113 - Pobres Jovens!
Um dos leitores deste blogue chamou-me a atenção para o Projeto de Lei 332/XV que o PS aprovou dia 7 de dezembro, ou seja, no último dia do prazo alargado – mais a borla de uma semana – que o senhor de Belém decidiu dar a Costa e seus muchachos para poderem manobrar e assinar tudo e mais alguma coisa com vista a cair nas boas graças dos seus votantes usuais. Estou muito grata por esta chamada de atenção, uma vez que é uma lei gravíssima.
E aqui fica o link que recebi.
Basicamente, as crianças passam a ter, desde os 7 anos, o poder de decidir a sua “identidade de género”, pior ainda, podem iniciar, ainda adolescentes jovens, os tratamentos para a transição, sem consultas psicológicas e à revelia da vontade dos pais – que, evidentemente, terão de pagar tudo e mais alguma coisa.
A teoria subjacente é que o sexo, no sentido de género, não é biológico mas sim uma construção da sociedade. E, perante isto, as escolas passam a ter o direito de denunciar pais que, na sua opinião, não respeitem a vontade da dita criancinha, podendo, até, verem ser-lhes retirados os filhos.
Mas passemos ao mais importante, a denúncia dos pais à Comissão de Menores se a escola ou um professor achar que não apoiam devidamente o seu filhote ou se este se lembrar de fazer queixinhas.
A minha pergunta é esta, porque não estendem isto a outras situações? Por exemplo, a violência doméstica. Sabe-se há muito que crianças que vivem num ambiente desses acabam por se tornar, em adultas, agressores ou vítimas. E há desde há muito toda uma série de sinais de alarme a que escola, professores e outro pessoal deviam estar atentos. Mas não, a única preocupação é a identidade de género...
E temos também a pedofilia. Também aqui há toda uma lista de sinais de alarme há muito conhecidos. Mais ainda, sabe-se que mais de 90 por cento dos casos decorrem no seio familiar ou envolvem amigos da família – ou seja, é terreno propício para que em caso de dúvida se retire a criança. Mas o que é que a escola faz? Nada! Há algum projeto-lei sobre o assunto? É claro que não! Mas não admira, como temos visto a pedofilia só é grave se o seu autor for padre...
E temos, depois, um outro aspeto deste projeto-lei e de decisões similares, é que não abrangem toda a gente, as atenções focam-se única e exclusivamente em cristãos e brancos.
Que liberdade é que acham que tem um rapaz ou rapariga muçulmanos que decidam que estão no corpo errado? Pois, têm sorte se não sofrerem um “acidente” doméstico que os ponha no cemitério. Mas tudo bem, se calhar até nem têm de estar presentes quando se discute esse assunto, para não ferir as suscetibilidades...
E já que estão tão preocupados com dar o poder de decisão aos jovens, que tal levarem isso a sério e proibirem o uso de hijab, burcas e similares a menores de 18 anos? E se houver provas – perdão, suspeitas – de que os pais as obrigam a cumprir com ditames desses, bom, tirem-lhes as criancinhas para que, num ambiente neutro e sem pressões, possam decidir sozinhas.
E a mutilação feminina? Que poder de decisão têm essas raparigas que passarão a sofrer dores e todo o tipo de problemas para o resto da vida? Mas tudo bem, são os costumes.
E quando raparigas – sim, os casos maus são quase sempre com elas – são impedidas de estudar para terem um futuro melhor e são casadas mal o podem fazer com um homem escolhido pela família? Não era de as retirar desse ambiente tóxico, o termo da moda?
Muito francamente, começo a pensar se a esquerda não anda numa campanha para reduzir a população. É que um jovem que inicie o processo de transição, mesmo que se venha a arrepender mais tarde, bom, azar, já é estéril! Ou seja, os iluminados patrocinadores desta lei acham que um jovem de 13 / 14 anos tem maturidade suficiente para analisar os prós e contras desta questão e interiorizar a ideia de que é uma decisão irreversível.
Já agora, recomendo a leitura desta coluna do Observador.
Tudo isto seria absurdo se não fosse tão grave. E, mera curiosidade, saíram esta semana os dados da avaliação PISA de 2022, em que os jovens portugueses desceram em tudo, sobretudo na compreensão da língua portuguesa. Ou seja, não sabem interpretar um texto, mas podem decidir sobre um assunto complexo e com consequências futuras tão graves como é a mudança de sexo...
O que mais me choca nisto tudo é a leveza com que se trata um problema psicológico grave como é a disforia de género. É que, ao contrário do que nos tentam enfiar goela abaixo, não é uma moda nem uma escolha, é algo gravíssimo que não se cura com uma mera mudança de sexo, muito menos se esta é feita em jovens que ainda não atingiram a maturidade física.
Já agora, temos toda esta preocupação com criar um ambiente inclusivo nas escolas... pois, se que pelos vistos é mais um termo cujo significado foi alterado pelos donos da verdade. É que ainda há bem pouco tempo vi uma reportagem sobre um rapaz autista que sofria bullying na escola, perante a indiferença de todo o seu pessoal. Mas se dissesse “sinto-me rapariga”, aí, sim, ai de quem o insultasse, de facto ou na sua imaginação.
Uma última nota, no artigo que mencionei no início deste post ficou-me, sobretudo, uma declaração de Jorge Sarmento Morais, chefe de gabinete do Ministro da Educação. Diz essa luminária, “O papel das escolas é retirar as crianças à família para as fazer crescer em comunidade.”
E eu que pensava, na minha ingenuidade, que o papel das escolas era preparar as crianças para a vida em sociedade! Mas, pelos vistos, existem para lavar o cérebro aos jovens e transformá-los em máquinas acéfalas que só fazem e dizem o que os Iluminados do costume entendem ser correto.
Para semana: Há populismo e... populismo. Sim, não nascem todos iguais!
