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Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade. Haverá um novo texto todas as sextas-feiras

Luísa Opina

17
Jan26

221 - Venezuela e similares

Luísa

Apesar de com algum atraso, pelo memos no caso da Venezuela, vou falar um pouco de algumas questões internacionais que têm ocupado os meios de comunicação, bom, isto nos poucos intervalos deixados pela campanha eleitoral, sondagens para todos os gostos e mil e um comentadores de ambas.

Comecemos pela Venezuela. Não entendo o espanto com que foi recebida a notícia da captura do Maduro, uma vez que o Trump disse repetidas vezes que o iria fazer. Mas o que não me espanta mesmo nada é o tipo de reações com que esse ato foi recebido.

A primeira indignação veio da “grave violação do direito internacional” que, curiosamente, só é evocado quando os Estados Unidos ou Israel estão mais ou menos envolvidos. Falou-se também muito da ilegalidade de “raptar” um governante legalmente eleito... bom, só se for à moda da Rússia, China e Cuba, os únicos países democráticos para a esquerda e os bem-pensantes usuais.

Pior ainda, já há vários anos que o Maduro não passava do líder de um grande cartel de droga, sobretudo para exportação para os EUA, garantindo assim, graças aos seus chorudos lucros, o apoio das Forças Armadas. Lembremo-nos que aquando da eliminação de lanchas rápidas usadas nesse tráfego o dito veio a público denunciar o ataque a “navios” venezuelanos.

Tivemos, depois, a enorme preocupação com as más condições da prisão onde aguarda julgamento, juntamente com a sua cúmplice, a mulher. Pelos vistos, as prisões venezuelanas repletas de presos políticos são verdadeiros hotéis de cinco estrelas, pelo menos nunca ouvimos a menor preocupação quanto ao modo como essas pessoas estavam a ser tratadas.

Veio, depois, a crítica de que Trump só tinha eliminado Maduro, deixando ativo o resto do seu governo. Até entendo isto, já tinham todos o seu discurso muito bem preparado para criticar a instalação de um governo fantoche dos americanos e tiveram de o meter na gaveta.

Temos, também, o petróleo venezuelano de que, diga-se de passagem, os EUA não têm a menor necessidade. O grande argumento, repetido à saciedade pela substituta do Maduro, é que pertence ao povo venezuelano. Pois, quando estava a ser entregue à Rússia a troco de sucata militar e sabe-se lá que mais ou vendido a preço de saldo à China para ir atenuando a enorme dívida contraída com este país, também sem que se saiba a troco de quê, estou certa de que o povo desfrutou dos lucros obtidos!

Não é giro que os mesmos que continuam a viver “à sombra da bananeira” da PIDE e do Salazar não tenham o menor problema em elogiar e apoiar as piores ditaduras desde que tenham a “cor” correta? E que os que tanto falam das prisões políticas no tempo da nossa ditadura  nada tenham a dizer quando se veem perante os muitos milhares presos, torturados e mortos na Venezuela? Isto para não falar da China...

Vimos, até, cúmulo dos cúmulos, manifestações na Europa e nos EUA a favor da libertação desse tão democrático e honesto senhor. Curiosamente, pouco ou nada se falou dos milhões que saíram daquele país para fugirem à fome, falta de medicamentos e perseguição política. E até nem seria difícil encontrá-los, a Colômbia, por exemplo, está cheia deles!

Como último detalhe, adorei o pânico devido à escolta de um petroleiro da Venezuela por um navio de guerra e um submarino russos – pois, deviam ter ficado em casa, viu-se, mais uma vez, que se lhe fizermos frente a sério a Rússia recua – e se estão a pensar na Ucrânia, lembro que durante vários dias a única reação da União Europeia e do Biden foi oferecer asilo político ao Zelensky, uma aprovação tácita da ocupação total desse país pelos russos.

Passemos, agora, ao segundo tema, o Irão, mais uma vez um belíssimo escaparate da hipocrisia da esquerda e não só. Foram precisos vários dias de manifestações em massa por todo esse país para a nossa comunicação social lhes dedicar um niquinho de tempo. E, mais uma vez, os que se gabam da coragem precisa para lutar contra Salazar nada dizem da dos muitos iranianos que arriscam, eles sim, a vida nestas manifestações.

Não o digo à toa, já terão morrido mais de 1500 e, segundo ouvi hoje, as famílias só recebem os corpos se pagarem uma choruda quantia ao governo! Bom, parece que aprenderam com os seus amiguinhos chineses, na China as famílias dos presos condenados à morte recebem a conta das balas usadas.

A Internet está cheia de memes a comparar as ruas cheias de gente a berrar pela Palestina e as mesmas ruas em relação ao que se passa no Irão. Mais ainda, suspeito que se os EUA se envolverem, então, sim, teremos manifestações enormes a favor... do atual regime. Bom, já há alguns protestos de comentadores desde que surgiu o filho do xá, segundo parece o regime dos ayatollahs tem sido um brilharete de democracia e direitos humanos comparado como o que havia antes da queda do xá, sobretudo para as mulheres.

Não nos esqueçamos que o Bloco de Esquerda, o tal da “lei do piropo” – com penas de prisão de até 3 anos – esteve sempre calado em relação ao modo como as mulheres são tratadas no Irão. E quando uma delas foi presa, torturada e morta por tirar o lenço em público, vimos algum protesto? Foi considerada uma heroína por essas boas “feministas”? Bom, não me espanta nada dizerem, não nos esqueçamos de que estiveram contra a proibição da burca porque esta é um elemento “cultural”.

Só espero que, caso o regime iraniano caia, a Europa não tenha a brilhante ideia de oferecer asilo político aos seus líderes, correu tão bem quando foi o Komeini!

Resumindo, para os “donos da verdade”, só se deve falar nas situações que eles aprovam ou desaprovam e a defesa da liberdade dos povos é feita com o tipo de tagarelice a que a ONU, infelizmente, nos tem habituado ou com “flotilhas” e similares.

Para a semana: Pensar fora da caixa Fala-se muito na rapidez com que tudo muda atualmente, mas quando se trata de agir... a base continua a ser a mesma

10
Jan26

220 - Presidenciais, SNS e não só

Luísa

Com o início da campanha para as eleições presidenciais – quem diria que foi só agora! – achei que seria uma boa altura para falar um pouco disso, até porque para a semana temos o “dia de reflexão”, algo que nunca entendi, diga-se de passagem, muito menos havendo a possibilidade de votar antecipadamente, ou seja, em plena campanha eleitoral, e numa época de redes sociais impossíveis de controlar.

Começo, claro, pelo boletim de voto e o célebre caso dos 3 candidatos que não deviam lá estar. Fui ler sobre o assunto e, espanto dos espantos, parece que a culpa até nem é totalmente da CNE. É que o prazo para os rejeitados apresentarem recurso acabava a 2 de janeiro e a partir do dia 5 os boletins tinham de estar prontos. Pior ainda, esses prazos estão definidos na lei eleitoral!

É claro que dava tempo, acho eu e muito boa gente, mas a CNE não deve ter querido ser acusada de não ter os boletins prontos a tempo e horas, isto caso houvesse algum imprevisto – ou uma greve...

Analisando este caso, primeiro, acho totalmente absurdo haver tantos prolongamentos de prazos e recursos numa coisa tão simples: ou têm as assinaturas até à data anunciada ou não têm. Segundo, quem é que teve a brilhante ideia de pôr estes prazos tão apertados na lei eleitoral?

Fica-me, também, uma dúvida: o que é que a CNE tenciona fazer quanto ao ato eleitoral? Vai pôr à porta dos locais de voto um cartaz com os nomes desses 3 e a indicação de que não são candidatos? Enviaram essa informação nos envelopes do voto por antecipação? Não sei bem porquê mas suspeito que nada fizeram ou farão. Não que haja a hipótese de esses “candidatos” terem, à partida, muitos votos, mas há sempre o perigo de haver quem vote neles como forma de protesto. Sem contar que aposto que os ditos irão querer saber quantos votos tiveram numa eleição onde nem era suposto estarem.

Não sou vidente, mas antevejo um futuro próximo cheio de protestos, recursos e contestação de resultados.

Passando aos candidatos em si, das poucas vezes em que me dou ao trabalho de os ouvir fico na dúvida sobre o cargo a que se estão a candidatar. Será que leram a Constituição e estão a par dos poderes, ou falta deles, do nosso Presidente da República? Digo isto porque tenho ouvido vários deles a dizerem, “se for eleito, faço isto e aquilo”, referindo-se, por exemplo, à habitação, saúde, etc.

Ora a verdade é que não farão nada disso, nem sequer por falta de vontade, mas, muito simplesmente, porque o seu papel se limita à promulgação ou não de leis feitas pelo Governo e Assembleia da República. Seria bem mais honesto dizerem que iriam deixar o Governo governar e, acima de tudo, que não poriam as suas convicções políticas e pessoais à revelia da vontade dos eleitores. E se afirmarem que só farão as viagens estritamente necessárias à promoção do bom nome e interesses de Portugal, bom, conquistavam logo bastantes votos!

Passemos agora ao SNS e à triste notícia – mais uma – de três idosos que morreram à espera do INEM. A desculpa dada é sempre a mesma, a falta de uma ambulância disponível porque ficam retidas imenso tempo nos hospitais. E sim, é bem verdade, quem vai às Urgências vê-as paradas e o respetivo pessoal sem nada fazer, lá dentro, simplesmente à espera de terem de volta a maca em que transportaram alguém para aqueles serviços.

A questão é que isto já acontece há anos e a solução não passa por comprar mais ambulâncias – sim, fazem falta, mas ou temos milhares delas ou isto irá continuar a acontecer. Não seria bem mais lógico – e rápido – os hospitais adquirirem um stock de macas que armazenariam para serem usadas em alturas de grande afluência às Urgências? Assim, a ambulância chegava, faziam a triagem e o paciente era logo mudado para uma maca do hospital, libertando a ambulância para ir atender nova chamada.

Pequeno aparte, os célebres 4 milhões de euros das gémeas, para quantas macas dariam? Aposto que ainda sobrava para algumas ambulâncias...

Mas nem é isto que mais me indigna. Num dos casos, o senhor esteve três horas à espera, houve vários telefonemas do filho e acabou por falecer sem que tivesse aparecido alguém porque “não havia uma ambulância disponível”. E carro do INEM, também não? Porque não enviaram alguém, mesmo sem ambulância, para avaliar a situação e fazer alguma coisa? Podia ser, até, que o paciente pudesse ser levado para o hospital num carro normal, acompanhado por um elemento do INEM.

Só que, pelos vistos, também aqui se aplica o tudo ou nada de que já falei em O país do tudo ou nada. Ou seja, se não há uma ambulância para o serviço, não se faz nada e deixa-se a pessoa morrer ao desamparo – e nem pensar em sugerir a ida numa viatura normal, é que isso “não seria seguro” para o paciente.

Para terminar, falemos da Mortágua (a Mariana, não a sua maninha). Segundo li, vai passar a ter uma coluna no jornal O Público. Ou seja, a dita “senhora” fez o milagre de transformar 20 deputados em apenas 1, andou a passear-se com a namorada pelo Mediterrâneo num cruzeiro pago pelo maior financiador do Hamas, agora preso em Itália, e devemos pôr-nos em sentido para ouvir as suas tão doutas opiniões? Pois é, quando se pensa que o jornalixo não pode descer mais...

Para a semana: Venezuela e similares O Maduro merece a proteção do Direito Internacional mas os venezuelanos não? E os iranianos?

03
Jan26

219 - Este vai ser o ano da melhoria

Luísa

Apesar das notícias bombásticas de hoje, com a detenção do Maduro por forças dos EUA, não irei comentar esse assunto, apesar de me ter divertido imenso a ouvir os muitos “comentadores” chamados à pressa para, como seres iluminados que são, nos “elucidarem” sobre o assunto.

Não, vou manter-me fiel ao tema proposto e falar deste novo ano que ainda mal começou, mas sob o prisma do que podemos fazer, pessoalmente, para melhorar a sociedade em que vivemos. Ou seja, uma espécie de resoluções de Ano Novo, mas não apenas em termos de algo que desejamos para nós.

Com eleições à porta e debates, sondagens e comentários por todo o lado, a primeira terá de ser, claro, ir votar. Mas como vai ser o tema da próxima semana limito-me a dizer agora que sempre achei que se quero protestar e refilar contra os nossos eleitos, então tenho de fazer a minha parte: ir às urnas!

Mas mantendo de certo modo este tema, que tal decidirmos ser um pouco mais participativos politicamente durante este ano? Por exemplo, consultar as páginas da Câmara e Junta de Freguesia da zona onde vivemos, ver que projetos estão na calha, dar sugestões de melhorias para os que já existem, enfim, contribuir um pouco, em que seja apenas com a nossa opinião.

Sei que já estão a pensar, “de que serve fazê-lo?” Pois, se for só uma pessoa, talvez não haja grandes resultados. Mas se formos mais, então é bem capaz de haver algumas mudanças. Ou seja, não basta ficar na mesa do café a dizer mal e a criticar, fale-se, isso sim, onde a nossa voz poderá contar.

Muitos desses sites de Câmaras e Juntas de Freguesia até são muito bons e informativos a todos os níveis, inclusive o turístico, mas, caso os das da sua zona não o sejam, proponha melhorias, sugira alterações. E se souber do assunto e a sua Junta não tiver grandes recursos, bom, que tal propor-se para os ajudar?

Se tem filhos em idade escolar, eis outra área em que pode ser muito mais participativo. Sabe o que lhes é ensinado nas várias cadeiras? Já desfolhou – ou leu – os manuais e livros de exercícios por onde estudam? Muitas das parvoíces woke têm alastrado no nosso ensino, e não só, precisamente porque os seus adeptos sabem que podem contar com a inércia dos encarregados de educação para espalharem a sua endoutrinação sem qualquer tipo de oposição.

Atenção, não estou, de modo algum, a sugerir que vá à escola “partir a louça toda”, digo, apenas, que é sempre boa ideia sabermos o que andam a meter na cabeça dos filhotes em estabelecimentos oficiais – sim, bem basta a Internet e os amigos, que só muito dificilmente podemos controlar.

Preste, também, atenção aos temas da moda. O clima continua a ser muito popular, pelo menos para debitar as mesmas frases feitas que ouvimos sabe-se lá há quantos anos. Mas esqueça todo esse folclore, informe-se, isso sim, junto de fontes credíveis – aposto que terá várias surpresas, por exemplo, sabia que o gelo da Antártica, o tal que estava a desaparecer, está a repor-se com imensa rapidez e ninguém entende porquê? Faça o mesmo em geopolítica, Palestina, judeus e palestinianos, por exemplo.

E sabe qual é a enorme vantagem de estar bem informado? Os tais que preferem o folclore e que se limitam a debitar slogans odeiam que alguém responda aos seus clichés com factos e números. Resultado, deixarão de o sujeitar à sua algaraviada!

Passemos agora às pessoas. Sim, numa sociedade perfeita haveria apoios para todos, ninguém estaria só e muito menos desamparado. Mas se estamos à espera que isso se concretize só por si, então bem podemos arranjar um cadeirão ultra confortável que nos dure anos e anos! Sendo assim, porque não ir fazendo alguma coisa?

Sabe quantas organizações existem na sua zona para apoio a idosos, sem-abrigo, doentes em casa? Tem alguma ideia de quantas pessoas no seu bairro, no seu prédio, até, vivem sós e sem grande capacidade para realizar as tarefas do dia-a-dia, como compras, por exemplo? Sabe a quem se destinam os alimentos em fim de prazo do supermercado que frequenta?

Tenho defendido, em vários posts neste blogue e no outro, Ir para Novo, a ideia de fazer voluntariado em todas as idades. E até nem é muito difícil. Por exemplo, muitos centros paroquiais oferecem aulas de vários tipos e, até, acompanhamento de alunos que não podem pagar explicações.

Muitas Juntas de Freguesia oferecem, também, vários serviços de apoio e de formação – e se não os tiverem, que tal propor algo dentro da sua área profissional ou de lazer? O mesmo se passa com clubes desportivos pequenos que estão sempre a precisar de ajuda com as camadas infantis e juvenis.

Se começar a olhar à sua volta, vai ver que a dificuldade estará na escolha, face a tantas e diversas oportunidades de contribuir para uma sociedade melhor e, expressão muito na moda mas que não deixa, por isso, de ser verdadeira, muito mais solidária.

Basicamente, não avançar por 2026 alheio a tudo e a todos, concentrando-se, apenas, no seu umbigo, como se costuma dizer. Tentar, isso sim, conhecer melhor o local onde vive e as pessoas que ali habitam, as suas necessidades e os seus anseios, e ver se pode fazer alguma coisa, por muito pequena que seja, para minorar umas e concretizar os outros.

Recorrendo a mais um cliché, também ele bem verdadeiro, “nenhum homem é uma ilha”. E já é mais do que altura de tentarmos formar, no mínimo um arquipélago em vez de gastarmos todo o nosso fôlego e forças a criticar e a dizer, suspirando, “Era bom que isto ou aquilo se realizasse...”

Pois bem, não suspire, faça!

Para a semana: As Presidenciais! Para não ferir o “dia da reflexão”, antecipo uma semana este tema

27
Dez25

218 - Mais um ano que passou

Luísa

Vou deixar para a próxima semana algumas ideias de melhorias, a nível pessoal e também no que diz respeito à sociedade em que vivemos. Esta semana, e à semelhança do que a comunicação social costuma fazer, irei falar de alguns acontecimentos deste ano que me chamaram mais a atenção, infelizmente sempre pela negativa.

Começo pelo tremendo aumento da criminalidade violenta. Sim, bem sei, é só “perceção”, sempre houve crimes destes no nosso país, enfim, as “aspirinas” do costume. O certo é que é rara a semana em que não se ouça falar de tiroteios na via pública, esfaqueamentos, assaltos à mão armada, enfim, um sem número de ocorrências muito pouco usuais até há bem pouco tempo. Isto para não falar nos muitos casos que não vão parar às estatísticas da Polícia por não haver uma queixa formal – para quê, se há sempre um juiz “bondoso” pronto a libertar os coitadinhos dos supostos criminosos?

Refiro-me, claro, ao assédio na via pública por parte de gangues para roubar a pessoa cercada e muitas outras situações que tornam um inferno a vida de quem tem de passar por certas zonas das nossas cidades. Pior ainda é a reação quando os agressores não são brancos / portugueses, quem se queixa é logo apelidado de tudo e mais alguma coisa. Ou seja, não basta ser agredido e roubado, fora o susto apanhado, nem sequer se pode abrir a boca!

Continuando na mesma onda, foi mais um ano que demonstrou claramente que muitos dos nossos juízes tomam decisões que nos deixam boquiabertos, como deixar em liberdade os 17 marmanjos que atacaram um homem e muitos, mas mesmos muitos casos similares. E não me venham dizer que estavam, apenas, a cumprir a lei, como direi num post futuro, se é só uma questão de ler a lei e sai a sentença, bom, qualquer programa de Inteligência Artificial o faz. Mas se é para a interpretar, aí, sim, seriam precisos juízes humanos a sério.

E não esqueçamos o Tribunal Constitucional que provou novamente, caso ainda houvesse dúvidas, que faz política e não jurisprudência. Mas coitados, merecem uma fatia adicional do Orçamento para terem carrinhos novos... e computadores, dizem eles. Também será um tema a tratar futuramente, o facto de todo o gato-sapato ter direito a carro do Estado, leia-se, pago por todos nós, isto quando não têm, também, direito a motorista.

Outra situação em destaque, também pela negativa, foi o que se passa com o SNS em geral e as Urgências em particular. Só que deve ser também só “perceção”, é que de acordo com o senhor de Belém, “O SNS funciona muito bem”, usando como prova o atendimento que recebeu! As “razões” invocadas são sempre as mesmas, baixos salários, horários longos, enfim, o choradinho usual para explicar o inexplicável.

E lá temos 14 horas de espera numa Urgência, quando não é mais, e isto para doentes graves! Sem falar na inenarrável triagem via Linha Saúde 24, com um número longuíssimo que poucos ou nenhuns sabem de cor, o elevadíssimo número de bebés nascidos em ambulâncias – pelos vistos não ter uma equipa pediátrica completa nas Urgências faz perigar a vida de mãe e filho, mas o parto ser feito por bombeiros não – e a quase impossibilidade de ter uma consulta ou, pior ainda, uma operação em tempo útil.

Já agora, a situação só não é pior porque quem pode – nem que seja com um grande esforço financeiro – frequenta o setor privado, aliviando, assim, um pouco a procura. Imaginem que o BE e similares levavam a deles avante e acabavam com isto e íamos todos parar ao serviço público!

Passando à Comunicação Social, o jornalixo está bem e recomenda-se. Foram tantos os casos que se torna difícil escolher alguns. Um dos mais recentes foi o do assessor da ex-ministra anterior – palavras deles – acusado de pedofilia após uma pesquisa feita nos EUA. Só que... a ex-ministra é a atual ministra e o governo anterior era também de Montenegro e do PSD. Sim, após as eleições ficaram os mesmos em muitos cargos, mas houve uma nova tomada de posse. E não foi por distração jornalística que a notícia tem sido dada nestes termos, foi apenas para não dizerem que o dito criminoso esteve ligado a um governo PS.

Finalmente, a nossa esquerda, que vai de mal a pior, berrando e barafustando como se estivesse no poder, ou perto dele, em vez do que se passa realmente, o seu cada vez maior descalabro. A célebre flotilha foi o exemplo perfeito de como adere a “causas” descabidas.

Estão a ocorrer verdadeiros genocídios por todo o Norte de África, sempre perpetrados contra as minorias cristãs, o mesmo acontecendo na Nigéria e no Norte de Moçambique. Mas tudo bem, nem se fala disso porque “as fontes não são credíveis”. Já os dados do Hamas são totalmente fiáveis e não lhes deixam a menor dúvida. Há fome no Sudão, na Síria e em inúmeros outros lugares? Que importa, não são palestinianos – e continuo à espera de saber afinal quantos alimentos aqueles tão dedicados navegantes iam levar para Gaza...

E quando se trata de censura, bom, despedir aquela senhora Varela é um regresso ao fascismo, mas exigir a extinção do Chega é um ato democrático. Ou seja, cada vez mais a liberdade de expressão só existe para quem os “iluminados” aprovarem. Isto para não falar no silêncio atroador que envolve certas figuras, como a Meloni ou o Milei, porque, contra todas as previsões dos ditos senhores “bem-pensantes”, estão a fazer um bom trabalho só que... são “fascistas”.

Enfim, foi mais um ano para esquecer sob muitos aspetos, poucas coisas boas aconteceram no nosso país – exceto no desporto, em que houve brilharetes em modalidades pouco badaladas, a começar pela patinagem, e, sobretudo, no desporto feminino. Infelizmente, nem sequer é uma questão de “pão e circo”, é que, para além desses resultados não terem tido muito destaque público, os atletas em questão foram pouco (ou nada) incentivados pelo Estado.

E pronto, um post um tanto pessimista, a contrariar a minha muito repetida afirmação de que sou uma otimista nata...

Para a semana: Este vai ser o ano da melhoria! O que podemos fazer para melhorarmos quem somos e a sociedade em que nos inserimos?

20
Dez25

217 - Celebremos o Natal

Luísa

Não há a menor dúvida de que o Natal já foi uma festa bem mais religiosa do que o é atualmente. Mas também não as há em relação ao facto de ter tido sempre uma fortíssima componente cultural e familiar, de mãos dadas com a parte divina, digamos. Era uma data, talvez a única do ano fora funerais, em que a família tentava juntar-se toda e em que se fazia um esforço para ignorar – nem que fosse por um dia – quezílias e ódios de estimação, fazendo jus à muito badalada frase de “Paz no Mundo”.

Isto sem esquecer as prendinhas, até há relativamente pouco tempo trazidas pelo Menino Jesus – o célebre sapatinho na chaminé ou, para quem não a tinha, sobre o fogão da cozinha. Mais a cartinha ao Menino Jesus, escrita uns dias (ou semanas) antes a pedir os ditos, listinha comprida porque bem se sabia que pouco se iria receber e assim dava para ir cortando – já agora, e no seguimento do que disse em O melhor para os nossos filhos, estas prendas eram muito apreciadas pela sua raridade durante o ano e não ocorreria a nenhuma criancinha fazer birra por não ter recebido isto e aquilo ou, pior ainda, isto mais aquilo...

Um outro hábito que também só recentemente se espalhou é o de fazer a árvore de Natal em casa, uma novidade introduzida por D. Fernando, marido da rainha D. Maria II (o do Palácio da Pena), pensa-se que em 1840. Já o presépio, pequeno ou grande, não podia faltar – já agora, sabia que o Menino Jesus só deve ser ali posto dia 25 e os Reis Magos no Dia de Reis? E continua a ser feito em muitas casas, mesmo de pessoas que nunca põem os pés numa igreja, porque “é costume”.

Era, também, uma noite em que havia doces típicos e variados, talvez para equilibrar o prato principal de bacalhau cozido – bom, e outras coisas, pescada, polvo, uma combinação de dois deles ou, até, dos três. Mesmo famílias pobres faziam um esforço para ter uma mesa “apresentável”. Tudo a culminar na Missa do Galo, muito mais frequentada em povoações pequenas, claro, mas que para muitos continua a ser importante.

O mais curioso no nosso país é que, apesar da sua pequena dimensão geográfica, tem uma tremenda variedade de costumes associados a várias épocas do ano e o Natal tinha de estar incluído, claro. Muitos quase desapareceram com a introdução de hábitos importados – como comer peru na Consoada ou o Pai Natal – enquanto outros se mantiveram firmes, como os doces natalícios – apesar de terem sofrido alterações, como haver agora Bolo-rei quase todo o ano...

Felizmente, a campanha que decorre há anos para acabar com os festejos desta data coincidiram com o esforço que muitas povoações começaram a fazer para reviver costumes antigos e, até, para criar novos em honra desta época que se quer festiva. Por exemplo, há cada vez mais Aldeias Natal e o seu grau de complexidade também tem aumentado muito. E os mercados de Natal, muito típicos em certos países mais a norte, também se estão a espalhar um pouco por todo o lado.

A tentativa de acabar com o Natal não é um exclusivo nosso, claro. Mas atenção, esses “iluminados” só querem acabar com o termo Natal e com tudo o que possa parecer uma referência cristã, nada têm contra o feriado ou o subsídio de Natal... A solução usada em alguns países comunistas – Moçambique, por exemplo – foi chamar-lhe o Dia da Família. Só que... não pegou e as pessoas continuaram alegremente a falar de Natal.

Deixei de ser católica praticante há muitos anos, tornei-me, até, budista, mas irrita-me solenemente ver as tentativas, cada vez mais desesperadas, de gente que se acha bem-pensante para acabar com os festejos tradicionais. Para criar uma maior inclusão, dizem. Só que está a ter o efeito oposto. As escolas cancelarem a festa de Natal, por exemplo, situação que aposto que não surgiu, sequer, a pedido de pais muçulmanos. Consequência? Todos sabem que esse cancelamento se deu por causa deles, tenham-no pedido ou não, e isso gera... mais separação.

O mais curioso em que os mesmos que bradam contra festejar-se o Halloween por ser uma americanice e protestam por em lojas e restaurantes (e não só) se falar inglês porque é uma “subserviência aos estrangeiros” estão na linha da frente na exigência de acabar com o Natal – bom, e não só, babam-se com o folclore e costumes de países não europeus que visitam e por cá desprezam tudo isso.

Ora lembremos que para um cristão há duas datas religiosas importantes anualmente, Natal e Páscoa. E que, até bem recentemente, a maior parte da nossa população praticava, em menor ou maior grau, essa religião e que muitos dos nossos costumes nessas datas vêm de há muitos séculos. E vamos pôr de lado as nossas tradições só porque poderão “ofender” alguém?

Não, acho que todos – religiosos ou não – devemos celebrar esta data pela importância que tinha para os nossos antepassados e como modo de garantir que a nossa identidade cultural permanece bem viva. Sem esquecer que é uma muito boa oportunidade para um “regresso à infância” e para transmitir a familiares mais novos costumes e tradições de família ou da região onde crescemos.

Já agora, como a celebração do Natal nesta época do ano veio da tentativa da Igreja de pôr fim aos festejos do Solstício de Inverno – dia 21 de dezembro, bem pertinho, data importantíssima para os povos de então na Europa – será que os da “religião da paz e do amor” ficariam menos ofendidos e mais incluídos se passássemos a festejar essa data com o máximo de pompa e circunstância, fazendo jus às nossas ainda mais velhas tradições? Não sei bem porquê, mas suspeito que não.

E pronto, Feliz Natal – sim, se esperavam que eu dissesse Boas Festas ou algo similar, então é porque não me costumam ler.

Para a semana: Mais um ano que passou. Apesar de ser um cliché, não resisto a falar do ao que passou e do que aí vem.

13
Dez25

216 - E o caricato continua

Luísa

Primeiro, uma pequena explicação sobre o termo “caricato”. Bem sei que significa risível, ridículo e outros termos similares, mas ultimamente tenho-o aplicado a situações e casos em que, muito francamente, nem sei se hei de rir ou chorar.

Comecemos pelo concerto Juntos por Gaza, realizado para angariar fundos para a UNRWA, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina – sabem aqueles senhores que ajudaram o Hamas a esconder reféns e que tudo têm feito para ajudar esse bando terrorista. Mas o caricato não se fica, infelizmente, por aqui.

Será que todos esses cantores e outros apoiantes já se esqueceram de como tudo começou? Pois bem, foi precisamente com um ataque a um concerto pela paz a que assistiam inúmeros estrangeiros pró-palestinianos, o que não os poupou a serem mortos, raptados e, no caso de muitas raparigas, violadas, mortas e terem depois membros desse povo que tanto protegem a cuspir-lhes e a urinar-lhes em cima.

Passando a outro assunto, falemos do cancelamento da festa de Natal em muitas escolas para “não excluir ninguém”. Curioso, sempre houve alunos judeus e testemunhas de Jeová e isso nunca levou a esse cancelamento. Mas agora, com a invasão das crias dos praticantes da “religião da paz e da tolerância”, pronto, aqui estamos nós a mostrar “respeito”. Até a foto de Natal das criancinhas nas escolas passou a ter um cenário neutro – nesse caso, porque lhe chamam “foto do Natal” e porque é tirada nesta época?

Mais uma vez, não deixa de ser curioso que esse respeito só funcione num sentido. Por toda a Europa há Mercados de Natal cancelados ou rodeados de altíssimas medidas de segurança devido a ameaças feitas por esses tais elementos tão pacíficos – e não me digam que são uma minoria, se o fossem as mesquitas que pululam em todos esses países teriam criticado essas ameaças.

E no nosso caso, será que o pessoal que ocupou toda a Praça Martim Moniz e respetivas ruas para rezar no fim do Ramadão, sem ter pedido autorização para tal, se preocupou com a hipótese de poder ofender quem não é muçulmano?

Passando ao senhor de Belém que, felizmente, está de saída, voltámos a ouvir os seus elogios ao SNS aquando do seu mais recente internamento. Pelos vistos nunca resiste a ser caricato! É que, muito francamente, será que contactou – ou contactaram por ele – a Linha Saúde 24 para fazer a triagem telefónica? E quando chegou ao hospital, fez triagem, recebeu a respetiva pulseira e ficou a aguardar na sala de espera? Pois... é claro que não, nem isso seria de esperar quando se trata do Presidente da República, seja ele quem for. Mas tudo bem, o nosso SNS funciona lindamente, diz ele e dizem outros VIP como ele.

Tivemos, também, recentemente, o caso do gato do Chega que terá sido castrado na sede do partido e não numa clínica – curioso ter sido divulgado agora quando aconteceu há quatro anos... Fartei-me de ouvir veterinários a falarem com um ar muito douto dos perigos que uma intervenção dessas acarreta para o animal se não for feita numa clínica veterinária.

Ou seja, uma grávida pode dar à luz numa ambulância, no carro da família ou até na rua, como aconteceu recentemente, mas um gato não pode ser esterilizado em casa? Já agora, será que esses senhores veterinários têm algum conhecimento real do que se passa nas nossas zonas rurais? Ou acham que quando é preciso castrar um porco, por exemplo, o seu dono o mete, carinhosamente, num veículo para o levar a um veterinário, muitas vezes a uns bons quilómetro dali? E já agora, os galos também não podem ser capados em casa?

Passemos à Assembleia da República. Tinha planeado falar apenas da enorme indignação de uma deputada do BE por um deputado do Chega lhe ter mandado um beijinho de longe. Muito francamente, é caricato, atendendo, sobretudo, a que isso vem de um partido que está contra a proibição da burca, esse símbolo supremo da opressão feminina, digam elas o que disserem. Mais ainda, um partido que chama todo o tipo de nomes a mulheres que dizem ter receio de andar em certas zonas de Lisboa e de outras cidades porque são assediadas por imigrantes da religião que bem sabemos.

Mas como se isso não bastasse, a sua até à bem poucos dias líder, a maninha da flotilha, fez um gesto obsceno quando falava um deputado do CDS. Pior ainda, quando, perante as inúmeras passagens dessa cena nas TVs e redes sociais, decidiu dizer algo sobre o assunto, a sua “desculpa” é ser um gesto muito usado em concertos rock. Bom, pelo menos ficamos a saber o que acha que é a nossa AR! Quanto ao partido dela, o das queixas e queixinhas por tudo e por nada, bom, remeteu-se ao silêncio.

Finalmente, a greve “geral”. Já repararam que as centrais sindicais adoram este termo, só que, na realidade, é sempre e apenas uma greve do setor público, o privado está demasiado ocupado a trabalhar para lhes pagar os salários e as muitas ajudas de custo e subsídios que recebem? Mas o mais caricato foi ouvir falar do êxito da dita greve no setor da saúde, isto na mesma altura em que era anunciado o adiamento, mais uma vez, de cirurgias e tratamentos programados para fazer frente à época da gripe que se antevê ser feroz este ano.

Pois é, chamar caricato a tudo isto é pouco!

Para a semana: Celebremos o Natal. Mesmo quem não é religioso, leia-se, cristão, devia celebrar, à sua maneira, esta quadra festiva.

06
Dez25

215 - O melhor para os nossos filhos

Luísa

Este é, sem dúvida, um desejo de longa data de quem tem filhos. Infelizmente, durante séculos a sua concretização era praticamente impossível, quer por razões legais – o sistema rural medieval, por exemplo, com zero hipóteses de os filhos de um servo virem a ser algo diferente – quer pela pobreza vigente ou perturbações sociais. Mesmo assim tentava-se, colocando os filhos como aprendizes, por exemplo, ou juntando, pais e irmãos, todos os esforços para o “mais esperto” ir estudar.

A questão é que, passadas as muitas e dificílimas barreiras iniciais, o filhote tinha, de facto, uma vida melhor do que a dos pais, uma vez que ter uma profissão ou estudos era uma (quase) garantia de estabilidade financeira. Pequeno detalhe, o “beneficiado” com essa subida social sabia bem os esforços e sacrifícios, muitos deles feitos, até por si, que lhe tinham dado origem.

As coisas mudaram bastante nas últimas décadas e a um ritmo cada vez mais acelerado. O que pouco ou nada mudou foi essa vontade de dar aos filhos a tal vida melhor. Só que...

Para quem passou dificuldades económicas – e não eram poucas no Portugal de há umas décadas – a tal melhoria é vista em termos puramente financeiros, ou seja, uma casa melhor, mais dinheiro, etc. Tudo bem, é um objetivo bom... pelo menos à primeira vista. Ou seja, o problema não está nisso mas no modo como se age para lá chegar.

As criancinhas, por exemplo. Para muitos pais, que pouco ou nada tiveram em miúdos, o sonho é dar aos rebentos tudo e mais alguma coisa, para que “não passem pelas dificuldades que eu passei.” Mas isso tem vários efeitos adversos para o bem-estar futuro dos destinatários de tantas benesses. Habituando-se desde bem cedo a receberem tudo o que pedem – ou, em muitos casos, exigem – não dão valor a nada. É que, muito francamente, um brinquedo único e muito “namorado” sob a Árvore de Natal brilha bem mais do que um monte de coisas pedidas, muitas vezes, apenas porque passaram na televisão ou “toda a gente tem”.

E, embalados na ideia de que a bolsa dos pais é um saco sem fundo, se surgem problemas financeiros que exijam alguma contenção nas despesas, pois é, entram logo em depressão, como está na moda dizer-se, porque deixou de bastar abrirem a boca para receberem – atitude essa que muitos levam, com efeitos péssimos, para a idade adulta.

Há ainda um outro aspeto desta questão. Como parte do tal desejo de os filhos terem o que eles não tiveram, muitos pais escondem-lhes a realidade financeira da família porque “são demasiado novos para se preocuparem”. Penso que já contei o caso de uma turma do liceu, penso que do 10º ano ou ainda mais velhos, a quem pediram que dessem o preço de vários artigos. Pois bem, coisas como pão, leite, etc. foram tremendamente subestimadas, sendo um choque total descobrirem o seu preço real. Já jogos de computador... acertavam ao cêntimo.

Ou seja, para além de crescerem com a ideia de que basta abrir a boca para terem tudo o que querem, muitas crianças e jovens crescem totalmente alheios ao rendimento da respetiva família e às despesas mensais inevitáveis a que têm de fazer frente. Isto sem esquecer que muitas dessas despesas são prestações para pagar artigos que se calhar já nem usam ou, até, que já se estragaram.

Atenção, não digo que se façam os filhos passar dificuldades sem que haja, de facto, necessidade, acho é que se dá demasiada ênfase à parte material. O que será mais útil para uma vida melhor em adultos, satisfazerem-lhe todos os caprichos e mantê-los numa redoma estanque ou encorajar boas qualidades, o gosto pelo trabalho, o prazer de ter algo obtido pelo nosso esforço, só para citar algumas.

Não seria, também, melhor dar menos ênfase às coisas e mais ao tempo passado juntos e a atividades partilhadas? Isto não lhes daria uma bem maior estabilidade emocional, não seria, de facto, uma melhor base para se lançarem à descoberta do que os satisfaz, de facto? E, acima de tudo, demonstrar que “viver melhor” não se resume à parte económica, não faltam pessoas abastadas que vivem vidas miseráveis.  

Há ainda a ênfase que muitas famílias dão a estudos universitários, não porque os filhotes gostem de estudar mas pela ideia, vinda de trás, de que ter um curso é uma garantia automática de uma vida melhor. Só que agora, quando todo o gato sapato, mais o papagaio e o cão, têm um, estes deixaram de ser o que eram há ainda bem pouco tempo. E em muitos casos, uma formação profissional ou um curso técnico dariam bem mais garantias de um futuro risonho – bom, se conseguirem encontrar onde o fazer...

Resumindo, em vez de pensarmos no futuro dos filhos meramente em termos materiais, dando-lhes tudo e mais alguma coisa, muitas vezes com graves consequências para o orçamento doméstico, seria bem melhor prepará-los para enfrentar a vida e tudo o que ela traz, de bom e de mau. Sem esquecer que, à velocidade com que o mundo muda atualmente, não há mesmo garantias de que o que é bom hoje, materialmente falando, o seja também amanhã.

E talvez assim não tivéssemos tantos jovens que, ao mínimo percalço que sofrem na vida, se vão totalmente abaixo e não fazem a menor ideia de como reagir, tendo crescido com a ideia de que o mundo lhes deve tudo e mais alguma coisa e que caso não possam satisfazer de imediato os seus caprichos... é o fim do mundo!

Para a semana: E o caricato continua. Mais alguns pequenos casos que até custa a crer que aconteçam.

29
Nov25

214 - O 25 de novembro

Luísa

O ano passado falei também desta data em A “querida” esquerda, em que referi, entre outros assuntos, a enorme renitência da esquerda – e não só – em celebrar este dia e da sua teimosia, ou antes, casmurrice, em continuar a afirmar que foi um contragolpe feito para voltar ao salazarismo.

Nesse sentido, pouco ou nada mudou, tivemos até o inenarrável “senhor de Belém” a dizer no seu discurso que foi a data em que o país virou à direita. A sério? Eu diria que foi o momento em que Portugal se afastou, mais ou menos, do percurso traçado pela extrema-esquerda representada então por esses bons lacaios da URSS, o Partido Comunista Português.

O grande argumente – e pretexto para a ausência desses “bons democratas” da cerimónia na Assembleia da República – é que quem deseja celebrar o 25 de novembro está a menosprezar a data gloriosa que é o 25 de abril e as suas conquistas. Bom, e do ponto de vista do PCP, até há uma certa razão, foi quando esse partido perdeu o controlo do país e a esperança de aqui implementar uma “ditadura do povo” satélite da URSS, à semelhança das muitas então existentes na chamada Europa de Leste.

Só que eu nunca entendi muito bem porque é que o PCP reclama a autoria do movimento de abril. É que o que sucedeu em 25 de abril de 1974 nada teve a ver com esse partido, foi algo independente e que até os apanhou de surpresa – ou acham que se soubessem o que ia acontecer o Cunhal não estaria em Espanha ou, até, escondido algures em Portugal pronto para aparecer?

Não, o PCP teve, isso sim, tudo a ver com o que aconteceu entre 26 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975: a imposição de uma nova censura contra tudo o que pudesse ser visto como crítico do regime soviético, os despedimentos de quem não assinasse de cruz tudo o que os camaradas queriam – ou, pura e simplesmente, lhes desagradavam – e as prisões e torturas por razões políticas, isto fora o clima de terror, sim, é o termo certo, que se viveu durante esses meses em Portugal graças ao querido PREC.

Já agora, como está na moda pedir desculpa por tudo e mais alguma coisa, será que o PCP tenciona fazê-lo a todos os afetados por esse período terrível? E, melhor ainda, relativamente à chamada “descolonização”, ou antes, à entrega das colónias portugueses a partidos cuja única virtude era serem subsidiados pela URSS, também o vão fazer aos muitos milhares de “retornados” (tema a que voltarei em breve) e, sobretudo, aos angolanos, moçambicanos, etc. por os terem entregue, sem a menor hesitação, a quem não tinha os seus interesses em mente, como se tem visto, aliás, nestes 50 anos de independência desses países?

Pois, bem podemos esperar sentados.

Já agora, esta semana O Observador publicou vários artigos de opinião sobre o assunto, de que destaco O 25 de Novembro, de Zita Seabra – em que fala das suas experiências, lembremo-nos de que era militante comunista de topo – e Os incomodados de Novembro, de Rui Ramos, de que gostei bastante.

Passando às comemorações em si, foi gritante o contraste com as do 25 de abril, um dia em que somos bombardeados, de manhã até à noite, com celebrações, discursos, desfiles, entrevistas, documentários e tudo e mais alguma coisa. Até a cerimónia na Assembleia da República, uma estreia absoluta e, por isso, merecedora de algum destaque, foi enfiada no meio dos noticiários e com pouco destaque – não que anseie por ouvir discursos de políticos, mas deram-lhes um tempo mínimo de antena numa data que se pretendia ser solene.

Tivemos, claro, a ausência mais do que anunciada do PCP, que continua a agir como se estivéssemos no período antes do 25 de novembro e ainda mandasse do país, e para quem só os saudosistas de Salazar, ou seja, os fascistas ou candidatos a tal, celebram esta data. Ficou, até, bem claro que se consideravam ofendidos por a cerimónia se ter realizado apesar de eles não a quererem. Pois, os bons democratas são assim, não lhes interessa a opinião dos outros nem menos quando esses outros constituem a maioria.

Veio, depois, a “luta” caricata entre rosas brancas e cravos vermelhos, estes levados para a Assembleia da República por deputados de esquerda, claro, e postos sobre a decoração de rosas da tribuna principal. Retirados por Ventura, foi um elemento do PSD, o último a falar, a colocar de novo um cravo vermelho sobre a decoração de rosas – bom, pelo menos alguém eleito por esse partido, mas não nos esqueçamos que o futuro professor na Califórnia também diz ser um militante dele, foi, até, um seu (curtíssimo) presidente.

Como a razão dada foi que não devíamos esquecer o muito que devemos a abril, espero, francamente, ver para o ano algumas rosas brancas a serem postas sobre os cravos vermelhos durante a cerimónia do 25 de abril! É que se em novembro não podemos esquecer Abril, então o contrário também tem de ser verdade e temos de relembrar aos saudosistas do PREC quando é que a democracia, na verdadeira aceção desse termo, chegou, de facto, a Portugal.

Como digo, não costumo ouvir discursos de políticos, mas, ao fazer zapping, ouvi a Mortágua, a nossa “heroína navegante”, a lastimar que na celebração desta data – que ele contesta, diga-se de passagem – o governo estivesse a elaborar um pacote laboral para acabar com os direitos dos trabalhadores, direitos esses conquistados, claro está, no 25 de abril. Fica, evidentemente, implícito que a culpa deste golpe nos sacrossantos direitos adquiridos está no 25 de novembro e, acima de tudo, em quem celebra esta data.

Enfim, já passou, infelizmente ainda temos pela frente quase dois meses de politiquices com as eleições do próximo ano.

Para a semana: O melhor para os nossos filhos. Todos o dizem mas, infelizmente, o “melhor” resume-se, quase sempre, a coisas materiais.

22
Nov25

213 - Já chega do choradinho do racismo!

Luísa

Não sou, certamente, a única neste país – e não só – totalmente farta de ouvir acusações de racismo e de xenofobia por tudo e por nada, bom, quase sempre por nada. E os dois recentes cartazes do Chega deram, sem dúvida, pano para mangas para os “indignados” do costume.

Ora vamos por partes, a começar pelos ciganos. Sim, não há dúvida de que as leis existem para serem cumpridas por todos e que destacar os ciganos poderá parecer, à primeira vista, discriminatório. Mas só à primeira vista, uma vez que  o problema está na realidade a que assistimos diariamente, pior ainda, que muitos sofrem na pele sem nada poderem fazer a esse respeito.

Por exemplo, as invasões das Urgências, com agressões a tudo e a todos porque “têm o direito” de ser atendidos primeiro. Porquê? Simplesmente por serem ciganos? Ou a cena a que assistimos em que 13 energúmenos atacaram um homem e, ao serem libertados pelo tribunal (!) foram aclamados como heróis pelos familiares que os aguardavam.

Temos também os protestos pela frase “Portugal não é o Bangladesh”, vista como racista e xenófoba. Pois bem, vamos a umas pequenas comparações. O que aconteceria a um grupo de cristãos que decidisse, no Bangladesh, ocupar, sem autorização, uma praça pública para realizar uma missa de Páscoa ou de Natal com o pretexto de não haver um espaço adequado para todos? Pois, aposto que nada de bom!

E se, também no Bangladesh, grupos de brancos ocupassem ruas em pleno centro de uma cidade, impedindo o acesso a lojas, agredindo quem se atrevesse a fazer-lhes frente e assediando as mulheres que por ali passassem? Mais ainda, e se decidissem arranjar emprego como taxistas ou algo similar que exigisse contacto com as pessoas locais, tudo isso sem falarem uma palavra de bengali?

Segue-se o Brasil, que até vai criar uma comissão para combater o racismo e a xenofobia em Portugal! Curiosamente, é rara a semana em que não há um relato de um crime violento cometido por brasileiros, muitos deles assinalados há muito pela polícia do Brasil como sendo criminosos nesse país ou membros de gangues violentos. Que me conste, não vieram a nado para Portugal! Ou seja, passaram todo o tipo de controlos antes de poderem embarcar para cá. Tradução, o serviço de fronteiras do Brasil sabia exatamente quem estava a deixar sair desse país com destino ao nosso – e deixaram-nos vir?

E se estão a pensar que é a nós que compete vigiar quem chega, como é que o podemos fazer devidamente sem termos acesso a dados fundamentais, como o cadastro criminal dessas pessoas? Sem contar que, mal tentamos apertar a malha, somos logo acusados de... racismo e xenofobia, claro está.

Em todos estes casos, não deixa de ser curioso ver que todas essas organizações de defesa disto e daquilo estejam sempre prontas a insultar-nos quando cometemos o grave pecado de barafustar contra comportamentos criminosos de estrangeiros ou das chamadas etnias minoritárias. Pior ainda, todas essas acusações funcionam apenas num sentido, ou seja, para essas mentes “iluminadas” um branco nunca é vítima de racismo, mais ainda, se a questão envolve duas etnias, ignora-se – veja-se o caso de pai e filho ciganos, um ferido e o outro morto num desacato com negros já não sei bem onde, que mal foi citado na comunicação social.

E quanto à criança brasileira que ficou com dois dedos decepados, não é curioso haver já tantos advogados a aparecerem para realizarem acusações formais contra tudo e todos? Mas nos casos que têm sido noticiados em que um grupo agride brutalmente a soco e pontapé um colega não há nada? Pois, é preciso haver a conjugação certa de nacionalidades e cor da pele...

Não seria bem mais útil se todas estas associações trabalhassem para que os que dizem representar se adaptem ao nosso país? Criticando, também, veementemente, os que cometem crimes ou se comportam de um modo que não se coaduna com as nossas leis e costumes. Por exemplo, no caso da organização do Bangladesh, criarem aulas de português e de conhecimento do nosso país e dos nossos hábitos, tradições e costumes. É que, muito francamente, começa a ser cada vez mais inconcebível ter motoristas Uber que não falam português e, pior ainda, condutores de tuk-tuk que, lembro, funcionam como guias, que nada sabem da cidade que estão supostamente a mostrar.

E a Techari, em vez de dizer que “luta contra a discriminação” de que diz que os ciganos são vítimas apenas por o serem, que tal fazer um esforço para garantir que os seus representados agem como cidadãos portugueses respeitadores das leis do país que é o seu? E já chega de falar de programas de inserção na nossa sociedade, todos eles pagos a peso de ouro e totalmente inúteis: ao fim de tantos séculos, ainda não tiveram tempo de se adaptar?

Quanto ao Governo do Brasil, faria bem mais pelo bom acolhimento dos seus cidadãos em Portugal se executasse uma triagem minuciosa sobre quem viaja até cá – nada de criminosos conhecidos, por exemplo. E se, no espírito dessa coisa do “país irmão”, trabalhasse com o nosso para garantir a expulsão rápida de quem tem comportamentos antissociais ou até mesmo criminosos e que levam à revolta dos que não têm outro remédio senão aturá-los e que até são, espanto dos espantos, muitas vezes também brasileiros, mas dos que acatam as nossas leis e se esforçam por ganhar a vida de um modo honesto.

Repito, abaixo o choradinho, está mais do que na altura de lidar a sério com o racismo na sua verdadeira aceção: discriminação com base, única e exclusivamente, na cor da pele, seja ela qual for. Mas tendo o cuidado de analisar as situações, caso a caso, para ver se não há mais nada por detrás delas – é que, pelo menos para mim, um mau comportamento deve ser sempre condenado, venha da parte de quem vier.

Para a semana: Funcionários públicos. Com as greves anunciadas, talvez seja altura de falar desta classe cheia de direitos consagrados

15
Nov25

212 - A propósito das tempestades desta semana

Luísa

Tivemos esta semana uns dias terríveis, entre chuva, vendavais e todo o tipo de cheias e destruição, infelizmente também com feridos e, pior ainda, alguns mortos. E, apesar de os serviços meteorológicos terem alertado para a chegada de mau tempo, penso que poucos esperariam que fosse assim tão catastrófico.

Já falei anteriormente – bem recentemente, aliás – deste tema a propósito da Tempestade Martinho em Falemos de Catástrofes, em que referi, nomeadamente, a criação de um kit pessoal de emergência, não no seu sentido clássico (água, comida...) mas sim com pequenas coisas como cópias dos documentos, medicamentos, um carregador / extra para o telemóvel, lanterna, etc. E, a nível da sociedade, tentar fazer o que se pode para não sobrecarregar os serviços de emergência.

Pelo que vimos nestes dias, ficou, mais uma vez provado, que pouco podemos fazer quando a natureza desencadeia uma boa parte do seu poder. É que, ao contrário do que se passa em certas obras de ficção científica, o nosso nível científico e tecnológico não nos permite controlar o clima e muito menos os seus excessos.

Mesmo assim, há muita coisa que se pode fazer, sobretudo para atender ao que se passa durante e depois. Pequeno detalhe, fiquei agradavelmente surpreendida com reportagens de Nisa em que, na própria noite dos estragos fizeram “remendos” nos telhados afetados para evitar que esses moradores ficassem desalojados e no dia seguinte, mal melhorou um bocadinho, começaram logo a trabalhar para reparar os estragos.

Não irei falar em modos de evitar problemas como as cheias, por exemplo – sim, sarjetas e valetas entupidas têm muitas culpas no cartório – limitando este post à parte humana da questão, uma vez que não estamos minimamente preparados para enfrentar qualquer tipo de catástrofe. Já agora, uma das razões apontadas por toda a Europa para o aumento da frequência e gravidade das ditas cheias está na “pavimentação” das margens com construções junto à água, nem que sejam apenas passeios cimentados, o que impede os solos vizinhos do curso de água de poderem absorver a água da chuva.

Hoje vi uma reportagem em que um senhor – lamento, não fui a tempo de ver o nome, só sei que tem a ver com um programa escolar chamado Quando a Terra treme – falava, precisamente, da nossa falta de preparação para catástrofes, sugerindo que a célebre cadeira de Cidadania englobasse este tema. E deu como exemplo o Japão, país onde, entre sismos, erupções vulcânicas e tempestades com as respetivas cheias, não faltam catástrofes naturais.

É, também, um exemplo do modo como uma comunidade reage perante algo totalmente fora do seu controlo. Aliás, a União Europeia tem em mira um programa de preparação para catástrofes e tem andado a consultar, precisamente, o Japão para se inspirar.

Mas enquanto esperamos, como andam as coisas por cá?

Primeiro ponto negativo, não sei se fui um caso isolado mas não recebi qualquer aviso da tempestade por parte da Proteção Civil – e já os tenho tido por coisas bem menos fortes. Ora estes alertas são vistos como um passo fundamental para a segurança das populações. Voltando ao Japão, há alertas para tudo e mais alguma coisa, até ondas de calor excessivo, esse país tem, até, um dos melhores sistemas de previsão meteorológica do mundo. E esses alertas são levados muito a sério por quem os recebe!

Bom, é claro que também tem uma das populações mais cumpridoras de indicações e conselhos governamentais, nunca lhes ocorreria circular de carro em zonas onde isso estava proibido, como vimos acontecer por cá.

Outra coisa que o Japão também tem é a “mochila de sobrevivência” recomendada para todos os seus habitantes, mas não voltarei a falar disso, não faltam exemplos na Internet e, atendendo ao tipo de problemas que somos mais suscetíveis de ter e à dimensão do nosso país, seria bem mais útil criar um modelo mais adequado para nós – entretanto, dei, como disse, algumas indicações no post acima citado.

Mas o ponto mais importante desta questão está no espírito comunitário após a catástrofe. Graças à educação recebida, sabem exatamente o que devem e não devem fazer, para onde ir e como ajudar dentro das suas capacidades.

Sei que a reação normalíssima de quem se vê numa situação destas é esperar pela chegada dos serviços de socorro. Infelizmente, e por muito esforçados que estes sejam, ficam sempre aquém das necessidades em situações realmente catastróficas. Seria, pois, bem útil podermos ir fazendo alguma coisa para resolver as situações mais fáceis, ou antes, as menos difíceis.

E é aqui que entra – ou devia entrar – o espírito comunitário acima referido: em vez de cada um tentar ir fazendo umas coisinhas, unir-se o bairro, a aldeia, a zona toda, enfim, para começar a agir antes da chegada dos socorristas. Mas para que isto possa ser eficaz, faltam duas coisas: conhecimentos técnicos, digamos, e vontade de agir em conjunto.

É que de nada adianta começar a remover destroços, por exemplo, em busca de sobreviventes se quem o faz acaba por se magoar. Ou se, ao tentar tratar de um ferido, o prejudica em vez de o ajudar. Isto vai no seguimento de algo que referi em posts sobre incêndios em que, perante imagens que se repetem de “civis” a combaterem as chamas enquanto esperam pelos bombeiros, sugeri que lhes fosse dado um treino mínimo para poderem ser mais eficazes.

Quanto à vontade de agir em conjunto, bom, não é tanto vontade, é mais ganhar o hábito. Sobretudo em povoações mais pequenas, criar toda uma teia de ligações que permitam definir rapidamente quem está bem e quem precisa de ajuda, sem sobrecarregar as redes de comunicações e, mais importante ainda, sem deixar pessoas de fora por não terem familiares ou amigos na zona – sobretudo os muitos idosos que vivem sozinhos.

Basicamente, já chega de enterrar a cabeça na areia, catástrofes destas sempre aconteceram e continuarão a acontecer, é mais do que altura de nos prepararmos para as enfrentar – só espero que não aconteça como na preparação para sismos, em que há pais que não deixam os filhos ir à escola nesse dia ou faltam ao emprego para “não ficarem impressionados”!

Para a semana: Já chega do choradinho do racismo! Não passa um dia sem vermos alguém a queixar-se de que "é racismo, é xenofobia"... mas sempre só num sentido, claro está!

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