.

Continuando na tolerância, também decorre em Londres uma petição para proibir o consumo público de comida e bebida durante o Ramadão porque, claro, pode ofender os muçulmanos. E não se referem a apenas ir a comer pela rua, querem que cafés, restaurantes e tudo o mais sigam essa proibição.

Pequeno detalhe, ambas estas cidades têm Presidentes de Câmara que são muçulmanos e que, claro, não falaram contra a intolerância demonstrada por estas petições.

Mas o prémio nesta área vai para o Presidente da Áustria. Segundo diz este “senhor”, perante o aumento da islamofobia na Europa – palavras dele – as mulheres europeias deviam passar a usar hijab como sinal de solidariedade para com o Islão!

Sim, houve em tempos em Londres um partido que concorreu a eleições locais com um único tema, exigir o uso da burca a todas as mulheres que ali vivessem ou por ali passassem – e quase ganharam... Mas de radicais islâmicos tudo se espera. Agora ouvir algo assim do representante máximo de um país europeu, francamente, nunca me ocorreu.

Só mais duas coisinhas. Primeiro, todo o gato-sapato, incluindo o “génio” da ONU, desejou aos muçulmanos um bom Ramadão. Mas como os calendários lunares têm destas coisas, a Quaresma começou exatamente no mesmo dia... só que não ouvimos ninguém desejar boa Quaresma aos cristãos. E como não há duas sem três, terceira coincidência, o Ano Novo Chinês também foi nesse mesmo dia, 17 de fevereiro! E passou despercebido a essas sumidades.

A última tem a ver com as nossas escolas. Passamos a vida a ouvir dizer que em Portugal o ensino é laico, elimina-se, por isso, a palavra “Natal” porque pode ofender... Mas não há problema em haver escolas que servem, à nossa custa, comida halal? Não estamos a falar de problemas alimentares, tipo intolerância ao glúten, mas sim de preceitos religiosos. Já agora, judeus e testemunhas de Jeová também têm regras alimentares rígidas, porque será que nunca se pensou servir refeições que as cumprissem?

Passando à Palestina e aos muitos protestos dos “bem-pensantes”, o que me intriga mais é o dos “Queers for Palestine” – basicamente, homossexuais e o resto do pessoal do alfabeto a berrarem a favor dor palestinianos, leia-se, do Hamas.

Será que não sabem que para os muçulmanos a homossexualidade é punida com a morte? E que tem havido numerosos casos em Gaza em que os acusados – sim, acusados, nem é preciso provas nem julgamento – são atirados de um telhado e deixados a morrer das lesões sofridas, o que pode levar imenso tempo?

Aliás, a ideia geral é de que isso é uma parvoíce do Ocidente e que só existe porque falta um homem em casa a pôr a devida ordem... foi o que ouvi a mais de um guia quando viajei por esses países. E os que se queixam de que “a minha família não me aceita”, experimentem andar com um homossexual muçulmano e vejam a aceitação que têm por parte da família e amigos dele.

Curiosamente, em todo o Norte de África a homossexualidade só é legal num país... pois, Israel! Sim, os judeus ortodoxos não a aceitam, mas limitam-se a expulsar da sua comunidade os visados.

Mudando de assunto, alguém é capaz de me explicar o voto de pesar na nossa Assembleia da República pela morte do enfermeiro americano pelo ICE? Isso diz-nos respeito? Sobretudo atendendo a que ainda não houve nenhum pelas várias vítimas das tempestades que nos assolaram, algumas delas evitáveis, como as quedas de telhados por falta de ajuda pronta.

Francamente, eu acharia bem mais apropriado um voto de pesar pela morte do Orelha, sobretudo atendendo a que temos ali o PAN! Para quem não sabe, era um cão comunitário algures no Brasil que foi brutalmente espancado por quatro adolescentes, acabando por morrer, um crime que chocou e indignou todo esse país e não só.

E por falar em animais, será que os apoiantes da comida halal nas escolas sabem como se mata um animal para que o seja? Pois, tem de estar totalmente consciente e mata-se degolando-o e deixando-o sangrar até morrer.

Finalmente, a Sport TV na casa oficial do Primeiro-Ministro e na Assembleia da República. Começo por estranhar só ser notícia agora, uma vez que, segundo parece, o contrato data de 2017, ou seja, durante o mandato do Concordia, tendo sido recentemente renovado.

Primeiro, quem é que vive, de facto, na residência oficial do Primeiro-Ministro? Pergunto porque sempre achei que, uma vez que temos de pagar pela segurança, manutenção, etc. de uma série de residências oficiais, quem tem direito a elas devia ser obrigado a residir ali, em vez de andarmos a pagar sabe-se lá o quê pelas suas habitações usuais – no mínimo, a segurança.

Segundo, Sport TV, a sério? É realmente uma necessidade para quem nos (des)governa? Francamente, não consigo entender a lógica, acho apenas que é um insulto para muitos portugueses que mal têm para comer, muito menos para pagar pacotes premium de televisão por cabo.

Para a semana: Censura, mais uma vez A propósito da proibição de redes sociais até uma certa idade "para bem das criancinhas".

14
Fev26

225 - Casos diversos dos últimos dias

Luísa

Decidi alterar o tema anunciado, apesar de alguns do casos de que irei falar poderem entrar na classificação de absurdos.

Comecemos pelo resultado das eleições presidenciais. Fartei-me de ouvir que Seguro – o Santinho – foi o mais votado de sempre numas eleições desse tipo. E até é verdade, mas...

Recordemos que esta é apenas a segunda vez em que se torna necessária uma segunda volta. E da primeira vez em que tal aconteceu, o célebre confronto Mário Soares / Freitas do Amaral, os apoios estavam divididos de um modo muito mais equitativo: PS e CDU de um lado, PSD e CDS do outro. Mais ainda, na altura tanto o PCP (o tal que nunca concorria em nome próprio) e o CDS eram partidos com uma boa percentagem do eleitorado.

Desta vez, nada disso aconteceu, tivemos de um lado apoios que iam da extrema-esquerda aos anteriores fascistas – lembro que Paulo Portas foi muitas vezes apelidado desse modo – e do outro... o papão. Mais ainda, o partido que o apoia tem apenas 7 anos de existência, não sendo, pois, um dos dinossauros que se lhe opunham.

E não sei se repararam, mas os votos em branco triplicaram em relação à primeira volta. Não são muitos, cerca de 180 mil eleitores, mas pensemos que são pessoas que saíram de casa com mau tempo e tudo para mostrarem o seu enorme desagrado pela “qualidade” dos candidatos.

O mais giro, bom, pelo menos para mim, é que me ficou a sensação de que jornalistas e comentadores ficaram bem mais entusiasmados com este resultado do que os políticos. Será que estes perceberam, finalmente, os problemas que o novo dono de Belém lhes irá trazer?

É claro que tivemos a continuada “análise” dos eleitores, sempre para dizerem que os inteligentes, os jovens e as mulheres não votam no “mau”... Juro que adorava saber como fazem essas distinções, é que, com base nos resultados, o país está a estupidificar-se a uma velocidade galopante.

E por falar em eleitores, segundo li houve muitos emigrantes portugueses que, apesar de terem feito uma longa deslocação, não puderam votar porque o respetivo Consulado estava fechado. Juntando-se a isso a obrigatoriedade do voto presencial, fica-me a sensação de que não se quer que votem...

Passemos agora ao longuíssimo comboio de calamidades que assolou o país de Norte a Sul, não tendo escapado nenhuma área, apesar de nem todas serem afetadas com o mesmo grau de gravidade (felizmente!).

Já falei disto anteriormente, nomeadamente do enorme atraso com que o Governo reagiu – embora ache que o PS faria bem melhor em estar calado, nos seus – muitos – anos de governação a resposta que deu a várias catástrofes deixou mesmo muito a desejar.

Mas em vez de apontar o dedo, talvez fosse melhor começar, isso sim, a ver o que correu mal, não, repito, para atribuir culpas mas sim para ver o que se pode mudar e melhorar para menorizar os efeitos caso volte a acontecer.

As comunicações, por exemplo. Ficou bem clara a necessidade de haver telefones por satélite em determinados locais – bombeiros, Câmaras, Juntas de Freguesia, por exemplo – para garantir que pelo menos quem vai em socorro das populações possa comunicar entre si. Já agora, o comentário do Senhor de Belém sobre os operadores foi, para além de desnecessário, totalmente descabido.

Segundo, planear a construção de albufeiras de emergência, digamos, para onde parte do caudal dos grandes rios seja desviado caso haja o risco de uma cheia. Segundo li, a situação em Coimbra podia ter sido bem melhor se tivesse sido construída a barragem que o Senhor Concordia recusou.

Estudar, também, a construção de novos diques nas margens de rios mais suscetíveis a inundarem. Sim, sei que parte dos do Mondego ruíram, mas já há, certamente, modos de construção mais fiáveis. É claro que uma parte dos problemas de povoações alagadas veio de haver construção na chamada “planície de inundação” do respetivo rio. Mas como seria incomportável deslocar todos essas habitações e empresas, estudemos, isso sim, modos de minorar os efeitos de um rio com caudal excessivo.

Apesar de tudo tivemos sorte, parou de chover na altura “certa” para a barragem da Aguieira – um pouco mais de água e poderia ter cedido, com consequências terríveis.

Talvez fosse, também, boa ideia agilizar a intervenção das Forças Armadas em situação de catástrofe. Segundo li, estavam a postos desde a primeira hora, só que, infelizmente, nada podia fazer por não terem recebido ordens nesse sentido. E como, teoricamente, pelo menos, o Residente de Belém é o Comandante em Chefe das Forças Armadas, talvez seja boa ideia o Santinho ter isso em mente quando tomar posse.

E para o caso de voltar a haver uma destruição parcial da rede de alta tensão, estudar, a curto prazo, alternativas que se possam aplicar de imediato – muito francamente, as pessoas andarem desesperadas à procura de geradores não é, certamente, ideal. Quanto a passarmos a ter essa rede enterrada, bom, nunca seria uma solução rápida. Para além dos custos, haveria, certamente, muitas queixas, providências cautelares e similares para impedir a existência desses cabos no subsolo.

Mesmo assim, houve boas atuações no terreno por parte de presidentes de Juntas de Freguesia e de Câmaras, que se preocuparam mais em agir do que em fazer política e discursos. Isto só reforça a minha ideia de que Portugal não precisa de uma regionalização mas sim de uma descentralização a sério.

Quanto à demissão da Ministra.., bom, muito francamente pareceu-se ter sido a solução “fácil”. Ou seja, como temos visto Governo atrás de Governo, seja ele PS ou PSD, quando as coisas correm mal o responsável por essa pasta demite-se ou é demitido e fica tudo na mesma.

Finalmente, não deixa de ser curioso o comentário do Senhor de Belém sobre as seguradoras. É que muito que demorem, suspeito que os afetados verão bem mais depressa esses pagamentos do que os do Estado... E já agora, nas muitas zonas sem luz, como é que as pessoas se inscrevem no tal Portal rápido a pedir ajuda?

Para a semana: Censura, mais uma vez A propósito da proibição de redes sociais até uma certa idade "para bem das criancinhas".

07
Fev26

224 - Presidenciais e outros temas políticos

Luísa

Aquando da primeira volta decidi respeitar o famoso “dia de reflxão”, apesar de o considerar totalmente caricato, sobretudo num mundo com redes sociais para todos os gostos e feitios. Mas desta vez, como, de acordo com a nossa fabulosa Lei Eleitoral, os resultados que irão sair amanhã não irão influenciar quem vai votar na próxima semana, aqui estou eu para falar destas eleições, à mistura com a catástrofe que assola atualmente o nosso país.

Começo por dizer que acho absurdo não se terem adiado as eleições. E não me digam que a dita lei não o permite, bastava todos os Presidentes de Câmaras Municipais pedirem um adiamento – ao contrário das Juntas de Freguesia, não têm de explicar detalhadamente o porquê do pedido – e haveria adiamento em todo o país.

Dir-me-ão que em muitas áreas assoladas pelas várias tempestades existem condições para se garantir a realização da votação. Não discordo, mas acham mesmo que é essa a grande preocupação de quem ali vive? É claro que se a intenção é bater o recorde da usualmente já muito elevada abstenção, então, parabéns, estão no bom caminho. Bom, para o Senhor de Belém, o que se está a passar e a votação durante a epidemia COVID são a mesma coisa, por isso não há o menor problema em irmos votar este domingo.

Mas eu até entendo, Lisboa e Porto em si, as cidades, estão bem, o resto do país e dos votos não contam para essas mentes iluminadas, até porque muitos dos eleitores residem ali. Os outros, que votem ou não, este domingo ou no próximo, tanto faz. E com base nos resultados de dia 8, vamos ter um de dois casos: se agradarem aos ditos, haverá campanha para que não se gaste dinheiro nem se desviem esforços para se votar no dia 15; mas se não agradarem...

E como muitos têm lembrado, não é estranho que só possa haver previsões depois de fecharem as urnas nos Açores, para não influenciar os eleitores, que não se possa fazer propaganda num certo raio das secções de voto – a menos que o nosso nome seja Mário Soares... – também para não influenciar ninguém, mas que a lei que previu tudo isto não tivesse em conta o adiamento do ato eleitoral em algumas zonas?

Passemos aos nossos imigrantes, os tais que desde que se descobriu que dão votos ao Chega passaram a ser menosprezados e, até mesmo, insultados pelos “bem-pensantes” cá da terra. E não bastava o absurdo de terem de ir votar presencialmente no consulado mais próximo, que muitas vezes de próximo nada tem. Não, houve queixinhas da campanha do Santinho de que se estavam a organizar, com farnel e tudo, para fazerem essa viagem em grupo, tipo excursão em dia de festa – ou de greve...

Segundo parece, isso é “coação da liberdade de voto”. Mas os muitos insultos a que os apoiantes do seu opositor estão sujeitos e os cenários apocalípticos que preveem caso não ganhe o candidato “certo” são o quê?

Quanto ao Santinho, pois, com tantos apoios, só pode ser um forte candidato não a Presidente mas à beatificação. E alguns deles espantaram-me muito a sério, como o de Paulo Portas. Será que esse senhor se esqueceu de que durante um bom período era ele o fascista, o nazi e outros mimos similares? Francamente, não entendo, muitos dos que falaram a apoiar este candidato tinham feito bem melhor em ficar calados, não apoiando ninguém. É que, muito francamente e ao contrário do que dizem, a escolha não é entre Bom e Mau, é entre dois Maus.

Diz, então, o dito Santinho que o país precisa de estabilidade, subentendendo-se, claro, ser ele o único capaz de a trazer. Curiosamente, ninguém lhe perguntou se isso significa que vai manter este Governo até ao fim ou se tenciona fazer uma à Sampaio mal o PS ponha a casa em ordem. A minha aposta vai neste sentido e a muito curto prazo.

E o Montenegro que não venha dizer que não houve sinais de alerta, nas pouquíssimas vezes em que este candidato disse qualquer coisa com “sumo”, foi para afirmar que vetaria qualquer mudança à lei da nacionalidade e, melhor ainda, alterações à lei laboral por “não estarem no programa eleitoral”. E a geringonça do seu amigalhaço Concordia estava?

A ganância de criticar o Ventura atingiu extremos absurdos e, até, realmente chocantes. Ouvimos de tudo. Por exemplo, se fosse Presidente, mudaria logo a Constituição – pois, é tão fácil que admira como ninguém o fez antes. Para parafrasear a Catarina (BE), uma criatura que nunca pensei vir a citar, “leiam a Constituição!”

Houve, também, inúmeros avisos de que se ele fosse eleito, acabavam-se as eleições livres, voltaríamos a viver em ditadura. Mais as comparações com o Trump, pelos vistos não sabem a diferença entre um regime presidencialista e um que não o é.

Mas esta semana li algo que, na minha opinião, ultrapassa todas as regras da civilização. A propósito de Ventura ter falado em que se deviam adiar as eleições, houve quem escrevesse, “pois, tem medo de uma chuvinha”. E seguiram-se uma data de comentários a concordar!

A sério, uma chuvinha? Há situações catastróficas por todo o país, incluindo a zona do Vale do Tejo após a Leonardo – e ainda vem aí a Marta... Muitos milhares de cidadãos portugueses perderam as casas ou estão em risco de vir a perdê-las, há empresas e culturas destruídas por todo o lado, houve mortes, até, e falam numa “chuvinha”?

Enfim, quaisquer que sejam os resultados destas eleições, uma coisa é certa, o Ventura já ganhou. Primeiro, passou à segunda volta, contra todos os vaticínios dos especialistas. E depois vai poder dizer que os votos que obteve foram votos nele, ao passo que muitos dos votos no Seguro não foram nele mas apenas contra o Ventura... Bom, segundo parece, já o tem dito.

A única coisa boa a vir disto tudo é a saída do Senhor de Belém. Sim, diz que vai dar aulas na Califórnia. Pequeno detalhe, vai precisar de um visto para o poder fazer e, até, para entrar naquele país...

Para a semana: Absurdos do mundo atual, 2 Mais casos que, infelizmente, não são anedota.

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