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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

05
Jul25

195 - Profissão: manifestante

Luísa

O título deste post refere-se a um fenómeno social, infelizmente não restrito ao nosso país, e que tem aumentado cada vez mais nos últimos anos: a existência de pessoas que estão presentes em tudo o que é manifestação – bom, só as “boas”, claro – apesar de na maior parte dos casos não terem a mínima ideia do que está em causa, ou seja, o que estão a protestar.

Dizem-se, claro está, de esquerda, ou antes, não de direita – pois, não é a mesma coisa, é que ser de algo significa ter e apoiar todo um conjunto de ideias e de opções para a sociedade. Pequeno detalhe, quando falam em direita, esse termo refere-se a todos os que não concordam com o que os Iluminados, os Donos da Verdade, consideram correto. Mas atenção, não é preciso sequer saber o que uma pessoa pensa para que seja apelidada de direita, não, basta que se diga por aí que o é.

Acham que não é bem assim? Bom, há uns anos, alunos de uma das mais famosas universidades americanas, penso que Harvard, entraram em protestos e manifestações contra o convite endereçado a um escritor para dar ali uma conferência. Não o queriam porque “era fascista”. Pois bem, um jornalista, ainda restam alguns dignos desse nome, deu-se ao trabalho de entrevistar dúzias desses manifestantes, escolhendo os mais vociferantes. E ficou espantadíssimo ao ver que a maioria esmagadora nem o nome do dito escritor sabia, muito menos o que escrevera. Mas... ouviram dizer que era “fascista”, por isso ali estavam a mostrar a sua indignação.

E se na semana seguinte houvesse um convite a outro intelectual que não agradasse sabe-se lá a quem – é que os “eles” do célebre “diz-se que” são sempre anónimos – é claro que os mesmos voltariam a manifestar-se.

E o mesmo se passa por toda a Europa. Se forem perguntar a muitos dos que aparecem nas inúmeras manifestações contra tudo e mais alguma coisa, muitos nem sabem dizer ao certo qual é o “tema” daquele protesto específico. E dos que conhecem o mote do dia pouquíssimos saberão explicar o que pretendem obter ou qual é o mal contra que protestam.

Já viram as entrevistas feitas aos “climáticos”? Em termos de conhecimentos e ideias são de uma pobreza mais do que franciscana. Mas isso não os impede de aparecerem sempre para “protestar contra a tragédia climática”. Curiosamente, só o fazem na Europa e EUA, onde podem berrar que “um polícia empurrou-me”. É que, como todos sabemos, só os europeus – excluindo a Rússia, claro – e os americanos é que são maus para o clima.

Infelizmente, como disse, o fenómeno, apesar de bastante generalizado no mundo ocidental, tem no nosso país uma outra vertente: a dos sindicatos e partidos de esquerda. É que não sei se já repararam, mas nas milhentas “marchas de protesto” promovidos por eles vemos sempre as mesmas caras. E, tal como nos exemplos acima, as razões que indicam são sempre extremamente vagas, por exemplo, melhores condições de trabalho, um slogan sempre muito popular.

Outra vertente curiosa destas manifestações é que os seus participantes têm, na maioria, ar de já estarem reformados há muito tempo. Ou seja, exigem melhores salários, menos horas de trabalho, etc., por pura bondade de coração, é que nada disso lhes diz respeito. E quando falo em vermos as mesmas caras, independentemente do setor em causa, digo-o devido a uma característica minha: sou péssima a fixar caras de simples conhecidos, mas memorizo de imediato as de muitos desconhecidos que me chamem a atenção por alguma razão. E não me refiro aos membros – cada vez menos – dos partidos de esquerda ou a líderes sindicais mas sim aos “populares” que aparecem sempre para mostrar a sua justa indignação.

E se em vez de uma causa laboral o protesto for contra o “fascismo”, o “racismo”, etc., pois, lá estão os mesmos das marchas sindicais a berrar os slogans do dia. E não nos esqueçamos de que muitas dessas manifestações têm causas no mínimo pouco claras, quando não são mesmo enganadoras. Por exemplo, a que foi feita junto ao Teatro A Barraca por causa do suposto ataque neonazi a um dos atores – e por falar nisso, não é estranho que depois de tanto aparato e de tantas versões diferentes por parte do dito o caso tenha simplesmente desaparecido da comunicação social?

Alguém fala em limitar e controlar a imigração descontrolada? Marcha-se pela tolerância e contra a xenofobia e racismo, tudo isto sem que nos expliquem porque é que querer ter uma palavra a dizer sobre quem vem viver para o nosso país entra nessas categorias.

Temos também, como causas desses manifestantes profissionais, os direitos do pessoal do alfabeto – sabem os LB... – e os direitos das mulheres. Mas atenção, no caso destas não quando se trata de ter pessoas transgénero em desportos femininos. Ou quando há repetidos casos de assédio, ataques e violações por parte de, digamos, “não nacionais”.

É que pelos vistos a agenda desses profissionais do protesto tem prioridades – por exemplo, onde esteve a indignação pelo motorista de autocarro que quase foi queimado vivo por ser branco? E o caso recente de um natural do Bangladesh morto por “dois jovens” – pois, curiosamente sem detalhes – à frente da mulher e da filha?

Resumindo, para além de serem, de facto, manifestantes profissionais, são claramente “ativados” por certos chavões e não pelos factos da questão em causa. O que não espanta, uma vez que, como disse e repito, a maioria desses “protestantes” não os conhece e, pior ainda, nem sequer os quer conhecer, basta-lhes a satisfação de saberem que estão do “lado certo” da barreira – bom, de acordo com o famoso “dizem que...”

Para a semana: Pequenas mudanças, grandes resultados Da lei da greve ao reagrupamento familiar, bastariam "pequenas" alterações para mudar muita coisa.

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