155 - O nosso sistema penal
O nosso sistema penal não é o único a sofrer de algumas das maleitas que cito a seguir, mesmo assim talvez fosse altura de rever todo o conceito de penas que são atribuídas aos diversos crimes cometidos. E nem sequer estou a falar do ridículo de haver um cúmulo de 30 anos, mesmo para quem mate uma dúzia de pessoas, a que se acrescenta a saída em condicional no máximo após terem sido cumpridos dois terços do tempo da condenação.
Para mim, o pior é não haver uma verdadeira distinção entre quem comete crimes meramente materiais, como roubo ou fraudes, e quem é culpado de violência contra pessoas, seja violação, agressão ou morte. Ou seja, com exceção de alguns, poucos, crimes remíveis a dinheiro, é pena de prisão para todos. Sim, bem sei que alguns vão para prisões “levezinhas”, digamos, e outros para estabelecimentos de “alta segurança” – bom, atendendo ao que vimos em Vale de Judeus, esta expressão deve ter um significado diferente no nosso país...
Comecemos pelos crimes não violentos.
Sempre me meteu confusão que uma pessoa que roubou ou lesou materialmente outras pessoas – ou o Estado, quer dizer, todos nós – seja punida com uma pena de prisão. Ou seja, passará uns meses ou anos a viver à custa dos contribuintes, incluindo as suas vítimas!
É claro que vêm logo as boas almas falar em como as cadeias são horríveis, o que me leva à segunda questão que me confunde. É que, de acordo com um artigo do Diário de Notícias de 26 de novembro de 2019, a taxa de reincidência em Portugal é de 75 %! Os criminosos serão masoquistas?
E quanto às condições serem más, bom, há muito boa gente neste país que vive bem pior e sem ter cometido nenhum crime.
Não seria bem mais útil converter todas essas penas de prisão em trabalho a favor do país? E, já que se fala tanto em equidade, esse dito trabalho não seria remível a dinheiro e só poderia ser feito em fins de semana, feriados e férias – isso evitaria que quem tem posses despachasse rapidamente a sua pena, ficando pronto para outra.
É claro que quem cometesse crimes materiais avultados, perderia também os seus bens até ressarcir as vítimas, refiro-me, claro, a fraudes ou burlas envolvendo milhões de euros.
E o dinheiro todo que se pouparia com este sistema daria para criar prisões a sério para quem comete crimes não materiais, todas elas com um elevado nível de segurança Já agora, fazem alguma ideia de quanto custa um preso ao Estado, ou seja, a todos nós? A módica quantia de 56,65 euros por dia, em média, ou seja, quase 1700 por mês! Como temos, segundo parece, cerca de 12 000 reclusos, são uns 250 milhões de euros por ano!
Isto sem contar com o dinheiro gasto em apoios às famílias – diga-se de passagem, muitas vezes mais do que coniventes nos crimes cometidos – e em todo o tipo de ajudas para o criminoso uma vez cumpridos os tais dois terços da pena, no máximo. Pior ainda, quando os presos arranjam trabalho durante o cumprimento da pena, metem ao bolso o salário que ganham.
Não seria bem mais justo para as vítimas e outros não criminosos serem os presos a sustentarem o dia-a-dia da cadeia? Ou seja, teriam de fazer todos os trabalhos de manutenção do local, como limpezas, roupa, cozinha, sendo o único pessoal pago constituído por guardas e um enfermeiro. E quanto a trabalho, sim, totalmente de acordo, mas com caráter obrigatório e para ajudar a sustentar a sua cadeia. O que ajudaria bastante, penso eu, com o ponto seguinte.
Estamos sempre a ouvir falar na necessidade de reabilitar os presos e de os reinserir na sociedade e, francamente, não podia estar mais de acordo. Só que, a avaliar pela taxa de reincidência, todas as políticas atuais têm sido um tremendo êxito!
Mas, vendo bem as coisas, que incentivo têm para mudarem de vida? A avaliar por vídeos que têm surgido, para além de terem “cama, mesa e roupa lavada” sem trabalharem, têm também drogas à vontade. Curiosamente, quando se trata de sustentarem a família, não têm dinheiro – pois, os traficantes devem ser umas boas almas que doam o seu produto aos coitadinhos dos presos...
Já agora, não é curioso que sempre que se fala em drogas no sistema prisional se aponte logo o dedo aos guardas e só a estes? Ou seja, as visitas que, lembro, têm contacto físico com os presos, e as encomendas de miminhos de casa estão totalmente livres de culpa, isto apesar de todas as provas em contrário.
Fala-se, também, muito, da violência que impera nas cadeias. Mas os que mais protestam e bramam contra isso são, muitas vezes, os que impedem qualquer reforma que reforce a ordem e a disciplina nesses estabelecimentos. Sem contar que sempre que alguém acusa um guarda de agressões, é imediatamente tratado como uma vítima sem que haja o cuidado de verificar os factos. Enfim, o usual “criminoso bom, polícia – guarda prisional, neste caso – bom”.
Para a semana: A histeria dos ecrãs nas escolas. Refiro-me, claro, ao pânico recente da proibição de telemóveis mas também ao uso de manuais digitais
