15 - A (des)igualdade de género
Este é um tema atualmente muito na moda e não há politiqueiro que se preze que não jure estar totalmente empenhado em garantir esta sacrossanta igualdade, por decreto, é claro. Já temos, inclusive, quotas em vários setores para obrigar à paridade, outro termo também muito usado.
E o que se entende por igualdade de género? Pois bem, de acordo com essas almas iluminadas é ter em todos os setores, ou pelo menos nas áreas que consideram importantes, o mesmo número de homens e mulheres.
E quais são as tais áreas importantes? Em primeiro lugar, a política, claro, onde ouvimos continuamente lamentos por haver tão poucas mulheres na Assembleia da República, Câmaras, poder local e até nos corpos diretivos dos partidos.
Mas será que já alguém perguntou às mulheres se estão interessadas em fazer política, sobretudo a política que se faz neste país? É claro que havendo quotas e obrigatoriedade de “encher cadeiras”, elas lá vão aparecendo. Mas muito francamente, se a minha confiança em políticos já é baixa, a que me merecem essas figuras que aceitam esse papel desce tipo Fossa das Marianas! E em vez de medida motivadora, torna-se um desincentivo para quem gostaria realmente de se dedicar à política, local ou nacional.
A segunda área considerada importante é a dos lugares diretivos em empresas, sobretudo nas grandes empresas. E o argumento é sempre o mesmo, as mulheres não podem dedicar tanto tempo ao emprego porque têm de cuidar do marido e dos filhos pequenos ao passo que os colegas homens têm uma esposa que faz isso, por isso precisam de uma “ajudinha”.
Já agora, um facto que sempre achei curioso é que num país onde passamos a vida a ouvir lastimar a baixa taxa de natalidade, quando se fala de assuntos como este as mulheres em questão têm sempre filhos pequenos...
E qual é a solução apresentada? Quotas, claro! Ou seja, preencher esses lugares com pessoas que trabalharam (e vão trabalhar) menos que os colegas e que, muitas vezes, não têm sequer as qualificações e experiência necessárias. Mas o importante é poder dizer que se caminha para a paridade!
Quanto a isto, tenho dois comentários a fazer. Primeiro, não acham que este sistema achincalha as mulheres? É que a partir do momento em que algumas são promovidas apenas por causa da paridade, isso lança sobre todas as mulheres em cargos similares a suspeita de estarem lá pela mesma razão. E em vez de ser um elemento de capacitação feminina, torna-se, isso sim, uma boa desculpa para passar a menosprezar o que todas fazem.
Segundo, será que a maioria das mulheres deseja mesmo uma carreira em que têm de trabalhar longas horas e praticamente não ter tempo para uma vida privada? Não preferirão um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional? Aliás, não é essa uma das grandes diferenças, leia-se, qualidade, atribuída à mulher, o estar mais em contacto com o ritmo natural do mundo, o não ser uma obcecada por trabalho e carreira?
O problema é que com o ambiente em que se vive atualmente, poucas se atreveriam a confessar que não estão interessadas em passar de um determinado nível porque isso implicaria dar um peso excessivo ao lado laboral das suas vidas, em detrimento de mais tempo para si, para amigas e, sim, para os filhos.
Uma outra coisa que acho curiosa nisto da paridade é que só funciona num sentido, ou seja, em profissões ou áreas em que as mulheres estão em minoria, nunca naquelas em que estão em maioria.
Por exemplo, sabiam que 2006 foi o último ano em que houve mais juízes do que juízas? Sim, 841 homens versus 809 mulheres. A partir do ano seguinte, esses valores inverteram-se e em 2020 havia 1072 juízas e apenas 659 juízes! Depressa, criemos quotas para os homens na magistratura!
O mesmo se passa em medicina, em 2006 os números de médicos / médicas eram 19 343 / 17 581, mas em 2020 já eram 25 019 /32 179! Quotas?
Temos ainda os números de diplomados do ensino superior, em que pelo menos desde 1984 (não encontrei dados anteriores) o número de mulheres ultrapassa largamente o de homens, sendo em 2020 de 51 200 / 36 533.
Há ainda o caso curioso de não incomodar ninguém os infantários e a pré-primária terem quase 100 % de mulheres a tratar das criancinhas que os frequentam e de poucos professores haver no ensino primário. Não seria desejável aumentar, por quotas, claro, o número de homens nesses setores tão fundamentais para a formação da criança, de modo a dar-lhe uma visão mais equitativa da sociedade de que fazem parte?
Muito francamente, se querem realmente uma sociedade paritária no verdadeiro sentido do termo, comecem por meter na cabeça das pessoas, desde bem pequenas que o que conta é o que fazemos e não quem somos. E a respeitar o local de trabalho e os colegas, sejam de que “género” sejam (pois, agora já não há sexos...) por aquilo que são, sítios onde se trabalha.
Finalmente, temos ainda a igualmente famosa desigualdade salarial.
Nas primeiras vezes em que ouvi falar disso, confesso que fiquei chocada, pensei que significava que, pelo mesmo trabalho, as mulheres recebiam menos do que os homens. Pois, acontece que não é isso, mas sim a média dos salários recebidos pelos homens que trabalham comparada com a média dos salários das mulheres que o fazem.
Ora na minha opinião, este critério está viciado à partida. E não, nada tem a ver com a tal falta de mulheres em cargos diretivos, o problema está no extremo oposto da escala de salários.
E porquê? Todos sabemos que uma fatia considerável da nossa população tem poucas ou nenhumas qualificações. E é aí que está o problema. Uma mulher não qualificada acaba a trabalhar em limpezas ou em trabalho fabril não diferenciado. Um homem nas mesmas circunstâncias torna-se pedreiro, canalizador, carpinteiro, enfim, profissões com mais poder salarial.
E o mais curioso é que as pessoas que tanto berram pela paridade não acham “natural” uma rapariga dedicar-se a estas atividades. Veja-se o que acontece atualmente em que na pré-primária uma miúda mostra interesse por carros, máquinas de qualquer tipo e similares, então é porque é realmente um rapaz num corpo de rapariga! Mas este será assunto para um outro post.
Só uma nota final: os dados que apresentei são PORDATA.
Para a semana: Negacionistas – sim, os tais que são tão burros...
