141 - O passado é o passado
Graças ao movimento woke, está cada vez mais na moda “rever”, à luz de critérios modernos de esquerda, claro, a história do nosso país e não só, toda a história do mundo ocidental, leia-se, dos brancos. O grande argumento é que a história tal como tem sido contada é eurocêntrica e feita pelos vencedores e que é mais do que altura de repor a verdade dos factos.
Eu até poderia concordar, ao fim e ao cabo temos cada vez mais acesso a documentos e outros elementos que nos permitem colmatar muitas falhas naquilo que sabemos. Só que a intenção de todos esses “defensores da verdade” não é essa, muito pelo contrário. Ou seja, os factos só lhes interessam se vierem em apoio da sua tese básica que é, muito simplesmente, “o branco e o cristianismo são maus, belicistas e exploradores, todas as outras raças e religiões são boas, amantes da paz e muito progressivas”.
Veja-se a escravatura. A fazer fé nesses “historiadores”, só os brancos foram esclavagistas. Conta-se – ou antes, romanceia-se – a história dos pobres escravos levados à força pelos colonialistas brancos. Mas... onde está a história dos muitos milhões de escravos levados pelos árabes para o Norte de África? Pois é, não conta, os árabes não são brancos. Já agora, um “pequeno detalhe”, ainda há escravatura em muitos países de África, mas, mais uma vez, só interessa o que se terá passado há 400 anos e envolvendo brancos.
Mais ainda, nunca é mencionado que as sociedades africanas da época eram esclavagistas, para além de terem escravos vendiam-nos copiosamente aos árabes e, posteriormente, aos europeus. E, claro, omite-se totalmente um outro detalhe, o simples facto de que, em toda a história da humanidade, os europeus, leia-se, os brancos, foram os únicos a considerar a escravatura errada e a pôr-lhe fim.
Bom, é claro que também não se fala nos muitos europeus levados como escravos para o Norte de África, esses, sim, pessoas livres raptadas em razias cometidas pelos chamados Piratas da Berbéria até bem tarde, pasme-se, até ao século 19! Mas como são brancos, não contam...
Aliado a tudo isto surgem cada vez mais “heróis” africanos, que o são apenas por terem lutado contra os brancos. É claro que os “iluminados” que os elogiam não se dão ao trabalho de analisar as razões dessa luta – por exemplo, Gungunhama lutou contra os portugueses apenas porque queria manter o seu muito lucrativo comércio de escravos com os árabes.
É, também, chique encontrar todo o tipo de falhas e defeitos em figuras de renome europeias. Já as de outras raças eram todas umas santas almas que só faziam o que faziam por terem em mente o bem-estar dos seus povos...
Mais ainda, fica-me a sensação de que se procura denegrir, precisamente, as figuras que mais significam para os portugueses, isto para referir apenas o nosso caso. Ainda muito recentemente tivemos dois casos paradigmáticos referentes a Camões e a D. Afonso Henriques.
Uma iluminada berrou alto e bom som a sua indignação face à celebração dos 500 anos de Camões porque ele terá sido, na sua douta opinião, um explorador, um racista e um colonialista. E tivemos a senhora Ana Gomes a dizer que não podemos ser contra os muçulmanos em Portugal porque eles já cá estavam antes de D. Afonso Henriques! Pois, devem ter surgido aqui de geração espontânea...
Tenho, até, ouvido e lido que não houve Reconquista do que é hoje Portugal, tratou-se, isso sim, de uma violenta Conquista de territórios a que não tínhamos qualquer direito. Não admira haver movimentos muçulmanos que afirmam, alto e bom som, que a Ibéria é deles e que tudo farão para a reconquistar.
O cristianismo também recebe o mesmo tipo de tratamento. Passamos a vida a ouvir falar na sua expansão pela força e nos crimes que cometeu para o fazer, mas se for o Islão, a história é outra, segundo parece espalhou-se totalmente de um modo pacífico.
Curiosamente, as igrejas cristãs viradas para povos nativos, fosse na terra deles ou entre escravos, sempre assimilaram rituais e deuses locais. Mais ainda, a maioria esmagadora dessas populações mantinha as suas religiões onde sempre as praticara, ou seja, nos seus lares, perante a indiferença das autoridades.
Mas o islão não permite o mínimo desvio, uma cerimónia numa mesquita no interior rural de África é exatamente igual à mesma numa de uma grande capital do Norte de África. E há um outro aspeto, os tais esclavagistas árabes de que não se fala levavam, preferencialmente, mulheres e rapazes até aos 8/9 anos – e alguns homens adultos para as minas e outros trabalhos duros onde a esperança de vida era curtíssima. Esses rapazes eram transformados em fanáticos religiosos e reenviados para as suas terras de origem como um grupo armado que destruía todos os sinais de cultos locais e impunha, sobretudo às mulheres, uma versão rígida da sua religião. Mas tudo bem, era apenas uma luta gloriosa contra a ignorância e a crendice.
Como último ponto, vou relatar algo que se passou durante a minha visita à barragem de Assuão. Alguém comentou o facto de os negros que ali residiam há séculos terem sido confinados em aldeias onde viviam parcamente do turismo, ou seja, de serem exibidos aos muitos grupos que visitam aquele local e de umas pequenas vendas de artesanato aos ditos, tendo perdido as suas terras de cultivo e de pastoreio. Comentário do guia egípcio muçulmano? Pois, é o que acontece quando uma civilização superior encontra uma inferior.
Imaginem se fosse um branco a dizer isso!
Para a semana: Indisciplina e violência nas escolas. É altura de fazer alguma coisa.
