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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

18
Abr25

184 - Vida Justa

Luísa

Não vou falar do movimento com este nome, mas confesso que foi, de certo modo, a inspiração para este post. É, supostamente, algo que defende os bairros, certos bairros, entenda-se, impedindo despejos e ações similares. Curiosamente, muitos dos seus protestos têm a ver com a defesa de pessoas que ocupam ilegalmente casas ou terrenos. O seu mote é que todos têm direito a casa e sustento, mesmo se estiverem ilegalmente no país.

E eu até concordaria, se não fosse o pequeno detalhe de que quem assim fala ignora totalmente o direito à tal vida justa dos donos desses prédios e terrenos e dos muitos portugueses que labutam para sustentar todas essas benesses que movimentos desse tipo exigem para quem nada faz – pelo menos de bom, é que se a criminalidade pagasse imposto...

É muito popular e de bom tom mostrar preocupação com os muitos ilegais que se encontram em Portugal. Ouvimos continuamente o choradinho sobre as más condições em que vivem, o seu direito a ter a uma casa condigna e, claro está, subsídios que lhes permitam viver “com dignidade”.

Mas... será que os que cá vivem legalmente, sobretudo os portugueses que sempre trabalharam e veem uma fatia cada vez maior do seu salário a ser-lhes retirada em impostos e taxas de todo o tipo, não têm o mesmo direito a uma casa decente e que possam pagar? A ajudas e subsídios razoáveis quando atingem uma idade avançada e só têm a chamada pensão social?

Ouvimos, também, falar de estrangeiros que vivem num quarto com os filhos menores ou num apartamento pequeno para o tamanho da família. Pergunto eu, quantos portugueses vivem à molhada com os filhos adultos, às vezes casados e com filhos, porque estes não conseguem pagar uma casa sua? Onde está a vida justa para estas pessoas?

O termo “justo” é, também, muitas vezes aplicado aos supostos maus tratos infligidos pela polícia a alegados criminosos, sim, alegados porque, facto curioso, quando há desacatos ou crimes a polícia erra sempre o alvo e os que prendem são sempre uns inocentinhos que estavam ali por acaso...

Mas será justo que portugueses decentes e honestos vivam aterrorizados nas suas próprias casas e locais de trabalho devido ao aumento crescente de crimes violentos perpetrados, quase sempre, por pessoas estrangeiras que, em muitos casos, nem deviam cá estar? Lembro que um “bom” cidadão estrangeiro matou um jovem em Braga, isto apesar de ter sido extraditado pelos EUA para o Brasil devido ao seu cadastro violento como membro de um perigoso gangue – mas aposto que agora cumprirá pena em Portugal – isto se não for ilibado – e no final não faltarão almas caridosas a pedir que cá fique porque, claro está, tem filhos nascidos neste país.

Continuando o tema dos ilegais, não vos choca o tom acusatório com que os ditos falam de estarem horas – ou dias – à espera de serem atendidos? Ou seja, cometeram um crime – sim, a permanência ilegal num país é crime – e querem ser tratados com paninhos quentes? Acham que têm o direito de verem a sua situação resolvida com toda a celeridade, sabe-se lá à custa de quantas irregularidades? Ou será que alguém acredita que vão manter o suposto emprego que lhes deu a legalização? Isto para não falar no local de residência que apresentam na altura, lembro as mil e tal pessoas que residiam, supostamente, no mesmo pequeno apartamento em Lisboa, morada oficial de alguém do Bangladesh naturalizado português, apesar de precisar de intérprete no tribunal – lembro que o processo de nacionalização exige um bom conhecimento da língua portuguesa.

Temos, também, a notícia recente de que as escolas vão ter elementos – pagos por todos nós, é claro – para ajudar à integração das crianças imigrantes. Ou seja, não há dinheiro para apoiar o ensino especial nem sequer para ter auxiliares de apoio a crianças com deficiências, físicas ou mentais, mas quando se trata de imigrantes abrem-se os cordões à bolsa? Até poderia ser uma boa solução para evitar problemas futuros, supostamente por inadaptação das ditas criancinhas, se não soubéssemos que não vai dar em nada, muitos imigrantes, direi, até, uma boa fatia deles, não se integra porque não quer. Mais ainda, vêm para o nosso país com a ideia fixa de nunca, mas mesmo nunca, deixar os filhos – e sobretudo as filhas – adotarem os usos e costumes locais.

E por falar em escolas, atendendo à tremenda falta de creches, infantários e pré-escolas que existe há anos no nosso país, será justo que muitos desses lugares sejam ocupados pelos filhos de pessoas que não trabalham, pior ainda, que vivem do erroneamente chamado rendimento mínimo? Porque não se dá preferência a quem precisa mesmo de um lugar decente onde deixar os filhos enquanto está a contribuir para a economia deste país? Onde está a tal vida justa para quem se esforça?

Já agora, será justo que os pais que conseguem, muitas vezes à custa de grandes sacrifícios, porem os filhos no ensino privado para receberem uma educação decente, terem de pagar, à mesma, por um sistema educativo público de qualidade muitas vezes medíocre ou até duvidosa e que seria ainda pior se não fossem os explicadores? Sim, espantosamente, há-os até para o primeiro ano! Isso não é pagamento duplo?

Finalmente, a saúde. Será justo vermos tanta preocupação devido à falta de acompanhamento médico de quem aqui reside ilegalmente quando há tantos portugueses que esperam há anos por um médico de família? Ou que desesperam por uma operação que lhes pode dar, no mínimo, uma melhor qualidade de vida e que chega, sabe-se lá quantas vezes, tarde demais?

Pois, como em muitas outras áreas, a exigência de uma “vida justa” é apenas para alguns, os do costume.

Para a semana: Falemos de novo da mulher  À luz de acontecimentos recentes, é altura de voltar a este tema

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