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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

24
Jan26

222 - Pensar fora da caixa

Luísa

Esta semana decidi esquecer a política e falar de alguns assuntos que, se optássemos por soluções diferentes – e nalguns casos já usadas noutros países, poderiam ajudar a nossa sociedade.

Comecemos pela habitação. Fala-se muito em como os jovens não conseguem comprar ou, até, alugar uma casa devido ao seu elevado preço, sendo pois forçados a viver até tarde em casa dos pais. Ora acontece que em muitos países ocidentais jovens profissionais partilham casas arrendadas durante uns tempos, anos, até, acabando por ter a sua própria casa, comprada ou alugada, bem mais tarde.

Poderíamos pensar que isso só acontece com universitários, mas não. Lembram-se da série Friends, que tão popular foi por cá e que está agora em reposição? Ou a série Chicago Fire, onde vários bombeiros partilham um apartamento. E muitas outras séries e filmes, apesar de o caso não ser exclusivo dos EUA.

Há várias razões para isso, sendo a falta de dinheiro uma delas, sobretudo se quiserem viver numa zona mais central – e, obviamente, mais cara – para estarem perto de todo o tipo de diversões ou, muito simplesmente, do emprego. Assim, podem ir poupando uma parte do seu salário ou, apenas, esperar até terem singrado o suficiente na vida profissional para poderem sustentar a sua própria casa.

A figura de “apartamento partilhado” existe em Portugal, mas trata-se de um programa da Segurança Social para pessoas sem-abrigo ou migrantes em risco. O que refiro aqui é totalmente diferente, seriam os arrendatários a suportar, entre eles e por igual, todas as despesas do apartamento.

Penso que esta modalidade não existe – ou, pelo menos, não está muito divulgada – por duas razões principais. A primeira, não ser costume e os jovens que a poderiam usar não pensarem sequer nisso. A segunda e mais importante, o não haver um enquadramento jurídico para esta partilha de aluguer. A opção atual é o detentor do contrato de aluguer incluir uma cláusula a indicar que X e Y estão, também, autorizados a usar essa propriedade. Ou, então, usar a modalidade de aluguer de quartos... nada ideal para este caso.

Talvez isto seja algo a ter em conta pelos nossos governantes, sim, todos gostariam de ter de imediato a sua casinha mas esta partilha resolveria, a curto prazo, muitos problemas.

Continuando com o tema de “partilhar”, passemos às viaturas. Todos se queixam do excesso de carros e dos enormes engarrafamentos que provocam só que, na prática, pouco ou nada se faz exceto bradar por mais transportes públicos que, sejamos realistas, nunca serão suficientes nem chegarão a todo o lado.

Uma opção seria a partilha do carro. Se andarmos à hora de ponta veremos, certamente, muitos veículos a circularem – ou antes, no para / arranca – com apenas uma pessoa a bordo. E quantos irão, até, para a mesma zona?

Sendo assim, que tal criar um programa que ponha em contacto pessoas que vivem e trabalham na mesma área? Bom, o local de trabalho poderá ser menos importante, há bem mais probabilidades de estar servido pelos tais transportes públicos. Formar-se-iam, assim, grupos de 4 ou 5 pessoas, retirando 3 a 4 alguns veículos da estrada nos dias úteis.

Penso já ter falado deste assunto, tendo referido que seria uma boa tarefa para as Juntas de Freguesia a inscrição dos candidatos a esta partilha e a sua análise prévia, de modo a tentar juntar os que vivem mais perto uns dos outros.

Outra questão tem a ver com pessoas que só usam esporadicamente o seu carro. Em alguns países, como a Austrália, há aplicações, como a GoGet, que permitem usar um veículo, seja carro ou carrinha, por umas horas ou um dia. Sim, soa a aluguer de viaturas, mas é muito mais rápido e, para alugueres curtos, fica bem mais económico. Mais ainda, muitos destes sistemas adotam a solução de entrega não no ponto de origem, apenas dentro de uma determinada área – ou seja, pode pedir um carro para levar uma série de compras grandes para casa e deixá-lo ali, se estiver na zona estipulada...

Há, até privados que põem os seus veículos no sistema quando não os estão a usar – pense em todos os carros que passam o dia enfiados num estacionamento, só a ocupar espaço! É estranho, não é, que climáticos e similares nunca tenham proposto algo deste género?

Finalmente, os muitos cães e gatos que povoam os canis, supostamente à espera de serem adotados, na prática, como bem sabemos, para passarem o resto da vida em condições francamente más, é que por muito boa vontade que as associações que os recolhem tenham há falta de espaço para tantos animais e, muitas vezes, até de dinheiro para os sustentar.

Quando estive na Ilha de São Miguel o ano passado vi uma solução curiosa para gatos. Os abandonados ou vadios são esterilizados e depois levados para os vários miradouros da ilha, em zonas ermas. Há um pequeno abrigo com taças para água e comida, que ali lhes vão levar, mas estão à solta na natureza e são, até, uma atração.

É claro que é impossível fazê-lo com cães, mas não haverá outra solução para estes para além da adoção individual?

Por exemplo, há inúmeros estudos que mostram que a companhia de um cão traz grandes benefícios a idosos. Que tal os lares adotarem um ou mais animais que seriam de todos os residentes? O custo da sua alimentação pouco pesaria nas despesas mensais e aposto que haveria disputas para ver quem os levaria a passear! É claro que nem todas as raças servem para este fim e penso, também, que cães muito novos talvez não fossem boa ideia. Já agora, o ronronar de um gato é extremamente calmante...

O mesmo poderia ser feito com escolas, sobretudo nas turmas com crianças mais novas. É claro que há os fins de semana e as férias, mas estou certa de que se arranjaria uma solução entre pais, professores e restante pessoal. E haveria a vantagem adicional de permitir o contacto com cães e gatos a crianças que, por razões diversas, não os podem ter.

Para a semana: Presidenciais e outros temas políticos Apoios e ações para a segunda volta e outros assuntos da atualidade

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