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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

29
Nov25

214 - O 25 de novembro

Luísa

O ano passado falei também desta data em A “querida” esquerda, em que referi, entre outros assuntos, a enorme renitência da esquerda – e não só – em celebrar este dia e da sua teimosia, ou antes, casmurrice, em continuar a afirmar que foi um contragolpe feito para voltar ao salazarismo.

Nesse sentido, pouco ou nada mudou, tivemos até o inenarrável “senhor de Belém” a dizer no seu discurso que foi a data em que o país virou à direita. A sério? Eu diria que foi o momento em que Portugal se afastou, mais ou menos, do percurso traçado pela extrema-esquerda representada então por esses bons lacaios da URSS, o Partido Comunista Português.

O grande argumente – e pretexto para a ausência desses “bons democratas” da cerimónia na Assembleia da República – é que quem deseja celebrar o 25 de novembro está a menosprezar a data gloriosa que é o 25 de abril e as suas conquistas. Bom, e do ponto de vista do PCP, até há uma certa razão, foi quando esse partido perdeu o controlo do país e a esperança de aqui implementar uma “ditadura do povo” satélite da URSS, à semelhança das muitas então existentes na chamada Europa de Leste.

Só que eu nunca entendi muito bem porque é que o PCP reclama a autoria do movimento de abril. É que o que sucedeu em 25 de abril de 1974 nada teve a ver com esse partido, foi algo independente e que até os apanhou de surpresa – ou acham que se soubessem o que ia acontecer o Cunhal não estaria em Espanha ou, até, escondido algures em Portugal pronto para aparecer?

Não, o PCP teve, isso sim, tudo a ver com o que aconteceu entre 26 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975: a imposição de uma nova censura contra tudo o que pudesse ser visto como crítico do regime soviético, os despedimentos de quem não assinasse de cruz tudo o que os camaradas queriam – ou, pura e simplesmente, lhes desagradavam – e as prisões e torturas por razões políticas, isto fora o clima de terror, sim, é o termo certo, que se viveu durante esses meses em Portugal graças ao querido PREC.

Já agora, como está na moda pedir desculpa por tudo e mais alguma coisa, será que o PCP tenciona fazê-lo a todos os afetados por esse período terrível? E, melhor ainda, relativamente à chamada “descolonização”, ou antes, à entrega das colónias portugueses a partidos cuja única virtude era serem subsidiados pela URSS, também o vão fazer aos muitos milhares de “retornados” (tema a que voltarei em breve) e, sobretudo, aos angolanos, moçambicanos, etc. por os terem entregue, sem a menor hesitação, a quem não tinha os seus interesses em mente, como se tem visto, aliás, nestes 50 anos de independência desses países?

Pois, bem podemos esperar sentados.

Já agora, esta semana O Observador publicou vários artigos de opinião sobre o assunto, de que destaco O 25 de Novembro, de Zita Seabra – em que fala das suas experiências, lembremo-nos de que era militante comunista de topo – e Os incomodados de Novembro, de Rui Ramos, de que gostei bastante.

Passando às comemorações em si, foi gritante o contraste com as do 25 de abril, um dia em que somos bombardeados, de manhã até à noite, com celebrações, discursos, desfiles, entrevistas, documentários e tudo e mais alguma coisa. Até a cerimónia na Assembleia da República, uma estreia absoluta e, por isso, merecedora de algum destaque, foi enfiada no meio dos noticiários e com pouco destaque – não que anseie por ouvir discursos de políticos, mas deram-lhes um tempo mínimo de antena numa data que se pretendia ser solene.

Tivemos, claro, a ausência mais do que anunciada do PCP, que continua a agir como se estivéssemos no período antes do 25 de novembro e ainda mandasse do país, e para quem só os saudosistas de Salazar, ou seja, os fascistas ou candidatos a tal, celebram esta data. Ficou, até, bem claro que se consideravam ofendidos por a cerimónia se ter realizado apesar de eles não a quererem. Pois, os bons democratas são assim, não lhes interessa a opinião dos outros nem menos quando esses outros constituem a maioria.

Veio, depois, a “luta” caricata entre rosas brancas e cravos vermelhos, estes levados para a Assembleia da República por deputados de esquerda, claro, e postos sobre a decoração de rosas da tribuna principal. Retirados por Ventura, foi um elemento do PSD, o último a falar, a colocar de novo um cravo vermelho sobre a decoração de rosas – bom, pelo menos alguém eleito por esse partido, mas não nos esqueçamos que o futuro professor na Califórnia também diz ser um militante dele, foi, até, um seu (curtíssimo) presidente.

Como a razão dada foi que não devíamos esquecer o muito que devemos a abril, espero, francamente, ver para o ano algumas rosas brancas a serem postas sobre os cravos vermelhos durante a cerimónia do 25 de abril! É que se em novembro não podemos esquecer Abril, então o contrário também tem de ser verdade e temos de relembrar aos saudosistas do PREC quando é que a democracia, na verdadeira aceção desse termo, chegou, de facto, a Portugal.

Como digo, não costumo ouvir discursos de políticos, mas, ao fazer zapping, ouvi a Mortágua, a nossa “heroína navegante”, a lastimar que na celebração desta data – que ele contesta, diga-se de passagem – o governo estivesse a elaborar um pacote laboral para acabar com os direitos dos trabalhadores, direitos esses conquistados, claro está, no 25 de abril. Fica, evidentemente, implícito que a culpa deste golpe nos sacrossantos direitos adquiridos está no 25 de novembro e, acima de tudo, em quem celebra esta data.

Enfim, já passou, infelizmente ainda temos pela frente quase dois meses de politiquices com as eleições do próximo ano.

Para a semana: O melhor para os nossos filhos. Todos o dizem mas, infelizmente, o “melhor” resume-se, quase sempre, a coisas materiais.

22
Nov25

213 - Já chega do choradinho do racismo!

Luísa

Não sou, certamente, a única neste país – e não só – totalmente farta de ouvir acusações de racismo e de xenofobia por tudo e por nada, bom, quase sempre por nada. E os dois recentes cartazes do Chega deram, sem dúvida, pano para mangas para os “indignados” do costume.

Ora vamos por partes, a começar pelos ciganos. Sim, não há dúvida de que as leis existem para serem cumpridas por todos e que destacar os ciganos poderá parecer, à primeira vista, discriminatório. Mas só à primeira vista, uma vez que  o problema está na realidade a que assistimos diariamente, pior ainda, que muitos sofrem na pele sem nada poderem fazer a esse respeito.

Por exemplo, as invasões das Urgências, com agressões a tudo e a todos porque “têm o direito” de ser atendidos primeiro. Porquê? Simplesmente por serem ciganos? Ou a cena a que assistimos em que 13 energúmenos atacaram um homem e, ao serem libertados pelo tribunal (!) foram aclamados como heróis pelos familiares que os aguardavam.

Temos também os protestos pela frase “Portugal não é o Bangladesh”, vista como racista e xenófoba. Pois bem, vamos a umas pequenas comparações. O que aconteceria a um grupo de cristãos que decidisse, no Bangladesh, ocupar, sem autorização, uma praça pública para realizar uma missa de Páscoa ou de Natal com o pretexto de não haver um espaço adequado para todos? Pois, aposto que nada de bom!

E se, também no Bangladesh, grupos de brancos ocupassem ruas em pleno centro de uma cidade, impedindo o acesso a lojas, agredindo quem se atrevesse a fazer-lhes frente e assediando as mulheres que por ali passassem? Mais ainda, e se decidissem arranjar emprego como taxistas ou algo similar que exigisse contacto com as pessoas locais, tudo isso sem falarem uma palavra de bengali?

Segue-se o Brasil, que até vai criar uma comissão para combater o racismo e a xenofobia em Portugal! Curiosamente, é rara a semana em que não há um relato de um crime violento cometido por brasileiros, muitos deles assinalados há muito pela polícia do Brasil como sendo criminosos nesse país ou membros de gangues violentos. Que me conste, não vieram a nado para Portugal! Ou seja, passaram todo o tipo de controlos antes de poderem embarcar para cá. Tradução, o serviço de fronteiras do Brasil sabia exatamente quem estava a deixar sair desse país com destino ao nosso – e deixaram-nos vir?

E se estão a pensar que é a nós que compete vigiar quem chega, como é que o podemos fazer devidamente sem termos acesso a dados fundamentais, como o cadastro criminal dessas pessoas? Sem contar que, mal tentamos apertar a malha, somos logo acusados de... racismo e xenofobia, claro está.

Em todos estes casos, não deixa de ser curioso ver que todas essas organizações de defesa disto e daquilo estejam sempre prontas a insultar-nos quando cometemos o grave pecado de barafustar contra comportamentos criminosos de estrangeiros ou das chamadas etnias minoritárias. Pior ainda, todas essas acusações funcionam apenas num sentido, ou seja, para essas mentes “iluminadas” um branco nunca é vítima de racismo, mais ainda, se a questão envolve duas etnias, ignora-se – veja-se o caso de pai e filho ciganos, um ferido e o outro morto num desacato com negros já não sei bem onde, que mal foi citado na comunicação social.

E quanto à criança brasileira que ficou com dois dedos decepados, não é curioso haver já tantos advogados a aparecerem para realizarem acusações formais contra tudo e todos? Mas nos casos que têm sido noticiados em que um grupo agride brutalmente a soco e pontapé um colega não há nada? Pois, é preciso haver a conjugação certa de nacionalidades e cor da pele...

Não seria bem mais útil se todas estas associações trabalhassem para que os que dizem representar se adaptem ao nosso país? Criticando, também, veementemente, os que cometem crimes ou se comportam de um modo que não se coaduna com as nossas leis e costumes. Por exemplo, no caso da organização do Bangladesh, criarem aulas de português e de conhecimento do nosso país e dos nossos hábitos, tradições e costumes. É que, muito francamente, começa a ser cada vez mais inconcebível ter motoristas Uber que não falam português e, pior ainda, condutores de tuk-tuk que, lembro, funcionam como guias, que nada sabem da cidade que estão supostamente a mostrar.

E a Techari, em vez de dizer que “luta contra a discriminação” de que diz que os ciganos são vítimas apenas por o serem, que tal fazer um esforço para garantir que os seus representados agem como cidadãos portugueses respeitadores das leis do país que é o seu? E já chega de falar de programas de inserção na nossa sociedade, todos eles pagos a peso de ouro e totalmente inúteis: ao fim de tantos séculos, ainda não tiveram tempo de se adaptar?

Quanto ao Governo do Brasil, faria bem mais pelo bom acolhimento dos seus cidadãos em Portugal se executasse uma triagem minuciosa sobre quem viaja até cá – nada de criminosos conhecidos, por exemplo. E se, no espírito dessa coisa do “país irmão”, trabalhasse com o nosso para garantir a expulsão rápida de quem tem comportamentos antissociais ou até mesmo criminosos e que levam à revolta dos que não têm outro remédio senão aturá-los e que até são, espanto dos espantos, muitas vezes também brasileiros, mas dos que acatam as nossas leis e se esforçam por ganhar a vida de um modo honesto.

Repito, abaixo o choradinho, está mais do que na altura de lidar a sério com o racismo na sua verdadeira aceção: discriminação com base, única e exclusivamente, na cor da pele, seja ela qual for. Mas tendo o cuidado de analisar as situações, caso a caso, para ver se não há mais nada por detrás delas – é que, pelo menos para mim, um mau comportamento deve ser sempre condenado, venha da parte de quem vier.

Para a semana: Funcionários públicos. Com as greves anunciadas, talvez seja altura de falar desta classe cheia de direitos consagrados

15
Nov25

212 - A propósito das tempestades desta semana

Luísa

Tivemos esta semana uns dias terríveis, entre chuva, vendavais e todo o tipo de cheias e destruição, infelizmente também com feridos e, pior ainda, alguns mortos. E, apesar de os serviços meteorológicos terem alertado para a chegada de mau tempo, penso que poucos esperariam que fosse assim tão catastrófico.

Já falei anteriormente – bem recentemente, aliás – deste tema a propósito da Tempestade Martinho em Falemos de Catástrofes, em que referi, nomeadamente, a criação de um kit pessoal de emergência, não no seu sentido clássico (água, comida...) mas sim com pequenas coisas como cópias dos documentos, medicamentos, um carregador / extra para o telemóvel, lanterna, etc. E, a nível da sociedade, tentar fazer o que se pode para não sobrecarregar os serviços de emergência.

Pelo que vimos nestes dias, ficou, mais uma vez provado, que pouco podemos fazer quando a natureza desencadeia uma boa parte do seu poder. É que, ao contrário do que se passa em certas obras de ficção científica, o nosso nível científico e tecnológico não nos permite controlar o clima e muito menos os seus excessos.

Mesmo assim, há muita coisa que se pode fazer, sobretudo para atender ao que se passa durante e depois. Pequeno detalhe, fiquei agradavelmente surpreendida com reportagens de Nisa em que, na própria noite dos estragos fizeram “remendos” nos telhados afetados para evitar que esses moradores ficassem desalojados e no dia seguinte, mal melhorou um bocadinho, começaram logo a trabalhar para reparar os estragos.

Não irei falar em modos de evitar problemas como as cheias, por exemplo – sim, sarjetas e valetas entupidas têm muitas culpas no cartório – limitando este post à parte humana da questão, uma vez que não estamos minimamente preparados para enfrentar qualquer tipo de catástrofe. Já agora, uma das razões apontadas por toda a Europa para o aumento da frequência e gravidade das ditas cheias está na “pavimentação” das margens com construções junto à água, nem que sejam apenas passeios cimentados, o que impede os solos vizinhos do curso de água de poderem absorver a água da chuva.

Hoje vi uma reportagem em que um senhor – lamento, não fui a tempo de ver o nome, só sei que tem a ver com um programa escolar chamado Quando a Terra treme – falava, precisamente, da nossa falta de preparação para catástrofes, sugerindo que a célebre cadeira de Cidadania englobasse este tema. E deu como exemplo o Japão, país onde, entre sismos, erupções vulcânicas e tempestades com as respetivas cheias, não faltam catástrofes naturais.

É, também, um exemplo do modo como uma comunidade reage perante algo totalmente fora do seu controlo. Aliás, a União Europeia tem em mira um programa de preparação para catástrofes e tem andado a consultar, precisamente, o Japão para se inspirar.

Mas enquanto esperamos, como andam as coisas por cá?

Primeiro ponto negativo, não sei se fui um caso isolado mas não recebi qualquer aviso da tempestade por parte da Proteção Civil – e já os tenho tido por coisas bem menos fortes. Ora estes alertas são vistos como um passo fundamental para a segurança das populações. Voltando ao Japão, há alertas para tudo e mais alguma coisa, até ondas de calor excessivo, esse país tem, até, um dos melhores sistemas de previsão meteorológica do mundo. E esses alertas são levados muito a sério por quem os recebe!

Bom, é claro que também tem uma das populações mais cumpridoras de indicações e conselhos governamentais, nunca lhes ocorreria circular de carro em zonas onde isso estava proibido, como vimos acontecer por cá.

Outra coisa que o Japão também tem é a “mochila de sobrevivência” recomendada para todos os seus habitantes, mas não voltarei a falar disso, não faltam exemplos na Internet e, atendendo ao tipo de problemas que somos mais suscetíveis de ter e à dimensão do nosso país, seria bem mais útil criar um modelo mais adequado para nós – entretanto, dei, como disse, algumas indicações no post acima citado.

Mas o ponto mais importante desta questão está no espírito comunitário após a catástrofe. Graças à educação recebida, sabem exatamente o que devem e não devem fazer, para onde ir e como ajudar dentro das suas capacidades.

Sei que a reação normalíssima de quem se vê numa situação destas é esperar pela chegada dos serviços de socorro. Infelizmente, e por muito esforçados que estes sejam, ficam sempre aquém das necessidades em situações realmente catastróficas. Seria, pois, bem útil podermos ir fazendo alguma coisa para resolver as situações mais fáceis, ou antes, as menos difíceis.

E é aqui que entra – ou devia entrar – o espírito comunitário acima referido: em vez de cada um tentar ir fazendo umas coisinhas, unir-se o bairro, a aldeia, a zona toda, enfim, para começar a agir antes da chegada dos socorristas. Mas para que isto possa ser eficaz, faltam duas coisas: conhecimentos técnicos, digamos, e vontade de agir em conjunto.

É que de nada adianta começar a remover destroços, por exemplo, em busca de sobreviventes se quem o faz acaba por se magoar. Ou se, ao tentar tratar de um ferido, o prejudica em vez de o ajudar. Isto vai no seguimento de algo que referi em posts sobre incêndios em que, perante imagens que se repetem de “civis” a combaterem as chamas enquanto esperam pelos bombeiros, sugeri que lhes fosse dado um treino mínimo para poderem ser mais eficazes.

Quanto à vontade de agir em conjunto, bom, não é tanto vontade, é mais ganhar o hábito. Sobretudo em povoações mais pequenas, criar toda uma teia de ligações que permitam definir rapidamente quem está bem e quem precisa de ajuda, sem sobrecarregar as redes de comunicações e, mais importante ainda, sem deixar pessoas de fora por não terem familiares ou amigos na zona – sobretudo os muitos idosos que vivem sozinhos.

Basicamente, já chega de enterrar a cabeça na areia, catástrofes destas sempre aconteceram e continuarão a acontecer, é mais do que altura de nos prepararmos para as enfrentar – só espero que não aconteça como na preparação para sismos, em que há pais que não deixam os filhos ir à escola nesse dia ou faltam ao emprego para “não ficarem impressionados”!

Para a semana: Já chega do choradinho do racismo! Não passa um dia sem vermos alguém a queixar-se de que "é racismo, é xenofobia"... mas sempre só num sentido, claro está!

08
Nov25

211 - Mitos perigosos, parte 2

Luísa

Como o título indica, já tratei deste tema anteriormente em Mitos perigosos, parte 1, em que falei de dois mitos, “Quem luta contra um ditador é um democrata” e “Os sindicatos protegem os trabalhadores”. E se não acreditam que são simplesmente mitos, leiam esse post, onde dou vários exemplos.

Hoje falarei de mais dois, também eles muito entranhados nas nossas sociedades e que não serão nada fáceis de erradicar.

Esse dinheiro distribuído por quem precisa...

Esta frase aparece sempre que se fala em certos projetos, como uma ida à Lua ou a Marte ou, mais corriqueiramente, gastos com a Defesa, por exemplo. A ideia que lhe está subjacente é, claro está, que se em vez de se fazerem esses gastos distribuíssemos o dinheiro “por quem precisa”, passaríamos todos a viver muito melhor.

Há, ainda, uma outra versão, bem mais popular sobretudo em certas camadas políticas e trazida de novo à ribalta pelo “génio” que acabou de ser eleito Presidente da Câmara de Nova Iorque e que é “taxar os ricos para dar aos pobres”. Ou seja, espalha-se o dinheiro dos tais ricos – e os lucros das empresas, claro – e acaba-se assim com a pobreza.

Curiosamente, esta distribuição “igualitária” foi tentada há uns anos na Mongólia. Ali, com exceção dos poucos que têm um emprego, a capacidade económica das pessoas mede-se pelo número de animais que possuem. Pois bem, o governo da época confiscou-os todos e dividiu-os irmãmente por todos os cidadãos, tendo em conta o agregado familiar. Só que... pois, comigo já sabem que há sempre um “só que”.

Dois ou três anos depois foram analisar o resultado desta experiência e o que viram levaram-nos a abandoná-la. É que alguns – bom, a maioria – assim que se viram com aqueles animais obtidos sem qualquer esforço, prontamente os comeram ou venderam para obterem luxos passageiros, fiando-se na ideia de que voltaria a haver nova benesse. Já outros cuidaram do seu quinhão e tudo fizeram para o aumentar.

Resultado, apesar de terem partido da mesma base, voltara a haver pobres e ricos.

Mas há pior. Essa teoria de tirar aos ricos para dar aos pobres tem outra consequência grave. É que os ricos mudam-se, simplesmente, para outras bandas ou, caso não o possam fazer, deixam de produzir riqueza porque não lhes compensa fazê-lo. Há uns anos a Suécia tentou pôr impostos altíssimos em rendimentos do trabalho acima de um certo valor e a consequência é que ficou sem médicos e outro pessoal especializado uma parte do ano: é que entre trabalhar e dar o dinheiro todo ao Estado ou tirar férias não pagas, adivinhem o que é que escolheram!

O feminismo defende as mulheres

Mudando de tema, passemos a outro assunto muito na moda, o feminismo tão apregoado por algumas dirigentes políticas e fazedoras de opinião.

Pela minha idade e leituras de longa data, sei bastante sobre as feministas iniciais que, essas sim, tiveram uma luta difícil para obter direitos que hoje vemos como básicos, como o direito de voto ou o de frequentar qualquer curso.

A ideia subjacente ao movimento feminista inicial era a de que nenhuma mulher poderia ser impedida de desenvolver o seu potencial e de se dedicar ao que queria fazer apenas por ser mulher. E, muito francamente, estou totalmente de acordo. Mas sempre discordei da ideia de que a culpa era toda dos homens, algo que expressei em São as mulheres que oprimem as mulheres.

O problema é que esse impulso inicial para dar direitos às mulheres e para que elas pudessem ser o que desejassem ser mudou rapidamente para uma quase imposição do que as autodenominadas feministas achavam que uma mulher devia ser. Ou seja, em vez de ser o chamado “patriarcado” a impor regras às mulheres, estas passavam a estar sujeitas às ideias do feminismo.

Por exemplo, se uma mulher queria, realmente, ficar em casa a cuidar dos filhos era vista como uma traidora ao movimento e desprezada pelas que tinham um “trabalho a sério”. E se acham que exagero, olhem à vossa volta e vejam as pressões a que as mulheres de agora estão sujeitas para terem tudo: êxito no emprego e serem boas mães.

Outra das bandeiras do feminismo inicial era a legalização do aborto. E tendo em conta a falta de alternativas da época, estou, mais uma vez totalmente de acordo. O problema é que continua a ser o grande cavalo de batalha das atuais feministas, que tentam alargar cada vez mais os prazos legais – em Nova Iorque até foi proposto que fosse legal até 24 horas após um parto normal!

O grande argumento é que o corpo é da mulher e que é a ela que compete decidir. Mas pelos vistos não lhes ocorre que a melhor decisão é tomar as devidas precauções para não engravidar. E ainda mais curiosamente, essa do “corpo é dela e é ela que deve decidir” não abrange tudo. É que se uma rapariga decide manter-se virgem até encontrar alguém de quem goste a sério torna-se, de imediato, alvo de chacota.

E passando à última grande batalha do feminismo inicial, uma mulher poder estudar e ter o emprego que quisesse, não é curioso que as grandes defensoras de quotas só o façam em certas áreas? Se as querem para diretores de empresas, porque não para carpinteiros ou eletricistas? Isto para não falar do desporto com a defesa acérrima da participação de mulheres transgénero. Falei, aliás, disto tudo em A Anulação das Mulheres.

Mas para mim a gota de água foi ver a defesa acérrima do uso da burca com o argumento de que são essas mulheres que decidem usá-la! E claro que exibiram umas tantas a dizê-lo, ignorando, pelos vistos, que uma mulher que acredita de facto no uso da burca nunca falaria em público e muito menos na presença de homens que não são da sua família.

Sei que é um cliché, mas se as primeiras feministas vissem o que é dito e feito em nome do movimento que criaram com tantos sacrifícios pessoais estariam, certamente, às voltas no túmulo.

Para a semana: Funcionários públicos. Com as greves anunciadas, talvez seja altura de falar desta classe cheia de direitos consagrados

01
Nov25

210 - Casos diversos

Luísa

Perante alguns acontecimentos recentes, não resisti à tentação de alterar, mais uma vez, o tema proposto para esta semana.

Comecemos pela Lei da Nacionalidade. Como seria de esperar, organizações de emigrantes, “bem-pensantes” e esquerda em geral estão contra. Adorei ver o líder da comunidade do Bangladesh a dizer que muitos estão a pensar em sair de Portugal perante a nova lei. O que me deixa a dúvida, porquê?

Se são residentes legais – condição atual para obtenção da nacionalidade – a alteração do prazo dos 5 para os 10 anos não afeta as suas vidas, podem continuar a trabalhar e a viver normalmente no nosso país. Há, aliás, muitos milhares de portugueses em França, na Alemanha e em muitos outros países que, apesar de ali residirem e trabalharem há anos, nunca quiseram deixar de ser portugueses adotando a nacionalidade desses locais.

Ou será que o grande problema está no modo como “obtiveram” a dita residência e o temor de uma investigação? É que até agora, uma vez obtida a nacionalidade portuguesa, este ato era irreversível. Muito francamente, acho que esta nova lei não vai suficientemente longe, devia ordenar a fiscalização de todas as atribuições de residência dos últimos anos – desde que o Costa escancarou as portas do país – e, caso fossem fraudulentas, os seus beneficiários tinham ordem imediata de expulsão, sem direito a recurso. E perda da nacionalidade, claro, caso a tivessem obtido com base em ilegalidades.

Acham demasiado forte? Pois é, eu e, sem dúvida, muitos outros estamos fartos de ver “portugueses” – bom, é o que diz o Cartão de Cidadão – que pouco ou nenhum português falam, apesar de ser uma das condições para a obtenção da nossa nacionalidade.

Passemos à violência, a começar pela dos jovens. E tivemos, recentemente, dois casos paradigmáticos do que se passa no nosso país graças à “bondade” do nosso Código Penal.

Em primeiro lugar, o jovem de 14 anos que matou a mãe e simulou ter sido um roubo. Ouvi toda uma série de “iluminados” a dizerem que pode ter sido um acidente... Pois, discute com a mãe, sai, desativa as câmaras exteriores de vigilância, entra de novo em casa, vai ao cofre do pai buscar a arma, mata a mãe, simula atividade de ladrões, sai, esconde a arma no cemitério e vai para casa de uns vizinhos como se nada fosse... é claro que foi um acidente!

E o que é que lhe vai acontecer? Na “pior das hipóteses”, fica em regime fechado num centro de menores uns três aninhos, isto se um dos nossos brilhantes juízes não o deixar em liberdade.

Temos também os 3 “influenciadores” que violaram uma jovem, pondo o filme inteiro na internet. Neste caso, não sei o que me choca mais, o ato deles ou o facto de as imagens terem sido vistas 32 mil vezes sem que ninguém fizesse nada. E já em setembro tinha havido um caso similar, com uma vítima ainda mais jovem. Escusado será dizer que neste caso até os maiores de 16 foram libertados a aguardar julgamento, para “não criar alarmismo social”.

Não será mais do que altura de alterar o nosso Código Penal e acabar com essa treta do “é menor, não pode ser preso”? Recordo o rapaz que esfaqueou e matou um amigo num centro comercial e que não vai cumprir pena de prisão porque “só” tinha 17 anos à altura do crime.

Vi uma reportagem há uns tempos sobre um rapaz de 18 anos preso, finalmente, por um crime grave e cuja mãe pedia, desesperadamente e a todos e mais alguns, desde os seus 12 anos, que fizessem algo porque não tinha mão no filho e este piorava a cada crime com que escapava impune.

Nem era preciso muito para fazer algumas alterações que criassem centros de correção a sério para menores que cometem crimes. E digo a sério porque li há pouco tempo sobre uma casa para “menores em perigo” que fechou por falta de verbas e que tinha “apenas” 19 funcionários para 17 crianças! Acreditem, quanto mais cedo aprendessem que atos têm consequências, mais depressa entrariam na linha, senão todos pelo menos a maioria.

É claro que há sempre os tais juízes “bondosos”, mas isso será tema para um outro post.

Esta semana tivemos também o caso do GNR morto devido ao abalroamento da embarcação em que seguia por uma lancha rápida de traficantes de droga. Foi homenageado na Assembleia da República, ato que teria tido muito mais significado se não fosse o minuto de silêncio pela morte de um criminoso – sabem a quem me refiro. Mas é claro que se fosse ao contrário, ou seja, se um dos “coitadinhos” da lancha tivesse morrido, os GNR já estariam todos presos...

Em vez de homenagens ocas e idas ao funeral – pois o senhor de Belém não perde uma – tenho a certeza de que todas as nossas corporações policiais prefeririam, de longe, mais apoio, material e não só. Da maneira como as coisas estão atualmente, um polícia, seja ele qual for, está manietado na sua luta contra criminosos que, eles sim, não se coíbem de disparar, ferir, matar de todos os modos possíveis. Quanto às lanchas, não há nenhuma razão para um privado ter uma, por isso... acabem mesmo com elas!

Temos, finalmente, o choque por a Letónia ter dito que tenciona sair da chamada Convenção de Istambul de 2011, que tem o nome pomposo de “Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica” – curiosamente, a Turquia saiu em 2021! Da maneira como falam parece que essa saída vai dar carta-branca a todo o tipo de violência contra as mulheres.

Sabem quem ratificou a dita? Portugal! Pois, de certeza que as muitas mulheres que morrem todos os anos vítimas de violência doméstica crime fazem-no com a satisfação de saber que Portugal não saiu da Convenção...

E o que é que a dita convenção diz? Pois bem, “exige que os governos criem leis e serviços de apoio para prevenir e combater todas as formas de violência contra as mulheres. O tratado também promove a igualdade entre homens e mulheres e define a violência contra as mulheres como uma violação dos direitos humanos.” Ou seja, o usual acervo de banalidades que faz com que os que a assinam se sintam muito virtuosos, dispensando-os, assim, de fazerem algo mais prático para as implementar.

Para a semana: Mitos perigosos, parte 2 Continuemos a analisar o mal que estes mitos tão divulgados fazem à nossa sociedade

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  63. O
  64. N
  65. D