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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

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Luísa Opina

24
Dez21

13 - E é Natal

Luísa

Primeiro uma pequena nota, quando indiquei a semana passada que iria falar a seguir de “A (des)igualdade de género” tinha-me esquecido de que estávamos a chegar ao Natal e Ano Novo. Esse tema fica pois adiado.

E passemos ao assunto da semana que é agora o Natal.

Quer sejamos ou não muito religiosos, o Natal é uma época especial com toda uma carga afetiva e familiar. Boas ou más, quem não tem recordações dos Natais da sua infância? Para uma boa parte de nós, não é uma festa religiosa, é, isso sim, uma altura de celebrar laços familiares, de pensar em amigos e parentes de que, muito francamente, nos esquecemos o resto do ano, enfim, para nos maravilharmos com decorações, presentes e todo o aparato que cada vez mais rodeia estas festas.

Sim, concordo que o Natal se tem tornado “muito comercial”, mas o que eu acho curioso é que mudar isso depende apenas de nós, começando, por exemplo, a educar as novas gerações para outros costumes, mais simples e pessoais. Mas eu sempre suspeitei que, bem no íntimo, a ideia dos presentes “no sapatinho” nos encanta e que muitos dos suspiros e queixas são, como se dizia antigamente, “para inglês ver”.

Mas o mais importante desta época é, ou devia ser, a família. Não é por acaso que em países comunistas em que houve a tentativa de acabar com o Dia de Natal este recebeu durante uns tempos o nome de Dia da Família.

Esta reunião familiar nem sempre é muito desejada e é, até, frequentemente stressante, mas, mais uma vez, depende em grande medida de nós fazermos dela algo melhor. Em vez de a vermos como algo “que tem de ser”, não seria bem melhor encará-la como uma oportunidade? Sobretudo quando envolve gerações mais velhas pode muito bem ser uma rara ocasião para sabermos mais sobre os nossos antecedentes familiares, costumes antigos e tudo isso.

Além disso, face ao atual ataque sistematizado ao Natal, por poder ofender quem não é cristão, dizem-nos, muitos estão a reagir tentando fazer reviver tradições que caíram no esquecimento, algumas delas bem antigas. E é sempre bom não deixar cair o passado, é que tradições e costumes não são só dos outros, nós também os temos e em abundância.

E se temem esta época por terem de lidar com parentes de que não gostam particularmente, em vez de passarem dias ou até semanas a lastimarem essa inevitabilidade, estragando assim todo esse período, enfrentem a situação de alma alegre, mantendo bem presente a ideia de que é só por um dia.

Bom, e não se pode falar de Natal sem referir a muito repetida frase, “é pena não ser Natal todo o ano.” Porque não? O que nos impede de concretizar essa ideia?

Não me refiro, claro, a uma festa de arromba todos os dias, presentes e todo esse aparato, até porque não é esse, ou não devia ser, o espírito do Natal. Mas podíamos muito bem manter vivas durante todo o ano algumas das coisas que fazemos nesta época.

Os tais familiares e amigos a quem só telefonamos nesta data para desejar Boas Festas? Pois bem, que tal criarmos uma lista com esses nomes e todas as semanas telefonarmos a um ou mais, só para saber como vão? Chegados ao fim da lista, é só recomeçar. E, quem sabe, até pode ser que com um contacto mais frequente acabemos por descobrir afinidades que nem sabíamos que existiam.

Os donativos e tudo o que damos nesta época, em parte porque sentimos uma pontinha de culpa por gastarmos tanto em presentes? Que tal espalharmos isso durante o ano? Muitas instituições e organizações até agradeceriam, são forçadas a gerir muito bem o que recolhem agora para que dure durante “a época magra” que é, infelizmente, uma boa parte do ano.

E o nosso contributo não tem de ser só em dinheiro ou outros bens. É que apesar de lastimarmos o atual materialismo em que vivemos, quando se trata de ajudar a única ideia que vem à mente é auxílio monetário. Mas nem sempre o que as pessoas realmente precisam pode ser comprado.

Por exemplo, fazem ideia de quantas pessoas no vosso prédio, quarteirão ou bairro vivem sozinhas? E que são na sua maioria idosas e a precisarem de ajuda, mas não necessariamente financeira. Não seria boa ideia tentarem conhecer algumas delas e ver se precisam de apoio com idas às compras ou coisas desse género? Ou dar-lhes, até, muito simplesmente, uns momentos de conversa que lhes cortem a solidão.

E há ainda os lares de idosos. Que tal contactarem um deles para saberem quantos residentes nunca recebem visitas ou até telefonemas? Aposto que são muitos. Não seria bom combinar com a direção desse lar visitas periódicas a um desses idosos? Não agora, claro, com as restrições por causa da pandemia, mas estas não durarão para sempre (esperemos!), e a vida voltará ao normal. Isto seria, de certo modo, “adotar” um idoso. E acreditem, para essa pessoa, passaria a ser Natal o ano todo.

E os presentes? Há tanto que pode ser feito nessa área! Coisas pequenas, mas que mostram a quem as recebe que estamos a pensar nelas. Pode ser tão simples como reforçar as doses de um bolo ou de uma refeição favoritos de um familiar, amigo ou vizinho para lhes podermos dar uma parte. Passar as revistas que compramos a alguém que sabemos que gosta de as ler mas não as adquire por falta de dinheiro ou por não poder gastar dinheiro em frivolidades. Pode ser, até, emprestar um livro que achamos que essa pessoa vai adorar ler.

Em todos estes casos de “Natal todo o ano”, e em muitos outros de que certamente se lembrarão, não é preciso gastar rios de dinheiro nem montes de tempo, basta um pequeno esforço pensado à medida do destinatário. E, acreditem, o resultado é muitas vezes melhor acolhido e bem mais útil do que o muito que fazemos, muitas vezes por um mero sentimento de obrigação, durante a época natalícia oficial.

Dito isto, Feliz Natal para todos!

Para a semana: Intenções de Ano Novo – sim, fazemo-las todos, mas darei umas dicas para que seja possível cumpri-las.

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