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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

31
Jan26

223 - E continuamos na mesma

Luísa

Por razões óbvias, decidi alterar o tema desta semana, até porque ainda dá tempo para falar da segunda volta das eleições presidenciais antes da data da sua realização.

Começo por dizer que as minhas críticas não se dirigem ao “antes” da chegada da tempestade Kristin. Talvez se tenha subestimado um pouco a sua intensidade – afinal parece que foi um ciclone de categoria 3 – mas pouquíssimo ou nada se poderia ter feito para minorar o seu impacto.

O problema, como sempre, esteve no “depois”, altura em que constatámos, mais uma vez, não estarmos preparados para nenhum desastre natural, como tempestades, incêndios, sismos, ou não natural, um apagão, por exemplo.

E não estou a criticar bombeiros, GNR e outras forças locais que se esforçaram ao máximo para acudir ao máximo possível de situações.

Comecemos pela declaração de calamidade pública que surgiu apenas 30 horas depois, isto apesar de se saber desde os primeiros instantes que a situação era gravíssima em várias zonas do país. Para quem não o sabe ou já não se recorda, aqui fica o que implica essa declaração, prevista na Lei de Bases da Proteção Civil:

- a mobilização de pessoas por um determinado período de tempo;

- restrições ou condicionamentos à circulação de pessoas;

- fixação de cercas sanitárias e de segurança;

- constrangimentos / limites ao uso de serviços de transportes públicos, comunicações e abastecimento de água e energia, assim como ao acesso de bens de primeira necessidade.

A declaração da situação de calamidade "legitima o livre acesso dos agentes de proteção civil à propriedade privada, na área abrangida, bem como a utilização de recursos naturais ou energéticos privados, na medida do estritamente necessário para a realização das ações destinadas a repor a normalidade das condições de vida", estipula a lei.

 

Para mim, um dos pontos mais importantes seria o primeiro, “a mobilização de pessoas”. Era óbvio, repito, desde os primeiros instantes que a situação era gravíssima e que iriam faltar, necessariamente, meios para lhe fazer frente. Sendo assim, porque não usar os disponíveis e parados, como o Exército? Sim, sei que em certas zonas os militares estiveram presentes para ajudar, possivelmente por ser a sua área – lembro que a Base de Monte Real foi muito afetada e os militares aí residentes foram ajudar a Marinha Grande.

Mas foram exceções. Ouvimos falar em povoações isoladas por a estrada de acesso ter abatido e de que se desconhecia a situação. Será que a Engenharia Militar já não existe? As nossas Forças Armadas não têm meios de ultrapassar esse tipo de obstáculos para se poder chegar a essas pessoas?

Vimos, também, mais uma vez populares a tentarem cortar árvores que impediam a circulação, a tentarem fazer arranjos improvisados em telhados arrancados, enfim, a arriscarem-se, muitas vezes, para tentarem melhorar um bocadinho a situação em que se viam. Houve pedidos para lonas e similares para cobrirem telhados até haver hipótese de os arranjar, mas sem que se olhasse para a questão de quem as iria colocar. Mais uma vez, que tal enviar os nossos muitos soldados e respetivo equipamento para resolver essa questão?

Como temos ouvido, há muitas zonas sem água nem luz. E atendendo aos muitos postes de alta tensão que vimos partidos e que não são fáceis de substituir, é um problema que não terá uma solução em breve, pelo menos se usarmos modos convencionais de pensar. A questão da água está, segundo sei, a ser resolvida graças a geradores para manterem as bombas a funcionar, mas, mais uma vez, esta solução é lenta e não abrange todos.

E como não poderia deixar de ser, há roubos nas zonas afetadas, o que leva muitos a temerem deixar as suas casas ou empresas, por muito mau que seja o seu estado. O problema é que não há polícias em quantidade suficiente para ajudarem quem precisa e, ao mesmo tempo, patrulharem zonas enormes.

Quanto às comunicações... bom, as redes de telemóvel irem abaixo, tudo bem, é normal numa situação destas. Mas o abençoado SIRESP voltou a “brilhar” – pela negativa, claro. Como isto tem acontecido sempre que é necessário, não será altura de lhe arranjar uma alternativa, senão plena pelo menos temporária? Por exemplo, fornecer às juntas de freguesia telefones por satélite para que os residentes da zona possam contactar os serviços de emergência caso deles necessitem. E, porque não, serem o ponto de contacto entre familiares, recebendo e enviando mensagens. O mesmo para chefes de bombeiros e outras entidades no terreno, a serem usados quando tudo o mais falha.

Sei que temos a Proteção Civil – e falarei dela mais em detalhe num outro post – mas não faltará um organismo de cúpula que estude cenários de catástrofe de todos os tipos e as opções possíveis para minorar o sofrimento dos afetados por elas? Poderiam usar como modelo o que os Ministérios da Defesa de vários países fazem para situações militares ou o que vemos, por exemplo, em séries americanas passadas em hospitais em que há “calhamaços” com o que fazer em inúmeras situações anormais. É claro que esses cenários de nada servirão caso fiquem “no segredo dos deuses”, devendo, isso sim, ser entregues às diversas entidades chamadas a responder no terreno.

Nota final, o chamado “aproveitamento político” e a ação dos nossos governantes. Não me incomoda nada Primeiro-ministro e Ministros não terem ido logo às zonas afetadas, muito francamente, essas visitas pouca utilidade têm e transtornam, até, muitas vezes o desenrolar das operações. Seria bem mais útil vermos provas de que estão a trabalhar no assunto, a analisar cenários, a tomar decisões – e levar 30 horas a decretar calamidade pública é tudo menos isso...

Quanto aos dois candidatos presidenciais, fica-me a dúvida: se não tivessem aparecido, qual seria a reação da comunicação social? Aposto que choveriam críticas à sua “indiferença”. E, pequeno detalhe, não acharam curioso ver o senhor de Belém a elogiar a atuação de Montenegro? Não sei bem porquê, fiquei com a ideia de que só o fez para mostrar que está contra o candidato – sabem a quem me refiro – que tinha criticado o nosso PM...

Para a semana: Presidenciais e outros temas políticos Apoios e ações para a segunda volta e outros assuntos da atualidade

24
Jan26

222 - Pensar fora da caixa

Luísa

Esta semana decidi esquecer a política e falar de alguns assuntos que, se optássemos por soluções diferentes – e nalguns casos já usadas noutros países, poderiam ajudar a nossa sociedade.

Comecemos pela habitação. Fala-se muito em como os jovens não conseguem comprar ou, até, alugar uma casa devido ao seu elevado preço, sendo pois forçados a viver até tarde em casa dos pais. Ora acontece que em muitos países ocidentais jovens profissionais partilham casas arrendadas durante uns tempos, anos, até, acabando por ter a sua própria casa, comprada ou alugada, bem mais tarde.

Poderíamos pensar que isso só acontece com universitários, mas não. Lembram-se da série Friends, que tão popular foi por cá e que está agora em reposição? Ou a série Chicago Fire, onde vários bombeiros partilham um apartamento. E muitas outras séries e filmes, apesar de o caso não ser exclusivo dos EUA.

Há várias razões para isso, sendo a falta de dinheiro uma delas, sobretudo se quiserem viver numa zona mais central – e, obviamente, mais cara – para estarem perto de todo o tipo de diversões ou, muito simplesmente, do emprego. Assim, podem ir poupando uma parte do seu salário ou, apenas, esperar até terem singrado o suficiente na vida profissional para poderem sustentar a sua própria casa.

A figura de “apartamento partilhado” existe em Portugal, mas trata-se de um programa da Segurança Social para pessoas sem-abrigo ou migrantes em risco. O que refiro aqui é totalmente diferente, seriam os arrendatários a suportar, entre eles e por igual, todas as despesas do apartamento.

Penso que esta modalidade não existe – ou, pelo menos, não está muito divulgada – por duas razões principais. A primeira, não ser costume e os jovens que a poderiam usar não pensarem sequer nisso. A segunda e mais importante, o não haver um enquadramento jurídico para esta partilha de aluguer. A opção atual é o detentor do contrato de aluguer incluir uma cláusula a indicar que X e Y estão, também, autorizados a usar essa propriedade. Ou, então, usar a modalidade de aluguer de quartos... nada ideal para este caso.

Talvez isto seja algo a ter em conta pelos nossos governantes, sim, todos gostariam de ter de imediato a sua casinha mas esta partilha resolveria, a curto prazo, muitos problemas.

Continuando com o tema de “partilhar”, passemos às viaturas. Todos se queixam do excesso de carros e dos enormes engarrafamentos que provocam só que, na prática, pouco ou nada se faz exceto bradar por mais transportes públicos que, sejamos realistas, nunca serão suficientes nem chegarão a todo o lado.

Uma opção seria a partilha do carro. Se andarmos à hora de ponta veremos, certamente, muitos veículos a circularem – ou antes, no para / arranca – com apenas uma pessoa a bordo. E quantos irão, até, para a mesma zona?

Sendo assim, que tal criar um programa que ponha em contacto pessoas que vivem e trabalham na mesma área? Bom, o local de trabalho poderá ser menos importante, há bem mais probabilidades de estar servido pelos tais transportes públicos. Formar-se-iam, assim, grupos de 4 ou 5 pessoas, retirando 3 a 4 alguns veículos da estrada nos dias úteis.

Penso já ter falado deste assunto, tendo referido que seria uma boa tarefa para as Juntas de Freguesia a inscrição dos candidatos a esta partilha e a sua análise prévia, de modo a tentar juntar os que vivem mais perto uns dos outros.

Outra questão tem a ver com pessoas que só usam esporadicamente o seu carro. Em alguns países, como a Austrália, há aplicações, como a GoGet, que permitem usar um veículo, seja carro ou carrinha, por umas horas ou um dia. Sim, soa a aluguer de viaturas, mas é muito mais rápido e, para alugueres curtos, fica bem mais económico. Mais ainda, muitos destes sistemas adotam a solução de entrega não no ponto de origem, apenas dentro de uma determinada área – ou seja, pode pedir um carro para levar uma série de compras grandes para casa e deixá-lo ali, se estiver na zona estipulada...

Há, até privados que põem os seus veículos no sistema quando não os estão a usar – pense em todos os carros que passam o dia enfiados num estacionamento, só a ocupar espaço! É estranho, não é, que climáticos e similares nunca tenham proposto algo deste género?

Finalmente, os muitos cães e gatos que povoam os canis, supostamente à espera de serem adotados, na prática, como bem sabemos, para passarem o resto da vida em condições francamente más, é que por muito boa vontade que as associações que os recolhem tenham há falta de espaço para tantos animais e, muitas vezes, até de dinheiro para os sustentar.

Quando estive na Ilha de São Miguel o ano passado vi uma solução curiosa para gatos. Os abandonados ou vadios são esterilizados e depois levados para os vários miradouros da ilha, em zonas ermas. Há um pequeno abrigo com taças para água e comida, que ali lhes vão levar, mas estão à solta na natureza e são, até, uma atração.

É claro que é impossível fazê-lo com cães, mas não haverá outra solução para estes para além da adoção individual?

Por exemplo, há inúmeros estudos que mostram que a companhia de um cão traz grandes benefícios a idosos. Que tal os lares adotarem um ou mais animais que seriam de todos os residentes? O custo da sua alimentação pouco pesaria nas despesas mensais e aposto que haveria disputas para ver quem os levaria a passear! É claro que nem todas as raças servem para este fim e penso, também, que cães muito novos talvez não fossem boa ideia. Já agora, o ronronar de um gato é extremamente calmante...

O mesmo poderia ser feito com escolas, sobretudo nas turmas com crianças mais novas. É claro que há os fins de semana e as férias, mas estou certa de que se arranjaria uma solução entre pais, professores e restante pessoal. E haveria a vantagem adicional de permitir o contacto com cães e gatos a crianças que, por razões diversas, não os podem ter.

Para a semana: Presidenciais e outros temas políticos Apoios e ações para a segunda volta e outros assuntos da atualidade

17
Jan26

221 - Venezuela e similares

Luísa

Apesar de com algum atraso, pelo memos no caso da Venezuela, vou falar um pouco de algumas questões internacionais que têm ocupado os meios de comunicação, bom, isto nos poucos intervalos deixados pela campanha eleitoral, sondagens para todos os gostos e mil e um comentadores de ambas.

Comecemos pela Venezuela. Não entendo o espanto com que foi recebida a notícia da captura do Maduro, uma vez que o Trump disse repetidas vezes que o iria fazer. Mas o que não me espanta mesmo nada é o tipo de reações com que esse ato foi recebido.

A primeira indignação veio da “grave violação do direito internacional” que, curiosamente, só é evocado quando os Estados Unidos ou Israel estão mais ou menos envolvidos. Falou-se também muito da ilegalidade de “raptar” um governante legalmente eleito... bom, só se for à moda da Rússia, China e Cuba, os únicos países democráticos para a esquerda e os bem-pensantes usuais.

Pior ainda, já há vários anos que o Maduro não passava do líder de um grande cartel de droga, sobretudo para exportação para os EUA, garantindo assim, graças aos seus chorudos lucros, o apoio das Forças Armadas. Lembremo-nos que aquando da eliminação de lanchas rápidas usadas nesse tráfego o dito veio a público denunciar o ataque a “navios” venezuelanos.

Tivemos, depois, a enorme preocupação com as más condições da prisão onde aguarda julgamento, juntamente com a sua cúmplice, a mulher. Pelos vistos, as prisões venezuelanas repletas de presos políticos são verdadeiros hotéis de cinco estrelas, pelo menos nunca ouvimos a menor preocupação quanto ao modo como essas pessoas estavam a ser tratadas.

Veio, depois, a crítica de que Trump só tinha eliminado Maduro, deixando ativo o resto do seu governo. Até entendo isto, já tinham todos o seu discurso muito bem preparado para criticar a instalação de um governo fantoche dos americanos e tiveram de o meter na gaveta.

Temos, também, o petróleo venezuelano de que, diga-se de passagem, os EUA não têm a menor necessidade. O grande argumento, repetido à saciedade pela substituta do Maduro, é que pertence ao povo venezuelano. Pois, quando estava a ser entregue à Rússia a troco de sucata militar e sabe-se lá que mais ou vendido a preço de saldo à China para ir atenuando a enorme dívida contraída com este país, também sem que se saiba a troco de quê, estou certa de que o povo desfrutou dos lucros obtidos!

Não é giro que os mesmos que continuam a viver “à sombra da bananeira” da PIDE e do Salazar não tenham o menor problema em elogiar e apoiar as piores ditaduras desde que tenham a “cor” correta? E que os que tanto falam das prisões políticas no tempo da nossa ditadura  nada tenham a dizer quando se veem perante os muitos milhares presos, torturados e mortos na Venezuela? Isto para não falar da China...

Vimos, até, cúmulo dos cúmulos, manifestações na Europa e nos EUA a favor da libertação desse tão democrático e honesto senhor. Curiosamente, pouco ou nada se falou dos milhões que saíram daquele país para fugirem à fome, falta de medicamentos e perseguição política. E até nem seria difícil encontrá-los, a Colômbia, por exemplo, está cheia deles!

Como último detalhe, adorei o pânico devido à escolta de um petroleiro da Venezuela por um navio de guerra e um submarino russos – pois, deviam ter ficado em casa, viu-se, mais uma vez, que se lhe fizermos frente a sério a Rússia recua – e se estão a pensar na Ucrânia, lembro que durante vários dias a única reação da União Europeia e do Biden foi oferecer asilo político ao Zelensky, uma aprovação tácita da ocupação total desse país pelos russos.

Passemos, agora, ao segundo tema, o Irão, mais uma vez um belíssimo escaparate da hipocrisia da esquerda e não só. Foram precisos vários dias de manifestações em massa por todo esse país para a nossa comunicação social lhes dedicar um niquinho de tempo. E, mais uma vez, os que se gabam da coragem precisa para lutar contra Salazar nada dizem da dos muitos iranianos que arriscam, eles sim, a vida nestas manifestações.

Não o digo à toa, já terão morrido mais de 1500 e, segundo ouvi hoje, as famílias só recebem os corpos se pagarem uma choruda quantia ao governo! Bom, parece que aprenderam com os seus amiguinhos chineses, na China as famílias dos presos condenados à morte recebem a conta das balas usadas.

A Internet está cheia de memes a comparar as ruas cheias de gente a berrar pela Palestina e as mesmas ruas em relação ao que se passa no Irão. Mais ainda, suspeito que se os EUA se envolverem, então, sim, teremos manifestações enormes a favor... do atual regime. Bom, já há alguns protestos de comentadores desde que surgiu o filho do xá, segundo parece o regime dos ayatollahs tem sido um brilharete de democracia e direitos humanos comparado como o que havia antes da queda do xá, sobretudo para as mulheres.

Não nos esqueçamos que o Bloco de Esquerda, o tal da “lei do piropo” – com penas de prisão de até 3 anos – esteve sempre calado em relação ao modo como as mulheres são tratadas no Irão. E quando uma delas foi presa, torturada e morta por tirar o lenço em público, vimos algum protesto? Foi considerada uma heroína por essas boas “feministas”? Bom, não me espanta nada dizerem, não nos esqueçamos de que estiveram contra a proibição da burca porque esta é um elemento “cultural”.

Só espero que, caso o regime iraniano caia, a Europa não tenha a brilhante ideia de oferecer asilo político aos seus líderes, correu tão bem quando foi o Komeini!

Resumindo, para os “donos da verdade”, só se deve falar nas situações que eles aprovam ou desaprovam e a defesa da liberdade dos povos é feita com o tipo de tagarelice a que a ONU, infelizmente, nos tem habituado ou com “flotilhas” e similares.

Para a semana: Pensar fora da caixa Fala-se muito na rapidez com que tudo muda atualmente, mas quando se trata de agir... a base continua a ser a mesma

10
Jan26

220 - Presidenciais, SNS e não só

Luísa

Com o início da campanha para as eleições presidenciais – quem diria que foi só agora! – achei que seria uma boa altura para falar um pouco disso, até porque para a semana temos o “dia de reflexão”, algo que nunca entendi, diga-se de passagem, muito menos havendo a possibilidade de votar antecipadamente, ou seja, em plena campanha eleitoral, e numa época de redes sociais impossíveis de controlar.

Começo, claro, pelo boletim de voto e o célebre caso dos 3 candidatos que não deviam lá estar. Fui ler sobre o assunto e, espanto dos espantos, parece que a culpa até nem é totalmente da CNE. É que o prazo para os rejeitados apresentarem recurso acabava a 2 de janeiro e a partir do dia 5 os boletins tinham de estar prontos. Pior ainda, esses prazos estão definidos na lei eleitoral!

É claro que dava tempo, acho eu e muito boa gente, mas a CNE não deve ter querido ser acusada de não ter os boletins prontos a tempo e horas, isto caso houvesse algum imprevisto – ou uma greve...

Analisando este caso, primeiro, acho totalmente absurdo haver tantos prolongamentos de prazos e recursos numa coisa tão simples: ou têm as assinaturas até à data anunciada ou não têm. Segundo, quem é que teve a brilhante ideia de pôr estes prazos tão apertados na lei eleitoral?

Fica-me, também, uma dúvida: o que é que a CNE tenciona fazer quanto ao ato eleitoral? Vai pôr à porta dos locais de voto um cartaz com os nomes desses 3 e a indicação de que não são candidatos? Enviaram essa informação nos envelopes do voto por antecipação? Não sei bem porquê mas suspeito que nada fizeram ou farão. Não que haja a hipótese de esses “candidatos” terem, à partida, muitos votos, mas há sempre o perigo de haver quem vote neles como forma de protesto. Sem contar que aposto que os ditos irão querer saber quantos votos tiveram numa eleição onde nem era suposto estarem.

Não sou vidente, mas antevejo um futuro próximo cheio de protestos, recursos e contestação de resultados.

Passando aos candidatos em si, das poucas vezes em que me dou ao trabalho de os ouvir fico na dúvida sobre o cargo a que se estão a candidatar. Será que leram a Constituição e estão a par dos poderes, ou falta deles, do nosso Presidente da República? Digo isto porque tenho ouvido vários deles a dizerem, “se for eleito, faço isto e aquilo”, referindo-se, por exemplo, à habitação, saúde, etc.

Ora a verdade é que não farão nada disso, nem sequer por falta de vontade, mas, muito simplesmente, porque o seu papel se limita à promulgação ou não de leis feitas pelo Governo e Assembleia da República. Seria bem mais honesto dizerem que iriam deixar o Governo governar e, acima de tudo, que não poriam as suas convicções políticas e pessoais à revelia da vontade dos eleitores. E se afirmarem que só farão as viagens estritamente necessárias à promoção do bom nome e interesses de Portugal, bom, conquistavam logo bastantes votos!

Passemos agora ao SNS e à triste notícia – mais uma – de três idosos que morreram à espera do INEM. A desculpa dada é sempre a mesma, a falta de uma ambulância disponível porque ficam retidas imenso tempo nos hospitais. E sim, é bem verdade, quem vai às Urgências vê-as paradas e o respetivo pessoal sem nada fazer, lá dentro, simplesmente à espera de terem de volta a maca em que transportaram alguém para aqueles serviços.

A questão é que isto já acontece há anos e a solução não passa por comprar mais ambulâncias – sim, fazem falta, mas ou temos milhares delas ou isto irá continuar a acontecer. Não seria bem mais lógico – e rápido – os hospitais adquirirem um stock de macas que armazenariam para serem usadas em alturas de grande afluência às Urgências? Assim, a ambulância chegava, faziam a triagem e o paciente era logo mudado para uma maca do hospital, libertando a ambulância para ir atender nova chamada.

Pequeno aparte, os célebres 4 milhões de euros das gémeas, para quantas macas dariam? Aposto que ainda sobrava para algumas ambulâncias...

Mas nem é isto que mais me indigna. Num dos casos, o senhor esteve três horas à espera, houve vários telefonemas do filho e acabou por falecer sem que tivesse aparecido alguém porque “não havia uma ambulância disponível”. E carro do INEM, também não? Porque não enviaram alguém, mesmo sem ambulância, para avaliar a situação e fazer alguma coisa? Podia ser, até, que o paciente pudesse ser levado para o hospital num carro normal, acompanhado por um elemento do INEM.

Só que, pelos vistos, também aqui se aplica o tudo ou nada de que já falei em O país do tudo ou nada. Ou seja, se não há uma ambulância para o serviço, não se faz nada e deixa-se a pessoa morrer ao desamparo – e nem pensar em sugerir a ida numa viatura normal, é que isso “não seria seguro” para o paciente.

Para terminar, falemos da Mortágua (a Mariana, não a sua maninha). Segundo li, vai passar a ter uma coluna no jornal O Público. Ou seja, a dita “senhora” fez o milagre de transformar 20 deputados em apenas 1, andou a passear-se com a namorada pelo Mediterrâneo num cruzeiro pago pelo maior financiador do Hamas, agora preso em Itália, e devemos pôr-nos em sentido para ouvir as suas tão doutas opiniões? Pois é, quando se pensa que o jornalixo não pode descer mais...

Para a semana: Venezuela e similares O Maduro merece a proteção do Direito Internacional mas os venezuelanos não? E os iranianos?

03
Jan26

219 - Este vai ser o ano da melhoria

Luísa

Apesar das notícias bombásticas de hoje, com a detenção do Maduro por forças dos EUA, não irei comentar esse assunto, apesar de me ter divertido imenso a ouvir os muitos “comentadores” chamados à pressa para, como seres iluminados que são, nos “elucidarem” sobre o assunto.

Não, vou manter-me fiel ao tema proposto e falar deste novo ano que ainda mal começou, mas sob o prisma do que podemos fazer, pessoalmente, para melhorar a sociedade em que vivemos. Ou seja, uma espécie de resoluções de Ano Novo, mas não apenas em termos de algo que desejamos para nós.

Com eleições à porta e debates, sondagens e comentários por todo o lado, a primeira terá de ser, claro, ir votar. Mas como vai ser o tema da próxima semana limito-me a dizer agora que sempre achei que se quero protestar e refilar contra os nossos eleitos, então tenho de fazer a minha parte: ir às urnas!

Mas mantendo de certo modo este tema, que tal decidirmos ser um pouco mais participativos politicamente durante este ano? Por exemplo, consultar as páginas da Câmara e Junta de Freguesia da zona onde vivemos, ver que projetos estão na calha, dar sugestões de melhorias para os que já existem, enfim, contribuir um pouco, em que seja apenas com a nossa opinião.

Sei que já estão a pensar, “de que serve fazê-lo?” Pois, se for só uma pessoa, talvez não haja grandes resultados. Mas se formos mais, então é bem capaz de haver algumas mudanças. Ou seja, não basta ficar na mesa do café a dizer mal e a criticar, fale-se, isso sim, onde a nossa voz poderá contar.

Muitos desses sites de Câmaras e Juntas de Freguesia até são muito bons e informativos a todos os níveis, inclusive o turístico, mas, caso os das da sua zona não o sejam, proponha melhorias, sugira alterações. E se souber do assunto e a sua Junta não tiver grandes recursos, bom, que tal propor-se para os ajudar?

Se tem filhos em idade escolar, eis outra área em que pode ser muito mais participativo. Sabe o que lhes é ensinado nas várias cadeiras? Já desfolhou – ou leu – os manuais e livros de exercícios por onde estudam? Muitas das parvoíces woke têm alastrado no nosso ensino, e não só, precisamente porque os seus adeptos sabem que podem contar com a inércia dos encarregados de educação para espalharem a sua endoutrinação sem qualquer tipo de oposição.

Atenção, não estou, de modo algum, a sugerir que vá à escola “partir a louça toda”, digo, apenas, que é sempre boa ideia sabermos o que andam a meter na cabeça dos filhotes em estabelecimentos oficiais – sim, bem basta a Internet e os amigos, que só muito dificilmente podemos controlar.

Preste, também, atenção aos temas da moda. O clima continua a ser muito popular, pelo menos para debitar as mesmas frases feitas que ouvimos sabe-se lá há quantos anos. Mas esqueça todo esse folclore, informe-se, isso sim, junto de fontes credíveis – aposto que terá várias surpresas, por exemplo, sabia que o gelo da Antártica, o tal que estava a desaparecer, está a repor-se com imensa rapidez e ninguém entende porquê? Faça o mesmo em geopolítica, Palestina, judeus e palestinianos, por exemplo.

E sabe qual é a enorme vantagem de estar bem informado? Os tais que preferem o folclore e que se limitam a debitar slogans odeiam que alguém responda aos seus clichés com factos e números. Resultado, deixarão de o sujeitar à sua algaraviada!

Passemos agora às pessoas. Sim, numa sociedade perfeita haveria apoios para todos, ninguém estaria só e muito menos desamparado. Mas se estamos à espera que isso se concretize só por si, então bem podemos arranjar um cadeirão ultra confortável que nos dure anos e anos! Sendo assim, porque não ir fazendo alguma coisa?

Sabe quantas organizações existem na sua zona para apoio a idosos, sem-abrigo, doentes em casa? Tem alguma ideia de quantas pessoas no seu bairro, no seu prédio, até, vivem sós e sem grande capacidade para realizar as tarefas do dia-a-dia, como compras, por exemplo? Sabe a quem se destinam os alimentos em fim de prazo do supermercado que frequenta?

Tenho defendido, em vários posts neste blogue e no outro, Ir para Novo, a ideia de fazer voluntariado em todas as idades. E até nem é muito difícil. Por exemplo, muitos centros paroquiais oferecem aulas de vários tipos e, até, acompanhamento de alunos que não podem pagar explicações.

Muitas Juntas de Freguesia oferecem, também, vários serviços de apoio e de formação – e se não os tiverem, que tal propor algo dentro da sua área profissional ou de lazer? O mesmo se passa com clubes desportivos pequenos que estão sempre a precisar de ajuda com as camadas infantis e juvenis.

Se começar a olhar à sua volta, vai ver que a dificuldade estará na escolha, face a tantas e diversas oportunidades de contribuir para uma sociedade melhor e, expressão muito na moda mas que não deixa, por isso, de ser verdadeira, muito mais solidária.

Basicamente, não avançar por 2026 alheio a tudo e a todos, concentrando-se, apenas, no seu umbigo, como se costuma dizer. Tentar, isso sim, conhecer melhor o local onde vive e as pessoas que ali habitam, as suas necessidades e os seus anseios, e ver se pode fazer alguma coisa, por muito pequena que seja, para minorar umas e concretizar os outros.

Recorrendo a mais um cliché, também ele bem verdadeiro, “nenhum homem é uma ilha”. E já é mais do que altura de tentarmos formar, no mínimo um arquipélago em vez de gastarmos todo o nosso fôlego e forças a criticar e a dizer, suspirando, “Era bom que isto ou aquilo se realizasse...”

Pois bem, não suspire, faça!

Para a semana: As Presidenciais! Para não ferir o “dia da reflexão”, antecipo uma semana este tema

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